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19 de dez. de 2020

Vai ter gente na Missa depois da pandemia?


 Uma pergunta na cabeça de padres e leigos é sobre a frequência da Missa depois da pandemia, no que se está sendo denominado de “novo normal”. Já ouvi de padres a previsão que as Missas Dominicais diminuirão e as Missas semanais ficarão reduzidas a algumas poucas pessoas.

            Refletindo sobre este tema, cardeal Marc Oullet definiu o tempo que a pandemia impediu a participação presencial nas Missas Dominicais como “longo jejum Eucarístico, que levou a perder o hábito da Missa Dominical.” Creio não ofender o cardeal com minha interrogação: será que alguns meses são suficientes para desfazer o hábito da Missa Dominical? Se a resposta for afirmativa, precisamos avaliar quais motivações e qual qualidade de fé inspiram os católicos a participar da Missa.

           

Tempo sabático

            Em vez de colocar interrogações e, pior que isso, gastar tempo fazendo previsões pessimistas, o tempo da pandemia pode ser considerado um tempo sabático obrigatório, convidando-nos a rever atitudes e resultados da Pastoral Litúrgica Paroquial na comunidade. Deste ponto de vista, a pandemia que nos obrigou a fechar as igrejas e impediu as celebrações dominicais é uma espécie de tempo sabático para rever conceitos e avaliar os resultados da colheita. Rever o modo com a Eucaristia é celebrada, a ponto de não causar saudades em muitos católicos, a ponto de muitos católicos não sentirem falta de se alimentarem com a Eucaristia.

            Durante séculos, a Igreja insistiu na importância da Missa Dominical em base a normas jurídicas e morais. Mesmo que isso tenha diminuído em termos de insistência, no sentido de imposição moral para não pecar, o conceito perdura no inconsciente de grande parte dos católicos. Quando a pandemia fez os Bispos suspenderam o preceito, muitos entenderam que o “pecado de perder Missa em Domingos e Dias Santos” não é tão ameaçador como pensavam e assumiram a comodidade de participar da Missa “assistindo-a” na poltrona de sua casa. Isso foi reforçado com padres dizendo que a sala da casa era extensão do santuário ou da igreja paroquial. Concordo com a consolação, mas — naquilo que vi em transmissões de Missas pela televisão e em lives — muitos padres esqueceram de insistir que se tratava de algo provisório. O normal não é “assistir” Missa pela TV, no celular ou tablet, mas participar da Missa na comunidade.

            Em alguns poucos debates que participei, falou-se que a pandemia será como uma peneira, capaz de peneirar quem de fato é católico e conhece o valor da Eucaristia, e quem é “católico cultural”, aqueles que vão à Missa Dominical como parte da cultura religiosa ou do hábito pessoal. Ouvi de alguns o pensamento que a pandemia tirou o compromisso religioso de adolescentes e jovens e, até mesmo de famílias com crianças, no que se refere à iniciação sacramental: Batismo, 1ª Comunhão, Crisma, Confissão...

            Assisti debates que, considerando a diminuição na participação da Missa Dominical pós pandemia, se pergunta: será que a diminuição aconteceu (o vai acontecer) por causa da pandemia ou este seria um processo natural? Seja quais forem os argumentos, o que salta aos olhos é a fragilidade da fé, que pode ser fruto de uma evangelização, catequese e formação cristã deficitária. Li em algum lugar o artigo de um sociólogo da religião que dizia: a pandemia só antecipou o que aconteceria mais cedo ou mais tarde: a diminuição da importância cultural da religião na sociedade.

            “O cristão não vive sem a Eucaristia dominical” dizem escritos da Igreja primitiva. A Eucaristia é o alimento da vida cristã, o que significa dizer que sem Eucaristia a vida cristã desaparece. O fato de se constatar que muitos cristãos não sentem falta da Mesa da Palavra e da Mesa da Eucaristia e, que pós-pandemia, isto seria ainda mais evidente precisa necessariamente tocar a proposta e a atividade da Pastoral Litúrgica Paroquial de cada comunidade.

Serginho Valle

Outubro de 2020

6 de jun. de 2020

Respeito para com a Eucaristia



São João Paulo II, em várias oportunidades, chamou atenção ao respeito para com a Eucaristia. A convocação do “Ano da Eucaristia” (2004) tinha, entre outras finalidades, chamar atenção para a centralidade da Eucaristia na vida da Igreja e ressaltar o respeito para com a Eucaristia.
            Ao dividir a palavra respeito — res + peito — nota-se que a mesma tem a ver com aquilo que trazemos dentro da gente, lá no peito; no coração. A gente respeita aquilo que ama, que tem tanta consideração a ponto de guardá-la no coração. São coisas do peito, coisas do coração, coisas com as quais a gente mantém uma relação diferente, mais aprimorada, mais recata, mais carinhosa; mais respeitosa.
            Lembro-me, numa ocasião, que antes da Missa, um jovem se apresentou para proclamar a Palavra vestindo bermuda e camiseta regata. O padre perguntou onde iria vestido daquele jeito. — Vou fazer uma leitura na Missa, respondeu. O padre lhe disse: só se colocar uma roupa mais respeitosa para a Missa. O jovem argumentou que o importante não é a roupa, mas o que está dentro do coração. Uma resposta infeliz, mas que ofereceu a oportunidade para o padre lhe ensinar uma coisa importante: se o teu coração estiver cheio de amor pela Eucaristia, a ponto de compreender o que você vai celebrar e que vai proclamar a Palavra de Deus, você não viria vestido deste modo.
Moral da história: o modo como nos apresentamos para celebrar tem a ver com o sentimento que devotamos à Eucaristia. Não se conhecendo o que é a Eucaristia qualquer roupa serve, mesmo que seja desrespeitosa para o ambiente celebrativo litúrgico, a qual se acrescenta o comentário: o que importa é o que está no coração.
            A falta de respeito não se limita ao modo de vestir-se do celebrante. Tem a ver também com outras atitudes, como o silêncio, por exemplo. Noutro domingo, quatro adolescentes passaram a missa inteira (do começo ao fim) conversando, brincando e rindo; na hora da comunhão foram cochichando na fila até comungar. Será este um comportamento respeitoso? Também a postura, o modo de se comportar na Eucaristia demonstra e revela carinho ou indiferença para com a Eucaristia.
Mas não é só entre os jovens. Alguns adultos, em vez de participar totalmente na celebração, “aproveitam o tempo” para rezar novenas ou recitar o terço durante a Missa. Vão para a fila de comunhão com o terço enrolado na mão, sem deixar espaço para acolher o Corpo do Senhor. Será esta uma atitude respeitosa e participativa da Eucaristia? Cada vez mais precisamos entender que a Eucaristia é única; tão única que introduzir devoções particulares durante a celebração não tem sentido e, em alguns casos, é desrespeito para com a centralidade da Eucaristia na vida da Igreja e na vida cristã. Isto, aliás, já havia desaparecido, mas parece que está vindo de carona com ritos que a Igreja havia suprimido, fundamentando-se na Teologia Litúrgica e não em devoções ou arroubos sentimentalistas de alguns pregadores.
            Os exemplos se multiplicam com facilidade. Na proximidade de algumas festas dedicadas à Eucaristia, como Corpus Christi, a Equipe Litúrgica Paroquial poderia aproveitar a oportunidade para uma catequese sobre o respeito para com a Eucaristia.
Serginho Valle
Junho de 2020
Na proximidade da Solenidade de Corpus Christi 2020


