A formação e a espiritualidade litúrgicas são os pilares da Pastoral Litúrgica Paroquial (PLP)

A paz do Senhor!

A finalidade deste espaço é oferecer material de formação litúrgica para quem atua em ministérios litúrgicos na comunidade paroquial. Seja muito bem-vindo e bem-vinda. Se quiser e puder deixar sua contribuição, agradeço muito. (Serginho Valle)
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10 de jul. de 2021

Pastoral Litúrgica Paroquial e Sacramentos medicinais


Tanto o Sacramento da Penitência como o Sacramento da Unção dos Enfermos são celebrados por pessoas debilitadas, enfraquecidas ou pelo pecado ou pela debilidade física. Na dimensão da espiritualidade litúrgica, esses sacramentos caracterizam-se pela misericórdia, paciência e compreensão. Não é sem motivo que nas Introduções dos Rituais desses Sacramentos se insiste que o padre, no papel de confessor ou administrador da Unção dos Enfermos, prepare-se para bem celebrar este momento, no qual terá que fortalecer irmãos debilitados. Descreve a necessidade da preparação espiritual e psicológico para entrar em contato com a fragilidade humana.

          Do ponto de vista da Pastoral Litúrgica, é necessário insistir numa mentalidade madura e equilibrada sobre estes dois sacramentos. Isso poderá acontecer se a Pastoral Litúrgica dispor de equipes de celebrações que ajudem os penitentes na preparação para uma boa confissão, com celebrações ou dinâmicas preparatórias, como meditação, Lectio divina, breve reflexão...  E, no caso da Unção dos Enfermos, quando as Pastorais da Saúde e Litúrgica souberem ajudar as famílias a celebrar a presença do fortalecimento divino na unção e na oração de fé que, como diz São Tiago (Tg 5,14-15).

Reconheço, e creio que você também reconhece comigo, que muito se tem a fazer na pastoral destes dois sacramentos para não aproximá-los de conceitos mágicos, mas em fazer deles aquilo que são: celebrações de fortalecimento para quem se confia totalmente a Deus no momento que a vida o estiver debilitando.

 Pastoral Litúrgica Paroquial e Sacramentos medicinais

Infelizmente, nem todas as comunidades têm uma Pastoral Litúrgica Paroquial capaz de considerar a importância que merecem os Sacramentos da Penitência e da Unção dos Enfermos.

Reconheço não ser fácil para a Pastoral Litúrgica Paroquial organizar atividades pastorais próprias para o Sacramento da Penitência se este estiver centrado unicamente no padre. Além do mais, alguns costumes e práticas pastorais classificam o Sacramento da Penitência não como momento celebrativo da misericórdia divina, mas momento acusatório: o penitente conta os pecados, o padre escuta, dá a absolvição e tudo está consumado. Não existe, ainda, em muitas comunidades, a dimensão celebrativa e uma espiritualidade capaz de revestir o Sacramento da Penitência como momento reconciliador com Deus e com os outros, no contexto da vida cristã.

O mesmo podemos dizer quanto a atividade da Pastoral Litúrgica Paroquial a respeito do Sacramento da Unção dos Enfermos. Tenho percebido que o mesmo é celebrado quase sempre de modo isolado, quando muito restrito ao âmbito familiar, quando o enfermo está em casa. Nos hospitais, mesmo havendo possibilidade e ter pessoas por perto, o padre como que executa o rito sozinho com o doente. Não estamos falando de validade, de efeito espiritual, nada disso. Mas da dimensão pastoral que pede a presença da comunidade, mesmo que representada pela família ou por pessoas que atuam ministerialmente com os enfermos.

Sim, existe um campo enorme para se desenvolver um trabalho pastoral com os Sacramentos medicinais da Penitência e da Unção dos Enfermos. Um trabalho pastoral que contemple a dimensão da acolhida e da escuta fraterna; trabalho pastoral realizado em forma de multidisciplinariedade, com orientação psicológica, por exemplo, com direção espiritual e catequética para preparar aqueles que precisam voltar para Deus com uma boa confissão. Para preparar o enfermo e a família, que também se fragiliza na doença, para uma boa celebração da Unção dos Enfermos.

            Os Sacramentos da Penitência e da Unção dos Enfermos jamais podem ser desconsiderados ou esquecidos pela Pastoral Litúrgica Paroquial. Sim, trata-se de algo óbvio e evidente que a Pastoral Litúrgica Paroquial se ocupe destes Sacramentos. Na prática, infelizmente, grande parte da Pastoral Litúrgica Paroquial, em muitas comunidades, não existe um trabalho específico com estes dois Sacramentos que conferem a graça do perdão e da conversão, que conferem também a graça da fraternidade, da misericórdia e da consolação.

Serginho Valle

Maio de 2021

12 de jun. de 2021

Espiritualidade litúrgica no Sacramento da Unção dos Enfermos


 

A debilidade humana manifesta-se de modo especial no corpo doente. Sabemos, pela experiência da vida, que não teremos a mesma saúde à medida que os anos passam. A doença, ou a fraqueza física para alguns, é uma realidade que um dia tomará conta de nós. Isto nos debilita. Para aquele momento, quando nos dermos conta que o vigor dos anos se foi, ou que alguma doença nos afetou, a Igreja vem em socorro intercedendo a graça divina para que a pessoa recupere a saúde e a força da vida, se for da vontade de Deus.

