A formação e a espiritualidade litúrgicas são os pilares da Pastoral Litúrgica Paroquial (PLP)

A paz do Senhor!

A finalidade deste espaço é oferecer material de formação litúrgica para quem atua em ministérios litúrgicos na comunidade paroquial. Seja muito bem-vindo e bem-vinda. Se quiser e puder deixar sua contribuição, agradeço muito. (Serginho Valle)
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23 de jun. de 2018

Paramentos e arte litúrgica


Quem acompanha a caminhada de seminaristas sabe que a conclusão do curso de Teologia, em muitos casos, é marcada pela procura e compra dos paramentos. Já presenciei ansiedade exagerada em seminaristas às vésperas de ordenação, preocupados com a compra de seus paramentos. Agitação compreensível, até certo ponto, marcada pela alegria que a proximidade da ordenação provoca em quem vê no sacerdócio a realização de sua vida.
Depois de tantos anos trabalhando em seminário maior, é possível prever o estilo do paramento de cada um. O modo de entender a Igreja, a visão teológica e o conceito de Liturgia são refletidos no modo como o padre (e o futuro sacerdote) paramenta-se para presidir as celebrações litúrgicas. Pelo modo de paramentar-se, inclusive, é possível compreender o estilo comunicativo da presidência celebrativa. Não existe nada de novo nisso; a Psicologia social, o estudo antropológico e cultural do vestuário dedica páginas e páginas explicando que a personalidade de cada povo, e de indivíduos, manifesta-se pelo modo como se veste. Não seria diferente para o padre; ele reflete seu modo de celebrar também pela paramentação.
Os paramentos são um meio comunicativo da celebração, que tem a ver com comunicação corporal; o corpo paramentado comunica. O modo como o padre se paramenta para celebrar é uma mensagem comunicativa corporal, estética e cultural. Dizem os estudiosos da moda, que a pessoa é um corpo vestido para uma finalidade específica: trabalho, esporte, festa, andar na rua... Do ponto de vista estético, a veste revela o conceito de beleza que a pessoa cultiva; é reflexo da sua estética. Do ponto de vista cultural, a veste simboliza a cultura de um povo ou de uma instituição, como é o caso da Igreja. A cultura litúrgica da Igreja Católica usa os paramentos para celebrar sua Liturgia e não para fazer shows, por exemplo; paramenta-se para celebrações e não para participar de um protesto social.
Por isso o bom gosto ou o desleixo revelam também o cuidado ou o descuido para com a celebração. Revela o carinho, a atenção para com a celebração e, mais que isso, o respeito para com os celebrantes. Um padre ou diácono que se paramenta de modo desmazelado para assistir a um Matrimônio, por exemplo, comunica seu pouco caso para com a celebração e seu desrespeito para com os noivos e convidados.

Modelos e estilos
Em se tratando de paramentação, a gente vê quase de tudo. Tem aqueles coloridos que parecem carros alegóricos, aqueles com imagens de Nossa Senhora e de santos estampados em casulas, os que inventam símbolos e sinais pessoais ou relacionados a alguma atividade pastoral, como o bordado de um chapéu sertanejo... Símbolos e sinais estranhos à cultura, ao simbolismo Bíblico e Litúrgico. Entre aquela casula que se aproxima do estilo de um macacão de piloto da Formula 1, pelo excesso de informação, e uma que destaca a beleza pela sobriedade, a Liturgia tende e orienta sua escolha para a segunda, aquela sóbria.
A Liturgia tem sua parte de culpa nessa dificuldade de entender a cultura do vestuário litúrgico. No decorrer da história, a Liturgia chamou os melhores arquitetos, os melhores pintores e escultores, mas só vi, até hoje, uma participação com profissionais da arte têxtil e da costura  debatendo as vestes litúrgicas. Foi no tempo que estudava Liturgia em Roma. Na época (1998, se não me falha a memória) foi organizada em Milão uma exposição para que grandes nomes da arte do vestuário (que normalmente resume-se com o termo “moda”) expusessem propostas de casulas, a partir dos conceitos Bíblicos e Litúrgicos da Eucaristia. Professores de faculdades, pesquisadores e profissionais que atuam nesta área fizeram suas propostas. Os professores que nos acompanharam na visita à exposição chamaram nossa atenção para a simplicidade e a sobriedade da maior parte das peças. Casulas que se distinguem pela simplicidade e sobriedade.
Hoje, promovem-se exposições de paramentos em feiras para vender, não com a finalidade de um debate sobre a comunicação corporal pela paramentação. Tenho visitado algumas dessas exposições, entro em algumas lojas de paramentos de vez em quando e, o que vejo, além do preço salgado, é um certo descuido com a arte litúrgica da paramentação. Não estou propondo o fechamento das empresas de confecção litúrgica, mas, um debate com estudos, pesquisas e propostas sobre este importante meio de comunicação litúrgica. É um assunto importante, porque onde não existe indicativos de caminhos a seguir, cada um faz o que quer e, neste caso, gosto se discute sim, porque se está lidando com a Liturgia, que ultrapassa o conceito pessoal, por se tratar de uma cultura que é da Igreja, de todo povo de Deus.
Serginho Valle
Junho 2018


