A formação e a espiritualidade litúrgicas são os pilares da Pastoral Litúrgica Paroquial (PLP)

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A finalidade deste espaço é oferecer material de formação litúrgica para quem atua em ministérios litúrgicos na comunidade paroquial. Seja muito bem-vindo e bem-vinda. Se quiser e puder deixar sua contribuição, agradeço muito. (Serginho Valle)
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14 de out. de 2016

IGMR 292 – Ornamentação da igreja


A ornamentação da igreja deve visar mais a nobre simplicidade do que a pompa. Na escolha dessa ornamentação, cuide-se da autenticidade dos materiais e procure-se assegurar a educação dos fiéis e a dignidade de todo o local sagrado.

Depois de comentar sobre a presença da arte na formação do espaço celebrativo, a IGMR 292, nos moldes de um bilhete de recados, chama atenção para a qualidade da ornamentação da igreja. Indicativo que a igreja não é um salão vazio de sentido. Ao contrário, a ornamentação é mensagem, é Evangelho anunciado, além de ser um espaço acolhedor, que convide ao silêncio orante pelo recolhimento.
            É a segunda vez que IGMR menciona a qualidade da ornamentação da igreja. Anteriormente, na IGMR 288, dava indicações gerais sobre a ornamentação. Agora, na IGMR 292, aparecem alguns adjetivos que orientam sobe a qualidade da ornamentação. Não indica como fazer, mas que qualidades devem conter.

Nobre simplicidade
            A primeira qualidade da ornamentação das igrejas é proposta com a expressão “nobre simplicidade”, acompanhada com a proposta para evitar qualquer tipo de pompa. Por nobre simplicidade entende-se a beleza sem exagero, beleza que se manifesta através da simplicidade, do belo que encanta pela leveza e não pela exibição, que é a característica próprio de ornamentações pomposas. A ornamentação das igrejas não tem a função de impressionar, mas de acolher para silenciar diante de Deus e para celebrar o Mistério Pascal.
            Uma “nobre simplicidade” presente em tudo que se refere à ornamentação da igreja, a começar pelas linhas arquitetônicos do espaço celebrativo, passando pela beleza simples do altar, ambão, batistério, confessionário, etc... Tudo transmitindo a beleza através da simplicidade que favoreça o acolhimento e o sentir-se bem dentro de uma igreja.

Escolha dos materiais
            A Igreja sempre teve uma preocupação especial com o material usado nas igrejas, especialmente aqueles usados na ornamentação, quer dizer, no embelezamento do local onde se celebra o Mistério Pascal de Cristo. A IGMR 292 fala de “autenticidade”. Por isso, se o altar é de pedra, seja de pedra e não uma caixa vazia com quatro folhas de mármore imitando pedra; se alguma peça (altar ou ambão) for de madeira, seja de madeira e não um cimentício imitando madeira, por exemplo. Se o revestimento for de mármore, que seja mármore. Materiais autênticos.
            Esta indicação é extensiva para as ornamentações florais, que trataremos em outra oportunidade. Se for colocar flor seja flor natural e não de plástico. Se for colocar plantas, sejam plantas naturais e não de plástico ou de outro material. Se for usar frutas, que sejam naturais e não imitações. É um jeito de trazer a autenticidade da natureza para dentro da celebração e, também, de não celebrar com fingimentos.