A espiritualidade da Unção dos Enfermos leva os celebrantes a se unirem mais intimamente com Jesus Cristo sofredor para o bem do povo de Deus, explica São Paulo (Cl 1,24). A debilidade corporal, manifestada na velhice ou na doença, não é nem descartável ou apenas deplorável; para a Igreja é um tempo para fazer do sofrimento uma oferta agradável ao Pai para o bem do mundo, como diz São Paulo VI, na Constituição Apostólica “De Sacramento Unctionis Infirmorum”.

Por meio da celebração do Sacramento da Unção dos Enfermos, o cristão é convidado a participar e a colocar em Deus toda sua fé e esperança, como lemos em vários exemplos evangélicos das curas dos doentes por Jesus. A espiritualidade presente na Liturgia da Unção dos Enfermos é vivida de modo intenso; o padre que preside este sacramento sabe o que isso significa. É a espiritualidade que fortalece a vida do enfermo ou do idoso pelo abandono nas mãos de Deus. É momento para a pessoa reconhecer-se necessitada de tudo e, sem alguma resistência, colocar-se no colo de Deus, pois nele está o consolo, a força e a esperança. Quem preside a Unção dos Enfermos deve ser alguém envolvido pela misericórdia divina, ser um reparador da força no doente, para ajudá-lo a abandonar-se no colo de Deus.

Serginho Valle

Maio de 2021

 

1 de mai. de 2021

Sacramentos medicinais


Assim como o cuidado com a vida corporal necessita, de tempos em tempos, de alguma medicina, de algum remédio, o mesmo acontece com a vida espiritual. Também a vida espiritual sente necessidade de ser socorrida com alguma medicina, com algum remédio de ordem espiritual. Do ponto de vista litúrgico, a Igreja presta socorro medicinal nas e pelas celebrações do Sacramento da Penitência e do Sacramentos da Unção dos Enfermos. Um adendo: os dois sacramentos medicinais cuidam do espirito e do corpo, neste caso mais especificamente, a Unção dos Enfermos. 
        O caminho e a caminhada são dois símbolos muito caros aos cristãos usados para descrever a vida cristã e a pedagogia no discipulado. O discípulo e discípula cristãos caminham na “estrada de Jesus”, como rezamos na Oração Eucarística V. A “estrada de Jesus” é a estrada do Evangelho, é o próprio Evangelho. Um caminho seguro e com a garantia de vida plena e de vida totalmente realizada. 
          Mas, como acontece em todos os caminhos e caminhadas onde colocamos nossas vidas, dada nossa condição humana, os desvios de rota, cansaços e debilidades são, para a maior parte de nós, inevitáveis. Os Sacramentos da Penitência e da Unção dos Enfermos ajudam e favorecem a retomada do caminho e da caminhada de quem se desviou ou daquele que caiu nas malhas do pecado. São dois sacramentos celebrados para fortalecer as fraquezas que a vida humana enfrenta tanto no corpo como no espírito. 
        As debilidades e fraquezas na vida cristã podem ser espirituais, psicológicas, morais e corporais. Quem cai no pecado ou vive no pecado é um enfraquecido do ponto vista espiritual e debilitado no plano psicológico. Quem tem a experiência sacerdotal de celebrar o perdão, no Sacramento da Penitência, sabe que muitos problemas psicológicos estão relacionados ao pecado ou a uma situação pecaminosa. Hoje, não resta dúvida que a ausência ou carência de uma moral iluminada pela luz do Evangelho é causa de desvio de conduta e de transtornos psicológicos e comportamentais. 
         Do ponto de vista da fraqueza corporal (doença), a maior parte das pessoas experimenta — quase que naturalmente, eu diria — a debilidade psicológica. A doença grave ou a ameaça de alguma doença sempre mexe com o emocional e com o psicológico da pessoa. Todos percebemos isso, de modo muito claro, na experiência da pandemia, em 2020 e 2021. A fraqueza corporal, a debilidade física tem relação com a debilidade psicológica. Em socorro destas fraquezas vêm os sacramentos da Penitência e da Unção dos Enfermos. Disto a importância e a necessidade de serem bem celebrados, especialmente celebrados com calma e em clima de oração. 
        Não é sem motivo, por estes poucos argumentos que propus, que os sacramentos da Penitência e da Unção dos Enfermos são conhecidos como sacramentos medicinais. São apresentados aos cristãos como reforço na caminhada, como remédio na caminhada existencial, para que a pessoa enfraquecida possa recuperar a boa estrada ou recuperar o vigor da saúde de conviver entre os irmãos e irmãs, “se for da vontade de Deus”, como diz o Ritual da Unção dos Enfermos. 
        Celebrar estes sacramentos, do ponto de vista espiritual, especialmente do ponto de vista da espiritualidade litúrgica, é buscar uma “medicina” da qual Deus é o dispensador em modo pleno e benéfico. Ele concede o remédio do perdão, que perdoa e reconcilia; ele revigora com o remédio da cura ou do consolo fortalecedor do óleo o resgate da vida, lá onde a força corporal fraqueja.

Serginho Valle
Maio de 2021

 

20 de mar. de 2021

Espiritualidade matrimonial na bênção Matrimonial


 

Uma análise rápida da Bênção Nupcial possibilita perceber a dimensão espiritual na Liturgia Matrimonial em três aspectos: no sinal da Aliança de Cristo com a Igreja, na bênção divina que gera vida e na vivência cristã da Igreja doméstica.

Ao considerar o matrimônio como Sacramento (sinal) da Aliança entre Cristo e a Igreja, Paulo (Ef 5,22-32) descreve a vocação matrimonial e o modo de vida, no casamento, como “um grande mistério” (Ef 5,32). Mistério no sentido da Teologia paulina, de inserção no projeto salvífico de Jesus Cristo; de ser participante ativo no Mistério Pascal de Cristo. Neste caso, a espiritualidade matrimonial leva os casais a serem testemunhas vivas do Evangelho através do amor e pela partilha de vida, no amor; do mesmo amor “como Cristo amou sua Igreja” (Ef 5,29-30): amor de doação, de um ao outro e, amor a Deus, amor de oblação, que faz da sua vida uma oferta agradável ao Pai.

