15 de out. de 2026
2 de out. de 2026
A Liturgia pode ser um espaço de evangelização?
outubro 02, 2026 Serginho Valle
PASTORAL DA LITURGIA
A Liturgia pode ser um espaço de evangelização?
Celebrações evangelizadas, celebrações evangelizadoras
Outubro de 2026 · Serginho Valle
· Pastoral DA Liturgia,
Evangelização
A Liturgia começa na vida, passa pela
celebração e retorna à vida
Há uma
pergunta que precisamos fazer com mais frequência em nossas comunidades, em
especial nas comunidades paroquiais interessadas e dedicadas à sua finalidade
primeira: a evangelização. Em se tratando de Liturgia, vale perguntar: as
pessoas que participam de uma celebração litúrgica são evangelizadas e vivem de
modo evangelizado?
É uma
pergunta instigante, porque centenas e milhares de pessoas participam de
celebrações litúrgicas, mas, do ponto de vista evangelizador, o resultado
muitas vezes deixa a desejar.
A Liturgia
não existe apenas para ser cerimônia religiosa. Ela existe para que o Mistério
de Jesus Cristo seja celebrado e transforme a vida dos celebrantes, tornando-os
mais evangelizados.
É aqui que
aparece uma dimensão frequentemente esquecida — e talvez ainda mais esquecida
em nossos dias: a dimensão evangelizadora da Liturgia, presente nas celebrações
litúrgicas sacramentais. Em todas as celebrações litúrgicas!
Celebrar não é apenas realizar um rito
Uma
celebração litúrgica pode estar perfeitamente organizada e ser realizada
conforme as rubricas. Os leitores podem estar preparados, os cantos bem
escolhidos, os ministros em seus lugares, os objetos litúrgicos adequadamente
dispostos e todos os momentos realizados conforme aquilo que está previsto.
Tudo isso é importante. Mas o que essa celebração está dizendo para a vida dos
celebrantes?
A Liturgia
não é uma representação religiosa que termina quando acaba a celebração. Na
Liturgia, a Igreja celebra o Mistério Pascal de Cristo. E, ao celebrar esse
Mistério, precisa alcançar a existência concreta de cada celebrante e tornar-se
testemunho cristão.
Por isso,
uma celebração verdadeiramente evangelizadora não pode ficar fechada dentro do
espaço da igreja. Aquilo que celebramos precisa continuar na vida — e na vida
cristã, quer dizer, vida evangelizada. A pessoa que participa da Eucaristia é
enviada a viver aquilo que celebrou. A Palavra que foi proclamada precisa
encontrar espaço na existência. O perdão celebrado precisa transformar
relações. A comunhão recebida precisa gerar comunhão na comunidade. A esperança
celebrada precisa alcançar aquele que vive momentos de sofrimento. É nesse
sentido que podemos falar da Liturgia como espaço de evangelização, com
celebrações evangelizadas e evangelizadoras.
A Liturgia evangeliza sem deixar de ser Liturgia
Quando
falamos em evangelização, existe o risco de pensar imediatamente em pregação,
encontros, cursos, retiros, catequese ou atividades missionárias. Tudo isso,
evidentemente, faz parte da missão evangelizadora da Igreja.
Mas a
Liturgia possui uma maneira própria de evangelizar. Ela não evangeliza
simplesmente porque alguém aproveita a celebração para fazer uma explicação do
Evangelho. A celebração litúrgica em si é evangelizadora. Cada celebração
sacramental, no seu modo próprio de ser celebrado, participa da ação
evangelizadora da Igreja — especialmente a celebração eucarística, centro da
vida cristã — e todo o percurso do Ano Litúrgico, organizado como projeto
pedagógico evangelizador.
A EUCARISTIA
“Cada celebração sacramental participa da ação
evangelizadora da Igreja — especialmente a Eucaristia, centro da vida cristã.”
A própria
celebração é evangelizadora. Ela anuncia Cristo. Ela proclama a Palavra. Ela
reúne a comunidade. Ela faz memória do Mistério Pascal. Ela conduz ao encontro
com o Senhor. Ela alimenta a fé. Ela envia para a missão. Por isso, não
precisamos transformar a Liturgia em uma aula, em uma pregação longa ou em um
espetáculo religioso para torná-la evangelizadora. Precisamos, antes, permitir
que a própria Liturgia realize aquilo que lhe é próprio.
Isso exige
uma compreensão pastoral da celebração.
A pergunta muda tudo
Quando uma
Equipe de Liturgia prepara uma celebração, normalmente surgem perguntas
importantes, do tipo: Qual será o canto? Quem fará as leituras? Como será a
procissão? Quais símbolos serão utilizados? Como organizar os ministros? Tudo
isso, evidentemente, é importante e precisa ser pensado.
Mas existe
uma pergunta que pode mudar completamente a preparação:
O que queremos que os
celebrantes experimentem e compreendam ao celebrar o Mistério da Salvação nesta
celebração litúrgica?