Educação dos fiéis
            O último elemento da IGMR 292 refere-se à educação dos fiéis. Duas propostas interpretativas. A primeira, no sentido de educar os celebrantes a compreender a mensagem da ornamentação, da decoração da igreja. A boa e autentica ornamentação das igrejas é feita de sinais e símbolos da fé, de onde o espaço celebrativo ser uma catequese permanente, mas sempre como obra aberta, possibilitando a interpretação de novas mensagens. É importante oferecer um alfabeto litúrgico e artístico para a adequada e verdadeira leitura do espaço celebrativo.
            Um segundo aspecto da arte litúrgica presente na ornamentação das igrejas refere-se à curiosidade. Muitos são os turistas que entram em nossas igrejas para ver a igreja, tratando-a como um museu ou como uma simples obra arquitetônica. A educação seja no sentido de acolher os turistas, mas também ajudá-los a perceber que o mais importante é o que o diz a ornamentação e o motivo da arte que ornamenta a igreja: direcionar os olhos e o coração para Jesus Cristo.
Serginho Valle
2016


16 de set. de 2016

IGMR 93 - Ministério presbiteral na Missa


O presbítero, que na Igreja tem o poder sagrado da Ordem para oferecer o sacrifício em nome de Cristo, também está à frente do povo fiel reunido, preside à sua oração, anuncia-lhe a mensagem da salvação, associa a si o povo no oferecimento do sacrifício a Deus Pai, por Cristo, no Espírito Santo, dá aos seus irmãos o pão da vida eterna e participa com eles do mesmo alimento. Portanto, quando celebra a Eucaristia, ele deve servir a Deus e ao povo com dignidade e humildade, e, pelo seu modo de agir e proferir as palavras divinas, sugerir aos fiéis uma presença viva de Cristo. (IGMR 93)

A IGMR 93 inicia esclarecendo que o presbítero (padre) participa do segundo grau sacerdotal de onde o poder de presidir a Eucaristia em nome de Jesus Cristo. É um dado teológico que explica a teologia do sacerdócio agindo “in persona Christi”. É Jesus que atua presidindo Eucaristia na pessoa do padre. A IGMR 93 elenca seis características desta presidência, como segue.

Presidência orante
O modo como isto acontece está descrito enumerando as atividades rituais que pertence à presidência celebrativa da Eucaristia, a começar pela presidência da oração. O padre celebra a Eucaristia com uma presidência orante. Não é um animador de auditório, incentivando os celebrantes a bater palmas ou levantar as mãos, mas preside a oração em forma celebrativa, como é próprio da comunicação litúrgica. Entende-se que conduz e facilita a oração celebrativa a todos os celebrantes. Isto se traduz no dever e no direito do padre celebrar a Eucaristia presidindo todos os momentos orantes da Missa. Isto não se delegad a leigos e nem a religiosos ou seminaristas, por exemplo.

Anunciar a Palavra
Outra função presidencial é anunciar a Palavra de Deus que, na Liturgia da Palavra, acontece em dois momentos: pela proclamação do Evangelho, na ausência do diácono, e pela homilia, que sempre pertence ao padre. O padre, por direito e por dever não delega a homilia a leigos, religiosos e seminaristas. Ele tem o dever e o direito de partilhar com a assembléia a Palavra proclamada, atualizando-a para a vida dos celebrantes e de toda a comunidade. Trata-se de uma missão inerente à vocação e ordenação sacerdotal, esta de anunciar e atualizar a Palavra para o povo.

Preparar as oferendas
É também dever e direito do padre preparar as oferendas, quando o diácono não estiver presente. No dia de sua ordenação ele recebeu das mãos do bispo o pão e o vinho, oferta do povo e da Igreja, para preparar, apresentar e consagrar estas oferendas. Por isso, ele não tem o direito de delegar a religiosos, religiosas, seminaristas ou ministros da Eucaristia a preparação das oferendas. O diácono sim, por ter a ordem sacerdotal, prepara as oferendas. A apresentação e consagração das mesmas são do ministério sacerdotal.