25 de jan. de 2020

Dimensão orante do canto de comunhão



Dentre os critérios propostos para escolher o canto de comunhão, um deles é a dimensão orante. A escolha do canto de comunhão pode estar relacionada com a Liturgia da Palavra, pode inspirar-se em algum compromisso existencial, derivado do Evangelho, um compromisso eclesial, como é o caso da Campanha da Fraternidade, ou outro critério condizente. Peço permissão para chamar sua atenção para o critério orante na escolha de um canto de comunhão.
            É preciso esclarecer que não se trata de um canto de adoração Eucarística. Aquelas são canções destinadas a momentos adoradores ao Santíssimo Sacramento. A dimensão orante, que me refiro, tem a ver com acompanhar a procissão da comunhão rezando com a canção. Isto acontece de modo especial pelo canto de um salmo. Um exemplo muito fácil para compreender o que digo: se o Evangelho relata a atividade do Bom Pastor, uma excelente escolha para cantar durante a procissão da comunhão seria o Sl 22, seja na versão Bíblica, seja nas versões poetizadas que conhecemos em nossas comunidades.
A dimensão orante, ou a inspiração orante, para escolher a canção que acompanha o rito processional da comunhão deveria e poderia estar mais presente, especialmente naquelas celebrações que a Liturgia da Palavra favorece a opção por uma canção orante. Uma boa inspiração, neste sentido, encontra-se no salmo responsorial, que sendo orante, pode facilitar a escolha. Não se trata, evidentemente, de repetir o salmo responsorial, mas de inspirar-se nele para escolher uma canção orante. Se, por exemplo, o salmo responsorial for o Sl 25, a canção “A ti meu Deus, elevo meu coração”, é uma excelente proposta.
Isso torna-se mais fácil quando o ministério da música conhece as canções, não somente pela letra, mas pela inspiração Bíblica. Infelizmente, este é um exercício que poucos músicos fazem: o exercício de meditar a poesia da canção, de rezar a canção inspirando-se em textos Bíblicos. Se isso acontecesse de modo sistemático, não assistiríamos a triste cena do ministério da música, minutos antes da Missa, escolhendo afobados o que cantar na celebração, muitas vezes com escolhas desconectadas do contexto celebrativo. O critério é cantar rezando e para isso é preciso conhecer a dimensão orante das canções.

Canto de comunhão é canto comunitário
Fomos acostumados, ou ensinados, a entrar na fila da comunhão, comungar, voltar ao nosso lugar e ficar em silêncio, para rezar silenciosamente. Para quem gosta de colocar interrogações do tipo certo-errado, aviso que não está errado fazer isso. Tal procedimento é fruto de uma espiritualidade individualista que perdura na celebração litúrgica, a qual se caracteriza como oração comunitária. É a dificuldade de perceber que se trata de comungar comunitariamente a vida divina, no Pão e no Vinho consagrados, e — caminhando juntos até a Mesa da Eucaristia — comungar a vida de quem celebra, unidos na mesma prece, na mesma mesa, na mesma canção. O rito da comunhão Eucarística não prima pela individualidade, mas pela comunhão, pela fraternidade comunitária. Uma das finalidades do canto de comunhão é expressar a comunhão fraterna.
O momento da oração individual depois da comunhão não está descartado na Liturgia Eucarística. O silêncio acontece depois da comunhão, iniciado quanto os ministros do ministério da música (músicos) param de exercer seu ministério para comungar. É o silêncio pós-comunhão, contemplado nas Instruções Gerais do Missal Romano (IGMR 43; 88). Infelizmente, muitas comunidades adotaram o costume de dar comunhão aos músicos antes dos celebrantes. Invertem assim o momento do silêncio. Aliás, a Liturgia prevê silêncio antes de comungar deste a oração secreta, feita somente pelo padre, em silêncio. Algumas comunidades introduziram esta oração para o povo, impedindo o silêncio preparatório dos celebrantes.
O serviço ministerial da música prevê que os músicos comunguem depois que todos celebrantes comungaram, já que durante o rito da partilha Eucarística, estão servindo pelo exercício do seu ministério musical, tocando e cantando.
Repito, o rito da comunhão Eucarística é um rito comunitário, de uma Igreja viva, Corpo Místico de Cristo, que vai ao altar para comungar o Sacramento do Corpo de Cristo como Igreja que caminha. Por isso, o canto de comunhão, naquelas celebrações que assim favorecem, deveria ser escolhido e cantado como oração comunitária, da qual toda a assembleia participa. Depois que todos cantam, então sim, a Liturgia Eucarística prevê um tempo de silêncio para a oração pessoal. Tenho percebido que muitos padres, por algum motivo, ignoram ou desprezam o silêncio pós-comunhão, esquecendo que o silêncio é parte integrante da Missa e, a pós-comunhão se caracteriza como rito silencioso, por um breve momento, para a oração pessoal.
Serginho Valle
Janeiro 2020

6 de abr. de 2019

A Eucaristia é "fractio panis"


Um bom modo para compreender a Eucaristia encontra-se num dos seus primeiros nomes: “fracio Panis”. No início da história da Igreja, o nome dado à Missa, à celebração da Eucaristia, era “fractio panis”. Termo latino que se traduz como “fração do pão”.
            O rito da “fractio panis”, na nossa Liturgia Eucarística, acontece pouco antes do rito da Comunhão Eucarística e é acompanhado pela invocação do Cordeiro de Deus. Trata-se de um rito litúrgico cantado — nem sempre respeitado em nossas celebrações — que descreve aquilo que o gesto da fração do pão representa: Jesus é o Cordeiro de Deus que oferece seu corpo para ser partilhado, repartido entre nós. É um gesto que descreve o sentido profundo da Eucaristia como doação da vida divina, que se reparte, que é partilhada, para que todos se tornem um só corpo em Cristo Jesus.
Um gesto tão importante nem sempre com a valorização que deveria ter nos ritos da Missa porque muitos padres o fazem com os celebrantes realizando o rito da paz; proclamam o Cordeiro de Deus sem a fração do pão e com o padre fazendo a genuflexão preparatória para apresentar o Corpo e o Sangue de Jesus aos celebrantes. Em resumo: um amontoado de ritos que perdem seu sentido na pressa.