O segundo aspecto da espiritualidade matrimonial, presente na Bênção Matrimonial, intercede a Deus que o casal seja gerador de vida. A súplica é apresentada como “a única bênção que não foi abolida, nem pelo castigo do pecado original, nem pela condenação do dilúvio”. Demonstra-se assim que, na espiritualidade matrimonial, existe um compromisso com a vida, tanto na sua geração, como no empenho de educar os filhos, frutos do amor conjugal, a viver de acordo com o projeto do Evangelho.

Por fim, a espiritualidade matrimonial — sempre no contexto teológico da Bênção Nupcial — contempla a família como Igreja doméstica. Um local onde o amor define o interesse de um pelo outro, onde os mal-entendidos transformam-se em amor que perdoa; onde a vida gerada como o fruto bendito do amor humano e divino que se torna gente, para que assim possam ser “fecundos em filhos, pais de comprovada virtude e possam ver os filhos de seus filhos”; quer dizer, possam ver a bênção da vida que nasceu do seu amor nas gerações seguintes.

Em síntese: a espiritualidade matrimonial, presente na Bênção Nupcial, é aberta para a vida do casal, é derramada sobre quem nasce dessa união por causa do amor e é, da mesma forma, fonte de bênção para toda a sociedade pela educação dos filhos a partir dos valores do Evangelho. É assim que um casal cristão é convidado a viver sua espiritualidade: como oblação viva a Deus, oblação entre esposos e filhos, e geração da vida, que é presença da bênção divina numa casa.

Serginho Valle

Março de 2021

 

23 de jan. de 2021

Espiritualidade batismal e crismal na pastoral litúrgica


 

Do ponto de vista da espiritualidade, a Pastoral Litúrgica precisa atender para o momento único e decisivo na vida dos cristãos: o Batismo. É um momento decisivo que afeta a vida inteira. Hoje, existe o fato de se batizar crianças recém-nascidas, sem condição de tomar uma decisão existencial. Disto a decorrência de todo um processo catequético pós Batismo para favorecer a correspondência ao compromisso existencial assumido no Batismo. O meio pastoral para isso acontecer é pela catequese crismal.

Conhecemos as dificuldades existentes em nossas comunidades e, entre muitas, uma delas é o esquecimento da espiritualidade cristã na formação batismal e crismal daqueles que irão receber estes Sacramentos. Nem todos os ditos “cursos de preparação” e a denominada “Pastoral da Crisma” insistem na importância do crescimento da espiritualidade cristã e no compromisso existencial decorrentes do Batismo e da Crisma.

A Pastoral Litúrgica da comunidade, juntamente com a Pastoral da Catequese, é desafiada a refletir e encontrar meios pedagógicos para incrementar e valorizar a espiritualidade cristã naqueles que participarão das Liturgias do Batismo e da Crisma. O processo inicia-se na preparação dos pais e padrinhos e continua na formação pessoal, até quando aquele recém-nascido, que foi batizado sem condições de decidir, possa assumir conscientemente o compromisso cristão e acolher a proposta da espiritualidade do discipulado pela e na catequese crismal.

 

Formação pedagógica pelas celebrações

A formação necessária e a introdução na via da espiritualidade cristã podem contar com o recurso pastoral de celebrações litúrgicas, seja com as celebrações catecumenais, como com aquelas celebrações consideradas temáticas ou pedagógicas. Celebrações realizadas em contextos orantes para proporcionar experiência de oração litúrgica e incentive a caminhar na estrada da espiritualidade cristã.

Não é uma prática nova e nem novidade pastoral. Na Igreja antiga existiam várias celebrações, no decorrer do tempo catequético catecumenal, para preparar espiritualmente aqueles que iriam receber o Batismo e a Crisma. Nestas celebrações, através das homilias de bispos, padres e catequistas, dava-se atenção particular à espiritualidade que resultaria na vivência em Cristo, na vivência cristã da vida nova em Jesus Cristo.

Hoje, grande parte das comunidades, graças ao projeto pastoral com intenção de recuperar efetivamente o caminho do catecumenato, está adotando a prática formativa pelo caminho celebrativo litúrgico. Os frutos começam a aparecer seja no crescimento espiritual de adolescentes e jovens, seja no surgimento de novas lideranças comunitárias. Esta é uma atividade própria da Pastoral Litúrgica Paroquial.

Serginho Valle

Dezembro de 2020

 

12 de dez. de 2020

Iniciação cristã


 


O neófito ingressa na vida cristã celebrando, celebrando, participando e comungando três Sacramentos: Batismo, Crisma e Eucaristia. Em tempos idos, estes três Sacramentos, conhecidos como Sacramentos da Iniciação Cristã, eram celebrados em uma única celebração. Aquele que se tornaria cristão era batizado, crismado e, na mesma celebração, participava pela primeira vez da Eucaristia.

            Com o passar do tempo e, principalmente devido a falta de formação pelo desaparecimento do catecumenato, os três Sacramentos passaram a ser celebrados em datas diferentes. Hoje, o critério é a idade. Batizar recém-nascidos, 1ª Comunhão para pré-adolescentes (na faixa de 11 anos de idade) e Crisma na adolescência e juventude (na faixa dos 14 anos). Um critério bem estranho para a tradição catecumenal da Igreja.

