A formação e a espiritualidade litúrgicas são os pilares da Pastoral Litúrgica Paroquial (PLP)

A paz do Senhor!

A finalidade deste espaço é oferecer material de formação litúrgica para quem atua em ministérios litúrgicos na comunidade paroquial. Seja muito bem-vindo e bem-vinda. Se quiser e puder deixar sua contribuição, agradeço muito. (Serginho Valle)
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Da celebração ao testemunho da vida cristã

  Existe um caminho que a Liturgia vai desenhando, de forma silenciosa, no coração de quem a celebra de modo orante. Não é caminho teórico, ...

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Paz e bem! A celebração da Liturgia é uma arte e, como acontece no exercício de toda arte, só celebra bem quem bem conhece a linguagem da arte litúrgica celebrativa.

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14 de mar. de 2026

Quando a Liturgia Perde o Sentido na Paróquia



Em muitas paróquias, constata-se a repetição de uma realidade preocupante: celebrações frias, pouca participação dos fiéis e uma sensação crescente de dispersão espiritual. As Missas acontecem regularmente, os ritos são executados corretamente, mas algo parece faltar. A comunidade participa sem compreender o que celebra, e a Liturgia corre o risco de se tornar apenas uma rotina religiosa.

 É um cenário que não se desenha pela falta de boa vontade. Na maioria das vezes, o principal motivo encontra-se na ausência de planejamento pastoral da Liturgia. Quando não existe organização, em forma de Pastoral Litúrgica Paroquial (PLP), as celebrações ficam dependentes de improvisações ou de repetições automatizadas, sem a continuidade formativa, que a reforma litúrgica propõe em modo mistagógico.

 A Liturgia, que deveria ser o centro da vida cristã, passa a ocupar apenas um espaço funcional na agenda paroquial. O padre, que deveria ser o liturgo, no sentido de ser o promotor da Liturgia como fonte da vida cristã, corre o sério risco de se tornar um funcionário do sagrado. Em muitas paróquias, infelizmente, isso tem se tornado um problema silencioso; as celebrações acontecem, mas quais mudanças, realmente são perceptíveis na vida pessoal dos celebrantes e na paróquia como um todo?


A Liturgia como coração da vida comunitária 

A Igreja sempre compreendeu a Liturgia como o centro da vida cristã. A Constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II, afirma que a Liturgia é “fonte e cume” da vida da Igreja (SC 10). Isso significa que toda a ação pastoral nasce da celebração e para ela retorna. Isso significa, igualmente, que a vida espiritual dos celebrantes nasce da Liturgia e a ela retorna.

 Quando a Liturgia é bem preparada, ela forma discípulos. Quando é improvisada, torna-se apenas ritos repetidos. Do ponto de vista pessoal, a Liturgia é a fonte alimentadora do discipulado. A cada celebração, os celebrantes devem se sentir cada vez mais caminhantes na estrada de Jesus; caminho do discipulado. O mesmo se diga da comunidade paroquial: cada celebração proporciona que a paróquia se torne a casa dos discípulos e discípulas de Jesus. Uma das finalidade da reforma litúrgica consiste em incrementar a vida cristã através da Liturgia. Esta finalidade encontra-se na primeira linha da Sacrosanctum Concilium (SC 1).

A história da Igreja mostra que os períodos de maior vitalidade espiritual sempre estiveram ligados a uma profunda consciência litúrgica. Desde as primeiras comunidades cristãs, a Liturgia é compreendida como escola de fé e assim é em nossos dias. Para isso de fato se realizar é preciso que a celebração seja capaz de tocar a vida dos celebrantes em modo evangelizado e evangelizador. Uma atividade que exige organização e planejamento da PLP.

 Com tal finalidade, a PLP não é apenas uma equipe organizadora de celebrações. Ela é uma equipe que se coloca a serviço da evangelização. Planejar a vida litúrgica de uma comunidade paroquial significa criar um caminho espiritual contínuo de espiritualidade a partir do Evangelho. Não se trata, apenas, de realizar celebrações na paróquia, mas de qualificar as celebrações com a espiritualidade evangelizadora que forma discípulos e discípulas. O planejamento da PLP ajuda a integrar os Tempos Litúrgicos, os ministérios, os ritos... para que cada celebração faça parte de um itinerário em vista do crescimento na fé.

 Sobre este tema, de modo mais explicativo, você poderá assistir a “Catequese Litúrgica: PLANEJAMENTO DA PLP” =

https://youtu.be/OHjCnIUiL5I

 

O impacto de uma pastoral litúrgica bem estruturada

Quando o Planejamento da PLP existe em uma paróquia, os frutos aparecem de forma concreta. A participação cresce porque os fiéis compreendem melhor o que celebram, uma vez que celebrações evangelizadas e evangelizadoras tocam a vida pessoal de cada celebrante. Os ministérios se fortalecem porque recebem formação litúrgica permanente. A comunidade deixa de participar da Liturgia como obrigação religiosa, e qualifica a participação litúrgica como necessária para o crescimento na experiência espiritual.

 Uma pastoral litúrgica organizada favorece três transformações importantes:

  • Celebrações mais participadas e conscientes
  • Maior integração entre as pastorais
  • Crescimento espiritual da comunidade

 

Sobre este tema da organização e dos fundamentos da PLP, tenho dois cursos que podem ser conhecidos clicando nos links abaixo:

1 – Pastoral DAL Liturgia 
https://lp.liturgia.pro.br/pastoral-da-liturgia

2 – Pastoral Litúrgica Paroquial 
https://lp.liturgia.pro.br/plp1


O planejamento da PLP não é algo novo. O Documento 43 da CNBB, publicado pela CNBB em 1989, destaca a Equipe Litúrgica, que é a equipe coordenadora do planejamento da PLP, como o coração e o cérebro da vida litúrgica de uma paróquia. É uma afirmação clara sobre a importância da organização da PLP.

 

Planejar a PLP para evangelizar

Planejar a Pastoral Litúrgica Paroquial não é criar burocracia feita com listas de escalas de ministérios. É garantir que a comunidade encontre sentido naquilo que celebra. O planejamento da PLP permite olhar a realidade pastoral, definir objetivos e construir um caminho espiritual concreto a ser celebrado na Liturgia. É o que se quer dizer com “celebrar a vida”. É uma dinâmica que inclui formação, avaliação e organização do calendário celebrativo com objetivo evangelizador. A Liturgia deixa de ser um momento religioso ou de oração, o que não é negativo, e passa a ser uma verdadeira escola de espiritualidade evangelizadora.