O que era a “fractio panis”?
            A “fractio Panis”, nos tempos antigos, era um gesto familiar que Jesus transformou em sacramento da doação da própria vida. Antes de qualquer refeição familiar, o pai de família tomava o pão em suas mãos, dava graças pelo alimento que Deus concedia à sua família, fruto do seu trabalho, partia o pão e entregava à sua esposa, aos filhos e a quem participava da mesa. Em sua família, Jesus via este gesto realizado por São José. Depois da morte de José, Jesus tornou-se o encarregado familiar para realizar o rito. Um rito que, possivelmente, ele também celebrou muitas vezes com seus discípulos e discípulas. Na Última Ceia, o gesto da “fractio Panis” foi transformado em gesto sacramental memorial.

Eucaristia como partilha da vida divina
A Eucaristia torna-se mais bem compreendida a partir do pão, que é o fruto do trabalho humano, como diz a oração da apresentação das oferendas; pão que serve para alimentar a vida humana. A fração do pão representa — no sentido de re+presente, isto é, de tornar presente — a partilha da vida. Aquele pão que é fruto do trabalho de todos que participam da comunidade celebrativa Eucarística, torna-se santificado pela presença de Jesus e, deste modo, santifica e une todos que participam do mesmo altar.
Com o mesmo gesto diário de repartir o pão em nossas mesas, não somente nos tempos Bíblicos, mas no nosso hoje, Jesus colocou ali a sua vida, para que o pão repartido no altar seja alimento divino para a vida humana.
Com este mesmo gesto, a Eucaristia alcança as mesas de nossas casas, fazendo com que o simples gesto do pai e da mãe que colocam o pão na mesa para ser repartido em família, torne toda refeição momento de ação de graças a Deus. Eis um sentido que deveríamos recuperar em nossas comunidades, ajudando as famílias a compreender a Eucaristia como rito da família de Deus que comunga a mesma vida divina e, de outro lado, favorecer a compreensão que cada refeição em família é momento “Eucarístico”, momento de ação de graças a Deus porque ali se partilha o pão, partilha-se a vida.
Deste modo, repetindo, um dos melhores modos para compreender a Eucaristia é a partir de um dos seus primeiros nomes: “fractio panis”. Como canta a poesia da música de Pe. Zezinho,scj: “somos a Igreja do pão, do pão repartido, do abraço e da paz”.
Serginho Valle
Abril de 2019


15 de set. de 2017

Ritos finais da Missa


Os ritos finais da Missa, como em todos os Sacramentos, são marcados pela brevidade. No caso da Missa, consta praticamente de um rito invocativo de bênção. Acrescente-se ainda um momento para as comunicações comunitárias e o envio.
Embora seja costume cantar um "canto final", como se diz, não se contempla nenhuma canção nas orientações da Instrução Geral do Missal Romano (IGMR). Depois do envio, os celebrantes são convidados a se retirarem da igreja. Direi uma palavra sobre o canto final, na conclusão deste artigo. 

Avisos paroquiais
            Os avisos paroquiais estão previstos na IGMR 166. O texto não fala de “avisos paroquiais”, como dizemos, mas “breves comunicações”. São comunicados breves, portanto, daquilo que deverá acontecer na comunidade.
            Comunicações breves e compreensíveis. Isto significa considerar o tema da comunicação, a data da realização, o horário e o local, quando isto for necessário. Outras comunicações, como aqueles de organização comunitária, obedece o mesmo critério de objetividade.
            Quanto ao momento das comunicações, este deve acontecer após a oração depois da comunhão. Isto significa que é a oração depois da comunhão que conclui o Rito da Comunhão e não os “avisos paroquiais”. O ideal, como já fazem algumas comunidades, que os “avisos paroquiais” sejam comunicados depois da bênção final.

Compromisso concreto 
Não consta nas IGMR nenhuma indicação de compromisso concreto. Quem acompanha minhas propostas celebrativas pelo site do Serviço de Animação Litúrgica – SAL (www.liturgia.pro.br)  – está acostumado com uma orientação de "compromisso concreto" depois da oração pós-comunhão.
Na prática, o compromisso concreto da celebração é proposto na homilia e pela homilia. Nada obsta, contudo, que depois da comunhão, depois de se comprometer com a proposta comungada na Mesa da Palavra, seja confirmado ou reproposto o compromisso que se assume concretamente em cada celebração. Um fundamento evangélico para tal finalidade encontra-se na conclusão da parábola do Bom Samaritano, quando o doutor da Lei responde quem foi o próximo do homem caído por terra; Jesus conclui dizendo: “vai e faça você o mesmo” (Lc 10,37). Este é o sentido que deveria ser dado, inclusive, a todo envio conclusivo da Missa: “vai e viva aquilo que você ouviu e comungou na celebração”. É o compromisso concreto presente em cada celebração para melhor viver o discipulado no cotidiano.
Em algumas celebrações, o compromisso concreto tem caráter pessoal, em outras tem caráter comunitário e, em algumas tem até mesmo caráter pastoral. Se uma Palavra, por exemplo, proclamar o cuidado para com doentes, o compromisso concreto poderá propor um incentivo à Pastoral da Saúde. 

Rito de bênção 
O rito de bênção é proposto pelo Missal em três modalidades: simples, oração sobre o povo e solene. 
A bênção simples é feita com a saudação do "Senhor esteja convosco", seguida da fórmula "abençoe-vos", com o padre traçando o Sinal da Cruz sobre a assembléia, e cada celebrante traça o Sinal da Cruz sobre seu corpo.
A bênção com a “oração sobre o povo” segue a mesma dinâmica, mas conta com a inclusão de uma invocação orante em favor dos celebrantes ou em favor da comunidade ou, ainda em favor da Igreja. Há uma riqueza de intenções muito grande nas “orações sobre o povo” que merecem ser exploradas pelos padres e pelas equipes de celebrações.
A bênção solene, além da invocação de  "o Senhor esteja convosco", é formulada com três invocações, das quais os celebrantes participam com um amém depois de cada intercessão. Segue-se depois o Sinal da Cruz traçado sobre os celebrantes.  Também neste caso, existe uma grande riqueza de intenções, como referido para as “orações sobre o povo”.
Pessoalmente, considero as fórmulas propostas pelo Missal muito ricas em conteúdo. Como nem sempre correspondem ao contexto celebrativo de cada Domingo, as mesmas podem ser criadas, inspirando-se na Palavra proclamada em cada celebração. Assim, se a Palavra leva a contextualizar a celebração comprometendo os celebrantes com o projeto do Reino, a invocação de bênção será realizada neste temário.  É preciso, contudo, manter-se fiel ao estilo próprio do Missal Romano para o rito de bênção e não fazer de cada invocação um pequeno discurso ou incluir invocações devocionais ou sentimentais.