Essa
pergunta desloca nossa atenção. Deixamos de pensar somente na execução da
celebração e começamos a pensar em sua ação pastoral. A celebração litúrgica é
uma atividade pastoral. É aqui que começamos a compreender a proposta daquilo
que denomino como Pastoral DA Liturgia, que tem como finalidade favorecer uma
celebração verdadeiramente evangelizadora.
Não se
trata de inventar coisas para tornar a celebração “mais bonita”. Não se trata
de acrescentar símbolos simplesmente porque são interessantes. Não se trata de
transformar a Missa em um espetáculo religioso.
Trata-se de
compreender que cada elemento da celebração possui uma dinâmica pedagogicamente
evangelizadora. A Palavra evangeliza. O silêncio evangeliza. O canto
evangeliza. Os gestos evangelizam. A participação ativa e consciente
evangeliza. A oração evangeliza. A assembleia reunida, Sacramento da Igreja
viva, evangeliza.
Tudo isso
conduz os celebrantes a uma experiência sempre mais profunda do Mistério
celebrado, porque tudo está envolvido na dinâmica evangelizadora da Liturgia,
especialmente quando compreendida à luz da mistagogia do Ano Litúrgico.
Uma Liturgia que considera as pessoas
A Pastoral
DA Liturgia começa quando deixamos de olhar somente para aquilo que precisamos
fazer e começamos a olhar também para as pessoas que formam a assembleia
celebrante. Quem são elas? O que estão vivendo? Quais são suas esperanças?
Quais são suas dores? O que procuram quando entram em uma igreja? Que Palavra
precisam escutar? Que experiência de Deus podem fazer nesta celebração?
É preciso considerar
que a Liturgia, especialmente a Missa, não é celebrada em contexto neutro e
alienado da vida dos celebrantes. A Liturgia sempre é celebrada com um povo
concreto, numa comunidade concreta, dentro de uma história concreta.
Por isso,
uma Pastoral Litúrgica — que é diferente da Pastoral DA Liturgia — precisa
saber como fazer da Liturgia uma verdadeira ação pastoral, quer dizer, uma
atividade profundamente evangelizadora.
É aqui que
podemos distinguir Pastoral Litúrgica de Pastoral DA Liturgia. A Pastoral
Litúrgica organiza, coordena, acompanha e promove a vida litúrgica da
comunidade. É uma pastoral com finalidade organizativa e organizacional.
A Pastoral
DA Liturgia pergunta como a vida litúrgica pode ser pensada, preparada e
celebrada de modo a favorecer a evangelização, a formação da fé, o encontro e,
principalmente, a configuração a Jesus Cristo através do discipulado.
“Que Palavra precisam escutar? Que experiência de Deus
podem fazer nesta celebração?”
Da celebração para a vida
Talvez
possamos dizer assim: a Liturgia começa na vida, passa pela celebração e
retorna à vida. Chegamos à celebração trazendo nossa história. Levamos para o
altar nossas alegrias, sofrimentos, esperanças, fracassos e necessidades.
Escutamos a Palavra. Celebramos o Mistério Pascal de Jesus Cristo. Participamos
da Mesa do Senhor. E somos enviados novamente para a vida.
Esta
dinâmica revela a necessidade de celebrações que sejam evangelizadas e
evangelizadoras. A celebração não termina simplesmente quando deixamos a
igreja. Ela produz efeito quando alguém perdoa, continua quando alguém
reconstrói uma relação, continua quando alguém encontra coragem para recomeçar,
continua quando uma comunidade se torna mais solidária, continua quando uma
pessoa que estava afastada reencontra seu lugar na Igreja.
É aí que a
Liturgia revela sua força evangelizadora, porque produz frutos evangelizados.
Quer dizer: as sementes semeadas na celebração, pouco a pouco, na dinâmica
paciente da mistagogia litúrgica, vão preparando o terreno para acolher o
Evangelho e produzir frutos.
Precisamos de uma Pastoral DA Liturgia
Talvez
esteja justamente aqui um dos grandes desafios da Igreja hoje. Temos equipes de
Liturgia. Temos ministros. Temos músicos. Temos leitores. Temos cerimoniários.
Temos pessoas generosas que dedicam tempo e talento às celebrações.
Mas
precisamos avançar. Precisamos passar de uma Liturgia que simplesmente é
preparada para ser celebrada, para uma Liturgia que é pastoralmente pensada,
preparada e celebrada como ação evangelizadora: celebrações evangelizadas e
evangelizadoras.
Não basta
perguntar: “Como vamos fazer esta celebração?” Precisamos perguntar: “Como esta
celebração poderá conduzir esta comunidade a um encontro mais profundo com
Cristo e a uma vida cristã mais consciente?”
Essa
mudança de pergunta pode mudar também a maneira como preparamos e celebramos.
CELEBRAR A VIDA PARA VIVER A CELEBRAÇÃO!
Evangelizar através da Liturgia
A Liturgia
não precisa de nada de especial para evangelizar. Ela precisa apenas, e tão
somente, ser plenamente aquilo que é.