            Com a reforma da Liturgia, iniciada em 1964, o Concílio Vaticano II restaurou o catecumenato inspirando-se na prática catecumenal do século VIII, quando o catecumenato alcançou seu auge. Mas, as exigências e o despreparado de padres e de catequistas para o acompanhamento de novos catecúmenos não produziu os frutos desejados, salvos raras exceções, ao menos em terras ocidentais. Em países da Ásia, Oceania e África o resultado foi mais promissor.

            No Brasil não foi diferente. Lembro as reações das aulas de Iniciação Cristã e de cursos que ministrei a padres e catequistas. Quando apresentava o RICA — Rito da Iniciação Cristã para Adultos — uma frase explica as reações: “muito bonito e rico, mas praticamente impossível de realizar”. Desânimo antes mesmo de começar. Não havia sequer a tentativa de colocar perguntas do tipo: como podemos fazer isso? Quanto tempo precisaríamos para introduzir a mentalidade do catecumenato em nossas comunidades? Ao contrário, reação regida pela lei do menor esforço: não vai dar certo!  

            Agora, como sabemos, os Bispos do Brasil introduziram a metodologia, a dinâmica e a pedagogia da Iniciação Cristã. Em certo sentido, é um esforço pastoral que chega com um atraso de, mais ou menos 50 anos. É uma resposta à necessidade de termos mais cristãos e não somente batizados, cristãos e cristãs que vivam a dinâmica do Evangelho como discípulos, discípulas e missionários.

 

Dois aspectos da teologia do Batismo e da Crisma

Os Sacramentos da Iniciação Cristã, como mencionado, são Batismo Crisma e Eucaristia. Destaque para o Batismo e Crisma, dois sacramentos que estabelecem relação direta com a Páscoa de Jesus Cristo e, consequentemente, com todo o Mistério Pascal de Jesus Cristo. Pela Liturgia do Batismo, o fiel torna-se participante da Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, como ensina Paulo (Cl 2,12). E, participando da Liturgia da Crisma, ele é confirmado na fé com o dom do Ressuscitado, o dom do Espírito Santo de Deus em sua vida, segundo a teologia paulina (2Cor 1,22).

Outra característica, creditada ao Batismo e Crisma, do ponto de vista teológico, é a impressão de caráter na vida dos celebrantes. Tanto o Batismo como a Crisma imprimem caráter, quer dizer, marcam a vida da pessoa para todo o sempre. A pessoa será batizada e crismada por toda a eternidade. Por isso, não existe outro Batismo válido, mesmo que seja batizado em outra Igreja cristã, por exemplo. Um só Batismo para a remissão dos pecados. Terá sempre em si a marca da Ressurreição de Cristo e o selo do Espírito Santo de Deus. Por isso, receber o Batismo e a Crisma significa assumir um compromisso eterno com Deus. Significa comprometer-se eternamente com Deus. Essa dimensão é muito clara em São Paulo na carta que escreve aos Coríntios (1Cor 12,13) e a Tito (Tt 3,5-7). 

Serginho Valle

Dezembro de 2020

 

8 de ago. de 2020

Espírito Santo e Penitência


 

A crise do Sacramento da Penitência, em nossos dias, entre outras causas, tem forte relação com o fato de não ser celebrado como rito litúrgico conduzido pelo Espírito Santo. Na prática, isto significa, que o Sacramento da Penitência, em muitas celebrações, é celebrado sem espiritualidade, sem a mística do encontro com a misericórdia divina.

A quarta fórmula de acolhimento do penitente, proposta no Ritual da Penitência diz: "A Graça do Espírito Santo ilumine o teu coração, para que confesses os teus pecados e reconheças a misericórdia de Deus". Uma celebração, no entender da Teologia Eucológica da Penitência, a ser realizada com a luz e na condução do Espírito Santo. Uma celebração para ser realizada na silenciosa experiência da presença do Espírito Santo. Não sem motivo, a Praenotanda do Ritual da Penitência pede que o padre confessor se prepare com oração e com silêncio antes de atender uma confissão. A mesma necessidade da oração e do silêncio antes de celebrar a Penitência é recomendada ao penitente, orienta a Praenotanda da Penitência n. 15.

 Espírito Santo e perdão dos pecados

O Espírito Santo é o Espírito de Deus que Jesus ressuscitado doa à Igreja. Jesus deixa seu Espírito na Igreja. Faz isso pelo gesto do sopro: "soprando sobre eles". Deixa seu "ar", seu "respiro", seu Espírito. A Igreja vive porque respira o ar, respira o “sopro divino” do Espírito Santo, o Espírito de Deus.

Na sua primeira aparição, que João data no mesmo dia da Ressurreição, Jesus doa o seu Espírito para perdoar os pecados. Observe que é a primeira atividade da Igreja: perdoar os pecados com o dom e pelo dom do Espírito Santo. Perdoar os pecados no poder do Espírito Santo. Perdoar os pecados e, como consequência, oferecer a paz.

Sacramento da Penitência e dom da paz

O dom do Espírito Santo é precedido pelo dom da paz: "a paz esteja convosco!" Em seguida, soprou o Espírito Santo para perdão dos pecados. O dom da paz é a condição para acolher o perdão dos pecados e, ao mesmo tempo, é a consequência imediata de quem recebeu o Espírito Santo pelo perdão dos pecados. Isto acontece pelo gesto da imposição das mãos, gesto doador do Espírito Santo, no Sacramento da Penitência.