Envio e conclusão
A conclusão da Missa acontece com uma fórmula de envio, feita pelo diácono, quando este estiver presente. Na ausência do diácono é o padre quem faz o envio com uma fórmula do Missal ou criada por ele próprio.
O envio poderá ser feito de modo simples, com a tradicional fórmula do "ite Missa est", traduzido para o português com "ide em paz, a Missa terminou".  O Missal propõe outras fórmulas de envio que merecem ser consideradas. Além destas fórmulas, como apenas dito, seria interessante que o padre ou o diácono crie uma fórmula de envio a partir do contexto celebrado, iluminando-se na Palavra da celebração. Vale o lembrete que, como dito para as fórmulas de bênção, não seja um breve discurso, mas uma frase no estilo litúrgico próprio do Missal.

Canto final
            Como adiantado acima, a IGMR não propõe um canto para acompanhar o final da Missa. A orientação para a conclusão da celebração propõe a bênção e o envio (IMGR 168-170). Conclui dizendo que após a bênção, o padre beija o altar e todos se retiram.
É equivocado, portanto, do ponto de vista litúrgico, aquele costume de alguns padres convidarem a cantar o canto final antes da bênção. Equivocado, primeiro, porque não existe “canto final” e, depois, porque a IGMR orienta a deixar a igreja sem cantar após o envio.  
Mas, o canto pode existir sim, como canto de acompanhamento da dissolvência da assembléia. Neste caso, trata-se de um canto relacionado à Palavra da celebração ou, até mesmo, que reforce o compromisso concreto, proposto na homilia, por exemplo. Em algumas celebrações, como aquelas de memória ou de festa, canta-se uma canção relativa à memória ou festa litúrgica.

Nossa Senhora, santos e santas
            Muitas comunidades introduziram a oração da Ave Maria ou uma antífona mariana, como a “Salve Regina” (Salve Rainha) ou outra antífona conhecida. Isso ganhou mais peso com o dado devocional de Papa Francisco após a Missa, de rezar aos pés da imagem de Nossa Senhora.  
            Nada contra esta prática, desde que se considere que a mesma aconteça depois da bênção final. A questão é teológica-litúrgica. Na celebração litúrgica a Igreja dirige suas preces, louvores e adoração unicamente ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo. Não dirige a Nossa Senhora e nem aos santos e santas. Por isso, seja observado este princípio (inclusive na Oração dos fiéis) e preste-se homenagem a Nossa Senhora (ou a algum santo ou santa) depois da bênção final.


Conclusão
            Esta conclusão diz respeito a todos os artigos de cada uma das partes da Missa a partir do processo comunicativo litúrgico-celebrativo publicados aqui no blogger. Isso significa que meu ponto de vista tem a proposta de ajudar a comunicar-se de modo litúrgico e celebrativo. Reconheço que o tema não é muito aprofundado, como proposto aqui no blogger, uma vez que optei por textos simples e breves, como é próprio da linguagem do blogger. Mas, que isso sirva de motivação para aprofundamentos em estudos e debates promovidos pela Pastoral Litúrgica de cada comunidade.
Serginho Valle
Setembro de 2017


8 de set. de 2017

Oração depois da comunhão


Os ritos da comunhão Eucarística são concluídos com a oração depois da comunhão —collecta post-communionem —. É próprio da Liturgia, que uma coleta conclua um rito. 
O rito conclusivo da Comunhão é muito simples: depois do silêncio ou de uma canção pós-comunhão, o padre coloca-se de pé e convida a assembléia para rezar em silêncio com o tradicional convite: “oremos”. Faz um breve momento de silêncio e proclama a oração depois da comunhão. 
Com uma estrutura que respeita o esquema da “Oração Coleta” própria da Liturgia, o conteúdo desta oração faz referência direta ao Sacramento da Eucaristia comungado pelos celebrantes. São coletas, portanto, marcadas pela Teologia da Eucaristia e pelos efeitos da Eucaristia na vida pessoal de cada celebrante como também na vida de toda comunidade. 
Outra característica diz respeito ao fato de serem orações suplicantes. Regra geral, as coletas invocam o Pai, algumas fazem memória breve de algum aspecto da Eucaristia (mas nem sempre isso se verifica nas coletas depois da comunhão) e são concluídas com uma súplica para que a Eucaristia produza efeito divino na vida do comungante ou da comunidade, repetindo. O conteúdo da súplica, em síntese, intercede a graça de transformar em vida aquilo que foi celebrado e comungado na Eucaristia.  
Exemplo de uma coleta pós-comunhão: 30º Domingo do Tempo Comum:

Ó Deus, que os vossos sacramentos produzam em nós o que significam, a fim de que um dia entremos em plena posse do mistério que agora celebramos. PCNS.

Como elucidado, a coleta proposta como exemplo é dirigida a Deus e, sem fazer memória de algum atributo divino, intercede o efeito do Sacramento da Eucaristia na vida e a garantia de participar um dia da eternidade.

Do ponto de vista comunicativo, só para lembrar, em se tratando de Oração Coleta, esta é presidencial, o que significa que a participação da assembléia é silenciosa, até sua conclusão, quando participa com o amém. É o padre que preside a Eucaristia quem dirige a oração a Deus em nome dos celebrantes. 
Outra anotação, a coleta depois da comunhão não é proclamada do altar, mas da cadeira presidencial.

Temas relevantes 
No meu trabalho de propor propostas celebrativas pelo Serviço de Animação Litúrgica (SAL — www.liturgia.pro.br ), durante praticamente um ano, analisei brevemente as Orações Coletas das Missas Dominicais, de solenidades e festas. Destas, apoiado em pesquisas de especialistas no assunto, destaco alguns temas das “post-communionem”.

- Eucaristia é alimento que fortalece, recria, cura e salva.
- Eucaristia é penhor da Aliança eterna que conduz ao encontro definitivo de Deus.
- Os benefícios de participar da Eucaristia, indicados na coleta depois da Comunhão contemplam viver de modo que agrade a Deus, aprender a desejar os bens eternos, tornar-se participantes da Salvação alcançada por Cristo, presente na Eucaristia,
- A Eucaristia fortalece na luta contra o mal, força para permanecer em Deus.
- Em algumas orações aparece também o tema do serviço, o tema da unidade e da paz promovido pela Comunhão Eucarística.
- Um tema muito forte é a da unidade e a intimidade a Jesus  Cristo.
- Algumas coletas contemplam também o tema de inserção no mundo para transformá-lo a partir do Evangelho.

Serginho Valle

Agosto de 2017

25 de ago. de 2017

Silenciar ou cantar depois da comunhão?


A IGMR 88 faz as duas propostas: silenciar e cantar. Por isso pode-se silenciar depois da comunhão como é possível cantar uma canção após a comunhão.  