Quando a
comunidade celebra verdadeiramente o Mistério Pascal de Jesus Cristo, a própria
celebração se torna anúncio. Quando a Palavra é acolhida, ela se torna formação
da vida cristã na vida dos celebrantes. Quando a comunidade participa do
Mistério celebrado em todo e em cada Sacramento, ela cresce na fé. Quando a
assembleia é enviada, a celebração se transforma em missão.
Por isso,
talvez a questão não seja: “Como colocar evangelização dentro da Liturgia?” A
pergunta é mais profunda: “Como permitir que a própria Liturgia manifeste toda
a sua força evangelizadora?” Essa é uma questão essencial para a Pastoral
Litúrgica de nossas comunidades.
E é
justamente a partir dessa perspectiva que nasce a proposta da formação Pastoral
DA Liturgia. Não se trata simplesmente de aprender mais conteúdos sobre
Liturgia. Trata-se de compreender a Liturgia a partir de sua dimensão pastoral
enquanto atividade evangelizada e evangelizadora, para que nossas celebrações
possam conduzir as pessoas ao encontro com Cristo e ajudá-las a viver aquilo
que celebram.
Porque, no
fim, a pergunta que permanece não é apenas esta: “Celebramos bem?” Mas: “Aquilo
que celebramos está transformando nossa maneira de viver dentro de nossas
comunidades?”
Quando a resposta
começa a ser sim, a Liturgia deixa de ser apenas um momento religioso da vida
da comunidade — o que já é muito. Ela se torna uma fonte de vida para a própria
comunidade.
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Serginho Valle — Outubro de 2026
9 de set. de 2026
Liturgia e ecologia
setembro 09, 2026 Serginho Valle
Conversão ecológica: um louvor que nasce da Liturgia
Como a oração litúrgica nos ensina a cuidar da Casa Comum e
celebrar o cântico de toda a criação.
Serginho Valle ·
Setembro 2026 · Liturgia Paroquial ·
Ecologia Integral
Há momentos em que a voz da Igreja precisa ressoar qual eco da criação
que gratuitamente recebemos de Deus como “casa comum” da humanidade. A
consideração da criação como dom divino, como obra de Deus oferecida aos seus
filhos e filhas, desperta a sensibilidade humana para a ação de graças e o
consequente cuidado da criação através do que, hoje, se denomina consciência
ecológica.
Já tive a oportunidade de refletir sobre o mesmo tema, em outro artigo,
há dois anos (em 2024), de onde retomo algumas ideias e citações para a
presente reflexão.
A Igreja é ecológica
A Igreja entende que esse cuidado, manifestado na defesa de rios,
árvores, florestas, geleiras e mares, é um modo de evangelizar, direcionando
nossos olhos para os “lírios do campo e as aves do céu” (Mt 6,28-30) e, mais
efusivamente, para acolher o grande convite do salmista:
“Árvores
e plantas glorifiquem o Senhor” (Sl 148)
Papa Leão XIV, no dia 1º de outubro de 2025, convidou a Igreja a
reconhecer que o cuidado da terra não é um modismo, mas parte da
responsabilidade da fé: cuidar da “Casa Comum” é cooperar com a obra divina da
criação e um gesto fraterno e solidário para com a vida humana e de todos os
seres vivos. O fundamento bíblico remonta às primeiras páginas da Sagrada
Escritura.
A reflexão do Papa Leão XIV, no dia 1º de outubro de 2025, foi realizada
no Centro Mariápolis dos Focolares, em Castel Gandolfo (Itália), ao participar
da conferência “Raising Hope on Climate Change”. Na ocasião, ele disse que o
grito da terra não pode ser reduzido a uma moda passageira, nem a discursos
efêmeros que se perdem com o tempo. A insistência do Papa é que a ecologia,
quando vivida com fé, se torna caminho de conversão, exigindo mudança de
estilos de vida e, para isso, a conversão de mentalidade e de coração (Rm
12,2).
A Igreja, desde a encíclica Laudato Si’ — escrita pelo Papa Francisco
(2015) — e, em âmbito brasileiro, através das Campanhas da Fraternidade
dedicadas à ecologia (8 campanhas ao todo), insiste num fato: cuidar da criação
é viver o Evangelho no concreto da vida. É um modo de estar a serviço da vida
humana, um modo de viver concretamente o Mandamento Novo, adorando a Deus através
da criação e dela cuidando para que a vida não seja ameaçada. Acrescente-se
também que se trata de responder ao desejo divino de que todos participem da
beleza e da abundância da criação. É uma resposta adorante e fraterna traduzida
em solidariedade pelo bem comum e pela dignidade para todos. Ter cuidado
ecológico, a exemplo de São Francisco de Assis, é um modo de crescer
espiritualmente na vida cristã.
A Liturgia como espaço do
cântico cósmico
A Igreja, quando celebra a Liturgia das Horas, ao recitar os salmos, em
vários tempos — especialmente no Dia do Senhor —, faz questão de convidar toda
a criação a unir-se à oração da Igreja para louvar a Deus. É o que cantamos na
celebração das Laudes do Domingo da 1ª semana.
