A formação e a espiritualidade litúrgicas são os pilares da Pastoral Litúrgica Paroquial (PLP)

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A finalidade deste espaço é oferecer material de formação litúrgica para quem atua em ministérios litúrgicos na comunidade paroquial. Seja muito bem-vindo e bem-vinda. Se quiser e puder deixar sua contribuição, agradeço muito. (Serginho Valle)
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8 de mai. de 2021

Reflexão da espiritualidade do Matrimônio e Ordem na Pastoral Litúrgica


Pela minha experiência, tenho constato que um bom número das Equipes de Liturgia, em nossas comunidades paroquiais, dedica pouco tempo para refletir sobre a espiritualidade daquilo que celebram. Isto vale para quase todas as celebrações sacramentais e, de modo mais pontual, isto diz respeito à espiritualidade pressente nas celebrações matrimoniais e de ordenações.

Talvez, entre o Sacramento da Ordem e do Matrimônio, a preparação das ordenações leva vantagem. Como se trata de celebrações menos frequentes, as mesmas são preparadas com reflexões vocacionais, tríduos e até mesmo seminários ou conferências sobre a vida e a espiritualidade decorrentes do Sacramento da Ordem.

Infelizmente, assim não acontece na preparação celebrativa do Sacramento do Matrimônio. Em algumas situações, a celebração litúrgica fica em segundo plano ou é delegada ao que hoje se denomina de “cerimonialistas” que a preparam sem nenhuma referência ou inspiração à espiritualidade matrimonial. Na atividade cerimonialista, a atenção e preocupação concentra-se nos preparativos festivos, nos cuidados com enfeites, músicas e outros detalhes.

Diante de tal quadro, não apenas é muito importante que sua Equipe de Liturgia dedique tempo para refletir sobre a espiritualidade litúrgica presentes nas celebrações do Matrimônio e da Ordem. Como são realizadas mais celebrações matrimoniais que ordenações, é de bom senso dedicar mais tempo na reflexão da espiritualidade matrimonial presente nas orações, prefácios, ritos e símbolos usados na celebração do casamento.

 

Refletir a espiritualidade na comunidade

         Considero que a reflexão da espiritualidade sacerdotal e matrimonial presente na celebração do Matrimônio e da Ordem podem ser um excelente recurso de discernimento vocacional entre os jovens. Por isso, não se restringir a refletir a espiritualidade desses Sacramentos entre os membros da Equipe Litúrgica, mas em diferentes oportunidades de encontros com jovens e adolescentes. Apresentar o que o rito celebra e como o rito compromete existencialmente quem é ordenado e os noivos que se casam.

Outra atividade para aprofundar a espiritualidade presente nas celebrações desses Sacramentos pode ser feito em colaboração com as Pastorais Familiar e Vocacional da comunidade. É sempre bom dedicar um grande espaço à espiritualidade matrimonial e sacerdotal, reforçando o que dizia acima, em encontros realizados com casais, com jovens, e, particularmente com adolescentes da catequese crismal. É importante ajudá-los a reconhecer que a vida cristã, seja matrimonial ou sacerdotal, sempre é alimentada pelo Espírito Santo e que, mesmo em diferentes modos de viver, é sempre caminho de amor, de oblação da vida a Deus e de santidade.

Além disso, é de suma importância que a espiritualidade seja ressaltada no momento celebrativo de cada um desses sacramentos. Neste caso, a necessidade de preparar celebrações belas e alegres, como requer um momento tão especial para aqueles que estão iniciando uma nova etapa em suas vidas. Celebrações marcadas muito mais pela fé e pela oração e, menos pela dimensão teatral e espetacular. A beleza da espiritualidade não é ostensiva; é simples e belamente sóbria.

Serginho Valle

Março de 2021

 

20 de mar. de 2021

Espiritualidade matrimonial na bênção Matrimonial


 

Uma análise rápida da Bênção Nupcial possibilita perceber a dimensão espiritual na Liturgia Matrimonial em três aspectos: no sinal da Aliança de Cristo com a Igreja, na bênção divina que gera vida e na vivência cristã da Igreja doméstica.