Convite para aprofundar a formação litúrgica

Se a sua comunidade paroquial enfrenta desafios semelhantes — celebrações pouco participativas ou falta de organização pastoral — talvez seja o momento de investir na formação litúrgica. Hoje existem cursos, materiais formativos e publicações que ajudam a estruturar a Pastoral Litúrgica de modo claro e pastoralmente evangelizador. Conhecer esses conteúdos e aplicá-los em modo de formação litúrgica permanente transforma a forma como a comunidade celebra e vive a fé.

Indicações:

1 - Catequese: PLANEJAMENTO DA PLP”
 https://youtu.be/OHjCnIUiL5I

2 – Pastoral DAL Liturgia 
https://lp.liturgia.pro.br/pastoral-da-liturgia

3 – Pastoral Litúrgica Paroquial 
https://lp.liturgia.pro.br/plp1

Serginho Valle 
Fevereiro de 2026

7 de dez. de 2025

Celebrar a Paz e a Justiça e o compromisso social


 

A imagem apresenta cenas de destruição entrando na assembleia e a força da paz sendo suplicada pela oração e presente na espiritualidade litúrgica

Celebrar a paz e a justiça e o compromisso social

As assembleias celebrativas que mais atraem pessoas, lotando igrejas e salões em nossos dias, são compostas por fiéis em situações de vulnerabilidade: estresse emocional, ansiedade, angústia, fobias, medos... Problemas de ordem psicológica que, logicamente, afetam a vida das pessoas.

Os motivos são variados: desemprego, doenças, luto, perda de dinheiro, separações ou litígios familiares…

Participar de celebrações litúrgicas implorando o socorro divino em condição de vulnerabilidade psicológica é compreensível e recomendado.

 É um foco importante, necessário e justo — mas não pode ser o único. Existem necessidades pessoais e necessidades sociais atingindo toda a humanidade que também precisam ser levadas para a celebração litúrgica. Uma dessas necessidades é a justiça e a paz.

 

Celebrar o dom da paz e da justiça

O mundo está queimando em guerras e violências que causam sofrimentos em todas as partes da terra.

 Isso também precisa entrar nas celebrações, intercedendo a Deus o dom da justiça e da paz para que cessem as guerras e as violências. A paz e a justiça são dons divinos oferecidos por Deus para que a humanidade se torne cada vez mais humana. O cultivo da paz e da justiça humaniza a sociedade e a torna mais segura, mais favorável à vida digna.

A Bíblia apresenta a justiça inseparável da paz (Is 32,17; Tg 3,18). A paz é o dom divino oferecido a um mundo conturbado por guerras e violências provocadoras de injustiças absurdas contra a humanidade. Nada mais justo que esse dom seja suplicado em nossas celebrações, em favor de irmãos e irmãs vítimas de guerras e de tantas violências. Quanto mais rejeitado e descuidado for o dom da paz, mais necessidade se tem de implorá-las em nossas celebrações litúrgicas.

 

Liturgia como promotora da fraternidade

As violências, em suas mais diferentes manifestações, impedem a sociedade de construir a fraternidade ensinada por Jesus. Um exemplo são as polaridades políticas e até religiosas que dividem, distanciam e criam inimigos na comunidade e na sociedade. Promoção de violência por não se pensar como este ou aquele grupo.

 A realidade desses movimentos que impedem a construção da paz e da justiça precisam ser levados para dentro de celebrações, não só como motivo intercessor, mas também como provocação para que as celebrações litúrgicas sejam promotoras de reconciliação e alimentadoras da solidariedade social através da fraternidade cristã.

 A Liturgia, especialmente celebrada em grandes assembleias como a Eucaristia, é fonte promotora da fraternidade e da reconciliação.

 

Anunciadores e construtores da paz

Graças à presença de Jesus em todas as celebrações litúrgicas, como ensina a Sacrosanctum Concilium (SC 7), ele continuamente oferece o dom da paz (Jo 14,27), motivo pelo qual os celebrantes sempre devem se dispor a acolher o dom da paz como bem pessoal e como compromisso do testemunho cristão.

 O mesmo Jesus que, depois Ressurreição, entra no Cenáculo e deseja a paz (Jo 20,19) continua presente na Eucaristia e, igualmente, continua enviando os celebrantes como anunciadores e construtores da paz: “em cada casa que entrardes, dizei: paz a esta casa” (Lc 10,5).

 Assim, os celebrantes da Liturgia, especialmente os que participam da Eucaristia, não apenas intercedem pela paz e realizam o rito da paz, mas são também comprometidos com ela, enviados como construtores de paz e promotores da justiça, condição para que a paz seja semeada, cultivada e partilhada na sociedade.

 Não somente na Eucaristia. O Sacramento da Penitência, como celebração pessoal ou nas celebrações penitências comunitárias, é também fonte de paz, que transforma cada penitente em profeta da reconciliação e da paz.

 A oração de São Francisco de Assis descreve bem esse significado: o penitente arrependido torna-se instrumento da paz, levando perdão, união e fé. É o que acontece no “envio” de todas as celebrações litúrgicas: os celebrantes são enviados com o compromisso de serem anunciadores e construtores da paz.

 São João Paulo II, na Carta Apostólica Mane Nobiscum Domine (n. 27) diz:

 O cristão, que participa na Eucaristia, dela aprende a tornar-se promotor de comunhão, de paz, de solidariedade, em todas as circunstâncias da vida. A imagem lacerada do nosso mundo, que começou o novo milênio com o espectro do terrorismo e a tragédia da guerra, desafia ainda mais fortemente os cristãos a viverem a Eucaristia como uma grande escola de paz, onde se formem homens e mulheres que, a vários níveis de responsabilidade na vida social, cultural, política, se fazem tecedores de diálogo e de comunhão.”

 

O cenário litúrgico atual

Como dizia no início, o cenário litúrgico de hoje tende a valorizar, às vezes demasiadamente, o lado pessoal das mazelas humanas. Não há nada de errado nisso, mas corre-se o risco de ficar somente no lado pessoal que, a bem da verdade, em certo sentido é mais fácil e cômodo.

 A celebração litúrgica não pode esquecer a dimensão comunitária e, isso significa, no atual contexto social, comprometer os celebrantes com a construção da paz. Através da pedagogia mistagógica, a Liturgia é educadora do comportamento cristão na sociedade.

 De vez em quando, aparece um exorcista explicando como o diabo age para destruir vidas pessoais, e alerta sobre a vigilância contra o mal agressor na vida pessoal. É certo que o mal pessoal provocado pelo demônio é um fato. Também o mal social, com pensamentos que contaminam e favorecem divisões na sociedade, são tentações e influências diabólicas.