Paz, no sentido Bíblico do shalom. Paz com Deus, paz vivendo harmoniosamente com a criação, paz vivendo fraternalmente com os outros, paz dentro do próprio coração. O pecado é destruidor desta paz. Destrói a conivência com Deus, destrói a fraternidade, destrói a serenidade interior. O perdão é a ação do Espírito Santo que reconstrói a paz. É o que diz a fórmula da absolvição: "Deus, Pai de misericórdia, que, pela morte e ressurreição do seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para a remissão dos pecados, te conceda, pelo mistério da Igreja, o PERDÃO E A PAZ."

A paz é sinônimo de harmonia com Deus, com a criação, com os outros e consigo mesmo. Ir confessar-se não para declamar uma listinha de pecados, mas para celebrar o dom da paz divina, dom e presença do Espírito Santo em quem é perdoado.  

Dom da paciência

A paz interior produz a paciência. A paciência, a lado da humildade e da sinceridade, são as três virtudes de uma boa confissão. A paciência é fruto do cultivo da paz. Quem vive em harmonia com Deus, com a criação, com os outros e consigo mesmo é uma pessoa paciente; quer dizer cheia de paz. O Sacramento da Penitência é fonte da paciência. O paciente, portanto, é alguém que está cheio da paz divina e, por este motivo, é paciente com todos, especialmente com que lhe ofende.

Diante disso, compreende-se que o ministro da Penitência, o bispo e o padre, são chamados a ser homens da paz e, consequentemente, pacientes. Cultivadores da paciência para compreender as limitações espirituais e psicológicas de quem vem confessar, pacientes para ouvir as lamentações e as dores que o pecado provoca no coração do penitente. Paciente, principalmente, para se dispor a acolher e celebrar o perdão divino. E para isso, ele precisa pacientemente dispor de todo seu tempo. Não existe nada mais incômodo, na celebração da Penitência, que padre apressado e ansioso para terminar logo.

Serginho Valle 
Julho de 2020


 

25 de jul. de 2020

Pastoral da Penitência: urgência evangelizadora para a cultura do perdão


Cada vez mais se percebe, em nossas comunidades, a importância e até mesmo a urgência de favorecer celebrações bem preparadas do Sacramento da Penitência. Em um contexto social marcado pela cultura da raiva, do ódio, pelo aumento da agressividade e por diversas formas de vingança, torna-se evidente que tais atitudes não procedem de Deus. Diante de uma sociedade progressivamente avessa à fraternidade, a Pastoral da Penitência revela-se uma necessidade pastoral permanente e inadiável.

 Mais do que uma prática sacramental pontual, trata-se de um caminho de formação espiritual capaz de transformar relações, curar feridas e restaurar a convivência fraterna à luz da misericórdia divina.

 A fonte do perdão: a misericórdia de Deus

A fonte do perdão encontra-se na misericórdia divina, celebrada sacramentalmente na Penitência. É nesse encontro com o amor misericordioso de Deus que os relacionamentos humanos podem ser reconfigurados a partir do perdão recebido e oferecido. Por isso, a finalidade da Pastoral da Penitência não consiste em promover campanhas para aumentar números de confissões, mas em implantar e cultivar uma verdadeira mentalidade do perdão, enraizada na experiência sacramental.

Essa perspectiva encontra luz na parábola do Servo Cruel (Mt 18,21-35), na qual Jesus apresenta o contraste entre o perdão generoso de um rei e a incapacidade de um servo de perdoar uma dívida insignificante. O ensinamento é claro: quem experimenta o perdão divino é chamado a tornar-se perdoador.

O Salmo 102 confirma essa verdade ao proclamar que Deus não guarda rancor e não nos trata segundo nossas faltas. O perdão é, portanto, uma manifestação do amor divino para com aquele que O ofendeu.

Do tribunal à escola da humildade

A Pastoral da Penitência favorece a compreensão da confissão não como um tribunal de acusação acompanhado de absolvição, mas como uma escola da humildade, na qual se aprende a viver a fraternidade por meio do perdão. A partir da parábola do Servo Cruel (Mt 18,21-35), compreende-se que nossas ofensas nos colocam sempre em dívida diante do amor divino.

O texto latino do Pai-Nosso expressa bem essa condição existencial: “et dimitte nobis debita nostra” — “perdoai as nossas dívidas”. Em todos os momentos da vida, somos devedores da misericórdia de Deus. Da mesma forma, quando ofendemos alguém, tornamo-nos devedores do amor fraterno àquele que foi ferido.

O penitente como intercessor do perdão

Nesse contexto, o penitente aproxima-se do confessionário não apenas para se acusar, mas para interceder pelo perdão de sua dívida e aprender, progressivamente, a tornar-se perdoador. O Pai-Nosso completa essa dinâmica ao afirmar: “sicut et nos dimittimus debitoribus nostris” — “assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.

Quem se reconhece perdoado por Deus aprende a reconhecer o outro não como inimigo, mas como alguém que também necessita de misericórdia e é alguém com quem tenho uma dívida fraterna.

Celebração penitencial como encontro com o amor divino

A Pastoral da Penitência, na vida comunitária, não se limita à preparação de celebrações penitenciais, mas à criação de experiências celebrativas que ajudem a compreender o Sacramento da Penitência como encontro com o amor compassivo de Cristo. A Carta aos Hebreus recorda que não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois Ele foi provado em tudo, à nossa semelhança, exceto no pecado (Hb 4,15).

Uma pastoral bem estruturada ajuda a comunidade a perceber que, se o pecado manifesta a fragilidade humana, o perdão é ação divina que fortalece, restaura e humaniza os relacionamentos através da fraternidade, o grande antídoto das rivalidades sociais.