Terminada a distribuição da Comunhão, ser for oportuno, o sacerdote e os fiéis oram por algum tempo em silêncio. Se desejar, toda a assembléia pode entoar ainda um salmo ou outro canto de louvor ou hino. (IGMR 88)


Silenciar 
O silêncio depois da comunhão é algo inerente ao rito da comunhão. Concluída a partilha da Comunhão Eucarística, naturalmente o rito celebrativo conduz ao silêncio. Isso pode acontecer por motivos devocionais ou por razão de algum outro movimento interior, na ordem da espiritualidade ou da mística. Não vem ao caso a motivação, mas aquela intuição que ao receber Jesus sacramentado se é levado a silenciar. É a escolha intuitiva da melhor parte, como fez Maria, quando visitada por Jesus, em sua casa (Lc 10,38-42).
Desde antes da reforma da Liturgia (1963) havia o costume de silenciar depois da comunhão para agradecer a "visita de Jesus Eucarístico" no coração do comungante, como diziam os antigos manuais orientando como agir depois da Comunhão. Recordo o meu tempo de seminário que, depois da Missa, o padre celebrante voltava à capela para fazer ação de graças em silêncio. Era depois da Missa, mas finalidade é a mesma: reservar um tempo de silêncio para agradecer pela Eucaristia. 
A mesma característica de agradecimento pela participação na Comunhão Eucarística e pela celebração em geral, continua. Mas, acrescento a peculiaridade de ser também momento para oração silenciosa. Trata-se daquela oração, na qual o celebrante silencia para acolher o que celebrou na Eucaristia. Quer dizer, para acolher em modo de oração silenciosa o que comungou na Mesa da Palavra e na Mesa da Comunhão.
Desta forma, considero que o momento pós-comunhão é mais propicio ao silêncio que a se cantar uma canção. E, aqui, vale o que a Liturgia entende, no seu aspecto comunicativo, por silenciar: sem mensagens, sem orações devocionais e sem fundo musical. A canção, depois da comunhão, tem sempre o caráter de ser facultativa, mas o silêncio, embora não obrigatório, traz consigo um caráter de necessidade.

Canto pós-comunhão 
Como mencionado, existe a possibilidade de se cantar uma canção depois da comunhão. Muitos a denominam de "canto de ação de graças". Outros alegam ser desnecessário uma canção de ação de graças, uma vez que toda Eucaristia já é ação de graças. Os dois lados têm razão e, quando dois têm razão, enquanto não compreenderem que estão certos, continuaram em suas teimosias estéreis.
De minha parte não considero problema cantar a ação de graças para agradecer o momento celebrativo da Eucaristia. Este, portanto, pode ser considerado um motivo para um canto depois da comunhão: cantar uma ação de graças para dar graças pela grande ação de graças que é a Eucaristia. Refiro-me a um canto de agradecimento.
Ainda na linha de agradecimento, pode-se entender também a escolha de uma canção de louvor. Não se trata se um canto de louvor ou de adoração Eucarístico, mas de louvar a presença divina na Eucaristia, seja na Palavra como no Sacramento. Neste caso cabe bem a iniciativa de se cantar um refrão orante. 
Outra proposta para o canto depois da comunhão é unir a Comunhão Eucarística a um compromisso concreto anunciado na Palavra, refletido na homilia e assumido na Mesa da Comunhão. O compromisso concreto, neste caso, será expresso numa canção. Assim, por exemplo, se a Palavra anuncia o respeito pela dignidade da vida do pobre, do oprimido, o canto depois da Comunhão poderá cantar o compromisso de ser misericordiosamente fraterno e solidário para com o pobre. Isso é melhor compreendido quando a celebração é contextualizada num único (no máximo dois) enfoque a partir da Palavra proclamada na celebração.

Modo de cantar e característica 
Quanto ao modo de cantar esta canção não se pode esquecer que o contexto é envolvido pelo silêncio contemplativo. Isto significa que o modo de cantar e interpretar a canção sejam de acordo com o momento; o momento da pós-comunhão. Não tem sentido, por exemplo, bater palmas neste momento, nem mesmo cantar a plenos pulmões. Cantar sim para favorecer o louvor, o agradecimento, o compromisso; para favorecer, inclusive, o silenciamento interior.
Ainda sobre o modo de cantar, pode-se considerar o canto solo, embora a orientação da IGMR 88 seja pelo canto assemblear. No caso de um canto solo, canta-se a canção com a arte de quem favorece a meditação ou a prece ou o compromisso. Não é momento para se apresentar como cantor ou cantora, mas para artisticamente favorecer a reflexão e a oração interior através da arte interpretativa musical. Mas, dependendo da canção, o ideal é que seja cantada por toda a assembléia. Isto acontece com cantos de louvor, de agradecimento, de comprometimento, por exemplo. 
Ainda quanto ao modo de cantar, este tem a ver também sobre a execução dos instrumentos. Não é momento para usar bateria ou outros instrumentos de percussão. Um teclado bem tocado ou um violão de base é o ideal. 
O bom senso faz entender que não cabe, no momento depois da comunhão, homenagens cantadas para alguém presente na assembléia, como se vê no dia das mães, dos pais, aniversário do padre... A canção depois da comunhão tem relação direta com a Eucaristia celebrada e comungada. As homenagens poderão ser feitas depois da Oração pós-comunhão.
Não esquecer que uma característica desta canção, por fim, está na brevidade. Considere-se que a celebração já está no final e adicionamentos de ritos feitos com canções, avisos, mensagens são antipáticos nessa hora. Por isso, uma canção breve é sempre a escolha mais acertada.

Silêncio depois da comunhão 
            Iniciei falando do silêncio e vou terminar com o silêncio considerando dois aspectos.
O primeiro aspecto diz respeito ao silêncio pessoal. É o silêncio feito por cada comungante, quando entra na sua intimidade para rezar silenciosamente. É um momento muito pessoal de ação de graças, de pedidos pessoais, de oferecimento. Nem todos conseguem aproveitar bem este momento, alguns por não saber como fazer, outros por não terem oportunidade para tal porque o padre e a equipe de celebração não permitem. São aqueles padres e aquelas equipes que, mal termina a distribuição da Eucaristia já fazem a Oração depois da Comunhão. Tem algumas equipes de celebração que adotaram o mau gosto de ler mensagens ou orações ou de sempre cantar depois da comunhão. Assim, o celebrante não tem chance de pessoalmente silenciar. Não se pode esquecer que o silêncio tem a preferência depois da comunhão.
O segundo modo de silenciar é o silêncio celebrativo. Este acontece quando toda a assembléia silencia. É o silêncio marcado pelo respeito por quem está em oração, sem fundos musicais, sem solo de violão, sem o ruído de músicos afinando ou cutucando seus instrumentos. Tudo silencia porque o rito depois da comunhão se caracteriza como silencioso.
Serginho Valle 
Agosto de 2017 