 Podemos nos perguntar: será difícil reconhecer que guerras, genocídios, brutalidade contra inocentes, fome, desnutrição, pessoas sem teto e crianças de rua são realmente realidades diabólicas? Será difícil compreender que tais contextos são situações de sofrimento de milhões de irmãos e irmãs com os quais, na maior parte das vezes, podemos ajudar somente com nossas orações?

 A Liturgia não é uma praça de protesto. É um espaço de paz, porque nela acontece o encontro com o Príncipe da Paz que visita o seu povo, como cantamos na Liturgia Natalina. Por isso, celebrar a Liturgia esquecendo que o mundo e a humanidade precisam da paz pode produzir alienação em vez de comprometimento evangelizador e fraterno.

 A paz se perde quando a injustiça social provoca pobreza, fome, doenças e sofrimento. A reconciliação para ser social precisa olhar a sociedade com os mesmos olhos de Jesus: “dai-nos olhos para ver as necessidades dos irmãos e irmãs…” a Liturgia proclama na Oração Eucarística para as Diversas Circunstâncias IV. Que olhos pedimos?

 Os mesmo olhar de Jesus para socorrer os necessitados vítimas de violências e de guerras.

 A Liturgia é o espaço onde somos iluminados com a luz do Evangelho para ver a realidade social com os olhos de Jesus. É na celebração litúrgica, de todos os Sacramentos, que recebemos o mesmo olhar de Jesus Cristo como condição para oferecer e cultivar os valores do Reino de Deus — entre eles, a paz.

 O rito da paz, na celebração Eucarística é um rito de reconciliação. Antes de participar da Mesa Eucarística, que é mesa de comunhão com Deus, é necessário estar em comunhão com quem celebra comigo e com quem não está em paz comigo. Um semeador de discórdia não pode comungar a Eucaristia que sempre, e em todas as circunstâncias, compromete o comungante tornando-o instrumento da paz.

Serginho Valle
Dezembro 2025

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Liturgia e sociedade 

Liturgia e vida social

Penitência e Espírito Santo 

1 de mar. de 2025

Formação litúrgica — teológica e espiritual para quem atua na PLP


 

Uma primeira e necessária condição para que a PLP – Pastoral Litúrgica Paroquial – tenha êxito na comunidade é o cuidado com a sua formação. A formação compreende embasamento teológico e espiritual. Não basta saber o que pode ou não pode ser feito em uma celebração; isso é muito pouco. Disso a necessidade de oferecer a formação necessária para realizar com consciência e autenticidade as atividades próprias da PLP.

Formação teológica e espiritual 
A Liturgia não se resume a momentos de oração, rituais, canções... próprios de uma celebração. Ela é a fonte e o cume de toda a vida cristã (SC 10). Celebrar a Liturgia é colocar em ato uma atividade orante e propositiva de vida cristã evangelizada. Diante disso, a necessidade de fortalecer a base espiritual e teológica para evitar os riscos de um ativismo vazio ou de algum tipo de pietismo sem ação concreta. A verdadeira Pastoral Litúrgica Paroquial (PLP) exige estar fundamentada na espiritualidade litúrgica e na Teologia Litúrgica. Sobre este tema, publiquei recentemente uma catequese litúrgica que você poderá assistir no endereço: https://youtu.be/TPMbkdLhaDo

Sem a base sólida fornecida pela formação litúrgica corre-se o risco de transformar a liturgia em espetáculo religioso ou em rotina automatizada, com celebrações mecanizadas e ritos desprovidos de qualquer contato com a vida pessoal e comunitária. Quando isso acontece, perde-se a essência da celebração litúrgica.

Formação Teológica: alicerce da Pastoral Litúrgica 
A Pastoral Litúrgica Paroquial precisa bem mais que a boa vontade de um grupo de pessoas abnegadas da comunidade. Para se realizar a Liturgia genuinamente transformadora, compreendida aqui como “fomentadora da vida cristã” (SC 1), capaz de transformar batizados em discípulos e discípulas, os agentes da PLP precisam de uma sólida formação teológica, que contemple não apenas os aspectos rubricistas, mas principalmente a inculturação do Evangelho na comunidade onde a Liturgia é celebrada.

O Documento 43 da CNBB destaca a necessidade de aculturação e inculturação da Liturgia, e isso só é possível mediante o conhecimento profundo da Teologia Litúrgica e da antropologia cultural. Sem esse conhecimento, podemos acabar oferecendo celebrações que não dialogam com as necessidades reais da comunidade, e até mesmo contrariando os princípios teológicos da Liturgia.

Proposta de formação: o caminho para uma PLP autêntica 
Existem centenas de propostas formativas para a Liturgia. Nem todas contemplam os fundamentos teológicos e espirituais e, nesse caso, muitas não passam de informações de regras de como proceder nos ritos. De outro lado, existem propostas que dão um passo a mais, conduzindo os agentes litúrgicos a tomar contato com os fundamentos da Teologia Litúrgica e da Espiritualidade Litúrgica. Para o bem da PLP da sua paróquia é importante dar esse passo a mais na qualidade da formação litúrgica.

Para contribuir com a formação litúrgica, peço sua licença para apresentar o Curso de Pastoral Litúrgica Paroquial (PLP). É um curso completo dedicado a quem realmente quer compreender e transformar a Liturgia em sua paróquia. Com uma metodologia e didática bem estruturada, o curso de PLP inicia um processo pastoral que envolve os fundamentos da Teologia Litúrgica, Espiritualidade Litúrgica, Comunicação Litúrgica e outros temas relevantes para o êxito de uma boa PLP na paróquia.

A título de ilustração, apresento um sumário breve do curso:

  • Teologia Litúrgica: Fundamentos que sustentam as celebrações e tornam sua prática significativa.

  • Espiritualidade Litúrgica: Como cultivar uma espiritualidade que gere ações concretas no serviço litúrgico. 

  • Comunicação Litúrgica: Como a Liturgia pode ser um meio eficaz de comunicação do Evangelho — celebrações evangelizadas e evangelizadoras. 

  • Antropologia: Como se servir do conhecimento cultural de sua comunidade nas celebrações.  
  • Música e arranjos litúrgicos: Como integrar elementos culturais sem comprometer a profundidade da Liturgia.