“Louvai-o,
sol e lua, louvai-o, todas as estrelas luzentes… Montes e colinas, árvores
frutíferas e todos os cedros.” (Sl 148)
A Liturgia torna-se um espaço no qual a voz da Igreja empresta sua voz a
todas as obras da criação, em toda a sua beleza, para louvar a Deus. É a Igreja
que, como acontece na Liturgia das Horas, assume a voz do salmista para
proclamar:
“Os
céus narram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos.”
(Sl 19,2)
Assim, o celebrante e a assembleia orante da Liturgia das Horas tornam-se
a voz da criação inteira, emprestando suas palavras e sua fé para que o louvor
de todas as criaturas se eleve ao Criador. A maravilhosa obra da criação divina
é fonte inspiradora do louvor ao Criador. Facilmente se percebe que é uma
oração e um louvor ecológicos.
Espiritualidade que se faz
compromisso
Ao considerar a vida e o crescimento espiritual de muitos santos e santas
— entre os quais São Francisco de Assis é o mais conhecido —, percebe-se que
fizeram da natureza, considerando-a de modo ecológico, uma verdadeira escola de
espiritualidade.
Muitos são os santos e santas que se santificaram através da criação:
desde as provas da existência divina através da criação, escritas por São Tomás
de Aquino (as conhecidas “5 vias”), até o uso da criação como fonte medicinal
por Santa Hildegarda de Bingen. Acrescente-se ainda o trabalho na natureza, no
cultivo da jardinagem e na preservação de florestas como modo de ascese em
muitos mosteiros.
O maior poeta da natureza, São Francisco de Assis, como que resume todo o
louvor na conhecida poesia orante:
“Laudato si’, mi
Signore, per sora nostra matre terra, la quale ne sustenta et governa”
“Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa
irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa.” — São Francisco de Assis,
Cântico das Criaturas
O Pobre de Assis foi capaz de celebrar uma verdadeira Liturgia ecológica
e santificar-se cuidando da natureza que, sendo criatura de Deus, era tratada
fraternalmente por ele: irmã árvore, irmão lobo, irmão sol, irmã lua…
O cuidado da criação divina, de modo gratuito e não lucrativo, torna-se
uma fonte da espiritualidade cristã que ensina a respeitar a terra, partilhar
os bens produzidos nela, cultivar a justiça e a solidariedade para que os bens
da criação sejam de todos. Pensemos na Eucaristia: ao nos colocar diante do pão
e do vinho que — frutos da terra e do trabalho humano —, nos convida a cuidar
do dom da criação como partilha para que todos possam viver. É a ecologia
dentro da Liturgia.
Um dado que poucos conhecem, principalmente na cultura urbana, são as
Missas de Quatro Têmporas, celebradas para marcar o início das quatro estações
do ano, ligadas ao ciclo agrícola da preparação da terra, ao tempo da
semeadura, à fertilidade das sementes e ao tempo da colheita. A Liturgia das
Missas das Quatro Têmporas tem forte sentido de santificação do tempo e da
criação, integrando a vida humana ao ritmo da natureza. Quer algo mais
ecológico que isso dentro da Liturgia?
Louvar a Deus cuidando da
criação
O cuidado da ecologia sempre foi celebrado pela Liturgia; aliás, é uma
herança judaica. O Antigo Testamento sempre manteve celebrações do tempo da
colheita, da entrega das primícias e do dízimo de tudo o que era criado. Jesus
participava dessas celebrações como ação de graças pela bondade divina
manifestada na natureza, que nos alimenta e possibilita viver.
A Igreja mantém a proposta de que, quando preservamos a natureza, quando
defendemos os pobres atingidos pelas mudanças climáticas, quando renunciamos ao
desperdício para não explorar agressivamente as reservas ambientais… estamos
testemunhando, do ponto de vista cristão, que louvar a Deus e cuidar da criação
são dimensões inseparáveis da vida cristã.
Conclusão
A oração se transforma em gesto, e o gesto se transforma em
espiritualidade que conduz os celebrantes a contemplar a obra da criação e a
serem seus guardiões. Cuidar da criação não é luxo nem ideologia: é fidelidade
a Deus, que nos confiou o jardim da vida.
No altar e fora dele, somos chamados a unir nossa voz à da terra, para
que o louvor de todas as criaturas se eleve como perfume agradável ao Senhor.
Assim, a conversão ecológica se torna nossa Liturgia e nosso compromisso em
favor da dignidade de todos pelo cuidado da casa comum.