21 de out. de 2015

Ícone e uso de imagens na Liturgia


            Ícone é uma palavra de origem grega, que significa imagem. Enquanto nós, na Liturgia romana, usamos estátuas e pinturas em nossas igrejas e até em locais públicos, como praças e edifícios, a Liturgia oriental optou pelo uso de ícones, os quais se revestem e se fundamentam na Teologia simbólica. Dada sua riqueza teológica, hoje, muitos artistas da Liturgia romana estão adotando a iconografia oriental em suas obras, como é o caso do artista sacro brasileiro Cláudio Pastro. Neste meu blogger, já tive a oportunidade de publicar uma matéria sobre a iconografia com o título “Logomarca do Ano Santo da Misericórdia”, onde detalho, inclusive algumas indicações de como olhar e entender um ícone, a partir de suas cores, por exemplo. A logomarca do Ano Santo da Misericórdia é um exemplo de como a iconografia oriental está presente em nossa Liturgia, graças, como dizia, à sua fundamentação teológica.
            A Teologia simbólica da Liturgia Oriental descreve o ícone como “symbolon” que, no vocabulário litúrgico, designa uma forma de presença divina. Na nossa Liturgia romana, o “symbolon”, palavra de origem grega, foi traduzido para o latim como “sacramentum”. Não, portanto, um mero sinal, mas um symbolon, uma presença ou, se preferirem, um modo de presença. É neste sentido que a Teologia simbólica oriental considera os ícones como sinais transparentes (visíveis e tangíveis) daquilo que representam, como é o caso da Trindade, de Jesus Cristo, da Mãe de Deus (Theotokos), dos anjos e santos, dos Mistérios da Salvação, etc...
            A fundamentação da iconografia, sempre no contexto da Teologia simbólica, está na encarnação, segundo as definições do Concílio de Nicéia (787). Entende-se aqui o momento histórico, no qual (como fazem alguns evangélicos atualmente) criticavam e perseguiam fortemente o uso de imagens e de pinturas representando imagens divinas. Ora, uma vez que o próprio Deus se faz “imagem”, se faz ícone, ao assumir a carne humana, na encarnação — tornando-se assim imagem e semelhança de Deus (Gn 1,26) — os Mistérios divinos podem ser representados pela iconografia; podem ser expressados não somente por palavras, mas também com imagens. O Filho encarnado, Jesus Cristo, é a imagem perfeita do Pai (Cl 1,15). Disto os teólogos simbólicos, na sua grande maioria, artistas da arte sacra e litúrgica oriental, afirmarem que cada ícone é, antes de tudo, uma ação divina, uma epifania divina através da arte humana. Cada ícone, nesta linha de pensamento, é uma teologia visual, realizada em clima de profunda oração. A confecção de um ícone, portanto, é bem diferente que fazer modelos ou formas de plástico para fabricar imagens de gesso ou de outros materiais.
            O iconógrafo, antes de produzir seu ícone, entra em oração por um tempo, que pode ser dias ou semanas, faz jejum de dias ou semanas, e espera o momento inspirador ideal para expressar sua teologia e sua espiritualidade no quadro (na arte) de uma única vez. Isto porque, cada iconógrafo tem consciência que não está produzindo uma peça comercial, mas exteriorizando aquilo que Deus manifesta nele, através de sua obra de arte. Cada ícone é fruto de meditações, contemplações e inspiração divina. Assim, ele coloca seus talentos a serviço de uma obra divina, diante da qual, pela admiração da arte, é possível se aproximar e penetrar no Mistério divino.