 Os motivos pelos quais é importante fazer um curso como este, além daqueles já mencionados acima, podem ser elencados em 4 propostas:  

  • Formação fundamentada: Tudo o que precisa conhecer e refletir para atuar com segurança e eficiência na PLP.  
  • Método prático e sistematizado: O curso é estruturado em módulos com metas claras para um aprendizado contínuo e eficaz.  
  • Material: material necessário para organizar e aplicar o aprendizado e as reflexões da PLP na sua paróquia.  
  • Prioridade para fazer o curso: Ideal para coordenadores, ministros e qualquer pessoa que atue diretamente com a Pastoral Litúrgica, a começar do padre.

 Transforme a liturgia em sua paróquia 
Se você atua na PLP e se sente comprometido em oferecer uma Liturgia que seja fonte de transformação espiritual para sua comunidade, considere a possibilidade e a necessidade de fazer o Curso da PLP. Não deixe que a falta de conhecimento decorrente de formação superficial comprometa a profundidade das celebrações em sua paróquia. Invista na formação contínua e sólida especialmente para quem atua diretamente na PLP.

Link do curso de PLP: https://lp.liturgia.pro.br/plp1

Caso você tenha interesse se afiliar a esse projeto para divulgar a importância e a formação litúrgica da PLP nas paróquias, pode clicar no link abaixo.

Link e afiliado: https://dashboard.kiwify.com.br/join/affiliate/7dnxlCA8

Tudo que você leu pode ser interpretado como um texto publicitário. Contudo, nada do que foi dito é sem sentido e sem pertinência para o exercício da Liturgia em nossas comunidades paroquiais. Pense com carinho na possibilidade de dar um up na PLP de sua paróquia.

Serginho Valle 
Fevereiro 2025

 

 

8 de fev. de 2025

Planejamento da Pastoral Litúrgica Paroquial — PLP


A PLP — Pastoral Litúrgica Paroquial — é uma necessidade que assume grau de urgência em nossos dias. Torna-se especialmente urgente naquelas paróquias que ainda não descobriram a Liturgia como fonte e cume de todas as atividades da Igreja e, no caso, fonte e cume de todas as atividades da paróquia.  Eis o motivo deste artigo: chamar atenção para a necessidade da PLP e, mais especificamente, chamar atenção para o planejamento da PLP.

Sobre o tema “Planejamento da Pastoral Litúrgica Paroquial (PLP)”, gravei uma catequese litúrgica que você poderá assistir neste endereço: https://encurtador.com.br/HbUkF   Além desta catequese, existem outras duas catequeses refletindo a necessidade da PLP na comunidade paroquial. Em tal contexto de três catequeses, pode-se dizer que estamos começando uma espécie de “minicurso” que oferece uma introdução ao tema da PLP.

Objetivo do Planejamento da PLP  

O “Planejamento da Pastoral Litúrgica Paroquial (PLP)” apresenta diferenças entre as paróquias. Algumas paróquias fazem o “Planejamento da Pastoral Litúrgica Paroquial (PLP)” em modo trienal, contemplando os Anos A – B – C. Outras criam o “Planejamento da Pastoral Litúrgica Paroquial (PLP)” abraçando apenas o arco de um ano. Cada comunidade paroquial considera o que é mais prático e mais frutuoso. 

Planejar a vida litúrgica paroquial é construir um caminho para celebrar melhor, com celebrações evangelizadas e evangelizadoras, celebrações que sejam participativas, especialmente do ponto de vista mistagógico, para fomentar a vida cristã dos celebrantes (SC 1). O planejamento visa tornar as celebrações mais vivas com celebrantes sempre mais conscientes e enriquecidos espiritualmente.

Estrutura básica da Pastoral Litúrgica Paroquial 

A PLP é organizada e coordenada pela Equipe Litúrgica — que é diferente de Equipes de Celebrações —. A Equipe Litúrgica, juntamente com o pároco é responsável por toda a vida litúrgica da paróquia. Isso inclui a organização de celebrações a partir do Ano Litúrgico, de celebrações dos Sacramentos e dos Sacramentais, inclui a organização de formações para quem atua em ministérios litúrgicos e para o povo da paróquia, inclui a seleção de músicas, elaboração de agendas celebrativas e atividades em vista do fortalecimento da espiritualidade litúrgica. 

A Equipe Litúrgica é descrita como o
"coração e cérebro" da vida litúrgica paroquial e, por isso, é fundamental na coordenação das atividades litúrgicas da paróquia em vista de planejar, pesquisar a realidade dos celebrantes, aprofundar conteúdos teológicos e da espiritualidade litúrgica, formar agentes e organizar ações pastorais, conforme orientações do Documento 43 da CNBB.

 Finalidades da PLP 
Três dimensões teológicas e espirituais justificam a finalidade do planejamento da vida litúrgica paroquial:

  1. Dimensão memorial e santificadora: As celebrações atualizam o Mistério da Salvação, permitindo aos celebrantes que sejam santificados pela participação na vida divina em cada celebração litúrgica. 
  2. Dimensão celebrativa: Promover a participação plena, consciente e ativa dos celebrantes, tornando as celebrações evangelizadas e evangelizadoras para que a vivência cristã seja cada vez mais autêntica na comunidade. 
  3. Dimensão pedagógica: Favorecer a pedagogia mistagógica, iniciando os celebrantes no Mistério celebrado na Liturgia e, em decorrência disso, produzir frutos na vida comunitária em forma de atividade pastoral e missionária.

 Dicas para Planejar a PLP 

Quatro recomendações (na generalidade) para o planejamento eficiente:

  1. Conhecer a realidade da comunidade: Identificar quem participa das celebrações e suas necessidades espirituais. 
  2. Definir uma agenda celebrativa: Organizar um calendário que contemple solenidades e momentos formativos ao longo do ano. 
  3. Formação contínua dos agentes litúrgicos: Capacitar equipes para compreender e viver melhor a liturgia. 
  4. Avaliação constante: Verificar a eficácia das celebrações e ações litúrgicas na vida pessoal (no que é possível) e na vida da comunidade, ajustando conforme necessário.

Conclusão 
O planejamento da PLP é indispensável para garantir que a liturgia paroquial seja mais viva, formativa e evangelizadora. Com isso, a comunidade poderá tomar consciência de celebrar de maneira cada vez mais consciente e plena, fortalecendo a caminhada cristã dos celebrantes e de toda a paróquia.

Como dito acima, no início deste artigo, estou propondo três catequeses litúrgicas no meu canal de Youtube, Lectio Liturgica, na playlist Pastoral Litúrgica – catequese, que você encontra no endereço: https://www.youtube.com/playlist?list=PL0h4xujwJqhniqXWe4q-zho_cdFq-VTnp

 Agora, para uma formação mais aprofundada, sugiro o curso completo sobre PLP está disponível no site do SAL. Na realidade são dois cursos: um introdutório, que se chama Pastoral DA Liturgia e o curso mais extenso sobre este tema, que se chama PLP – Pastoral Litúrgica Paroquial.