18 de ago. de 2017

Canção para a comunhão


A IGMR 86 propõe que se cante uma canção durante a distribuição da Eucaristia, denominado como "canto de comunhão". É a canção que acompanha o rito da distribuição da Eucaristia. Uma canção que, dado o momento ritual e celebrativo, do ponto de vista comunicativo, assume características de canção processional. Uma canção para acompanhar a procissão que conduz os celebrantes até a Mesa Eucarística. 
Tal característica de canção processional pode ser manifestada na poesia da canção e ou no ritmo da mesma. Temos vários exemplos de canções no nosso repertório litúrgico brasileiro que atendem a tais critérios. Mas, é importante anotar que esse não é o único critério para a escolha da canção. 
Um critério importante, que considero de suma importância na escolha da canção, é a dimensão teológica da Eucaristia. O rito da partilha da comunhão, o momento de fazer comunhão com Deus, na fraternidade de um povo que caminha ao encontro da Mesa onde se distribui a Vida Divina, precisa ser levado em consideração. Por isso, não se canta uma canção dedicada a Nossa Senhora ou a um santo, por exemplo, durante a comunhão. Escolhe-se cantar uma canção que cante a Eucaristia em suas várias dimensões ou matizes teológicos.
Outro critério interessante a se considerar é a vida cristã enquanto compromisso de vida, compromisso com o discipulado que é assumido e reconfirmado no momento da comunhão Eucarística. Neste caso, leva-se em conta escolher canções que cantam, por exemplo, a fraternidade, a reconciliação, a missão, o caminho do discipulado...
Ainda outra fonte, pouca usada no Brasil, é a salmodia. A Liturgia indica vários salmos para o momento da Comunhão e, seria muito bom se isso fosse colocado em prática. O modo de salmodiar pode ser com melodias tradicionais ou modernas. A escolha do salmo a ser cantado no momento da comunhão poderia inspirar-se na antífona de comunhão. A este propósito, de salmodiar durante o rito da Comunhão, a IGMR 87 orienta: Para o canto da comunhão pode-se tomar a antífona do Gradual romano, com ou sem o salmo, a antífona com o salmo do Gradual Simples ou outro canto adequado, aprovado pela Conferência dos Bispos. O canto é executado só pelo grupo dos cantores ou pelo grupo dos cantores ou cantor com o povo.


Fontes inspiradoras  
            Depois de considerar o conteúdo das canções, alguma proposta para se inspirar na escolha das canções: as fontes inspiradoras. A principal fonte inspiradora na escolha da canção para o canto da Comunhão, sem dúvida alguma, é a Palavra proclamada na Missa, principalmente o Evangelho. Normalmente, minha orientação para a escolha da canção para a comunhão é a partir da Liturgia da Palavra. Assim, aquilo que é proclamado na Palavra é cantado no rito da distribuição da Eucaristia. Este é um aspecto importante porque favorece a relação existente entre a Palavra e a Eucaristia comungada. É um modo de ajudar os celebrantes a perceberem que estão comungando também o projeto de vida proposto na Palavra.
Claro que para isso é preciso haver sintonia entre o que foi proclamado na Mesa da Palavra e a canção que se canta na Mesa da Eucaristia. Assim, por exemplo, se a Palavra proclama a misericórdia, a canção canta a misericórdia. Se a Palavra proclama a justiça, as poesias das canções cantadas na comunhão cantam a justiça. 
Muitos liturgistas brasileiros incentivam cantar o rito da comunhão com os, hoje, conhecidos refrões orantes. Aprecio muito esta proposta. O modo de cantar os refrões orantes favorece que o rito da comunhão torne-se mais orante. Um bom Ministério de Música canta o refrão orante com calma e em tom oracional para conduzir os celebrantes na mesma experiência de cantar de modo orante o rito da comunhão. 
Como mencionado acima, outra fonte inspiradora é a escolha de um salmo, a partir da antífona de comunhão. Claro que a antífona de comunhão e, até mesmo, a Oração depois da Comunhão, podem servir como fonte inspiradora na escolha do canto da comunhão.

Ritmo da canção da comunhão 
Por ser um momento ritual de profunda intimidade com o divino, o ritmo que melhor se adapta é o mais lento. Não é boa escolha cantar canções de comunhão com ritmos acelerados e, muito menos, batendo palma ou fazendo gesto. Penso que a procissão ritual até a Mesa da Comunhão deverá ser feito com calma e envolvido numa canção que possa favorecer o silêncio interior.

Altura do som 
Outro elemento que gostaria de chamar atenção é quanto a altura do som. Regra geral, o som na celebração Eucarística nunca deverá ser alto para não se tornar barulhento. Som alto nas celebrações é, simplesmente, irritante e demonstração de pouca sensibilidade litúrgica-celebrativa. Ainda mais irritante é cantar alto no momento da comunhão. 
A comunhão é um rito marcado pela procissão de quem caminha em clima de recolhimento e, não poucas vezes, em muitos contextos celebrativos, como aqueles quaresmais, por exemplo, caminha-se envolvido pelo silêncio. A música não pode ser o elemento perturbador nem do recolhimento e, menos ainda, ser invasora do contexto silencioso. A função musical é aquela de favorecer o recolhimento e o contexto silencioso. E, um modo para isso acontecer é afinando adequadamente a altura dos instrumentos e da voz para o contexto celebrativo-litúrgico.
Serginho Valle 
Agosto 2017 


4 de ago. de 2017

Distribuição da Eucaristia na Missa



Penso que a distribuição da Eucaristia, na Missa, poderia ser denominada e descrita como "partilha do Pão e do Vinho Eucaristizados"; o que de fato é. Na distribuição da Eucaristia acontece a partilha da vida divina, presente no Corpo e Sangue de Jesus, entre os celebrantes. 
Para melhor expressar a partilha da vida divina, o ideal seria que os celebrantes comungassem do Pão e do Vinho consagrados. Infelizmente, isso nem sempre é possível por vários motivos, que não vem ao caso considerá-los neste espaço. Fica apenas o incentivo para que, onde isso for possível, a Comunhão seja feita sob duas espécies, principalmente naquelas celebrações previstas pela Igreja.  