Ao considerar o matrimônio como Sacramento (sinal) da Aliança entre Cristo e a Igreja, Paulo (Ef 5,22-32) descreve a vocação matrimonial e o modo de vida, no casamento, como “um grande mistério” (Ef 5,32). Mistério no sentido da Teologia paulina, de inserção no projeto salvífico de Jesus Cristo; de ser participante ativo no Mistério Pascal de Cristo. Neste caso, a espiritualidade matrimonial leva os casais a serem testemunhas vivas do Evangelho através do amor e pela partilha de vida, no amor; do mesmo amor “como Cristo amou sua Igreja” (Ef 5,29-30): amor de doação, de um ao outro e, amor a Deus, amor de oblação, que faz da sua vida uma oferta agradável ao Pai.

O segundo aspecto da espiritualidade matrimonial, presente na Bênção Matrimonial, intercede a Deus que o casal seja gerador de vida. A súplica é apresentada como “a única bênção que não foi abolida, nem pelo castigo do pecado original, nem pela condenação do dilúvio”. Demonstra-se assim que, na espiritualidade matrimonial, existe um compromisso com a vida, tanto na sua geração, como no empenho de educar os filhos, frutos do amor conjugal, a viver de acordo com o projeto do Evangelho.

Por fim, a espiritualidade matrimonial — sempre no contexto teológico da Bênção Nupcial — contempla a família como Igreja doméstica. Um local onde o amor define o interesse de um pelo outro, onde os mal-entendidos transformam-se em amor que perdoa; onde a vida gerada como o fruto bendito do amor humano e divino que se torna gente, para que assim possam ser “fecundos em filhos, pais de comprovada virtude e possam ver os filhos de seus filhos”; quer dizer, possam ver a bênção da vida que nasceu do seu amor nas gerações seguintes.

Em síntese: a espiritualidade matrimonial, presente na Bênção Nupcial, é aberta para a vida do casal, é derramada sobre quem nasce dessa união por causa do amor e é, da mesma forma, fonte de bênção para toda a sociedade pela educação dos filhos a partir dos valores do Evangelho. É assim que um casal cristão é convidado a viver sua espiritualidade: como oblação viva a Deus, oblação entre esposos e filhos, e geração da vida, que é presença da bênção divina numa casa.

Serginho Valle

Março de 2021

 

6 de mar. de 2021

Matrimônio e a Ordem: modos diferentes de viver o mesmo Evangelho


 Os sacramentos do Matrimônio e da Ordem são modos diferentes de viver o mesmo Evangelho. São estados de vida santificadores que caminham na mesma estrada de Jesus, no caminho do Evangelho. Dois sacramentos que tem a ver com o estado de vida, com o modo de viver a vida cristã. Os cristãos que escolhem a vida matrimonial e aqueles que escolheram a vida sacerdotal vivem uma idêntica espiritualidade, a espiritualidade do Evangelho, na sua essência, mas diferente no jeito de viver, na missão e na mística que os santifica.

          Uma vez batizado e crismado, o cristão está diante de Deus e na Igreja como alguém comprometido com os valores do Evangelho. Como alguém que se comprometeu com o Evangelho, melhor dizendo. O Evangelho torna-se regra de vida e, de acordo com seu estilo de vida — celibatário, matrimonial ou sacerdotal — é chamado (vocacionado) a viver inserido no projeto de Jesus Cristo e fazendo de sua vida “uma oferta viva, santa e agradável ao Pai” (Rm 12,1). Este princípio existencial é válido para todos os estados de vida cristã, embora seja vivenciado de maneira diferente.

          Do ponto de vista da espiritualidade litúrgica, a mística cristã nos sacramentos do Matrimônio e da Ordem, propõe viver o Evangelho como ato de oblação ao Pai, para que a vida seja uma oferenda viva, santa e agradável (Rm 12,1). A espiritualidade cristã, portanto, seja na Ordem como no Matrimônio, tem a mesma mística oblativa. O que muda, sendo repetitivo, é o modo de viver esta mística. O estado de vida é diferente, por isso o modo de viver torna-se também diverso.