PLP - Pastoral Litúrgica Paroquial — https://lp.liturgia.pro.br/plp1

Serginho Valle 
Fevereiro de 2025

8 de nov. de 2024

Celebrações litúrgicas que comprometem


As celebrações, que sempre celebram a fé cristã, comprometem os celebrantes na missão evangelizadora da Igreja. A fé cristã não é um conceito abstrato, limitado a doutrinas ou princípios morais; a fé cristã não é também um crença religiosa. A fé cristrã é uma atitude pessoal de compromisso com Deus, que orienta a mentalidade e o estilo de vida de quem a assume como luz na vida pessoal. As celebrações litúrgicas, nesse sentido, servem como fortalecedoras da fé na vida pessoal dos celebrantes. Para que isso aconteça, é necessário celebrações que comprometam os celebrantes com a fé que professam e vivem. A evangelização só pode acontecer em decorrência da vivência autêntica da fé, no discipulado.


A pedagogia mistagógica e o compromisso evangelizador

Para aqueles familiarizados com o SAL – Serviço de Animação Litúrgica (www.liturgia.pro.br), sabem que as propostas celebrativas são orientadas pela pedagogia mistagógica, considerando a abordagem pastoral do Ano Litúrgico. Cada celebração se conecta com outras celebrações, formando uma continuidade pedagógica para introduzir e orientar os celebrantes no caminho do discipulado. Nessa sequência, os celebrantes, caminhando na estrada de Jesus (discipulado), são conduzidos a fortalecer a fé, celebrada na Liturgia, como compromisso pessoal.

 Esse processo acontece especialmente na Liturgia da Palavra, momento em que a Palavra ilumina a vida do celebrante fazendo-o refletir e se comprometer pessoalmente com o projeto do Reino de Deus. Esse processo não acontece espontaneamente. É necessário uma organização e uma estrutura pastoral para ajudar os celebrantes e introduzi-los mistagogicamente na estrada de Jesus. É o papel da PLP – Pastoral Litúrgica Paroquial.

O papel da pastoral litúrgica paroquial (PLP)

A Pastoral Litúrgica Paroquial (PLP) desempenha um papel essencial na preparação de celebrações que sejam verdadeiramente evangelizadoras, capazes de comprometer a vida dos celebrantes com o Evangelho. Nisso, a necessidade do zelo pastoral litúrgico caracterizado pela participação ativa e consciente nas orações, nas leituras e nas canções... A estrutura da PLP, formada por membros que compreendem e conhecem a pedagogia mistagógica e a dinâmica evangelizadora de cada celebração, é fundamental nas paróquias. Portanto, a importância da formação litúrgica continua daqueles que atuam na PLP, de todos os ministérios.

A formação litúrgica não se restringe a uma organização funcional, como a definição de funções ministeriais; é toda uma estrutura pastoral que sustenta a dimensão formativa da Liturgia em cada comunidade paroquial. A formação em PLP oferece orientações de como estruturar a pastoral litúrgica que prepare celebrações bem planejadas, e isso significa celebrações evangelizadas e evangelizadoras, capazes de fortalecer a fé na vida dos celebrantes tornando-os comprometidos com o projeto do Reino. A Liturgia é vocacionada a tornar os celebrantes compromissados com a fé; não a fé na dimensão de crença, mas na dimensão existencial.

A Liturgia como vocação e compromisso pessoal

A Liturgia não celebra uma crença em Deus, em Jesus Cristo… A Liturgia não celebra uma crença religiosa, mas a fé cristã no Mistério Pascal de Jesus Cristo. Entende-se que os celebrantes celebram a Liturgia porque creem em Deus; essa crença precisa ser transformada em compromisso de vida com o Evangelho, com o Reino. A Liturgia tem a vocação de iniciar os celebrantes no compromisso existencial da fé envolvendo-os de modo consciente nas celebrações.

A importância do envolvimento pessoal nas celebrações está intimamente ligada à vocação cristã como resposta de fé. A Liturgia é um espaço de encontro com Deus onde cada celebrante é convidado a escutar, a refletir e a modelar sua vida com a Palavra de Deus, especialmente o Evangelho. Celebrações bem preparadas têm a função de interpelar e inspirar os celebrantes a abraçar o projeto divino, fortalecendo seu compromisso com o Reino de Deus. Essa dimensão comprometedora, presente em cada celebração, nutre a vocação cristã dos batizados e os encoraja a viver uma vida alinhada com os valores evangélicos e, o mais importante, com uma vida cristã comprometida.

Conclusão: celebrar para comprometer 

Volto a repetir: na Liturgia não celebramos uma crença, mas a fé e isso significa celebrar um projeto existencial. A Liturgia não celebra uma crença, celebra a vida divina sendo oferecida para que a vida humana seja plena (Jo 10,10). Para isso acontecer é fundamental a PLP.

É fundamental que as celebrações litúrgicas sejam bem preparadas e estruturadas para atingir a vida e a mente dos celebrantes, conduzindo-os a um compromisso cada vez mais profundo com a fé e com o projeto divino, que definimos como Reino de Deus. É desse modo que a Liturgia realiza o seu papel de fomentar a vida cristã, como pede a SC 1, à medida que alimenta a fé dos celebrantes e os tornam comprometidos com o Reino e com a evangelização.

Serginho Valle 
Novembro 2024


 

Para conhecer o curso de PLP, acesse:

https://lp.liturgia.pro.br/plp1

19 de out. de 2024

Pensar a Liturgia de Modo Diferente


Publicidades nas redes sociais demonstram que Missas temáticas, como as de cura e libertação, conquistam grande popularidade no meio católico. A sociologia e a psicologia religiosas explicam que sempre existiu uma demanda emocional do povo em busca de alívio e cura por meio de rituais. Isto sempre esteve presente em todas as épocas históricas com ritos religiosos buscando curas e libertações interiores. Embora muitos padres não tenham essa intenção, a Missa acaba sendo vista e usada também como um meio de cura física. Tal finalidade de realizar celebrações, não somente da Missa, com características de instrumentalizações milagreiras não condiz com a Teologia Litúrgica e nem com a sua espiritualidade.

 

A Igreja oferece rituais próprios para interceder pela saúde — como a “Missa pelos Doentes” (Pro infirmis). É uma celebração Eucarística para rezar “pelos doentes”, colocando a vida dos doentes nas mãos de Deus, sem transformar a celebração em um rito voltado exclusivamente a curas e milagres. O mesmo princípio encontra-se no Sacramento da Unção dos Enfermos, com sua proposta celebrativa invocando a cura física do doente, mas sempre em modo tal que a vontade divina prevaleça.