Comunhão na mão ou na boca?  
O Pão consagrado pode ser colocado na palma da mão ou na boca do comungante. Não existe certo ou errado, mas existem duas tradições. 
A segunda tradição, de comungar recebendo o Pão na boca, é a mais recente e foi motivada por uma Teologia Eucarística que, na prática, proibia a leigos e leigas tocar na Hóstia consagrada. É uma Teologia derivada de fonte devocionalista, como lemos na História da Liturgia, que separava e distanciava Jesus Eucarístico do contato pessoal. Não deixa de ser algo estranho, porque Jesus viveu sendo tocado e se deixando tocar. Respeito quem incentiva a comunhão na boca, mas convido a considerar as motivações de tal prática a partir da Teologia e da Tradição da celebração Eucarística. 
A primeira tradição, de receber a Eucaristia na palma da mão, é a mais antiga. Inicia-se na Última Ceia, quando Jesus parte o pão e o entrega, na mão de cada um dos comensais. Entrega o pão na mão e não o coloca na boca. Tal prática é também descrita em vários textos da Patrística com indicações de que se comungue acolhendo o Corpo de Cristo na palma da mão, apresentada ao sacerdote em formato de trono. Um dos mais belos testemunhos que vem da antiguidade sobre a comunhão nas mãos é a orientação de como comungar proposta por São Cirilo de Jerusalém (morreu em 381): “Quando te aproximares, não caminhes com as mãos estendidas ou os dedos separados, mas faze com a esquerda um trono para a direita, que está para receber o Rei; e logo, com a palma da mão, forma um recipiente; recolhe o corpo do Senhor, e dize: “Amém”. A seguir, santifica com todo o cuidado teus olhos pelo contato do Corpo Sagrado, e toma-o. Contudo cuida de que nada caia por terra, pois, o que caísse, tu o perderias como se fossem teus próprios membros. Responde-me: se alguém te houvesse dado ouro em pó, não o guardarias com todo o esmero e não tomarias cuidado para que não te caísse das mãos e para que nada se perdesse? Sendo assim, não deves com muito esmero cuidar de que não caia nem uma migalha daquilo que é mais preciso do que o ouro e as pedras preciosas?” (Catequese Mistagógica V 21 s).
Isso significa, de acordo com a antiga Tradição: apresentar a palma da mão direita estendida e sustentada pela mão esquerda. Nada de "pegar" o pão consagrado com dois dedos, em forma de pinça. Devido ao fato que, no início da Igreja, os textos fazerem referência da comunhão na mão, é que considero esta a forma tradicional, no sentido de pertencer à Tradição, com "T" maiúsculo, da Liturgia da Igreja; faz parte da Tradição Eucarística. Considere-se ainda o cuidado para que nada cai por terra.

Quem comunga primeiro 
O primeiro a comungar é aquele que preside a Eucaristia. Depois de comungar, ele distribui a Eucaristia aos ministros. O termo é distribuir, no sentido que o padre entrega o pão aos ministros que irão auxiliá-lo na distribuição Eucarística. Em outras palavras, o ministro não se “auto-comunga”, mas recebe a comunhão. Nem tampouco busca a Eucaristia no altar. Esta é dada pelo padre para ser distribuída aos celebrantes.
Esta prática não tem nada a ver com a ideia de que o altar é exclusividade do padre. Tem a ver, sim, em repetir o gesto de Jesus realizado na Última Ceia, de tomar o pão, repartir e entregar aos discípulos. O mesmo aconteceu na multiplicação dos pães: Jesus partiu e entregou aos discípulos para que estes o distribuíssem. Ou seja, a distribuição da Eucaristia não é um rito funcional — com a função de distribuir a Eucaristia —, é rito simbólico, sacramental e enquanto tal considera que também a distribuição da Eucaristia é presidida pelo padre que age “in persona Christi”. Os ministros comungam, recebendo a comunhão das mãos do padre e depois o auxiliam na distribuição do Pão da Vida aos celebrantes. .
Depois dos ministros, os celebrantes comungam. Os últimos a comungar são os músicos. Isto por um motivo muito simples: os músicos estão a serviço da assembléia. Eles comungam por último e, desse modo, favorecem o silêncio pós-comunhão, nem sempre respeitado porque os músicos não param de cantar.  
A este repeito, a IGMR 86 orienta de modo muito claro que, logo depois da apresentação e do convite para a Comunhão, “enquanto o padre recebe o Sacramento”, isto é, enquanto estiver comungando, inicia -se o canto de comunhão. Por isso, naquele momento, os músicos não devem estar na fila para comungar, mas cantando com a assembléia. 

De pé ou ajoelhado 
Houve um tempo que os fiéis recebiam a comunhão ajoelhados. Com a reforma litúrgica (1963), a orientação foi receber a comunhão estando de pé. Também esta, diz a história da Liturgia, era a prática normal. Em nossos tempos, a Igreja admite que os celebrantes recebam a Comunhão de joelhos ou de pé.
Não está errado comungar ajoelhado. A Igreja respeita quem considera que assim demonstra mais respeito para com a Eucaristia. Muitos dos que comungam ajoelhados apoiam-se em textos bíblicos, como este: "para que ao nome de Jesus todo joelho se sobre no céu e na terra" (Fl 2,10). É um texto adorante, que convida a adoração e reconhece que Jesus é o Senhor. Mas, o rito da Comunhão da Eucaristia é momento de adoração ou de ceia, na qual se sela um compromisso de vida com Jesus e com seu projeto de vida?  
O comungar de pé, aproximando-se da Eucaristia caminhando, tem um significado que merece ser considerado. 
Indica, primeiramente, ser participante do povo a caminho, do povo que caminha em busca do alimento divino. O povo a caminho é uma expressão bíblica de grande significado. É o Povo de Deus, o povo que acolhe a disposição de Jesus ao ver o povo caminhando na sua direção, como se lê no início do capítulo 6 de João e no decorrer de todo o texto joanino sobre o chamado “Discurso do Pão da Vida” (Jo 6).
Além do rito simbólico de caminhar para comungar, o estar de pé, na Liturgia, como já comentamos em outras oportunidades, simboliza a postura de quem é ressuscitado. Mas, o estar de pé tem ainda outra dimensão: aquele que recebe do Ressuscitado, presente no Pão Divino, e é enviado para viver o que está comungando. É, portanto, um rito dinâmico e não parado; um rito que faz a Comunhão com o projeto divino e, uma vez fortalecido pelo alimento Eucarístico, parte para testemunhar a vida nova. Tudo acontece muito rapidamente, mas o significado é rico e denso.

Nosso padre não distribui a comunhão 
Uma prática muito estranha tem aparecido em algumas comunidades: aquela do padre não distribuir a Eucaristia aos celebrantes. Ele comunga e senta na cadeira presidencial em uma típica atitude de recusar colocar-se a serviço dos celebrantes. É um gesto que nunca houve na Igreja, uma vez que todos os gestos e atitudes litúrgicas, especialmente aquelas Eucarísticas, são considerados a partir do serviço. Por isso, pensar em introduzi-lo seria negar algo central na Eucaristia: contexto de serviço, na qual foi instituída a Eucaristia, atitude que se ilumina no gesto do lava-pés e na entrega da vida de Jesus. Assim, entende-se que distribuir a Eucaristia não é privilégio para o padre, mas serviço que ele assumiu no dia da ordenação: o serviço de alimentar o seu povo com o Pão da vida.
Já ouvi de padres que não distribuem a Comunhão para demonstrar valorização aos leigos. A ideia é bonita, mas o momento e o local são impróprios. A valorização consiste em se colocar com os leigos a serviço dos celebrantes, a serviço da assembleia com o maior se todos os dons: a partilha da vida Eucarística. Aliás, nada representa tão bem a vocação sacerdotal como o gesto de servir partindo o Pão e distribuindo a Eucaristia entre seu povo.
Para finalizar, lembro de um antigo axioma litúrgico que diz: aquele que partilha o pão da Palavra é o mesmo que partilha o Pão da Eucaristia. No momento da distribuição Eucarística, portanto, o local do padre não é sentado passivamente na cadeira presidencial, mas agindo ativamente no meio dos celebrantes, em atitude de serviço, distribuindo o Pão Sagrado.
Serginho Valle
Agosto 2017