Proclamação da Oração Eucarística
É dever e direito intransferível proclamar a grande ação de graças da Igreja com a Oração Eucarística. Uma oração que é tipicamente sacerdotal, como considerado acima sobre a presidência orante. Delegá-la ao povo, mesmo que em parte, constitui um grave erro litúrgico indicativo de quem não entende a função da Oração Eucarística no contexto da celebração da Missa, caindo no equívoco de confundir participação com falação. Dentro deste contexto, ainda mais, o padre que preside a Eucaristia não tem o direito de criar a “sua” Oração Eucarística ou estilizar a Oração Eucarística com intervenções de ordem sentimental, por exemplo. Ele celebra esta grande Liturgia de ação de graças de modo eclesial, como a Igreja propõe, e não como ele acha que deve ser, com seus sentimentos ou sua espiritualidade pessoal. É uma oração da comunidade eclesial e não pessoal do padre.  

Distribuição da Eucaristia
Por fim, faz parte da presidência a distribuição da Eucaristia, no momento da comunhão. Um serviço ministerial que a Igreja permite e orienta que seja compartilhado com outros ministros designados a aprovados para a distribuição da Eucaristia. Mesmo assim, o padre tem o dever de ir até a assembléia para distribuir e partilhar a Eucaristia com aqueles que com ele celebram a Eucaristia. O padre não é um simples “fazedor da Eucaristia” para os ministros distribui-la. Ele consagra e vai até o povo para partilhar com eles o Pão e vinho eucaristizados. Adota-se aqui o conhecido adágio litúrgico: aquele que partilha o Pão da Palavra do alto do ambão é o mesmo que desce até a assembléia para partilhar o Pão da Eucaristia com os celebrantes. Não denota disposição de serviço o padre que comunga e confortavelmente fica sentado em sua cadeira, assistindo a distribuição da Eucaristia feita pelos ministros.

Espiritualidade da presidência sacerdotal
A segunda parte da IGMR 93 determina a condição espiritual do padre que preside a Eucaristia. Propõe dois pilares espirituais para uma boa presidência do padre: humildade e dignidade.
Celebrar de modo humilde, próprio de quem se coloca a serviço do povo em nome da Igreja e agindo “in persona Christi”. Humildade por reconhecer a grandeza do Mistério divino que é chamado a presidir com seu povo, mas humildade igualmente por reconhecer que ele não é o "dono" da Missa e, por isso, humildemente aceita o que a Igreja propõe para a celebração, sem presidi-la de acordo com seus interesses ou sua espiritualidade.
A segunda qualidade é a dignidade. Isto tem a ver com o modo como celebra e como se comunica na assembléia celebrante. Ou seja, não celebra de qualquer jeito, não se paramenta de qualquer modo, não se comunica como animador se show ou como alguém que não sente alegria no que faz... Adota a dignidade de quem entra no Mistério Eucarístico com a humildade de um orante que se apresenta diante de Deus com seu povo. Assim, tudo faz com dignidade e isto significa fazer com todo respeito, com toda a solene simplicidade que caracteriza nossa Liturgia e, principalmente, com aquilo que mais determina a humildade e a dignidade de um padre celebrando a Missa: a sua santidade.
Serginho Valle
2016


9 de set. de 2016

IGMR 92 - Bispo preside a Eucaristia


Toda celebração legítima da Eucaristia é dirigida pelo Bispo, pessoalmente ou através dos presbíteros, seus auxiliares.
Quando o Bispo está presente à Missa com afluência do povo, é de máxima conveniência que ele celebre a Eucaristia e associe a si os presbíteros na sagrada ação como concelebrantes. Isto se faz, não para aumentar a solenidade exterior do rito, mas para manifestar mais claramente o mistério da Igreja, “sacramento da unidade”.
Se o Bispo não celebra a Eucaristia, mas delega outro para fazê-lo, convém que ele próprio, de cruz peitoral, de estola e revestido do pluvial sobre a alva, presida a Liturgia da Palavra, e no fim da Missa, dê a bênção. (IGMR 92)