Setembro 2026
Serginho Valle
31 de ago. de 2026
Pedagogia mistagógica de outubro 2026 — Missão: a comunidade acolhe, vive e anuncia o Reino
agosto 31, 2026 Serginho Valle
PASTORAL DA LITURGIA
Missão: a comunidade acolhe, vive e anuncia o Reino
A
pedagogia litúrgica das celebrações de outubro de 2026, no 100º Dia Mundial das
Missões
Outubro de 2026 ·
Serginho Valle · Pastoral da Liturgia, Mês Missionário,
Mistagogia
A comunidade em caminho: acolher, viver e anunciar o Reino no Mês Missionário
O caminho litúrgico percorrido durante o Mês Missionário (outubro de
2026) conduz a uma descoberta fundamental: a missão da Igreja não nasce de
iniciativas individuais, mas da comunhão sinodal — sinodalidade — daqueles que
pertencem a Jesus Cristo. Em 2026, celebrando o "100º Dia Mundial das
Missões", a Igreja convida a aprofundar essa consciência com o tema
"Um em Cristo, unidos na missão" e o lema "Para que o mundo
creia" (Jo 17,21).
A missão evangelizadora só se torna verdadeira quando nasce da unidade
com Jesus Cristo e da comunhão entre seus discípulos e discípulas. A condição
da vinha do Senhor na comunidade (27DTC-A), a mesa do banquete do Reino
(28DTC-A), a presença materna de Maria (Solenidade de Nossa Senhora Aparecida),
o compromisso do cristão e da cristã na história (29DTC-A) e o amor fraterno
colocando em prática o Mandamento Novo (30DTC-A) revelam um único caminho: Deus
reúne o seu povo, a sua Igreja, para que, unido, em sinodalidade, manifeste ao
mundo a beleza do seu Reino.
A missão de cultivar a vinha do Senhor
A imagem da vinha, presente na primeira celebração do Mês Missionário —
sendo a terceira celebração iluminada pela mistagogia da vinha, antecedida
pelas celebrações do 25DTC-A e do 26DTC-A —, caracteriza a História da Salvação
pelo cuidado amoroso de Deus por seu povo, do qual a vinha é um símbolo. Deus é
o agricultor que prepara a terra, planta a vinha (povo) com esperança e
acompanha o seu crescimento (1L – 27DTC-A). Essa vinha é o seu povo, com a
missão de produzir frutos de vida digna em toda a terra. É a imagem da missão
evangelizadora como atividade de cultivar a evangelização para que produza
frutos do projeto divino, do Reino de Deus.
Entretanto, a parábola de Jesus revela uma tentação permanente: esquecer
que a vinha pertence ao Senhor e pretender tomar posse dela servindo-se da
violência. Quando os trabalhadores passam a agir como donos, o serviço
transforma-se em domínio e o cuidado transforma-se em apropriação indevida (E –
27DTC-A). Essa Palavra ilumina a missão da Igreja: evangelizar não se configura
como projeto pessoal ou de algum grupo; a evangelização é uma atividade
missionária que responde ao envio recebido de Deus.
A missão nunca é propriedade de grupos ou indivíduos que se servem da
Igreja para exploração financeira, por exemplo, ou para prestígio pessoal. Ela
pertence à comunidade eclesial, formada por discípulos e discípulas
missionários. Cada membro da comunidade oferece seu esforço para trabalhar na
vinha, mas os frutos esperados pelo Senhor nascem da comunhão de todos
trabalharem, em sinodalidade, para a mesma finalidade: cuidar da vinha para
produzir frutos do projeto divino. Uma paróquia torna-se verdadeiramente
missionária quando seus membros compreendem que todos são responsáveis pelo
cultivo da vinha, cada um colaborando para que o Evangelho produza frutos de
justiça, paz e solidariedade. A imagem de uma vinha devastada, descrita na
Palavra do 27DTC-A, é também a imagem de uma comunidade cristã que não
corresponde à missão evangelizadora.
A missão de convidar todos para o banquete do Reino
No Domingo seguinte, 28DTC-A, a Liturgia conduz mistagogicamente os
celebrantes, da vinha para o banquete. Aquele que planta e cultiva a vinha é o
mesmo Senhor que prepara a mesa para seus filhos. Os frutos produzidos na vinha
— vida digna, respeito, fraternidade, paz, justiça, alimento — transformam-se
em alimento oferecido a todos. O profeta Isaías contempla essa realidade
anunciando um banquete preparado por Deus, no qual o próprio Deus elimina a
morte, enxuga as lágrimas e oferece vida plena aos povos (1L – 28DTC-A).
A Eucaristia torna visível essa promessa. Na mesa do Senhor, a porção do
Povo de Deus que vive na comunidade paroquial é alimentada pela própria vida de
Jesus Cristo e aprende que aquilo que recebe como dom deve ser compartilhado
como missão. Participar do banquete do Reino implica assumir o compromisso
missionário de convidar todos para essa mesma comunhão (E – 28DTC-A). Ser
missionário e missionária é ser um enviado para convidar todos a se alimentar
da vida divina.
Por isso, a missão da Igreja não consiste apenas em anunciar uma
mensagem, mas em conduzir pessoas ao encontro com Jesus Cristo. Uma comunidade
verdadeiramente unida em Jesus torna-se uma mesa aberta, onde ninguém é
excluído, onde os diferentes encontram espaço e onde a fraternidade revela a
presença do Reino.