            Antes de ser usados na Liturgia, cada ícone é abençoado e ungido com o óleo crismal, tornando-o uma peça consagrada, isto é, um meio dedicado a se aproximar do Mistério divino. Na nossa Liturgia, não temos a prática da unção de imagens, apenas a bênção de imagens, por razões que, depois do exposto neste artigo, se entendem como óbvias.
            Diferentemente de muitos aspectos da arte sacra ocidental, os ícones, na Liturgia Oriental não são feitos para serem admirados como obra de arte, mas enquanto obras de arte com a função de alimentar espiritualmente a alma do orante através da beleza. Faço um parêntesis para lembrar meu professor de Liturgia Oriental, no Santo Anselmo (Roma), Padre Gelsi. Ele ficava muito incomodado ao ver ícones sendo comercializados nas livrarias católicas de Roma ou servindo como decoração em conventos e até mesmo em igrejas. Conhecendo a função do ícone, entende-se facilmente sua “revolta”.
            Como já descrevi no artigo citado acima, sobre a logomarca do Ano Santo da Misericórdia, cada cor, trações e espaços têm seu simbolismo, o mesmo acontece para gestos e para as posições das figuras. Isto significa a necessidade de ser iniciado, de ter uma catequese, para compreender o significado do ícone. O ícone é uma obra de arte orante, que conduz à contemplação. Assim como a música, que em nossas celebrações deveria ser obra de arte orante e favorecedora da oração, a função do ícone, na Liturgia oriental, é de antecipar e trazer para diante dos olhos dos celebrantes a beleza da presença divina entre nós e, num contexto escatológico, reavivar o desejo de viver na Jerusalém celeste, a bela e artística cidade descrita no Apocalipse por João (Ap 21,1-22,5). Os ícones, portanto, do ponto de vista pedagógico celebrativo, como que acostumam os celebrantes a conviver com santos, anjos, com a Mãe de Deus, com o próprio Jesus Cristo. Uma beleza provisória, diga-se, porque simbólica, mas que continuamente remete ao que um dia será eterno.
(Serginho Valle)





19 de ago. de 2015

Basílica de São Pedro


Uma superfície de 22 mil metros quadrados, altura de 133 metros e 10 mil metros quadrados de mosaicos, além de inúmeras obras de arte. Estes são alguns números que impressionam na Basílica São Pedro, cuja construção começou em 1506, no Pontificado de Papa Júlio II e concluiu-se 120 anos depois, durante o Pontificado de Urbano VIII.

Somente entre 1656 e 1667, a pedido do Papa Alexandre VII, Gian Lorenzo Bernini projetou e construiu a grande colunata da Praça São Pedro, colocando no centro o obelisco do século I a.c..

A Basílica Vaticana representa o coração da cristandade, construída sobre o túmulo do Apóstolo Pedro, onde se encontra o conhecido “altar da confissão”.

A magnificência da Basílica de São Pedro nasceu de modo humilde e simples. Um pequeno buraco cavado na terra onde está o túmulo de São Pedro. O visitante não conseguirá ver tudo, por isso precisa colher alguns aspectos da Basílica.