Indicação teológica
A IGMR 92 inicia-se com um princípio teológico da Liturgia: a presidência litúrgica compete ao ministério sacerdotal do Bispo. Isto é válido para todos os sacramentos e primordialmente para a celebração Eucarística. Diante da impossibilidade prática do Bispo está presente em todas as comunidades, os presbíteros assumem a presidência em nome do Bispo como auxiliares. Este caráter do sacerdócio presbiteral encontra-se na oração consacratória da ordenação sacerdotal dos presbíteros.
No caso presente, a validade e liceidade da Missa acontece quando esta é realizada pela presidência do Bispo ou de um padre (cf. SC 42). Assim, o conceito que um grupo de cristãos reunidos, por serem dotados pelo direito batismal do "sacerdócio comum", celebram validamente a Eucaristia carece de fundamento teológico e doutrinal, considerando, na Tradição (com T maiúsculo), que a Igreja sempre celebrou a Eucaristia presidida por um Bispo ou por seu auxiliar, no caso o padre. (Cf. LG 26-28).

Concelebração
Depois do conceito teológico, a IGMR 92 considera uma proposta de ordem pastoral a partir do belo fundamento teológico de que, na Missa, toda a Igreja se reúne ao redor de Jesus Cristo para celebrar a Eucaristia, a grande ação de graças ao Pai. Isto acontece sacramentalmente de modo solene e sublime quando o Bispo, com seu presbitério, diáconos e todo o povo se reúnem na mesma celebração litúrgica (Cf. SC 26). A IGMR 92 faz questão de dizer que não se trata apenas de uma questão estética, mas da visibilidade da Igreja naquilo que mais a caracteriza: reunir-se como povo de Deus para celebrar a Eucaristia.

Quando o Bispo não celebra, mas está presente na Missa
Depois dos fundamentos teológico e pastoral, uma orientação celebrativa sobre como proceder quando o bispo está presente, mas não preside.
Isto acontece, por exemplo, em missas de jubileus sacerdotais, de 25 ou 50 anos. O padre preside e, neste caso, o bispo não concelebra, porque, se fosse para o altar, a presidência, por direito, pertence ao Bispo. A IGMR 92 orienta, em tais casos, que o Bispo participe da celebração num local do presbitério, mas sem as vestes litúrgicas da celebração Eucarística. Em tais circunstâncias apresenta-se “de cruz peitoral, de estola e revestido do pluvial sobre a alva”.
É importante anotar que o Bispo não se apresenta como figura decorativa, nestas celebrações, uma vez que ele exerce seu ministério de Pastor na Liturgia da Palavra, pois a homilia pertence ao bispo. Exerce assim o seu múnus de ensinar, de conduzir seu povo como pastor, indicando como caminhar nas estradas de Jesus, iluminando-o com a luz do Evangelho. Além da participação na Liturgia da Palavra, ao Bispo que participa da Missa sem presidi-la, compete a direção dos ritos finais, contando com a monição conclusiva e especialmente o rito da bênção. Indicações mais detalhadas sobre como proceder ritualmente nestes casos são encontradas no Cerimonial dos Bispos, nn. 175-186.
Serginho Valle
2016




19 de ago. de 2016

IGMR 45 – O Silêncio na comunicação litúrgica da Missa


Oportunamente, como parte da celebração deve-se observar o silêncio sagrado. A sua natureza depende do momento em que ocorre em cada celebração. Assim, no ato penitencial e após o convite à oração, cada fiel se recolhe; após uma leitura ou a homilia, meditam brevemente o que ouviram; após a comunhão, enfim, louvam e rezam a Deus no íntimo do coração.
 Convém que já antes da própria celebração se conserve o silêncio na igreja, na sacristia, na secretaria e mesmo nos lugares mais próximos, para que todos se disponham devota e devidamente para realizarem os sagrados mistérios.