Além do “mutirão de confissões”

Nem sempre esses elementos são devidamente considerados, sobretudo em contextos nos quais a celebração da Penitência se reduz a simples “mutirões de confissões”. Embora possam favorecer experiências de conversão, tais práticas tendem a assumir um caráter de desobrigação religiosa, esvaziando o processo formativo e espiritual.

A Pastoral da Penitência, ao contrário, visa a formação de uma cultura existencial cristã marcada pelo perdão, pela misericórdia e pela reconciliação como estilo permanente de vida.

Conclusão

Celebrar o perdão, no e pelo Sacramento da Penitência, é fortalecer o amor que capacita a perdoar. Quem não faz a experiência profunda de ser perdoado por Deus dificilmente conseguirá perdoar quem o ofendeu. Por isso, investir na Pastoral da Penitência é investir na maturidade espiritual das comunidades e na construção concreta da fraternidade cristã.

Serginho Valle
Junho de 2020

18 de jan. de 2020

Pastoral Litúrgica Paroquial e casamentos



Na maior parte das comunidades, a “indústria dos casamentos” tomou conta das celebrações e ocupa o lugar da Pastoral Litúrgica Paroquial (PLP). Existe todo um comércio que gira em torno das celebrações de casamentos, incluindo a Liturgia. Comércio de olho no vestuário dos noivos, padrinhos e madrinhas, na preparação da festa e, no caso da Liturgia, nos ritos da celebração matrimonial. No que se refere a este último aspecto, a “indústria dos casamentos” assume a função que deveria ser da equipe (ou equipes) de celebrações matrimoniais. Tornou-se uma espécie de “equipe celebrativa terceirizada”. Vou considerar somente o Rito Matrimonial fora da Missa.


            O ingresso da “indústria dos casamentos” na Liturgia começou com a ornamentação, entrou com tudo pela música e, agora, chega aos ritos, com um novo personagem: o cerimonialista. Na Liturgia, temos o cerimoniário, no casamento, o cerimonialista.
            O cerimonialista se apresenta bem vestido e age discretamente, com precisão e classe. Inicia sua atividade na porta da igreja como recepcionista e organizador da procissão de entrada — de várias procissões, algumas das quais semelhantes a desfiles. Em termos celebrativos, exerce a atividade do ministério da acolhida, dedicando atenção especial aos noivos, aos pais dos noivos e aos padrinhos e madrinhas. Procura acalmar os noivos, se necessário, garantindo que tudo acontecerá como preparado.
            Munido de um discreto fone de ouvido e um microfone de lapela, comunica-se com os músicos e com outros atores da celebração, como fotógrafos e cinegrafistas, preparando-os antecipadamente para cada momento e cada rito. Se o cerimoniário atua vistosamente diante da assembleia, no presbitério, o cerimonialista não aparece. Fala baixo no microfone para pedir que os músicos iniciem as canções, alerta o pessoal da imagem (fotógrafo e cinegrafistas) para algum detalhe do rito. Não interfere no padre (ao menos por enquanto), mas no movimento que acontece ao redor da celebração.

Dois sentimentos
            Tenho dois sentimentos diante desse cenário. O primeiro é de admiração porque existe neste desenrolar de ritos todo um exercício de criatividade e de organização celebrativa. Preciso admitir que a “indústria dos casamentos” percebeu que o rito da celebração matrimonial é simples, como é característico da nossa Liturgia, e por isso era necessário introduzir ali o sentimento e a emoção. O rito descrito no Ritual do Matrimônio precisava ganhar vida e isto significou um exercício de criatividade.
            O exercício da criatividade está na decoração do espaço celebrativo, na qualidade artística dos músicos e dos cantores, na discrição do cerimonialista, na introdução de gestualidades. Um dia, um padre me confessou que, na sua paróquia tem uma “empresa que faz casamentos” (nas palavras dele) que, quando atuam, até ele se sente motivado a celebrar melhor para não fazer feio, tal a qualidade com que preparam e conduzem a celebração. Este é o meu primeiro sentimento: admiração com certa dose de santa inveja: por que nossas comunidades não poderiam exercer este ministério com a mesma qualidade e competência?
            Meu segundo sentimento, como liturgista, é de tristeza. Fico triste porque este cenário é indicativo claro da falta de uma PLP. Quem deveria realizar toda esta celebração, e com igual qualidade e competência, deveria ser uma equipe celebrativa (ou várias) designada pela Equipe Litúrgica que coordena a PLP.
Seria uma equipe grande, é verdade, constituída por músicos, ornamentadores, cerimonialista... Uma ou várias equipes de celebração capaz de preparar os noivos para não apenas serem atores na celebração, mas protagonistas. O Rito do Matrimônio proposto pela CNBB, em 1991, tem a finalidade de criar esta participação e comunhão celebrativa litúrgica dos noivos, da família e da comunidade. Não saberia dizer se o rito foi bem acolhido e nem mesmo se é celebrado com certa frequência.