Inicialmente, a Basílica pode não agradar, pode até mesmo não ser a mais bonita porque, de tão grande, que não cabe na mente, dada sua espacialidade, sua superfície, mas também sua história; uma história muito longa e difícil de compreender. Por tudo isso, é possível ficar desorientado diante de tanta grandeza. Mas, voltando a observá-la mais atentamente e nos particulares, entende-se a harmonia arquitetônica da Basílica de São Pedro, mesmo não sendo um projeto unitário. No contexto iconográfico, por exemplo, cada imagem se liga a outra e todas as imagens transmitem uma catequese com a finalidade de avivar a fé.

Bramente, Raffaello, Michelangelo, Madermo, Bernini. Incontáveis são os artistas que, nos séculos, ofereceram sua própria contribuição na criação desta extraordinária Basílica que todos os dias acolhe milhares de fiéis.

Talvez o artista mais lembrando seja Michelangelo Buonarroti. Ele está presente na Basílica em dois momentos fundamentais: no início de sua carreira, com a celebre escultura de La Pietà, realizada no final do século XV, em 1499, quando Michelangelo tinha mais ou menos 23 anos de idade. A segunda grande obra de Michelangelo é a cúpula, construída quando ele, já velho, torna-se o arquiteto da “Fabrica de São Pedro” e trabalha na conclusão da Basílica e da cúpula.

Além de Michelangelo existem outros grandes artistas do século XV, como Bernini e todas suas obras barrocas deste grande artista, arquiteto e escultor, além dos grandes mestres do século XVIII.

No interior da Basílica de São Pedro, dividida em três naves, convivem algumas das obras mais célebres do mundo: do baldaquino de Bernini, triunfo da idade barroca, da altura de um edifício de 10 andares, ao monumento fúnebre de Alexandre VII. Da porta de Giacomo Manzù, às esculturas colocadas perto do altar, até a estátua de São Pedro vinda, segundo a tradição, é do século V.

As recentes pesquisas do arquivo revelaram que a Pietà de Michelangelo foi coroada quatro anos depois da morte do mestre. Recentemente, foram feitas restaurações das necrópoles vaticanas; debaixo da Basílica tem uma necrópole (cemitério) pré-constantiniana, onde se encontra o humilde túmulo de São Pedro.



17 de ago. de 2015

Basílica de São Paulo fora dos Muros


Numa mão traz a espada, símbolo do seu martírio, em Roma, no ano 67, pelo imperador Nero, noutra, o livro, que representa sua incansável pregação da Palavra de Jesus nas grandes cidades do Mediterrâneo. Assim é a estátua de São Paulo colocada no centro do quadripórtico que acolhe turistas e peregrinos de todo mundo, vindos para admirar a Basílica construída em sua honra, em Roma.  

A igreja de São Paulo fora dos Muros, depois da Basílica de São Pedro, é a maior da capital. Denomina-se como “Fora dos Muros” por estar construída fora dos muros da antiga cidade de Roma.

Construída pelo imperador Constantino, numa área de cemitérios, onde ainda se conserva o túmulo do Apóstolo, a Basílica foi consagrada pelo Papa Silvestre, em 324.

No seu interior, estão pintados os rostos de São Pedro e de seus sucessores, com um conjunto de retratos iniciados na segunda metade do século V a pedido do Papa Leão Magno.

No mesmo período, o imperador Onorio e sua irmã Galla Placidia realizaram trabalhos de embelezamento, como o mosaico do arco triunfal representando a primeira visão profética de São João. Mas, tanto esta como outras não passam de uma cópia da original porque, na noite entre 15 e 16 de julho de 1823, quase toda Basílica foi destruída por um incêndio.

A causa do incêndio, pelo que tudo indica, foi o esquecimento de um lampião aceso, por um operário, no madeiramento do telhado, que já era muito antigo e, possivelmente, muito seco. Era julho daquele ano e tinha pouca gente porque era uma região atingida pela malária. A Basílica foi destruída por este incêndio.

Houve um grande debate sobre como reconstruir a Basílica, começando pelo Papa Leão XII, o primeiro Papa daquela época. A decisão foi a construção de uma basílica em estilo paleocristão.