Com este parágrafo concluímos uma parte da leitura da Instrução Geral do Missal Romano, relativa a elementos gerais do processo comunicativo na Missa. A conclusão acontece com o tema do silêncio, apresentado na IGMR 45, como elemento essencial na comunicação litúrgica. O silêncio é um elemento essencial em qualquer comunicação, não somente na comunicação litúrgica. Não existe comunicação saudável sem silêncio, isto é, de comunhão e participação, sem o silêncio, porque o silêncio é o ambiente apropriado para se acolher o que o outro diz. É no silêncio que acolhemos a mensagem de uma bela música ou de uma pintura, de uma foto ou de uma dança. Ora, se o silêncio é importante na comunicação humana, tanto mais importante o é na comunicação com Deus, seja na oração, na meditação da Palavra, no estudo da Teologia e, particularmente no contexto da celebração litúrgica.
A IGMR 45 diz que o silêncio é parte integrante da celebração litúrgica. Isso significa que a comunicação litúrgica, no contexto celebrativo do Mistério Eucarístico, acontece em ambiente silencioso e em clima de silêncio. Celebra-se a Eucaristia no silêncio. Missas barulhentas, com volume alto nos microfones ou no ministério de música; com conversas e murmúrios antes e no durante celebrativo... são ruídos que impedem uma boa comunicação litúrgica.

Diferentes silêncios
Outro fato que chama atenção são os diferentes modos de silenciar propostos pela IGMR 45. O texto, para ser mais preciso, fala de diferentes contextos nos quais se criam diferentes formas de silenciar. Da mesma forma como diferentes ritos têm características celebrativas diferentes, existe uma finalidade do silenciar para cada rito em vista da participação plena e ativa na Eucaristia.
Assim, existe o “silêncio para o recolhimento” como condição necessária para se refletir sobre a própria vida, antes do ato penitencial. Existe o “silêncio meditativo”, na Liturgia da Palavra, com a finalidade de refletir sobre o que se ouviu na Palavra e na homilia. Existe o “silêncio orante”, para silenciosamente louvar e agradecer a Deus, para adorar a Eucaristia. O silêncio é sempre silencioso, isto é, sem fundo musical e sem motivações de mensagens do padre ou de outro ministro; é silencio mesmo, mas com finalidades diferentes.
Acrescentaria ainda o “silêncio da escuta”, necessário para se ouvir quem preside, quem proclama a Palavra ou propõe uma monição. E, ainda, o “silêncio da educação” que respeita quem celebra ao meu lado, não conversando durante a Missa, não rindo ou, pior de todos, não mexendo no celular.

Silêncio antes da Missa
Uma orientação que merece ser considerada, com certa urgência em algumas comunidades, é o silêncio antes da celebração. A importância do silêncio, seja na sacristia, como mencionado na IGMR 45, seja na igreja, no tempo que se espera para o início da Missa. Em algumas comunidades, tem-se a impressão que a igreja, antes da Missa, é uma praça pública, tanto se conversa. Sem contar o mau gosto de ministérios de músicas afinando seus instrumentos antes da Missa, dentro da igreja. O ideal é criar um clima de silêncio e, neste caso, uma música ambiente gregoriana ou instrumental ajudaria os celebrantes a se prepararem silenciosamente para a celebração.
Quanto ao silêncio na sacristia, dedicarei futuramente um artigo sobre este espaço. Que se converse sobre alguns detalhes da celebração, tudo bem, mas quando a sacristia, antes da da celebração da Missa, é local para se contar piadas ou fazer brincadeiras, então é preciso pensar se tais atitudes condizem com aquilo que se vai celebrar.
Tenho a impressão que existe uma confusão motivada pelo sentido festivo da Missa. Sempre se diz que a “Missa é uma festa”. É verdade. Mas, qual o sentido da festa litúrgica? É a festa do encontro fraterno e com Deus, que não acontece na barulheira, mas na alegria interior, de onde a necessidade de silenciar para experimentar a manifestação silenciosa do silencioso Deus. Quando não é capaz de celebrar a Missa em clima silencioso, então a comunicação litúrgica deixará a desejar.
Serginho Valle
2016




29 de jul. de 2016

Comunicação litúrgica corporal: sentado – IGMR 43b


Sentem-se durante as leituras antes do Evangelho e durante o salmo responsorial; durante a homilia e durante a preparação das oferendas; e, se for conveniente, enquanto se observa o silêncio sagrado após a Comunhão. (IGMR 43b).