 

Efeitos psicológicos nas celebrações emotivas

A Psicologia da Religião observa que encontros marcados por músicas altas e gestos expressivos, como mãos levantadas, olhos fechados, o bater palmas e movimentos corporais... podem gerar respostas emocionais fortes, como choros e, em casos extremos, até mesmo desmaios. Esses fenômenos, em contextos de grande carga emocional, podem ser confundidos com ações divinas; é um risco que se corre.

 

A Igreja sempre é muito cautelosa e zelosa em proteger a essência da Liturgia, que sempre celebra o Mistério Pascal de Cristo, cuidando para não servir a outros fins, como rituais curativos em estilo de atração religiosa. A celebração litúrgica não se norteia por critérios de espetáculo, mas em obedecer às normas da Igreja, e não àquilo que apenas “agrada ao povo”, aquilo que o “povo gosta”.

 

Desde o início da Igreja, em termos de celebração Eucarística, a Liturgia deu mais atenção à dimensão da pedagogia mistagógica, que a promoção de milagres, embora eles tenham proliferado em forma de bênçãos e Missas Votivas, na Idade Média, quando a mistagogia é esquecida a ponto de desaparecer. Voltou com a reforma litúrgica do Vaticano II sendo proposta como caminho de introdução (iniciação) para participar de modo consciente e ativo do Mistério celebrado.

 

Tal dimensão, repito, deixou de existir na Idade Média e foi retomada com a Reforma Litúrgica, no século XX. A passagem dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-34) ilustra essa pedagogia: antes de partilhar o pão (Eucaristia), Jesus percorre um caminho com eles, explicando as Escrituras para, pedagogicamente, conduzi-los ao Mistério da Ressurreição. Este é um indicativo de como conduzir nossas celebrações com a mesma pedagogia mistagógica de introduzir os celebrantes no Mistério celebrado. Perceba que não existe instrumentalização neste caso. Existe um acompanhamento mistagógico, realizado por Jesus, de introdução no Mistério da Ressurreição, que tem seu momento culminante — a Liturgia é cume e fonte (SC 10) — na “fractio panis” Eucarística (Lc 24, 30). Celebrar não para milagres, mas para marcar a conclusão de uma etapa da caminhada na estrada de Jesus, no discipulado.

 

Na tradição litúrgica, a celebração dos Sacramentos e dos Sacramentais tem, entre outras dimensões, esta dimensão pedagógica de fazer com que os fiéis caminhem com o Senhor, compreendam a vida a partir da Palavra que sempre é anunciada em toda celebração litúrgica para serem configurados a Jesus Cristo como discípulos e discípulas. Como ensina São Paulo VI, a Liturgia é a primeira escola da vida cristã”. Entende-se que a vida cristã é vivida na “estrada de Jesus”, no caminho do discipulado, cuja fonte encontra-se na Liturgia proclamadora e celebrante memorial da Palavra. Estou falando da dimensão evangelizadora da Liturgia.

 

O papel evangelizador da liturgia

Papa Francisco, na “Desiderio desideravi” (n. 37), reforça que a dimensão evangelizadora da celebração litúrgica. A celebração como momento evangelizador, um contato de compromisso para se assumir existencialmente o Evangelho. A celebração litúrgica não prescinde (nem pode prescindir) do emocional. Mas, o emocional somente para emocionar, para causar sensações emocionais fortes, sem evangelização, torna-se incompleta. O encontro com Cristo Ressuscitado, que emocionou os discípulos de Emaús, continua emocionando aqueles celebrantes que fazem experiência do encontro com o Senhor vivo na celebração litúrgica. Quanta emoção e sentimento de alegria ao celebrar a Penitência e se sentir abraçado pelo perdão divino. Quanta emoção de doentes que se sentem fortalecidos pela celebração da Unção dos Enfermos.

 

É a emoção de quem se compromete com o Evangelho à medida que caminha na estrada de Jesus. Para isso, entende-se que a pedagogia mistagógica é essencial para a formação da vida cristã compreendida de modo holístico: emocional, racional, corporal, relacional. O primeiro objetivo da Reforma Litúrgica, proposto pelo Concílio Vaticano II, afirma que a Liturgia, na qualidade de fonte é chamada a fomentar a vida cristã entre dos celebrantes (SC 1). “Fomentar” aqui significa proporcionar meios para o crescimento espiritual da vida cristã em tudo aquilo que respeita à vida; de modo holístico.

 

Para assim acontecer é preciso pensar a Liturgia de modo diferente, sempre mais evangelizada e evangelizadora. A proposta de pensar a Liturgia de forma diferente não tem o intuito de transformar a Liturgia da Palavra em longas pregações, mesmo porque a Liturgia da Palavra não contempla toda a celebração. Mas, é Liturgia da Palavra que dá sentido ao Mistério celebrado em cada Sacramento e, ao mesmo tempo, que se torna luz para se viver de modo fiel a vida cristã em modo pessoal e a vida cristã de toda comunidade. Neste caso, a vida cristã em forma de serviço nas diferentes pastorais e ministérios de uma comunidade paroquial. Eis o contexto para se compreender a pedagogia mistagógica atuando em celebrações evangelizadas e evangelizadoras.

 

Sei que existem muitos materiais de qualidade disponíveis para ajudar nessa prática de tornar as celebrações litúrgicas sempre mais evangelizadas e evangelizadoras servindo-se da pedagogia mistagógica. Permita-me incluir também dois cursos que escrevi e gravei sobre este tema. Um curso introdutório, chamado Pastoral DA Liturgia e um curso mais denso para organizar a PLP – Pastoral Litúrgica Paroquial. Para conhecer e saber mais sobre os cursos, acesse:

 

Pastoral DA Liturgia — https://lp.liturgia.pro.br/pastoral-da-liturgia

 

PLP – Pastoral Litúrgica Paroquial — https://lp.liturgia.pro.br/plp1

 

Serginho Valle
Outubro de 2024

  

12 de out. de 2024

A vida pessoal (impessoal) na celebração da Liturgia


Por mais que estejamos envolvidos em redes sociais, com milhares de seguidores, a sensação de ser “impessoal” — não ser visto como pessoa, como indivíduo — é uma realidade experimentamos em várias situações. Imagine-se numa sala de espera de um departamento público ou hospital, esperando ser atendido. Você recebe ou retira uma senha: seu nome é trocado pelo número da senha. Nós nos acostumamos e consideramos isso normal, mesmo sendo explícito que deixo de ser o “Serginho” e passo a ser considerado o próximo número de senha para ser atendido. Pode ser o modo mais prático de organizar uma lista de espera, mas não deixa de ser “impessoal”.