Duas obras escaparam milagrosamente das chamas, ambas da época medieval: o baldaquino, uma das primeiras manifestações da arte gótica, em Roma, e o candelabro pascal, colocado perto do altar mor. O candelabro pascal é uma única coluna de mármore branco com desenhos e símbolos muito interessantes e nem todos, ainda, explicados pelos especialistas. A coluna de mármore remete à coluna de fogo, mas lembra também a árvore da vida, como se vê em símbolos botânicos e símbolos de luz.

À esquerda da nave encontra-se a Capela do Santíssimo, construída por Bento XIV, por ocasião do jubileu de 1725. Originalmente, foi construída para receber um crucifixo medieval, do século XIII ou XIV, conhecido como o crucifixo diante do qual Santa Brígida da Suécia rezava durante o tempo que viveu em Roma.

As colunas do claustro, entrançadas e lisas, além dos mosaicos, são testemunhas preciosas da arte cosmateca. Seus corredores conservam quase dois mil fragmentos de lastres de túmulos, estátuas e sarcófagos, vindos do cemitério vizinho.

O claustro é do século XII e não foi destruído pelo incêndio. É onde se pode ver o ambiente monástico medieval. Ao redor desse ambiente encontra-se também um museu e uma pinacoteca.



15 de ago. de 2015

Basílica de Santa Maria Maggiore


No ano de 431, os Padres do Concílio de Éfeso atribuíram solenemente a Maria o título de Mãe de Deus. Logo após o dogma da maternidade divina multiplicaram-se os santuários dedicados ao culto mariano e sobre a maior colina romana, Esquilino, por volta do ano 435, foi construída a Basílica de Santa Maria Maggiore, a igreja mais antiga do ocidente dedicada à Mãe de Jesus.

Modificada muitas vezes, no decorrer dos séculos, até chegar à atual arquitetura, a Basílica sempre conservou sua estrutura paleocristã: três naves colocadas entre duas filas de 30 colunas.

Nas paredes da nave central, sob os afrescos feitos no ano 1500, aparecem como anéis de uma corrente, 42 mosaicos representando os momentos mais significativos do Antigo Testamento, de Abraão a Josué.

Por causa de uma tradição vinda de agosto de 352, a Basílica de Santa Maria Maggiore é também conhecida como Santa Maria da Neve. Um acontecimento excepcional liga o nome de Papa Libério à primeira pedra da antiga igreja.

A pia tradição, que é milenar, conta de um sonho que aconteceu conjuntamente a Papa Libério, que foi Papa durante a metade do século III, e a um membro de uma rica família romana daquele tempo, que se chamava João. Os dois sonharam o mesmo sonho: construir um santuário, um templo, dedicado à Nossa Senhora. E, de modo milagroso, aconteceu uma nevada, em 5 de agosto. Sobre aquela nevada, o Papa desenhou os fundamentos da Basílica, que foi construída, e custeada pela rica família romana de João.

Durante os séculos, numerosas foram as marcas de mestres deixadas na Basílica, seja em esculturas como pinturas, a exemplo do cibório em formato de templo que está sobre o altar, construído a pedido de papa Sisto V. Uma obra prima de ourivesaria, projetada por Giovan Battista Ricci, realizada no final do século XVI. Aqui, Santo Inácio de Loyola celebrou sua primeira Missa em Roma, na noite de Natal de 1538.

Perto da sistina, mas do lado oposto, está a capela Paulina, cuja altar guarda o antigo e precioso ícone mariano, da “Salus Populi Romani” (Salvação do Povo Romano).

Também a ela, a pia tradição atribui, como a outros ícones da Mãe de Deus, no mundo, ser uma pintura de São Lucas. Durante muitos séculos, o ícone da “Salus Populi Romani” esteve no altar mor, até ser transferido para a capela construída no Pontificado de Papa Paulo V. Esta capela é o local onde Paulo V foi sepultado, juntamente com os descendentes de sua família.  

Desde tempos antiqüíssimos, a ícone da Salus Populi Romani foi levada em procissão quando a cidade de Roma era ameaçada por um sério perigo. Ela é a padroeira da cidade há quase 500 anos.