A missão nasce da escuta e da comunhão
A celebração de Nossa Senhora Aparecida, no coração do Mês Missionário,
apresenta Maria como modelo de discípula missionária. Seu coração aberto à
Palavra revela a ternura de Deus e recorda que a missão começa sempre pela
escuta da Palavra de Deus, que convoca a trabalhar na vinha, e pela
disponibilidade de dedicar-se ao cultivo dessa vinha, que é o Reino de Deus.
Nas Bodas de Caná, Maria percebe a necessidade daquela família e conduz
todos ao encontro com Jesus: "Fazei tudo o que Ele vos disser" (E –
Aparecida). Sua atitude missionária não é de ocupar o lugar de seu Filho, mas
de apontar para Ele, pois Ele tem uma Palavra capaz de transformar a vida em
festa de boa qualidade e de grande sabor. Por isso, Maria mostra que a missão
evangelizadora da Igreja consiste em conduzir pessoas a ouvir a Palavra de
Jesus, seu Evangelho, levando a Ele a própria vida para ser transformada de
modo mais saboroso; melhor que o sabor do vinho existencial oferecido antes do
vinho do Evangelho (E – Aparecida).
A devoção mariana, compreendida como modelo de vida cristã, desperta a
comunidade para a atividade missionária da Igreja. Maria continua ensinando a
Igreja a acolher a Palavra, praticá-la e anunciá-la. Com Maria, a comunidade
aprende que ninguém evangeliza sozinho. A missão eclesial tem nos servidores
das Bodas de Caná um modelo de atividade: levar a Jesus a vida para ser
transformada em festa de comunhão com Deus.
A missão de iluminar a história com o Evangelho
No Dia Mundial das Missões, que neste ano de 2026 celebra o seu 100º
aniversário em 18 de outubro, a Liturgia recorda que Deus sempre conduziu e
continua conduzindo a história humana. O Senhor não se distancia dos
acontecimentos do mundo e continua agindo também por meio das realidades
humanas, servindo-se de pessoas mesmo que não sejam do seu povo, como revela o
profeta Isaías ao apresentar Ciro, rei pagão, como instrumento de libertação do
povo (1L – 29DTC-A).
A compreensão de sermos instrumentos nas mãos de Deus, agindo como
missionários e missionárias, transforma a maneira como nós, cristãos e cristãs,
participamos da sociedade. A missão não implica afastamento do mundo, mas
permanecer nele como presença viva e testemunhal do Reino (E – 29DTC-A). Unidos
a Cristo, os discípulos e discípulas são chamados a iluminar as realidades
humanas com os valores do Evangelho, promovendo a dignidade da vida, a justiça,
a fraternidade... os frutos da vinha (E – 27DTC-A). É desse modo que os
discípulos e discípulas recebem a missão de iluminar a história atual com a luz
do Evangelho.
A Igreja não existe para construir divisões, como expressa o Papa Leão
XIV em sua recente encíclica Magnifica Humanitas, mas para ser sinal da
comunhão que Deus deseja para toda a humanidade, construindo juntos a cidade
nova, que se alimenta dos frutos da vinha, que são os valores do Reino de Deus,
o projeto divino. Quanto mais a comunidade cristã permanece unida ao Senhor,
mais ela se torna capaz de testemunhar, com atitudes e obras, sua presença no
meio da história por meio da evangelização.
O amor: fruto definitivo da missão
Ao concluir o caminho do Mês Missionário, a Liturgia revela o fruto mais
esperado pelo Senhor: o amor como a "alma" (anima, em latim)
que movimenta a vida e os relacionamentos sociais. Depois da vinha cultivada
(27DTC-A), do banquete oferecido (28DTC-A), do exemplo de Maria (Aparecida) e
do compromisso testemunhal na história (29DTC-A), Jesus apresenta o centro da
vida cristã proposto no Mandamento Novo de amar a Deus e ao próximo (E –
30DTC-A).
O amor é a linguagem da missão porque torna visível aquilo que a Igreja
anuncia. Uma comunidade pode possuir muitos recursos, estruturas e atividades,
mas somente o amor vivido em relacionamentos fraternos torna o Evangelho
acreditável. Como recorda São Paulo, a fé de uma comunidade torna-se conhecida
quando se transforma em obras de amor, esperança e serviço (2L – 30DTC-A).
Concluindo…
O lema missionário "Para que o mundo creia" (Jo 17,21) encontra
nas celebrações dominicais do mês de outubro de 2026 um sentido profundo. O
mundo acredita quando encontra uma Igreja unida, uma comunidade que vive aquilo
que anuncia, uma fraternidade capaz de revelar o rosto misericordioso de Deus.
Unidos em Cristo, somos enviados para cuidar da vinha e impedir que seja
devastada (27DTC-A), para convidar todos à mesa do grande banquete do Reino
(28DTC-A), para caminhar com Maria vendo as necessidades de quem precisa viver
dignamente (Aparecida), iluminar a história e toda a sociedade com a luz do
Evangelho (29DTC-A) e promover relacionamentos iluminados e animados pelo
Mandamento Novo, para amar como Jesus ensina em seu Evangelho (30DTC-A).