 O dicionário define “impessoal” como algo que não se refere ou não pertence a uma pessoa em particular. Sendo “impessoal”, não existe a particularidade da individualidade com suas características específicas e sua originalidade. O dicionário também esclarece o comportamento relacional com quem é “impessoal”: distanciamento, frieza, indiferença. Este é um risco real que podemos transportar para as celebrações litúrgicas, celebradas e marcadas pela frieza de ser “impessoal”, distante, indiferente, secos, frios...


Diante dessa possibilidade, é fundamental dedicar-se, de modo organizado, a resgatar a importância da vida pessoal, a valorização da pessoa, nas celebrações litúrgicas. Este resgate pode ter mais sucesso havendo zelo pela Pastoral Litúrgica Paroquial — PLP —.

 

O “pessoal” em diferentes celebrações

Existem modos e modos para que a Liturgia não escorregue para o “impessoal”, entendendo-a como fria, distante, indiferente à vida, mas valorize, na sua peculiaridade comunitária, o “pessoal” de cada indivíduo. O modo de favorecer o lado “pessoal” em celebrações que reúnem grande número de celebrantes, como é o caso da celebração Eucarística, coloca mais exigências que a celebração da Liturgia do Sacramento da Penitência, por exemplo onde a vida pessoal é partilhada pessoalmente com o padre, comprometendo a pessoa, individualmente, em sua conversão.

 

A dimensão pessoal na celebração de um Batismo, que tem o lado pessoal da familiaridade, é diferente da dimensão pessoal na celebração da Unção dos Enfermos que, como no caso da celebração da Penitência, é uma celebração que atinge o lado pessoal (individual) do enfermo. Mesmo que o contato pessoal, no Batismo ou na Unção dos Enfermos, seja diferente, a proximidade com o pessoal é mais fácil.

 

O mesmo grau de contato pessoal se verifica, inclusive em forma de compromisso pessoal, em celebrações sacramentais como é o caso da Crisma, do Matrimônio e da Ordem. Em cada uma dessas celebrações, aparece claramente o envolvimento pessoal, seja no contexto simbólico como no envolvimento pessoal enquanto empenho pessoal da pessoa que celebra o Sacramento. Pessoalmente, a pessoa torna-se comprometida em primeira pessoa.

 

O mesmo poderíamos atribuir a sacramentais, como é o caso da celebração de bênçãos de pessoas, ou a celebração de um funeral. Neste caso, o envolvimento pessoal não é com o falecido, evidentemente, mas com as pessoas que vivem e participam do luto com seu sofrimento e esperança. É algo pessoal, que toca diretamente a vida da pessoa.

 

Facilmente percebemos que estamos diante de dois campos: um que coloca os celebrantes em celebrações comunitárias e o outro que valoriza os celebrantes na sua individualidade, na sua “pessoalidade” (identidade pessoal) envolvendo a vida pessoal. As celebrações que tocam a pessoa em sua individualidade, em princípio, não deveriam oferecer dificuldade de comprometimento com a celebração. O desafio encontra-se em celebrações que se caracterizam como comunitárias e, neste caso, estou me referindo às celebrações da Eucaristia. Para tal finalidade, contamos com a necessidade de uma PLP — Pastoral Litúrgica Paroquial — organizada e efetiva.

 

A busca de soluções apelando para o individualismo é complicada porque a assembleia deixa de ser expressão da eclesialidade e se torna um grupo de pessoas individualizadas interagindo consigo mesmas, individualisticamente. O celebrante é direcionado a entrar em si mesmo deixando de ser participante da vida de quem com ele celebra a mesma Eucaristia. Está junto com outros celebrantes, mas individualmente, sem comunhão nem participação na vida de quem com ele está celebrando. Por isso, este caminho não se mostra apropriado.

 

Organizar a PLP especialmente nas Missas Dominicais

O desafio de aproximar cada celebrante da sua vida pessoal sem perder a dimensão comunitária da eclesialidade não é pequeno e nem simples. Um modo de encarar esse desafio encontra-se na organização da PLP — Pastoral Litúrgica Paroquial. O primeiro e principal objetivo para atingir a vida pessoal em celebrações comunitárias, como é o caso da Eucaristia, é propor celebrações evangelizadas e evangelizadoras. Entende-se que o Evangelho, mais que a promoção de momentos emocionados na celebração, é capaz de confrontar diretamente a vida pessoal de cada celebrante. Por isso, a PLP de cada paróquia, muito mais que, apenas, organizar um calendário com escalas de leitores e outros ministérios, tem o desafio de propor celebrações cada vez mais evangelizadas e evangelizadoras.

 

O primeiro trabalho de uma PLP consiste em avaliar o grau de comprometimento que a celebração propõe para a vida dos celebrantes, não em tom de moralismos, mas evangelizadoramente, propondo o estilo de vida do Evangelho. É um trabalho, no qual a PLP é chamada a perceber se nas celebrações da comunidade as pessoas estão presentes de maneira mecânica, sem se envolverem pessoalmente com a proposta evangelizadora de cada celebração. Avaliar se as celebrações da comunidade estão sendo marcadas pela indiferença, mecanizadas na presidência, automatizadas no exercício dos ministérios, desafinadas nas escolhas da canções.

 

A mecanização e a automatização são as primeiras causas de celebrações favorecedoras do contato impessoal, sem o envolvimento da vida, sem serem capazes de atingir a vida do indivíduo, aquilo que forma sua pessoa, sua história pessoal com seus conflitos e sucessos. Ao contrário disso, a proposta é realizar celebrações capazes de tocar o perfil pessoal de cada celebrante para que não sejam meros figurantes, mas se comprometam em pessoa, pessoalmente, com aquilo que é celebrado.

 

A Liturgia, no atual contexto histórico, sente-se vocacionada a ser capaz de tocar a vida pessoal e atingir a experiência pessoal de cada celebrante. Cada celebrante deve ser conduzido pessoalmente a fazer a experiência de uma participação pessoal, capaz de ser tocado em sua existência, capaz de encontrar respostas aos seus questionamentos e buscas existenciais. Disso, a proposta de pensar a Liturgia sempre mais evangelizada e evangelizadora. Quanto mais evangelizada for uma celebração, maiores são as condições de atingir a vida pessoal de cada celebrante de modo comprometido.