Formação
            Hoje, na situação que chegamos, na maior parte das nossas comunidades, impedir que o pessoal da “indústria dos casamentos” atue é comprar briga. Por isso, em vez do litígio, os coordenadores da PLP poderiam encontrar meios de ajudá-los a celebrar liturgicamente. Refiro-me a um projeto formativo direcionado a esse pessoal.
            A maior parte deles não conhece Liturgia, por isso não se preocupa com o conteúdo. A preocupação é com a encenação, com a beleza do espaço celebrativo, da música, da gestualidade dos ritos. Já fazem bem isso, portanto, o projeto formativo para esse pessoal precisa ser pensado a partir do conteúdo. E, neste caso, estou dizendo que o departamento formativo da PLP pode criar um roteiro formativo de cunho teológico, litúrgico e ritual, por exemplo.
            Outro roteiro formativo, poderá ser focado em grupos específicos. Com os ornamentadores, a formação contará com o conteúdo litúrgico do espaço celebrativo, indicando, desde coisas bem simples, como por exemplo, não fazer do altar uma prateleira de flores, até elementos que fundamentam a Teologia do espaço celebrativo. Claro que isso não deveria ser feito num único dia. Outro exemplo, seria ajudar os músicos a entender como a música litúrgica se comunica na celebração e quais critérios são adotados na escolha de músicas para cada rito, além de outros temas. Conheço uma comunidade que realizou este processo formativo tão bem, que os músicos profissionais não só começaram a participar de um ministério da música, como também se responsabilizaram pela formação de outros músicos.
            Formação importante, e em certos casos, importantíssima, deve ser proposta aos fotógrafos e cinegrafistas, para ajuda-los a realizar o seu trabalho de modo discreto e sem invadir espaços rituais, prejudicando (e enervando) o padre, por exemplo.

Diálogo
            Pela formação, dialogando com essa gente, existe a possibilidade de um enriquecimento mútuo. É um trabalho que vai colocar a PLP em contato com pessoas de outras Igrejas, em contato com pessoas que vêm à igreja só para exercer este trabalho. Por isso, não se trata, somente, de um trabalho organizativo, mas também evangelizador e de crescimento espiritual. Quando se conversa com o pessoal da “indústria do casamento” ouve-se dois assuntos: as queixas que padres (alguns) e o pessoal da Igreja não é acessível para conversar e, a queixa que fazem como fazem porque nunca foram instruídos.
            É um diálogo que pode ser muito proveitoso, porque a PLP vai conversar com pessoas que trazem experiências, queixas, propostas e, em muitos casos, buscando esclarecimentos sobre como agir no desenvolvimento do Rito Matrimonial.
            É um diálogo que não pode ser feito com argumentos do “eu acho bonito” ou do “sempre foi feito assim”. É um diálogo que prima pela qualidade da celebração litúrgica matrimonial, que se caracteriza não somente pela beleza ritual, mas que a beleza ritual realce a beleza espiritual de um casal que é abençoado para iniciar uma nova família. Uma celebração que não seja somente para ser vista, mas vendo-a, torne-se capaz de questionar especialmente a vida dos casais presentes. Celebração evangelizadora, portanto, capaz de tocar a vida.
Serginho Valle
Janeiro de 2020


3 de jul. de 2018

Gratuidade na Pastoral Litúrgica dos Matrimônios


A gratuidade do serviço, na comunidade cristã, é uma marca registrada da paróquia que vive num espaço social, em uma cidade, num bairro. Os serviços comunitários de uma paróquia, ou de uma comunidade, uma capela, por exemplo, nunca terão uma forma de assistência profissional. Não que estes não sejam dignos; claro que são, mas o diferencial do serviço comunitário cristão está na gratuidade. O serviço de numa comunidade eclesial tem a assinatura da caridade cristã, que é sempre gratuita. A imposição de pagamento pela caridade é uma traição do Evangelho.
            Assim, quem se dedica a atividades de assistência social, na comunidade cristã, presta um serviço gratuito e na gratuidade, sem exigir pagamento e sem marketing do bem realizado. O silêncio, a não propaganda, faz parte do serviço gratuito: “quando deres esmola, não toques a trombeta (...) que a tua mão esquerda não saiba o que fez a direita” (Mt 6,1-3).
            São algumas considerações que ajudam a compreender a importância da gratuidade no serviço prestado na Pastoral Litúrgica. Em minhas andanças, em tantas e tantas comunidades, encontrei paróquias que pagavam, dominicalmente, pessoas para ornamentar a igreja e, até mesmo, músicos pagos para tocar nas Missas dominicais. A justificativa estava na qualidade do trabalho profissional. Graças a Deus, a maioria das comunidades conta com arranjadores — de ótimo nível artístico e bom gosto — que gratuitamente colocam seus talentos para favorecer uma boa celebração na comunidade. Como também já vi excelentes músicos, muitos deles profissionais, cantando e tocando nas Missas dominicais gratuitamente, o que está dentro da normalidade.  

O comércio dos casamentos
            Nesta questão da gratuidade dos serviços, o que mais destoa é o comércio dos casamentos. Não me falo de taxas. Meu questionamento recai sobre alguns serviços que a comunidade poderia oferecer — de modo litúrgico e com qualidade — nas celebrações matrimoniais e também nas celebrações batismais. Mas, vamos ficar somente com os casamentos.  
            Faz parte, na Pastoral Litúrgica Paroquial, ter uma ou várias Equipes de Celebrações responsáveis pelas celebrações matrimoniais. Hoje, é comum ver músicos que não entendem nada de nada da Liturgia matrimonial, cantando e tocando músicas que os noivos pagam para ouvir nas celebrações. Não poucas vezes e, infelizmente, com o consentimento do padre ou do diácono, músicas que nada a tem a ver com a celebração litúrgica, para as quais se adota como critério o “é bonito”.
            Hoje, grande parte dos noivos contrata um “cerimonialista” para organizar a celebração na igreja. Alguns são excelentes e se preocupam em respeitar a Liturgia, mas já vi de tudo também, até mesmo cerimonialista brigar com o padre por querer introduzir ritos estranhos à Liturgia Matrimonial.
            E o que dizer dos arranjadores, especialmente aqueles que transformam a igreja numa floresta para lucrar com a quantidade de flores? Arranjadores de casamentos sem a mínima noção e respeito pelo espaço celebrativo é coisa corriqueira. Arranjadores transformando o altar em prateleira, infelizmente, é uma demonstração nítida de desinformação (ou ignorância) do espaço celebrativo e simbólico da Liturgia.

