A FIDELIDADE de Jesus explica o Tríduo Pascal
A pedagogia mistagógica do Tríduo Pascal nas propostas celebrativas do SAL à luz da FIDELIDADE ao projeto divino da vida plena.
Colocar a mão no arado e não olhar para trás
As decisões de Jesus, contemplados nas celebrações do Tríduo Pascal, são o retrato de um dos seus ensinamento: “ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus” (Lc 9,62). A “aptidão” para participar do projeto divino — o Reino de Deus — consiste na fidelidade de assumir o “arado” (projeto divino) e se manter firme, olhando em frente, independentemente dos desafios e provocações do terreno. Jesus permanece fiel até a morte na Cruz, cumprindo até ao fim a vontade do Pai (Fl 2,8). Se mantém firme; não olha para trás. A pedagogia mistagógica nas propostas celebrativas do SAL considera o ensinamento de Jesus sobre o assumir o arado, assumir o projeto divino de semear a vida plena (Jo 10,10) sem olhar para trás.
Celebrar a fidelidade de Jesus e comprometer-se
As celebrações do Tríduo Pascal, na pedagogia mistagógica das propostas celebrativas do SAL, neste ano de 2026, conduz os celebrantes a tomar contato com a finalidade de Jesus Cristo ao projeto divino, para se dispor a viver na mesma fidelidade ao projeto divino em suas vidas pessoais. A participação nas celebrações do Tríduo Pascal, no contexto mistagógico da fidelidade de Jesus torna-se, na vida de cada celebrante, um incentivo ao compromisso de fidelidade ao projeto divino que, não deixa de ser um chamado constante (2Ts 3,3; cf. 1Cor 1,9). Celebrar o Tríduo Pascal iluminando-o com a luz da fidelidade tem a finalidade fortalecer em cada celebrante a fidelidade pessoal ao mesmo projeto divino, na sua qualidade de discípulo e discípula de Jesus.
Autores que refletem a espiritualidade e a mística cristã são unânimes em dizer que a fidelidade é a virtude que permeia toda a vida do discípulo e da discípula de Jesus, considerando a entrega total de sua vida e a perseverança até o fim, a exemplo do Mestre, que pôs sua mão no arado e não olhou para trás.
A fidelidade ao projeto divino, do mesmo modo que a viveu Jesus, entregando sua vida, afasta o cristão e a cristã de tratar a religião de modo utilitarista, para assumi-la em modo de vivência e motivo para viver, especialmente caracterizado pela doação fraterna da vida em favor da vida de irmãos e irmãs. Assim aconteceu com Jesus e assim acontece quando se vive a vida cristã de modo autêntico, isto é, no discipulado.
O que caracteriza a fidelidade na vida cristã
A fidelidade cristã começa no acolhimento do Reino de Deus como orientação fundamental do viver humano (Mt 6,33) e irá se manifestar como atuação em forma de compromisso com a justiça, a paz, a caridade… Estes são valores que podem ser contemplados no modo como Jesus viveu sua vida, culminando na sua passagem pela Paixão, Morte e Ressurreição. Viveu em completa fidelidade e em profunda caridade para com a humanidade, propondo que isso seja continuado pelo serviço fraterno, no gesto do lava-pés (Quinta-feira Santa).
Na vida cristã, a fidelidade ao Reino é central no caminho do discipulado em vista da configuração ao Mestre, vivendo em total disponibilidade de serviço fraterno. O discipulado é o modo natural, digamos assim, de viver a fidelidade ao projeto divino na vida cristã. Neste caso, não somente colocando em prática as orientações do Mestre, mas configurando-se a ele, que em tudo se fez obediente até a morte e morte de Cruz (Sexta-feira Santa). No discipulado, fidelidade diz respeito à perseverança em seguir Jesus para com ele configurar-se com todas as exigências derivantes do seguimento. A fidelidade, por exemplo, implica renúncia ao que afasta de Cristo e adesão constante à sua vontade; são as exigências da vocação cristã e a cooperação com a graça, obedecendo com coração sincero, como fez Jesus, em fazer em tudo a vontade de Deus.
Uma terceira característica é a relação entre fidelidade e missionariedade. A fidelidade cristã está intrinsecamente ligada à missão: a fidelidade que permanece em Cristo é também fidelidade ao mandato missionário (Mt 28,19-20). O discípulo fiel não guarda a fé para si, mas a anuncia, testemunha e partilha com alegria, perseverando na esperança e no serviço aos pobres e marginalizados. O episódio de Emaús, proclamado no Evangelho da Missa vespertina do Domingo da Pascoa, representa bem essa dimensão missionaria derivante da fidelidade ao projeto divino presente no Evangelho. Isso demonstra que a fidelidade cristã ao projeto divino não é apenas vertical (relação com Deus), mas também horizontal (relações humanas) e consiste no testemunho de viver com integridade, justiça, lealdade e caridade… tudo isso em espirito de serviço fraterno, colocando em pratica o Mandamento Novo (Quinta-feira santa).
A pastoral e a fidelidade ao projeto divino
A fidelidade ao projeto divino, que resulta em atividades pastorais, se manifesta concretamente em forma compromisso de vida em favor de quem vive na comunidade, que se traduz em perseverança, coerência entre fé e atitudes concretas no serviço gratuitamente bondoso em promover, fraternalmente, qualidade de vida digna a todos, dando prioridade a quem se encontra em condições indignas. Neste aspecto, o lava-pés é o ensinamento mais visível para entender a pastoral como serviço em favor da vida. E isto é resultado de quem vive a fidelidade ao projeto divino.
Serginho Valle
Fevereiro 2026

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