Do ano 1200 é o presépio de Arnolfo di Cambio, antigamente colocado na Capela Sistina da Basílica, hoje exposto no museu subterrâneo de Santa Maria Maggiore. Uma obra encomendada pelo Papa Nicolau IV para proteger a relíquia da manjedoura, na qual depuseram Jesus recém-nascido, com alguns pedaços da madeira da manjedoura conservados sob o altar mor.


Os pedaços de madeira foram trazidos a Roma e há 250 ou 300 anos foi construída uma teca de prata, por Valadier, custeada por uma família espanhola. Por isso, os espanhóis mantêm um vínculo com a Basílica. Em 1800, a pedido de Papa Pio IX, foi construída debaixo do altar mor uma pequena crípta, onde são guardados as relíquias da manjedoura onde nasceu Jesus. 

14 de ago. de 2015

Basílica de São João do Latrão, a mãe de todas as igrejas


Mãe e cabeça de todas as igrejas, sede da Cátedra de Pedro e Bispo de Roma, São João do Latrão é a basílica mais antiga do Ocidente e, até o final do século XIV, foi residência pontifícia.

Suas origens se afundam em lendas. Conta-se que suas estruturas estão sobre as ruínas da Vila dos Latrões, mas é certo que foi o Imperador Constantino, de 313 a 318, que a construiu como lugar livre para o culto cristão, no ano de 313.

Foi dedicada, inicialmente, ao Santíssimo Salvador, depois, a pedido do Papa Gregório I, recebeu também o patronato dos santos João Batista e Evangelista.

A Basílica lateranense, como também é conhecida, enquanto catedral de Roma, conserva a cátedra episcopal, um dos símbolos do Ministério Petrino. Em outras palavras, a Catedral do Latrão é a catedral da cidade de Roma, a catedral da Diocese de Roma, a catedral do Bispo de Roma, que é o Papa.

Na Basílica do Latrão foram celebrados quatro Concílios Ecumênicos, foi nesta Basílica, que o Papa Bonifácio VIII proclamou o Ano Santo de 1300. A Cátedra que está atualmente na Basílica data do ano de 1300 e foi construída no Pontificado do Papa Nicolau IV.

Muitas vezes destruída e reedificada, a Basílica lateranense tem sua arquitetura definitiva em 1649, graças ao gênio do arquiteto Borromini, a pedido do Papa Inocêncio X.

Das cinco naves, aquela central lembra a História da Salvação representada em esculturas, alto-relevos e pinturas com temas do Antigo e do Novo Testamento. Acrescente-se ao temário da História da Salvação as estátuas dos Apóstolos e as representações de doze profetas. São onze estátuas de Apóstolos, porque falta o Apóstolo Matias, mas está presente o Apóstolo Paulo.

Os afrescos nas paredes contam a história da Basílica. O altar papal, sob o majestoso baldaquino em estilo gótico, foi construído no século XIV, no Pontificado de Urbano V. Na abside, o mosaico é uma cópia feita no século XVIII, daquele mais antigo, construído no Pontificado de Nicolau IV, em 1200.

No centro da obra arquitetônica está a cruz gemada, feita de gemas (pedras preciosas). É a cruz que exprime a vitória da vida sobre a morte e as pedras preciosas significam a Ressurreição. A cruz gemada está sobreposta no busto do Redentor, circundado por uma corrente de anjos, protegido por uma mão (Deus Pai) e também pelo Espírito Santo. (SV)




3 de ago. de 2015

Chrismon


O Chrismon é um símbolo cristão que representa (em letras gregas "P" e "X") as iniciais do nome de Cristo. O nome Chrismon provém do latim "Christi Monogramma" (monograma de Cristo). Além das iniciais do nome de Cristo, o "P" faz referência ao cajado de pastor e, o "X" ao formato de uma Cruz estilizada. Assim, o Chrismon simboliza também Jesus Cristo, o Bom Pastor que dá a vida pelo rebanho, na Cruz. As letras gregas alfa “A”, e ômega “”, primeira e última letra do alfabeto grego, fazem referência a Jesus Cristo como o princípio e o fim de todas as coisas (Ap 1,17-18). 