            O segundo parágrafo da Instrução Geral do Missal Romano (IGMR 43b) relata uma disposição prática para os ritos das leituras antes do Evangelho — 1ª leitura, 2ª leitura e salmo responsorial —, homilia, preparação das oferendas e para a oração silenciosa depois da comunhão. Como dito, trata-se de uma orientação prática orientando os celebrantes a participar desses ritos, sentado. Também este gesto tem uma proposta comunicativa no contexto da comunicação litúrgica, presente na Missa, do ponto de vista corporal. É o comunicar-se celebrativamente com o corpo.

Sentado: atitude de escuta e acolhimento
            Sentar-se é uma atitude comunicativa de escuta, no processo comunicativo interpessoal do ocidente. Em nossas sociedades existe o hábito de sentar-se no exercício do processo comunicativo de conversar, trocar ideias, ouvir e falar com o outro. Em situações formais, o sentar-se indica atitude de escuta e disposição para falar. A mesma proposta encontra-se presente na atitude corporal do sentar, no decorrer da Liturgia da Palavra. Os celebrantes sentam para ouvir a Palavra de Deus e sentam para ouvir a proposta vivencial desta mesma Palavra, na homilia. Do ponto de vista comunicativo, o sentar-se indica uma atitude de escuta e, enquanto tal, de acolhimento.
            O estranho desta atitude de escuta e acolhimento, na maior parte das celebrações Eucarísticas, está no fato dos celebrantes terem livretos ou folhetos nas mãos, durante a proclamação das leituras. Não deixa de ser uma contradição comunicacional: sentar-se para acolher e ouvir a Palavra que é proclamada com a atitude de celebrantes voltados para si mesmos, cada qual de cabeça baixa, lendo individualmente o seu folheto. Enquanto o verbo “proclamar a Palavra” indica que a comunicação é para que todos ouçam o que se proclama, olhando o proclamador, a atitude dos ouvintes torna-se individualizada, cada um lendo seu folhetinho descartável. É um processo comunicativo interrompido de um proclamador da Palavra que não encontra feedback dos olhares e da atenção para com aquilo que lê. É uma espécie de desprezo para com a Palavra e com o leitor, exagerando um pouco.

Sentar-se para silenciar e rezar
            Outra indicação da IGMR 43b considera a posição de estar sentado como apta para silenciar e rezar silenciosamente depois da comunhão. A mesma posição de silenciar, mas para meditar é proposta para depois da homilia. Ambas são muito pouco observadas, pelo que constato. O que mais observo é o padre fazer da conclusão de sua homilia a monição para a Profissão de Fé e, tão logo se termina a partilha da Comunhão Eucarística, o padre reza a coleta pos communio, impossibilitando, em ambos os casos, a proposta da IGMR 43b do silêncio meditativo e orante.
            A tradição ocidental da oração, principalmente no meio popular, é de se colocar de joelhos. Muitos catequistas da 1ª comunhão orientam as crianças a ficarem ajoelhados depois de comungarem, enquanto que a IGMR 43b orienta a sentar. Considera-se que o ajoelhar-se nem sempre é a melhor posição, pois quando o corpo começa a pesar, pelo estar ajoelhado, perde-se a concentração na oração. Quanto mais confortável estiver o corpo, melhor será a disposição para rezar. Por isso, a orientação para ficar sentado depois da comunhão é a posição litúrgica proposta pela IGMR 43b.
            Colocar-se sentado — silenciosamente sentado, acrescentemos — para rezar tem a ver com a posição comunicacional de quem se dispõe a falar e ouvir também na oração. Aqui, diga-se de passagem, existe a necessidade de ajudar os celebrantes a aprender a rezar silenciosamente. Isto é, sem dizer palavras nem mesmo em seus pensamentos, mas de silenciosamente deixar o Espírito Santo falar e rezar em seus corações, considerando o que diz Paulo, que é o Espírito que reza em nós (Rm 8,26). É a necessidade do silenciamento para o Espírito agir. A postura de ficar sentado para rezar, portanto, tem em vista a finalidade prática de favorecer o conforto corporal em vista da qualidade da concentração e do silenciamento, seja fazendo-se ouvinte da Palavra ou orante silencioso.
Serginho Valle
2016


