Espírito Santo e Penitência
Espírito Santo e perdão dos pecados
O Espírito Santo é o Espírito de Deus que Jesus
ressuscitado doa à Igreja. Jesus deixa seu Espírito na Igreja. Faz isso pelo
gesto do sopro: "soprando sobre eles". Deixa seu
"ar", seu "respiro", seu Espírito. A Igreja vive porque respira
o ar, respira o “sopro divino” do Espírito Santo, o Espírito de Deus.
Na sua primeira aparição, que João data no mesmo dia da Ressurreição, Jesus doa o seu Espírito para perdoar os pecados. Observe que é a primeira atividade da Igreja: perdoar os pecados com o dom e pelo dom do Espírito Santo. Perdoar os pecados no poder do Espírito Santo. Perdoar os pecados e, como consequência, oferecer a paz.
Sacramento da Penitência e dom da paz
O dom do Espírito Santo é precedido pelo dom da
paz: "a paz esteja convosco!" Em seguida, soprou o Espírito
Santo para perdão dos pecados. O dom da paz é a condição para acolher o perdão
dos pecados e, ao mesmo tempo, é a consequência imediata de quem recebeu o
Espírito Santo pelo perdão dos pecados. Isto acontece pelo gesto da imposição
das mãos, gesto doador do Espírito Santo, no Sacramento da Penitência.
Paz, no sentido Bíblico do shalom. Paz com Deus,
paz vivendo harmoniosamente com a criação, paz vivendo fraternalmente com os
outros, paz dentro do próprio coração. O pecado é destruidor desta paz. Destrói
a conivência com Deus, destrói a fraternidade, destrói a serenidade interior. O
perdão é a ação do Espírito Santo que reconstrói a paz. É o que diz a fórmula
da absolvição: "Deus, Pai de misericórdia, que, pela morte e
ressurreição do seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito
Santo para a remissão dos pecados, te conceda, pelo mistério da Igreja, o
PERDÃO E A PAZ."
A paz é sinônimo de harmonia com Deus, com a criação, com os outros e consigo mesmo. Ir confessar-se não para declamar uma listinha de pecados, mas para celebrar o dom da paz divina, dom e presença do Espírito Santo em quem é perdoado.
Dom da paciência
A paz interior produz a paciência. A paciência, a
lado da humildade e da sinceridade, são as três virtudes de uma boa confissão.
A paciência é fruto do cultivo da paz. Quem vive em harmonia com Deus, com a
criação, com os outros e consigo mesmo é uma pessoa paciente; quer dizer cheia
de paz. O Sacramento da Penitência é fonte da paciência. O paciente, portanto, é
alguém que está cheio da paz divina e, por este motivo, é paciente com todos,
especialmente com que lhe ofende.
Diante disso, compreende-se que o ministro da
Penitência, o bispo e o padre, são chamados a ser homens da paz e, consequentemente,
pacientes. Cultivadores da paciência para compreender as limitações espirituais
e psicológicas de quem vem confessar, pacientes para ouvir as lamentações e as
dores que o pecado provoca no coração do penitente. Paciente, principalmente,
para se dispor a acolher e celebrar o perdão divino. E para isso, ele precisa
pacientemente dispor de todo seu tempo. Não existe nada mais incômodo, na
celebração da Penitência, que padre apressado e ansioso para terminar logo.
Serginho Valle
Julho de 2020

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