Para aprofundar esse caminho
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22 de ago. de 2026
Quatro condições para comungar bem
agosto 22, 2026 Serginho Valle
Pastoral da Liturgia
Condições para Comungar a Eucaristia
Quatro atitudes que preparam o coração para se aproximar da Mesa Eucarística
Agosto de 2026 · Serginho Valle · Pastoral da Liturgia, Eucaristia, Rito da Comunhão
O rito de preparação para a Comunhão da Eucaristia, realizado depois da Oração Eucarística e concluído com a Oração depois da Comunhão, propõe quatro condições que habilitam os celebrantes a participar da Mesa Eucarística. As quatro condições são: fraternidade, compromisso com a paz, louvor e adoração, alegria pelo convite. O rito é concluído com uma prece para que os comungantes da Eucaristia realizem na vida o que receberam (oração pos communio).
Fraternidade
Depois da doxologia conclusiva da Oração Eucarística, a Liturgia inicia a preparação dos celebrantes para se aproximar da Mesa Eucarística rezando o Pai Nosso. Esta é a primeira condição para se apresentar diante do altar e comungar a vida divina. Se todos somos filhos e filhas do mesmo Pai, todos somos irmãos e irmãs, unidos pela fraternidade. A primeira condição, portanto, é o relacionamento fraterno.
A mensagem é clara: antes de comungar, o celebrante reconhece que Deus é “Pai Nosso”, Pai de todos os homens e mulheres. Se Deus é Pai de todos, todos somos irmãos e irmãs uns dos outros. A condição para se aproximar da Mesa Sagrada é o compromisso fraterno, que antecede a celebração — vivendo fraternalmente com todos — e continua depois dela — vivendo fraternalmente com todos nos relacionamentos sociais. Depois de santificar o Nome do Pai e de se dispor a acolher o Reino fazendo a sua vontade, vem o compromisso fraterno.
O Pai Nosso propõe cinco atitudes fraternas: repartir o pão, perdoar de coração, não expor o outro às tentações que conduzam a caminhos do pecado e, fraternalmente, interceder para que o mal não nos atinja. A última petição continua em forma de embolismo: "livrai-nos de todos os males, ó Pai..."
O primeiro critério é a fraternidade. Fixar-se em ritos, como por exemplo comungar de pé, ajoelhado, com véu na cabeça, receber a Hóstia na mão ou na boca tem o seu valor e sua necessidade ritual desde que não perca de vista a condição importante: quem comunga a Eucaristia fica comprometido com a promoção da fraternidade.
Por isso, a monição introdutória ao Pai Nosso, na Missa, deveria ser inspirada no Evangelho do dia, deixando claro que a principal e mais importante condição para comungar encontra-se na vivência do Evangelho que propõe a fraternidade como condição para se fazer uma boa comunhão.
Compromisso com a Paz
A segunda condição para se aproximar da Mesa da Eucaristia é o compromisso com a paz. Compromisso decorrente da fraternidade. Quem é fraterno e promove a fraternidade é um construtor da paz, um filho e filha de Deus, de acordo com as Bem-aventuranças: “bem-aventurados os que promovem a paz porque serão chamados de filhos de Deus” (Mt 5,9). Um filho e filha de Deus é construtor da paz, aquele que promove a paz e, em assim sendo, é alguém digno de se aproximar da Mesa Eucarística.
Quando Jesus envia os discípulos dois a dois, envia-os como mensageiros e portadores da paz. E quando ressuscitado aparece no cenáculo, saúda-os com a paz. O rito da saudação da paz é, numa primeira compreensão, um momento de compromisso com a promoção da paz. Quem comunga a Eucaristia compromete-se a ser construtor da paz porque é isso que fazem os filhos e filhas de Deus (Mt 5,9) e dignos de comungar a Eucaristia.
É por isso que, na Liturgia Romana, o abraço da paz vem depois do Pai Nosso — manifestação de fraternidade — e antes da comunhão: porque só pode comungar quem é da paz e promove a paz. Quem provoca divisão e fomenta a desunião não pode comungar, pois não se compromete com a paz e, logicamente, demonstra não ser fraterno.
O elemento inspirador encontra-se em um princípio evangélico. Jesus mesmo ensina: “se tiveres alguma coisa contra o teu irmão, deixa a tua oferta diante do altar e, primeiro, vai reconciliar-te com ele e, depois, apresenta a tua oferta” (Mt 5,23-24). Aqui temos uma condição fundamental para se aproximar da comunhão Eucarística: a reconciliação fraterna. Volta novamente a fraternidade. Em outras liturgias, como a Ambrosiana, por exemplo, o rito da paz encontra-se antes da apresentação das oferendas. Na nossa Liturgia romana, encontra-se nesse momento para reforçar a necessidade de estar reconciliado com todos como condição para comungar.