            Um estudo ou uma reflexão mais detalhada da celebração litúrgica de uma ordenação e de um casamento não apresentará um paralelo, mas confluências, caminhos que conduzem ao mesmo objetivo: viver em Cristo, iluminar a vida com o Evangelho, caminhar na estrada de Jesus e transformar a vida em oblação santa e agradável ao Pai. Na prática, as duas celebrações, considerando a Liturgia da Palavra e a eucologia, sacramentam um projeto de vida e um caminho de santidade. Isto acontece quando a vida é transformada em culto, quer dizer, a vida é uma celebração realizada no Espírito Santo que vive em quem foi batizado e crismado.

Serginho Valle

Março 2021

 

5 de set. de 2020

Matrimônio: sacramento da aliança com Deus


A Bíblia, em várias passagens, compara a aliança entre Deus e a humanidade a um casamento. Vários profetas se serviram do casamento para mostrar o amor de Deus para com povo. Oséias, um dos primeiros a usar a imagem do casamento como símbolo da aliança entre Deus e o povo, casa-se com uma prostituta para evidenciar a traição da aliança da parte do povo (Os 1,1-12)0. Mesmo conhecendo a traição de Gomer, Oséias continua amando-a; sinal do amor fiel, da parte de Deus, pelo povo que havia se prostituído com ídolos e falsos deuses (Is 1,21; Jr 2,2; Ez 16; Ez 23).          

O símbolo da aliança de Deus com seu povo também tem seu lado positivo. Ao ver seu povo errante, Deus promete “desposá-lo” com a mesma alegria de um noivo apaixonado para que nunca mais seja considerado desamparado e não amado. “Assim como um jovem desposa uma jovem, assim eu te desposarei, diz o Senhor” (Is 62,4-5).

Jesus, na conversa com a samaritana, também compara o casamento à aliança com Deus (Jo 4,1-26. Aquela mulher, a exemplo de Gomer, tornou-se símbolo de um povo que abandonou a aliança com Deus para buscar a vida em outros deuses, na idolatria. Por isso, não tinha marido; não tinha um compromisso de vida, não tinha uma aliança de amor com quem lhe podia amar verdadeiramente e trazer felicidade para sua vida.

A comparação do casamento como sacramento da aliança do povo com Deus inicia o anúncio do Reino comparando a presença do Messias no meio do povo a uma festa de casamento (Mt 22,1-14) e define-se, ele próprio, como o esposo (Jo 3,29) para demonstrar que a aliança com Deus se realiza plenamente na sua pessoa. Não é sem motivo que João tenha localizado o início dos sinais de Jesus numa festa de casamento, em Caná (Jo 2,1-22). Mais tarde, São Paulo tratará do mesmo tema em vários textos, como por exemplo: 2Cor 11,2; Ef 5,25-33. Por fim, João como que fecha a relação matrimônio-aliança anunciando a consumação da aliança nas bodas eternas, em Ap 21,2.  

 

Celebrar o Matrimônio como profecia na sociedade

Até mesmo com uma exposição simples e rápida, como estou propondo, é possível compreender que a Liturgia do Matrimônio continua sendo celebração profética da renovação da aliança da humanidade com Deus. A Pastoral Litúrgica e a Liturgia Pastoral tem o dever de ficar atentos para que esta fundamentação Bíblico-teológica fica escondida em ritos sociais quase sempre teatralizados, sem respaldo Bíblico e espiritual.

A aliança com Deus pode ser descrita nestes termos: Deus se declara o único Deus do povo e o povo o aceita, rejeitando tudo o que for idolatria e falsos deuses. A celebração matrimonial, em tal contexto, é celebração profética, é celebração de fidelidade de Deus para com o povo representada e juramentada em aliança na vida de um homem e de uma mulher. Em cada Matrimônio celebrado na Liturgia, o casal é abençoado com o dom do amor, com a graça da transmissão da vida. Dom do amor e transmissão da vida são as consequências de quem vive na fidelidade à aliança com Deus.