Atitude da Pastoral Litúrgica
            Diante desse fato que, em algumas comunidades, pode-se dizer, perderam a celebração para profissionais, incluindo aqui fotógrafos e cinegrafistas que, não poucas vezes, colocam exigências em detrimento da celebração, o que fazer?
            Uma primeira atitude não consiste em proibir ou impedir que profissionais atuem nas celebrações. Pessoalmente, não coloco empecilho para que atuem, mas exigiria formação para que possam atuar respeitando a Liturgia. Isso significa proporcionar formação litúrgica adequada para músicos, ornamentadores, fotógrafos e cerimonialistas.
            Uma segunda atitude, já mencionada no início deste artigo, é formação de Equipes de Celebrações para os casamentos. Equipes que contam com recepcionistas, cerimonialistas, arranjadores, músicos, ornamentadores... O diferencial está na gratuidade. Prestar um serviço celebrativo gratuito. Falo de “serviço celebrativo gratuito” porque alguns custos, como a compra de flores, por exemplo, ficaria por conta dos noivos.
            Este serviço prestado pela Pastoral Litúrgica da comunidade, como enfatizado, não significa um ato de poder, de querer mandar na celebração, de querer proibir a atuação de profissionais. Trata-se, primeiramente, de um direito da Pastoral Litúrgica Paroquial de propor e oferecer um serviço gratuito a quem vem participar de alguma celebração especial, como é o caso do Matrimônio. E, em segundo lugar, o padre e dois ou três membros de Equipes de Celebrações teriam condições de ajudar os noivos a compreender as orientações e o modo litúrgico que a Igreja Católica celebra seus casamentos.
            Outros elementos poderiam ser elencados, mas os dois propostos ajudam a compreender a importância do serviço gratuito nestas celebrações, evitando transformá-las em balcão de negócios, inclusive com tabelamento de preços.
Serginho Valle
Junho de 2018



9 de ago. de 2017

Batismo


Do grego “baptizein”, com o significado de mergulhar-se, tomar banho, imergir dentro da água. No contexto da língua grega, o batismo era uma necessidade natural de higiene de lavar-se, tomar banho, limpar-se. No contexto religioso, tem o sentido de ablução. Todas as religiões têm ritos de ablução ou de purificação com água. Com João Batista, tal ato prevê um significado mais moral que ritual (Mt 3,6).  

Batismo cristão
Para ser eficaz, o Batismo deve ser obra divina de Cristo e do Espírito Santo (Jo 1,29). Desse modo, Jesus mergulhou — recebeu um Batismo — no abismo do mal e do sofrimento. Explicou a seus discípulos que precisava ser batizado e que se angustiava até que o mesmo se consumisse (Lc 12,50). Por sua Morte redentora, Jesus desceu (mergulhou)  na mansão dos mortos para reconduzir à superfície das águas todos que aceitam a Salvação. Se ele entrega sua vida é para retomá-la, para que a morte seja vencida e todos possam participar da sua plenitude (Jo 10,17; 1Cor 15,54).  
Para participar da vida de Jesus ressuscitado é preciso que os fiéis entrem participem, através do Batismo, no Mistério Pascal de Cristo (Rm 6,4). Batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19), a pessoa é mergulhada na Trindade Santa pela ação do Espírito Santo (1Cor 12,13) e destinada a participar da glória eterna.  
O Sacramento do Batismo faz a pessoa renascer para a vida divina, a qual se desenvolverá pela prática do discipulado cristão, especialmente cultivado e nutrido pela Palavra, pelo Evangelho, pelos Sacramentos e pela vida litúrgica
O Batismo só é recebido uma vez, porque imprime caráter. Por isso, a Igreja católica aceita o Batismo realizado naquelas Igrejas evangélicas que  batizam validamente.  

Rito do Batismo 
O rito do Batismo consta de uma Liturgia com os elementos próprios da Liturgia Católica: ritos iniciais, Liturgia da Palavra, Liturgia Sacramental e ritos finais.  
O rito sacramental é celebrado com o derramamento da água, ou pelo mergulho na água, acompanhado com a fórmula “eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Em cada uma das pessoas da Santíssima Trindade acontece a imersão na água ou o derramamento da água na cabeça da pessoa batizada.  

Matéria do Batismo 
A matéria do sacramento do Batismo, isto é, aquilo com o qual se batiza, é água corrente.  

Ministro do Batismo 
Nos primeiros tempos da Igreja, somente o Bispo era considerado ministro deste sacramento. Depois, o ministério passou a todos os sacerdotes e, atualmente, qualquer pessoa, até mesmo um não católico ou não cristão, pode batizar validamente, desde que faça aquilo que a Igreja exige.  

Celebração do Batismo 
A celebração do Batismo, do ponto de vista litúrgico, caracteriza-se como celebração alegre e familiar. Celebra-se o renascer da vida pela participação da vida divina.  Isto é motivo de alegria principalmente no contexto familiar da pessoa que é batizada.
É familiar porque toda a família do batizado é convidada a se fazer presente e a participar ativamente de todos os momentos celebrativos.  
Do ponto de vista litúrgico, é uma das celebrações mais movimentadas e que mais se serve da simbologia litúrgica. Isto faz com que seja uma celebração bonita, festiva, participativa e especialmente alegre.  
Serginho Valle  
Agosto 2017.