30 de dez. de 2015

Celebrações de fim de ano


As celebrações de fim de ano pode se tornar pesadas devido o leque de temas e enfoques que temos no fim de um ano civil e início do outro. Eis a lista: Maria Mãe de Deus, fim do ano, início do ano novo, dia paz.

         Como conciliar tudo isso dentro da celebração litúrgica? Dando preferência ao centro da celebração, que é a Solenidade de Maria, Mãe de Deus. Uma celebração que se caracteriza como ação de graças pelo mistério da encarnação e da geração do Filho de Deus pela Virgem Maria. Este é o motivo central da teologia celebrativa desta data de 1º de janeiro. Os demais temas poderão entrar em diferentes momentos da celebração, ou como motivações, ou como preces ou como propostas de vida para o ano novo que se inicia.
            Além do mais, as leituras também oferecem oportunidade de recordar estas várias datas. A primeira leitura e o salmo responsorial, por exemplo, refletem sobre a bênção à humanidade que, no contexto celebrativo, refere-se ao nascimento de Jesus Cristo. No tema de início de ano, poderá ser como um desejo que a Liturgia faz a todas as pessoas: que sejam abençoadas por Deus e sejam abençoadas com a presença divina em suas vidas.
            Creio que o melhor modo de resumir tudo isso é a mensagem que está no evangelho: “encontrarão um menino envolvido em faixas”. Na simplicidade de um presépio, ali está a bênção de Deus para a humanidade; ali está o caminho para a vida que se iniciará com o novo ano; ali está a nossa salvação. No início deste novo ano, basta mostrar Jesus e pedir que todos saibam ver na simplicidade dos acontecimentos da vida a presença de Deus e de sua misericórdia agindo entre nós. 
            Feliz ano novo!

Serginho Valle



No final deste ano de 2015, quero agradecer a todos que me acompanharam no blogue e em outros meios das redes sociais e desejar um feliz e abençoado 2016.

Lembro ainda que estarei entrando em férias, no início de janeiro, por isso minhas publicações serão reduzidas e dependentes das condições tecnológicas de onde passarei as férias.


2 de dez. de 2015

A Missa é minha, eu paguei!