Em cada celebração matrimonial, a Igreja e toda a sociedade encontram-se diante da mesma profecia, iniciada no início, a favor da fidelidade que só pode acontecer no amor e pelo amor em vista da geração da vida. Cada celebração matrimonial é a renovação da proposta divina de continuar desposando o seu povo e, ao mesmo tempo, compromisso humano de continuar fecundando a terra com a vida. Tudo isso com a bênção protetora e amorosa de Deus.

Esta dimensão do Matrimônio como sacramento de fidelidade da aliança entre Deus e a humanidade encontra-se no rico Lecionário do Rito Matrimonial. Disso a importância de ajudar os noivos a tomar conhecimento da realidade sacramental de suas vidas vivenciada na fidelidade. A preparação próxima da celebração do casamento, além de prever os detalhes rituais, poderá contar com uma reflexão Bíblica de um texto do Lecionário do Ritual do Matrimônio. Reflexão a ser feita com os noivos e com quem presidirá a celebração Matrimonial.

Serginho Valle

Agosto de 2020

 

 
 

18 de jan. de 2020

Pastoral Litúrgica Paroquial e casamentos



Na maior parte das comunidades, a “indústria dos casamentos” tomou conta das celebrações e ocupa o lugar da Pastoral Litúrgica Paroquial (PLP). Existe todo um comércio que gira em torno das celebrações de casamentos, incluindo a Liturgia. Comércio de olho no vestuário dos noivos, padrinhos e madrinhas, na preparação da festa e, no caso da Liturgia, nos ritos da celebração matrimonial. No que se refere a este último aspecto, a “indústria dos casamentos” assume a função que deveria ser da equipe (ou equipes) de celebrações matrimoniais. Tornou-se uma espécie de “equipe celebrativa terceirizada”. Vou considerar somente o Rito Matrimonial fora da Missa.


            O ingresso da “indústria dos casamentos” na Liturgia começou com a ornamentação, entrou com tudo pela música e, agora, chega aos ritos, com um novo personagem: o cerimonialista. Na Liturgia, temos o cerimoniário, no casamento, o cerimonialista.
            O cerimonialista se apresenta bem vestido e age discretamente, com precisão e classe. Inicia sua atividade na porta da igreja como recepcionista e organizador da procissão de entrada — de várias procissões, algumas das quais semelhantes a desfiles. Em termos celebrativos, exerce a atividade do ministério da acolhida, dedicando atenção especial aos noivos, aos pais dos noivos e aos padrinhos e madrinhas. Procura acalmar os noivos, se necessário, garantindo que tudo acontecerá como preparado.
            Munido de um discreto fone de ouvido e um microfone de lapela, comunica-se com os músicos e com outros atores da celebração, como fotógrafos e cinegrafistas, preparando-os antecipadamente para cada momento e cada rito. Se o cerimoniário atua vistosamente diante da assembleia, no presbitério, o cerimonialista não aparece. Fala baixo no microfone para pedir que os músicos iniciem as canções, alerta o pessoal da imagem (fotógrafo e cinegrafistas) para algum detalhe do rito. Não interfere no padre (ao menos por enquanto), mas no movimento que acontece ao redor da celebração.

Dois sentimentos
            Tenho dois sentimentos diante desse cenário. O primeiro é de admiração porque existe neste desenrolar de ritos todo um exercício de criatividade e de organização celebrativa. Preciso admitir que a “indústria dos casamentos” percebeu que o rito da celebração matrimonial é simples, como é característico da nossa Liturgia, e por isso era necessário introduzir ali o sentimento e a emoção. O rito descrito no Ritual do Matrimônio precisava ganhar vida e isto significou um exercício de criatividade.
            O exercício da criatividade está na decoração do espaço celebrativo, na qualidade artística dos músicos e dos cantores, na discrição do cerimonialista, na introdução de gestualidades. Um dia, um padre me confessou que, na sua paróquia tem uma “empresa que faz casamentos” (nas palavras dele) que, quando atuam, até ele se sente motivado a celebrar melhor para não fazer feio, tal a qualidade com que preparam e conduzem a celebração. Este é o meu primeiro sentimento: admiração com certa dose de santa inveja: por que nossas comunidades não poderiam exercer este ministério com a mesma qualidade e competência?
            Meu segundo sentimento, como liturgista, é de tristeza. Fico triste porque este cenário é indicativo claro da falta de uma PLP. Quem deveria realizar toda esta celebração, e com igual qualidade e competência, deveria ser uma equipe celebrativa (ou várias) designada pela Equipe Litúrgica que coordena a PLP.
Seria uma equipe grande, é verdade, constituída por músicos, ornamentadores, cerimonialista... Uma ou várias equipes de celebração capaz de preparar os noivos para não apenas serem atores na celebração, mas protagonistas. O Rito do Matrimônio proposto pela CNBB, em 1991, tem a finalidade de criar esta participação e comunhão celebrativa litúrgica dos noivos, da família e da comunidade. Não saberia dizer se o rito foi bem acolhido e nem mesmo se é celebrado com certa frequência.