 

Diante de tal desafio, me propus a escrever e gravar um curso denominado “Curso de PLP – Pastoral Litúrgica Paroquial”. No primeiro módulo do meu curso de PLP, chamo atenção para a motivação primeira e principal de quem atua em algum ministério litúrgico, a começar pelo padre: a atitude pastoral de ter e dedicar cuidado à vida pessoal de cada celebrante. Na celebração litúrgica, como nas Missas, não se trata tal cuidado com técnicas psicológicas, mas preparando, organizando e celebrando celebrações evangelizadas e evangelizadoras. Para isso, contamos com a presença ativa do Espírito Santo para conduzir cada celebrante, com sua vida pessoal, na “estrada de Jesus”.

 

Para conhecer detalhes do meu curso da organização da PLP, acesse:

https://lp.liturgia.pro.br/plp1

Serginho Valle

Outubro de 2024

 

31 de ago. de 2024

A Palavra de Deus na pastoral


A Exortação Apostólica Verbum Domini, de Bento XVI, publicada em 2010, tem o objetivo de fortalecer a Igreja em sua missão evangelizadora, colocando a Sagrada Escritura no centro de toda a vida da Igreja. No centro de todas as atividades realizadas na Igreja. Isto inclui, evidentemente, a atividade pastoral com todas as pastorais realizadas em nossas paróquias. Papa Bento XVI, na Verbum Domini, convida a fazer da Palavra de Deus o coração de todas as atividades da Igreja.

Neste artigo, vou propor somente um aspecto: a centralidade e a função da Palavra de Deus na comunidade paroquial de olho na atividade pastoral paroquial. Interessa-me chamar atenção para o papel da Liturgia em toda a dinâmica pastoral e evangelizadora conduzida e iluminada pela Palavra de Deus.

 

Evangelização além das palavras

Um primeiro olhar, ao qual gostaria de chamar sua atenção é para um fato que precisa estar bem claro: a evangelização não se limita a pregações e estudos bíblicos. A evangelização não se limita a atividades verbais, oral ou escrita. Não se evangeliza unicamente ou somente com palavras. A Evangelização vai além das palavras.

 

Entende-se que a evangelização abrange também as obras pastorais. Dizendo de modo mais claro: cada atividade pastoral realizada na paróquia é uma atividade evangelizadora. Todo agente de pastoral é um evangelizador, que não evangeliza com palavras, mas com atitudes, com o testemunho fraterno do Evangelho próprio de cada atividade pastoral.

 

Tal dinâmica tem várias fontes. Destaco a fonte de todas as atividades da Igreja (SC 10): a Liturgia. Nas paróquias, como destaco no meu curso Pastoral DA Liturgia, as pastorais são expressões de celebrações evangelizadas e evangelizadoras. Celebrações que envolvem os celebrantes no Evangelho, ajudam os celebrantes a pensar com o pensamento divino proposto no Evangelho que terão, como consequência, respostas e reações evangelizadoras. Tais reações evangelizadas são as atividades pastorais que, por sua vez, tornam-se evangelizadoras.

 

A centralidade da Palavra de Deus

Bento XVI afirma que a Palavra de Deus deve ocupar um lugar central na vida da Igreja (VD 73). A Liturgia é um espaço privilegiado dessa centralidade. Embora não seja uma cátedra de estudos bíblicos, a Liturgia é o local e o momento da semeadura da Palavra de Deus no terreno da vida dos celebrantes. É na Liturgia que a Palavra é celebrada, anunciada, acolhida e refletida (homilia) para ser luz na vida dos celebrantes (Sl 119,105). Na Liturgia, a Palavra de Deus é celebrada para tocar a vida de cada pessoa, penetrando até a profundeza da alma, no mais profundo da vida humana (Hb 4,12).

 

Mas, não somente luz que atinge profundamente a vida pessoal. Atinge também a vida comunitária, porque é a Palavra que sustenta e orienta a vida da Igreja. Está no centro da

comunidade e no centro da sociedade. Celebrada na Liturgia, a Palavra acende o Evangelho na vida de cada celebrante para iluminar com a luz da Palavra toda a sociedade através de relacionamentos fraternos, dos quais, de modo organizado, encontram-se as pastorais. Entende-se, uma vez mais, que as pastorais são reações do acolhimento da Palavra celebrada na Liturgia.

 

A Palavra de Deus na vida dos santos e santas

Gostaria de chamar atenção para um fato que merece ser considerado: a finalidade da Liturgia da Palavra é proporcionar o encontro com Jesus Cristo e este encontro irá repercutir em relacionamentos fraternizados. A Palavra tenha força para atingir e converter a vida dos celebrantes. A biografia de santos e santas é pródiga neste sentido. Todos ingressaram no processo da conversão pelo acolhimento da Palavra. Por isso, a vida dos santos e santas são vidas evangelizadas que evangelizam com obras.

 

A vida dos santos e das santas mostra que é possível encontrar o Senhor, viver o Evangelho e transformá-lo em pastorais que cuidam da vida do povo. A Igreja propõe diversos caminhos de santidade: pela caridade, consagração, vida familiar, ou martírio. Em todos esses estilos de vida, o ponto comum é o encontro com Cristo presente na Palavra de Deus, particularmente, presente no Evangelho, e transformado em caridade atuante. Um exemplo apenas: Santa Dulce dos Pobres. Acolheu a Palavra e a transformou em pastoral cuidando dos menos favorecidos socialmente. Esta é uma finalidade da Pastoral da Liturgia: celebrações evangelizadas capazes de enviar celebrantes evangelizadores.

 

Disto nasce outra proposta. A proposta de a Palavra de Deus ser o centro de toda atividade pastoral da Igreja, fomentada pela Liturgia ou pela Pastoral Bíblica tem o escopo de criar, ou recriar, uma cultura baseada no Evangelho. Os santos e santas são exemplos vivos de como viver e promover essa cultura, não apenas por palavras, mas pela espiritualidade do Evangelho vivenciada nas comunidades. Espiritualidade evangelizada que se concretiza em atividades pastorais que evangelizam.

 

Por isso, o conhecimento da vida dos santos e santas é essencial para entender como a Palavra de Deus transformou suas vidas e como eles concretizaram o Evangelho em atividades de caridade fraterna. Já mencionei Santa Dulce dos Pobres, mas podemos lembrar de São João Bosco, São Vicente de Paula, Santa Teresa de Calcutá. Cristãos e cristãs que traduziram a Palavra de Deus, ouvida na Liturgia, meditada na vida pessoal, em atividade pastoral. O que e como os santos e santas fizeram desafia-nos a fazer o mesmo.

Serginho Valle

Agosto de 2024