É briga antiga. Mal e mal termina a missa, e tem alguém na sacristia esperando pelo padre para tirar satisfação. “Pagou a missa” e quer saber porque o padre não a mencionou na intenção. Vira campo de batalha se o padre incluir outra intenção junto com a do “comprador” da missa. Já vi gente ameaçando colocar a paróquia no Procom.
            Para início de conversa, é preciso dizer que a Missa é de todos, de toda a Igreja, de toda a comunidade celebrante. Por isso, não tem sentido dizer que se “compra a missa”, ou, como falaram a um padre, amigo meu: “queremos alugar o senhor para rezar uma missa”.
            Depois, você precisa considerar o que significa e qual o sentido da intenção da missa.  Alguém que procura o padre, ou responsável, para marcar uma intenção de missa, está fazendo um pedido, não uma compra. Está pedindo que toda a comunidade reze com ele, ofereça com ele a missa; pela sua intenção.
            Veja bem! Se você pedir para a missa ser celebrada na intenção de seu filho que aniversaria, na verdade, você está pedindo ao padre e a toda a comunidade para agradecer a Deus pelo aniversário de seu filho. Em algumas comunidades, antes da missa, — especialmente nas missas de dias de semanas — num gesto muito bonito, as pessoas vão dizendo em voz alta porque vieram celebrar: para agradecer uma graça, para pedir saúde, por um parente falecido... E toda a comunidade reza, celebra a missa rezando nas intenções anunciadas. Mas a missa continua a ser de todos, nunca de uma única pessoa.
            A idéia de comprar a missa existe porque temos a prática de dar uma contribuição pela celebração. Esta contribuição chama-se “espórtula”, ou oferta, que na prática é um gesto concreto de agradecimento a toda a comunidade que reza com ele, na sua intenção. Não é pagamento, é contribuição. A missa vale muito mais que alguns reais, muito mais. Em tempos antigos, esta “espórtula”, que pode ser traduzida como “oferta ou oferenda”, era feita em espécie, como por exemplo, oferecer uma roupa para dar a um pobre ou algum alimento ou utensílio doméstico. Com a troca desta oferenda para o dinheiro, passou-se à mentalidade de compra. Mas, o sentido é outro: oferecer alguma coisa ao irmão pobre em agradecimento aos irmãos e irmãs que rezam com ele na sua intenção, na celebração Eucarística.
(Serginho Valle)



21 de ago. de 2015

Toalha do altar e no altar


As orientações litúrgicas indicam que o altar deve ser coberto com uma tolha branca, referência ao simbolismo do altar como “Mesa do Banquete Eucarístico”. A toalha não deve esconder o altar, por isso pode ser mais longa nas laterais, mas não na frente, para que o altar seja visível aos celebrantes. Para ressaltar a importância do altar (e não da tolha), não se usam toalhas coloridas, nem desenhos, bordados ou pinturas. Ou seja, simplesmente uma toalha branca. (IGMR 304). 

7 de ago. de 2015

Silêncio durante as orações presidenciais - IGMR 32



“A natureza das partes “presidenciais” exige que sejam proferidas em voz alta e distinta e por todos atentamente escutadas. Por isso, enquanto o sacerdote as profere, não haja outras orações nem cantos, e calem-se o órgão e qualquer outro instrumento.” (IGMR 32)

Esta instrução do Missal Romano vale especialmente para a proclamação da Oração Eucarística. Esta deve ser proclamada em total silêncio; é a palavra sobre o silêncio de todos os celebrantes. Por isso, podemos considerar como não litúrgico os fundos musicais ou outros impedimentos do silêncio, como acender e apagar luzes durante a consagração e em toda a Oração Eucarística. (SV)

12 de jun. de 2015

Absolvição no sacramento da Penitência e na Missa








Absolvição: Palavra de origem latina – absolvere – que significa perdoar, libertar. Na celebração  litúrgica, a absolvição é o rito celebrativo pelo qual Deus perdoa o pecador que manifesta sua conversão ao ministro da Igreja (Bispo ou padre) na Confissão sacramental. Na fórmula ritual da absolvição manifesta-se que a origem do perdão encontra-se na misericórdia divina, graças a redenção de Jesus Cristo, por obra do Espírito Santo.

Existe um outro rito que também é denominado de “absolvição”. Este encontra-se no final do rito penitencial da Missa e inicia-se com as palavras “Deus todo-poderoso, tenha compaixão de nós...” Não é um gesto sacramental de perdão dos pecados, como acontece na celebração do Sacramento da Penitência, mas uma invocação do perdão divino para que todos que celebram aquela Eucaristia, padre inclusive sejam purificados e dignos desta celebração. O texto ritual da Missa é muito claro: “Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna”. O texto fala de nós; não invoca o perdão para um “vós”. Por isso, o gesto sacerdotal, neste momento, não é de imposição de mãos, como se vê em algumas celebrações, mas de mãos juntas, com uma inclinação diante de Deus para que todos, padre incluso, possam celebrar dignamente os mistérios divinos, na Eucaristia. 
(Serginho Valle)