2 de ago. de 2017

Convite para a Comunhão


Depois da secreta da comunhão, e isto significa após um momento de silêncio, o padre apresenta o Corpo do Senhor e convida os celebrantes a se aproximarem da Mesa Eucarística. 
É um rito muito simples, quase silencioso. O padre conclui a secreta da comunhão, faz a genuflexão diante do Santíssimo e o apresenta aos celebrantes com uma formula de convite para comungar a Eucaristia. Depois o padre comunga o Corpo e o Sangue do Senhor. 
O Missal Romano propõe seis formulas para o convite. A mais conhecida é: "Felizes os convidados para a Ceia do Senhor". Logo em seguida, o padre apresenta o Corpo de Cristo dizendo: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo". Os celebrantes participam dizendo: "Senhor, eu não sou digno que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo"

Fórmulas Bíblicas
Facilmente percebido, trata-se de convites inspirados na Bíblia, especialmente no Evangelho e no Sl 34. Propostas que se inspiram na “Ceia do Senhor” (Mt 26,26-29; 1Cor 10,14-22 e outros textos); aclamação da assembléia inspira-se no encontro de Jesus com o centurião romano (Mt 8,8). As demais fórmulas contendo as expressões: “banquete nupcial do Senhor” (Mt 22,1-4); “luz do mundo” (Jo 8,12); “minha carne e meu sangue” (Jo 6,56); “bondade divina e refúgio no Senhor” (Sl 34,8); “pão vivo” (Jo 6,51). Todas os convites, como dito, de inspiração Bíblica e relacionados ao contexto Eucarístico.

Outras formulas para o convite  
As propostas dos convites no Missal indicam duas direções para a criatividade litúrgica em vista de compor outros convites. A primeira, que os convites tenham inspiração Bíblica, prevalentemente evangélica. Neste sentido, excluam-se convites de cunho emocional, como por exemplo: "vejam quem está aqui como prova de amor por nós." Não comporta igualmente monições, feitas em modo de reflexões, pedindo para fechar os olhos, abrir coração... O rito que convida para comungar a Eucaristia é um rito em forma de convite e, como é característico dos convites litúrgicos, são ritos breves, isto é, feito apenas por um convite e com um convite.
Quer dizer que é preciso, então, limitar-se às formulas do Missal? Diria que não, porque o Missal, de modo implícito, oferece uma pista para se criar outras fórmulas de convites. Isso significa, do ponto de vista litúrgico,  formular o convite para a comunhão inspirando-se no Evangelho do dia. Tal prática fundamenta-se na relação que a Mesa da Palavra mantém com a Mesa Eucarística. Aquilo que foi comungado na Palavra é comungado na Eucaristia. Um modo de estabelecer tal relação é evocando o Evangelho, transformando-o em convite para a Comunhão. 
Suponhamos que a celebração esteja proclamando o Evangelho do Bom Pastor. O convite poderá ser formulado com a palavra de Jesus: "eu sou o bom pastor". Ou se o Evangelho for a parábola do Pai Misericordioso. O convite poderá ser feito do seguinte modo: "na casa do meu pai tem comida em abundância"
Com criatividade litúrgica é possível unir facilmente a Mesa da Palavra com a Mesa da Comunhão através do convite para comungar o Pão e o Vinho Eucarísticos.
Serginho Valle 

Julho 2017  

15 de jul. de 2017

Secreta da comunhão


A oração “secreta” dos ritos preparatórios para a Comunhão Eucarística obedece a mesma função, a mesma finalidade e a mesma dinâmica das outras orações secretas já avaliadas aqui no blogger. Trata-se de uma oração silenciosa feita exclusivamente pelo padre. O Missal Romano propõe duas fórmulas para a secreta antes da comunhão.

Conteúdo oracional
            A primeira secreta é dirigida a Jesus Cristo, reconhecendo que ele é o Filho do Deus vivo, aquele que realizou plenamente a vontade do Pai. O texto faz uma breve anàmnesis (memorial), que se conclui reconhecendo que toda a ação salvadora de Jesus Cristo, em favor da humanidade, foi realizada juntamente com o Espírito Santo. Quer dizer, o Espírito divino age e colabora na ação salvadora de Jesus Cristo. Faz-se memória, em outras palavras, da Salvação como obra Trinitária.
A segunda parte desta primeira secreta apresenta, sempre em forma memorial, o modo como Jesus oferece a Salvação divina à humanidade e como ele a realizou através da sua morte, na Cruz. Esta é tratada como árvore que produz frutos de vida nova.
Por fim, a parte conclusiva é aquela intercessora, suplicando o perdão dos pecados, o livramento do mal e da maldade e a graça de, “pela comunhão do vosso Corpo e pelo vosso Sangue”, ser capaz de viver sempre fazendo a vontade divina, a exemplo do próprio Jesus que viveu fazendo a vontade do Pai.
A segunda fórmula da secreta antes da comunhão é mais breve e tem uma linguagem mais objetiva, toda formatada num contexto suplicante. Dirige-se a Jesus Cristo, presente no Sacramento Eucarístico, diante dos olhos do padre, portanto, intercedendo que a Eucaristia — Corpo e Sangue do Senhor — não seja motivo de condenação, mas sustento e remédio para a vida. É uma dimensão que pode ser relacionada com a missão sacerdotal, enquanto sustento para a vida e caminhada do sacerdote em sua atividade evangelizadora, pela qual anuncia a Salvação divina.

Comunicação litúrgica
            Do ponto de vista da comunicação litúrgica, o rito da secreta antes da comunhão é realizado pelo padre com a participação e a sustentação orante silenciosa dos celebrantes. É um rito silencioso e cumpre a função de fazer uma pausa silenciosa antes de se aproximar da Mesa Eucarística. Por isso, a realização deste rito por toda a assembléia rompe o propósito de silenciar antes da comunhão e introduz a “falação”.
            Por que somente o padre? Do ponto de vista espiritual, o padre reconhece-se beneficiado da graça de alimentar sua vida pessoal e sacerdotal (que deve ser uma unidade) e intercede o dom da santidade, isto é, a participação na vida divina. Claro que isso é compatível igualmente para os celebrantes, mas no caso específico, o padre como que refaz sua vocação, ele que recebeu a Ordenação para alimentar o povo com a mesma vida divina que tem em suas mãos, no Pão e no Vinho Eucaristizados. A esse momento, os celebrantes se unem com a oração pessoal silenciosa, preparando-se para a comunhão Eucarística.
Serginho Valle

2017