15 de jul. de 2015

Simbologia dos quatro evangelistas



O costume de simbolizar os evangelistas com a águia, leão, boi e homem vem desde o século II, consolidando-se mais tarde, no século IV. Representam o rosto dos quatro querubins que estão diante do trono de Deus, cada um com um rosto diferente. Mateus é representado com o rosto de homem, porque escreveu a genealogia de Jesus. Marcos é representado com a cabeça de leão porque inicia seu Evangelho com a voz que clama no deserto. Lucas é representado com a cabeça de touro porque começa seu Evangelho pelo sacrifício de Zacarias e, João é representado pela águia porque seu Evangelho eleva-se às alturas da eternidade. Textos de inspiração: Ez 1,10 e Ap 4,6.  

28 de mai. de 2015

Logomarca do Ano Santo da Misericórdia






A primeira aproximação da logomarca, feita em forma de mosaico, é considerar Jesus Cristo como o rosto vivo da misericórdia do Pai, como diz o documento “Misericordiae Vultus” que proclama este Ano Santo da Misericórdia. O autor da logomarca é Padre Marco Ivan Rupnik, jesuíta, teólogo e especialista em mosaicos sacros.

Um mesmo olhar
Padre Rupnik criou um Cristo Bom Pastor que leva Adão nos ombros, com um olhar que o olho direito de Cristo e o olho esquerdo de Adão são, na realidade, únicos. Nisto se concentra toda redenção num traçado a lápis. Padre Marko Ivan Rupnik explica neste simbolismo que “Deus olha o mundo de tal modo que o homem possa compreendê-lo. Comunica-se de tal modo que o homem possa vê-lo. Aquilo que o homem vê, Deus também enxerga. Esta é divina humanidade de Cristo. Ai se vê realmente que Cristo assumiu toda a humanidade.

As cores da iconografia cristã
Na leitura de um quadro iconográfico deve-se dar atenção especial às cores presentes no desenho. Cada cor tem um significado especial. Assim, o vermelho, as várias graduações de azul, os traçados em ouro da roupa de Adão em contraste com o branco resplandecente da veste de Cristo. Cada escolha cromática foi pensada segundo o código de mil anos dos artistas de inspiração cristã: vermelho como o sangue da vida é a cor de Deus. Azul é a cor do homem, a única criatura que sabe olhar para o céu; o branco é do Espírito Santo refletindo a vida trinitária. O verde fala da criação e o preto, da noite e da morte.
Com esse glossário, Padre Marko Ivan Rupnik explica que Cristo está de branco porque, dogmaticamente, desce aos infernos (a mansão dos mortos, como se recita no Credo); a alma de Cristo, a vida do Espírito de Cristo desce à mansão dos mortos, enquanto que seu corpo repousa na sepultura. É a luz, é a vida eterna do Filho que desce. Ao redor de Jesus estão três círculos concêntricos: do azul quase preto, demonstração da impenetrabilidade do mistério de Deus, até um azul mais claro, porque a luz do mundo não tem mais sentido, já que a única luz é Cristo; onde resplandece? No coração da humanidade. O Adão que leva nos ombros é de uma cor esverdeada, mas com o dourado tornou-se uma cor que não é mais verde e nem é inda dourada. É sinal da humanidade no processo de redenção, de santificação.

Estilo paleocristão
A logomarca é feita com um desenho de rostos típicos da era paleocristã com uma precisa e bela interpretação teológica do autor.
“Estamos numa época que terminou, a época da modernidade, do renascimento até nosso século. O tempo novo que já vem, será novamente um tempo orgânico. Se este foi um tempo crítico – da razão, do intelecto, da universidade, da pesquisa, etc... agora será novamente o tempo da vida. E quando um período histórico, no qual prevalece a vida, a cultura torna-se simbólica, poética, metafórica, onde é possível fazer emergir a vida.