O abraço da paz, por isso, não é um rito de amizade, mas de reconciliação fraterna. Este é o motivo principal pelo qual não se deve cantar canções nesse momento: o canto dispersa e tira o foco do que é essencial: a partilha da paz como gesto de reconciliação, olhando para o outro, com um rito que quase que obriga a dizer: se você é incapaz de olhar para o teu irmão e irmã, primeiro reconcilie-se com ele, depois comungue. “Só pode comungar quem é da paz e promove a paz.”
Em Resumo… os dois Ritos
Antes de passar ao terceiro e quarto elementos, convém compreender a localização dos dois ritos. A oração do Pai Nosso como início do rito preparatório da comunhão, na Liturgia Ocidental, segue uma tradição antiga, mencionada por Tertuliano e Agostinho. Segundo esses Santos Padres, o abraço da paz depois da Oração do Senhor confirma a fraternidade e prepara a comunhão no Corpo de Cristo. Comungar o acolhimento do outro como prática da vivência do Mandamento Novo é condição para comungar a Eucaristia.
O desconhecimento dessa tradição teológica faz com que esses ritos corram o risco de serem banalizados e transformados, como dizia um padre amigo meu, o abraço da paz é uma espécie de “recreio da celebração”. Não é isso, evidentemente. É, mais evidente ainda, muito mais que isso: é momento de reconciliação fraterna que prepara o celebrante para ser comungante da vida divina.
Louvor e Adoração
A terceira condição é o louvor e a adoração, expressos no rito do Cordeiro de Deus. O louvor acontece com o canto do Agnus Dei e a expressão orante encontra-se no rito da fração do pão.
O Agnus Dei foi introduzido na Missa pelo Papa São Sérgio I (687-701), inspirado na Liturgia Oriental, especialmente na Liturgia Siríaca. Séculos depois, foi acrescentada a oração Haec commixtio, oração recitada durante o gesto de repartir a hóstia e colocar uma partícula dela no cálice.
O canto do Cordeiro de Deus é invocação laudativa, reconhecendo Jesus como a Vítima Pascal que tira o pecado do mundo. Na fração do pão, a vítima pascal é repartida e partilhada como alimento de vida eterna. É um momento de louvor e de adoração diante da vida divina “repartida” para ser partilhada com os celebrantes, diante da qual a assembleia litúrgica intercede a piedade misericordiosa do Senhor. Interceder a piedade divina e o dom da paz é um rito cantado que expressa a adoração e o louvor adorante.
Infelizmente, muitas vezes esse rito é reduzido, por alguns padres, a um gesto prático de partir a hóstia grande e, tem-se a impressão, de se recitar automaticamente a oração prescrita no Missal. Outras vezes, é feito de modo apressado, durante o abraço da paz acumulando, assim, dois ritos: enquanto a assembleia ritualiza o gesto da reconciliação desejando a paz, o padre parte a Hóstia, com a impressão de ganhar tempo.
Em se tratando de um rito adorante, o ideal é que o rito seja ostensivo para que todos possam ver o padre repartindo o Pão consagrado. O canto do Cordeiro de Deus não é uma canção qualquer, é uma canção ritual de louvor e de adoração ao Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, diante do qual, adorante e humildemente, suplicamos a sua piedade.
Alegria pelo Convite
Depois dessas condições, o último rito é um convite para se aproximar alegremente da Mesa Eucarística. A Liturgia proclama: “Felizes os convidados para a Ceia do Senhor”. É a finalidade de todo o rito de preparação para comungar a vida divina presente na Eucaristia: participar com alegria da Ceia do Senhor. Participar como um convidado que se relaciona fraternalmente com todos, é promotor da paz e adora Jesus Cristo como Cordeiro imolado.
Lembro o desejo de Jesus Cristo quando expressa o seu desejo de sentar-se à mesa com seus discípulos e discípulas: “desiderio desideravi”. Jesus diz aos seus discípulos: “Desejei ardentemente comer convosco esta ceia pascal, antes de sofrer” (Lc 22,15). Esse desejo de Jesus, que continua sendo manifestado no decorrer da história, é transformado em convite para que os convidados se alegrem em poder participar da Ceia do Senhor.
Conclusão
A preparação para a comunhão não é um detalhe litúrgico composto quatro ritos, mas é uma escola de vida cristã proposta em modo mistagógico. Cada condição nos lembra que a Eucaristia é dom recebido e responsabilidade assumida. Fraternidade, paz, louvor adorante e alegria não são explicações de ritos, mas atitudes que acompanham a vida do cristão antes e depois da celebração Eucarística.
Sendo atitudes, a comunhão só faz sentido quando se traduz em gestos concretos no cotidiano. O altar nos envia para a vida com a missão de ser irmãos e irmãs reconciliadores, adoradores e testemunhas da alegria do Evangelho. Assim, quem comunga recebe Cristo e torna-se sinal vivo da sua presença no mundo como testemunho vivo da fraternidade.
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Serginho Valle — Agosto de 2026