Formação
            Hoje, na situação que chegamos, na maior parte das nossas comunidades, impedir que o pessoal da “indústria dos casamentos” atue é comprar briga. Por isso, em vez do litígio, os coordenadores da PLP poderiam encontrar meios de ajudá-los a celebrar liturgicamente. Refiro-me a um projeto formativo direcionado a esse pessoal.
            A maior parte deles não conhece Liturgia, por isso não se preocupa com o conteúdo. A preocupação é com a encenação, com a beleza do espaço celebrativo, da música, da gestualidade dos ritos. Já fazem bem isso, portanto, o projeto formativo para esse pessoal precisa ser pensado a partir do conteúdo. E, neste caso, estou dizendo que o departamento formativo da PLP pode criar um roteiro formativo de cunho teológico, litúrgico e ritual, por exemplo.
            Outro roteiro formativo, poderá ser focado em grupos específicos. Com os ornamentadores, a formação contará com o conteúdo litúrgico do espaço celebrativo, indicando, desde coisas bem simples, como por exemplo, não fazer do altar uma prateleira de flores, até elementos que fundamentam a Teologia do espaço celebrativo. Claro que isso não deveria ser feito num único dia. Outro exemplo, seria ajudar os músicos a entender como a música litúrgica se comunica na celebração e quais critérios são adotados na escolha de músicas para cada rito, além de outros temas. Conheço uma comunidade que realizou este processo formativo tão bem, que os músicos profissionais não só começaram a participar de um ministério da música, como também se responsabilizaram pela formação de outros músicos.
            Formação importante, e em certos casos, importantíssima, deve ser proposta aos fotógrafos e cinegrafistas, para ajuda-los a realizar o seu trabalho de modo discreto e sem invadir espaços rituais, prejudicando (e enervando) o padre, por exemplo.

Diálogo
            Pela formação, dialogando com essa gente, existe a possibilidade de um enriquecimento mútuo. É um trabalho que vai colocar a PLP em contato com pessoas de outras Igrejas, em contato com pessoas que vêm à igreja só para exercer este trabalho. Por isso, não se trata, somente, de um trabalho organizativo, mas também evangelizador e de crescimento espiritual. Quando se conversa com o pessoal da “indústria do casamento” ouve-se dois assuntos: as queixas que padres (alguns) e o pessoal da Igreja não é acessível para conversar e, a queixa que fazem como fazem porque nunca foram instruídos.
            É um diálogo que pode ser muito proveitoso, porque a PLP vai conversar com pessoas que trazem experiências, queixas, propostas e, em muitos casos, buscando esclarecimentos sobre como agir no desenvolvimento do Rito Matrimonial.
            É um diálogo que não pode ser feito com argumentos do “eu acho bonito” ou do “sempre foi feito assim”. É um diálogo que prima pela qualidade da celebração litúrgica matrimonial, que se caracteriza não somente pela beleza ritual, mas que a beleza ritual realce a beleza espiritual de um casal que é abençoado para iniciar uma nova família. Uma celebração que não seja somente para ser vista, mas vendo-a, torne-se capaz de questionar especialmente a vida dos casais presentes. Celebração evangelizadora, portanto, capaz de tocar a vida.
Serginho Valle
Janeiro de 2020