Pular para o conteúdo principal

Batismo

Do grego “baptizein”, com o significado de mergulhar-se, tomar banho, imergir dentro da água. No contexto da língua grega, o batismo era uma necessidade natural de higiene de lavar-se, tomar banho, limpar-se. No contexto religioso, tem o sentido de ablução. Todas as religiões têm ritos de ablução ou de purificação com água. Com João Batista, tal ato prevê um significado mais moral que ritual (Mt 3,6).  

Batismo cristão
Para ser eficaz, o Batismo deve ser obra divina de Cristo e do Espírito Santo (Jo 1,29). Desse modo, Jesus mergulhou — recebeu um Batismo — no abismo do mal e do sofrimento. Explicou a seus discípulos que precisava ser batizado e que se angustiava até que o mesmo se consumisse (Lc 12,50). Por sua Morte redentora, Jesus desceu (mergulhou)  na mansão dos mortos para reconduzir à superfície das águas todos que aceitam a Salvação. Se ele entrega sua vida é para retomá-la, para que a morte seja vencida e todos possam participar da sua plenitude (Jo 10,17; 1Cor 15,54).  
Para participar da vida de Jesus ressuscitado é preciso que os fiéis entrem participem, através do Batismo, no Mistério Pascal de Cristo (Rm 6,4). Batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19), a pessoa é mergulhada na Trindade Santa pela ação do Espírito Santo (1Cor 12,13) e destinada a participar da glória eterna.  
O Sacramento do Batismo faz a pessoa renascer para a vida divina, a qual se desenvolverá pela prática do discipulado cristão, especialmente cultivado e nutrido pela Palavra, pelo Evangelho, pelos Sacramentos e pela vida litúrgica
O Batismo só é recebido uma vez, porque imprime caráter. Por isso, a Igreja católica aceita o Batismo realizado naquelas Igrejas evangélicas que  batizam validamente.  

Rito do Batismo 
O rito do Batismo consta de uma Liturgia com os elementos próprios da Liturgia Católica: ritos iniciais, Liturgia da Palavra, Liturgia Sacramental e ritos finais.  
O rito sacramental é celebrado com o derramamento da água, ou pelo mergulho na água, acompanhado com a fórmula “eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Em cada uma das pessoas da Santíssima Trindade acontece a imersão na água ou o derramamento da água na cabeça da pessoa batizada.  

Matéria do Batismo 
A matéria do sacramento do Batismo, isto é, aquilo com o qual se batiza, é água corrente.  

Ministro do Batismo 
Nos primeiros tempos da Igreja, somente o Bispo era considerado ministro deste sacramento. Depois, o ministério passou a todos os sacerdotes e, atualmente, qualquer pessoa, até mesmo um não católico ou não cristão, pode batizar validamente, desde que faça aquilo que a Igreja exige.  

Celebração do Batismo 
A celebração do Batismo, do ponto de vista litúrgico, caracteriza-se como celebração alegre e familiar. Celebra-se o renascer da vida pela participação da vida divina.  Isto é motivo de alegria principalmente no contexto familiar da pessoa que é batizada.
É familiar porque toda a família do batizado é convidada a se fazer presente e a participar ativamente de todos os momentos celebrativos.  
Do ponto de vista litúrgico, é uma das celebrações mais movimentadas e que mais se serve da simbologia litúrgica. Isto faz com que seja uma celebração bonita, festiva, participativa e especialmente alegre.  
Serginho Valle  
Agosto 2017.  


Comentários

  1. Como batizar uma criança com mais de 7 anos com distúrbios psicológico, fazendo tratamento psiquiátrico, se o Bispo da Diocese quer implantar o catecumenato e o Pároco não conversa com os responsáveis e somente dizem que só podem batizar crianças até 7 anos de idade? A Igreja pode negar o batismo para esta criança?

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Participe. Deixe seu comentário aqui.

Postagens mais visitadas deste blog

Audemus dicere: Pater noster

Segundo dados da História da Liturgia, o Pai nosso entrou na celebração Eucarística da Liturgia Romana por volta do século III. Hoje, a Oração do Senhor, na Liturgia Romana, encontra-se na Eucaristia e nas celebrações de todos os sacramentos, na celebração da Liturgia das Horas e nas celebrações dos sacramentais.  Quanto ao momento do rito do Pai Nosso, na diferentes Liturgias Eucarísticas existe uma variedade considerável. Na nossa Liturgia Romana, por exemplo, o rito do Pai Nosso é realizado depois da Oração Eucarística, iniciando os ritos preparatórios da comunhão. Dizem os historiadores da Liturgia, que o mesmo o Pai Nosso foi colocado neste momento da Missa pelo Papa Gregório Magno. Na Liturgia Mossarabe era recitado depois da “fractio Panis” (fração do pão), na Liturgia Ambrosiana, depois de colocar o pão dentro do vinho (comixtio). Nas Liturgias Orientais, tem seu lugar (quase sempre) depois da fração do pão. Uma curiosidade histórica, a introdução do convite ao Pai Nos...

Acolhamos o celebrante...

O comentarista termina o comentário inicial, olha para a assembléia e diz: “de pé, acolhamos o celebrante cantando o canto de entrada”. Alguns outros comentaristas dizem: “acolhamos o padre com sua equipe”.... Pois é, a CNBB pediu para substituir o ministério de comentarista pelo de ambientador, mas parece que a proposta pastoral ainda não vingou. Mas, o que interessa é o título de nossa reflexão, que precisa ser refeito ou, em algumas comunidades, corrigido.             Já refletimos que quem celebra a Missa é toda a assembléia reunida ao redor da Mesa da Palavra e da Mesa do Altar. Por isso, o mais correto seria dizer: “de pé para participarmos com o canto inicial da procissão de entrada”. É algo bem fácil e simples de corrigir; basta um pouco de atenção e tempo para se acostumar com o novo linguajar e começar a entender o significado da procissão que abre a celebração Eucarística        ...

Ministério da ornamentação no Tríduo Pascal

O Ministério da Ornamentação tem muito trabalho na semana santa. Não só devido ao aumento das celebrações, mas também porque cada celebração exige um cuidado especial e um esmero apurado na preparação e sistematização do espaço celebrativo para cada celebração do Tríduo Pascal em particular. Afinal, trata-se do momento culminante da Liturgia: a celebração anual do Mistério Pascal de Jesus Cristo.             Minha intenção é chamar atenção para alguns elementos da preparação do espaço celebrativo do Tríduo Pascal em cada celebração. Quinta feira santa  A celebração pascal inicia-se na quinta-feira Santa com a celebração da Missa "in Coena Domini". É a celebração da Ceia do Senhor com um contexto que celebra a Instituição da Eucaristia, o Mandamento Novo e o Ministério sacerdotal.  Existem alguns arranjos e símbolos contextuais tradicionais para esta celebração, consid...