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6 de fev. de 2026

A CONVERSÃO NO CAMINHO MISTAGÓGICO DA QUARESMA


 


 O mês de março deste ano de 2026 celebra quatro Domingos quaresmais, do 2DTQ-A ao 5DTQ-A. A Quarta-feira de Cinzas e o 1DTQ-A são celebrados no final de fevereiro 2026. Esta pedagogia considera os Domingos quaresmais juntamente com a celebração da Quarta-feira de Cinzas.

 

A Quaresma do Ano A é conhecida pela sua mistagogia catecumenal que, em nossos contextos sociais, ao menos na maior parte de nossas realidades, tem a ver com o compromisso da vida cristã. As propostas celebrativas do SAL consideram o enfoque da CONVERSÃO. O convite e a condução da Liturgia visam compreender a conversão como um processo sempre necessário na vida cristã.

 

Não se converte de uma vez por todas, pois vivemos em processo de conversão contínua. Todos os dias, a cada momento da vida, existe a necessidade de converter-se. O que existe, e com o qual muita gente faz confusão, é a opção pelo discipulado. Esta é feita uma vez para sempre. O caminhar na estrada de Jesus como discípulos e discípulas exige a conversão para se configurar a Jesus Cristo.

 

O programa inicial e a conclamação comunitária da Quaresma, digamos assim, encontram-se na Quarta-feira de Cinzas, com o apelo para rasgar os corações: rasgar os corações e não somente as vestes. Não só a exterioridade, aquilo que aparece, que são apenas mudanças de comportamentos e hábitos, às vezes viciosos, mas uma conversão que brota do coração, onde cada qual é o que é.

 

Este é o apelo que está considerado no enfoque do contexto mistagógico das propostas celebrativas do SAL para a Quaresma de 2026: a conversão como atividade natural da vida cristã. Por “natural”, entendo um processo existencial próprio da vida cristã. Ser cristão, ser cristã é ingressar na dinâmica da conversão que durará por toda a vida.

 

Existe motivo para isso? Sim, as tentações, propostas no 1DTQ-A. Somos continuamente tentados, todos os dias, em todos os momentos, em diferentes circunstâncias da vida. A tentação está dentro de nós, como diz São Tiago, falando das concupiscências (Tg 1,12-15).

 

No 1DTQ-A, a Liturgia propõe a tentação dos primeiros pais, Adão e Eva, e as três tentações que aconteceram com Jesus Cristo, no deserto: a tentação da “religião fácil”, que faz milagres e transforma pedras em pães; a tentação do poder religioso; e a tentação de ser possuído pelo poder econômico e político para dominar o mundo.

 

O processo da conversão inicia-se tomando contato com as tentações, com aquilo que cria obstáculos para se manter no discipulado. Jesus, no deserto, totalmente isolado e sozinho, reage às tentações pela fidelidade ao projeto divino.

 

Também a Transfiguração de Jesus, no 2DTQ-A, pode ser considerada nesta mesma ótica, agora do ponto de vista dos discípulos e do discipulado. Antes de vê-lo desfigurado pela flagelação e crucifixão, o que poderia tentar os discípulos ao abandono, Jesus é transfigurado e revela sua natureza divina para fortalece-los na fé.

 

A conversão nos 3 Domingos quaresmais

Os dois primeiros Domingos da Quaresma apresentam a realidade humana no processo da conversão diante das tentações. Nos outros três Domingos, 3DTQ-A, 4DTQ-A e 5DTQ-A, a conversão, nas propostas celebrativas do SAL, será apresentada em três atitudes que fazem parte do processo da espiritualidade litúrgica.

 

Um dos passos desse processo consiste na atenção para não cair na tentação das reclamações e murmurações contra Deus diante de situações adversas. É assim que Deus apresenta o modo como o povo cai em tentação: “porque tentaram o Senhor, dizendo: o Senhor está no meio de nós, ou não?”  (1L – 3DTQ-A).

 

É a tentação das murmurações, das reclamações, com sua capacidade de conduzir consigo outras pessoas sem avaliação dos fatos. Simplesmente vão reclamando juntas e amontoando motivos, nem sempre plausíveis ou avaliados. O 3DTQ-A pede atenção, propondo o Evangelho da samaritana.

 

Também a samaritana reclama da sua situação de buscar água todos os dias. Jesus a acolhe e a ajuda a vencer a tentação, propondo o Evangelho em forma de diálogo. Vencer a tentação de se fechar na queixa e na reclamação, dialogando com o Evangelho. Isso se faz pela meditação e, à medida que vai se tornando hábito, torna-se passo firme no processo da conversão. Converter-se é dialogar com Jesus, ouvindo e colocando a vida pessoal diante do Evangelho, como fez a samaritana.

 

O contato com o Evangelho vai acender luzes no coração da pessoa: luzes de discernimento, de atenção à vida espiritual, de cuidado com quem convivemos e, principalmente, como aconteceu com o cego de nascença, luz para professar a fé de que Jesus Cristo é o Senhor, o Salvador. Esta é a mistagogia do 4DTQ-A.

 

No “Domingo Laetare”, como é liturgicamente conhecido o 4DTQ, os celebrantes compreendem que converter-se é acender a luz do Evangelho no coração e, a exemplo do cego de nascença, depois de ser interrogado pela sociedade e pelos poderes sociais, encontrar-se com Jesus e professar a fé de que ele é o Messias. A luz com a qual Jesus ilumina os olhos do cego de nascença é para ver e reconhecer Jesus como o Messias. A partir daí, começa-se a viver como convertido, como filhos e filhas da luz, no dizer de São Paulo (2L - 4DTQ-A).

 

Viver como filhos e filhas da luz é um passo necessário para deixar a sepultura existencial e reviver pela Palavra de Jesus. A conversão é uma dinâmica de reavivamento, de ressignificação da vida. É ouvir a voz de Jesus dizendo: “vem para fora” (E - 5DTQ-A).

 

Na conclusão dos Domingos quaresmais, neste ano de 2026, com a proposta da catequese simbólica catecumenal do Ano A, somos iluminados com a luz da conversão para compreender alguns aspectos em que ela consiste, como acontece processualmente em nossas vidas e, no 5DTQ-A, o que produz: vida nova.

 

Conclusão

Em todo este texto, fiz questão de ressaltar a dinâmica processual da conversão. Trata-se de um processo e, sendo processo, é algo dinâmico que exige o esforço de se colocar a caminho na estrada de Jesus.

 

A conversão acontece quando nos colocamos em conversa com Jesus e pedimos que tire nossa sede de vida com sua água viva, presente no Evangelho (3DTQ-A). A conversão demonstra sua dinamicidade caminhando ao encontro de Jesus e reconhecendo-o como Messias, como fez o cego de nascença, com seus olhos iluminados pela luz de Jesus Cristo (4DTQ-A). Por fim, a conversão se apresenta como necessidade de deixar cenários de morte para viver, sendo conduzidos pelo Espírito Santo que habita em nós (5DTQ-A).

Serginho Valle

Janeiro 2026 


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