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24 de jul. de 2026

SINAIS E SÍMBOLOS NA CELEBRAÇÃO LITÚRGICA


 


Vamos lembrar os sinais e símbolos presentes na perícope Bíblica de Emaús (Lc 24,13-35) para compreender como os sinais e os símbolos tornam-se mensagens no processo da comunicação litúrgica. São João Paulo II faz referência a esse aspecto na sua Carta Apostólica Mane nobiscum Domine (n. 14).

O Papa ensina que, depois que os corações estão aquecidos e as mentes iluminadas pela Palavra (Lc 24,32) — como aconteceu com os discípulos de Emaús, que foram iluminados pela Palavra antes de reconhecer a presença do Senhor nos sinais do pão e do vinho —, então sim existem as condições necessárias para entender os sinais e os símbolos usados na celebração litúrgica. Os sinais e os símbolos na celebração litúrgica, especialmente na Eucaristia, são, inicialmente, iluminados pela Palavra de Deus e, mais que isso, são interpretados à luz da Palavra divina. O léxico ou, se preferir, a chave de leitura para se entender a simbologia presente na comunicação litúrgica encontra-se na Palavra de Deus.

Primeiro critério: iluminação na Palavra

Como aconteceu em Emaús, onde os discípulos reconhecem Jesus no gesto e nos sinais da refeição — fração do pão e vinho sobre a mesa em uma refeição vespertina (Lc 24,30-31) —, assim os sinais e símbolos têm uma finalidade comunicativa: reconhecer a presença de Jesus celebrando com a assembleia. Isto significa que a comunicação litúrgica se inspira e, é iluminada pela Sagrada Escritura.

A introdução de novos sinais e símbolos em uma celebração litúrgica, portanto, sempre deve ter relação — ou, melhor, uma iluminação — com a Palavra proclamada na celebração. Todos os símbolos e sinais usados em uma celebração, portanto, são iluminados pela Palavra de Deus ali proclamada. Os sinais e os símbolos usados em uma celebração da Missa, por exemplo, sempre têm inspiração Bíblica e, em especial, inspiração no Evangelho proclamado na própria celebração. Esse é o primeiro critério.

Segundo critério: relação com o Mistério Pascal de Jesus Cristo

O segundo critério é relacionar os sinais e símbolos da comunicação litúrgica com o Mistério Pascal de Jesus Cristo. O motivo é simples: cada celebração litúrgica, de todos os Sacramentos, é celebração Memorial do Mistério Pascal de Jesus Cristo. Por isso, introduzir fatos pertencentes ao Antigo Testamento, por exemplo, na liturgia cristã provoca interrogações. A celebração chamada "cerco de Jericó", por exemplo, pode ser questionada com a seguinte pergunta: a qual aspecto do memorial do Mistério Pascal de Jesus Cristo ela está relacionada?

Se o símbolo não evoca ou não conduz ao Mistério Pascal de Jesus Cristo — na Eucaristia ou na celebração dos demais Sacramentos —, por não corresponder a algum aspecto da teologia litúrgica do memorial, então é preciso que seja evitado.

Terceiro critério: relação com a vida

A terminologia de sinais e símbolos da vida contém uma relação com o cotidiano e com a cultura onde se celebra a Liturgia. A escolha de um sinal como cadernos e livros escolares relaciona-se, por exemplo, com a atividade de estudantes e de professores. Cadernos e livros não são sinais nem símbolos litúrgicos, mas podem ser usados na celebração litúrgica para favorecer uma relação dos celebrantes com o cotidiano ou com a cultura da comunidade. Os sinais falam por si porque fazem parte do cotidiano de nossa cultura e, por isso, a comunicação é compreensível.

Uma recomendação muito especial da comunicação litúrgica é evitar explicações para que os celebrantes possam compreender a mensagem. Pessoalmente, não vejo dificuldade ou algum impedimento semiótico em explicar um símbolo ou sinal, mas, se puderem ser evitadas, melhor, pois mais efetiva será a compreensão da mensagem transmitida pelo símbolo ou pelo sinal.

Critérios para o uso de sinais e símbolos?

O primeiro e mais importante critério é a relação com a celebração e, explicitamente, a relação com a Palavra de Deus, como procurei evidenciar. Quem é assinante do SAL (www.liturgia.pro.br ) sabe que, em cada proposta celebrativa, há uma sugestão chamada "espaço simbólico", usada para destacar visualmente uma mensagem da Liturgia da Palavra da Missa Dominical. Não é ornamento nem enfeite, mas um modo visual de comunicar o Evangelho de cada celebração.

Um segundo motivo pode ser o relacionamento com algum fato importante da vida social. Os dias temáticos e os meses temáticos oferecem esta oportunidade. Os dias temáticos, como Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças…, e os meses temáticos, como Mês da Bíblia, Mês Missionário…, podem ser lembrados com sinais ou símbolos relacionados a essas datas ou meses. Neste caso, como naquele do espaço simbólico, o critério continua o mesmo: a iluminação pela Palavra de Deus, a relação com a vida dos celebrantes e o favorecimento da compreensão da mensagem evangelizadora transmitida pelo símbolo ou sinal.

Cuidados e precauções

No uso de sinais e símbolos, é importante tomar alguns cuidados e precauções na preparação de uma celebração, especialmente a celebração da Eucaristia. Entre as precauções estão os sinais e símbolos de duplo sentido, que possam promover interpretações polêmicas. Seria o caso de usar um símbolo ou sinal de algum movimento ideológico, como de um partido político ou, de uma associação. Primeiro, porque a ideologia não tem espaço dentro de uma celebração litúrgica; e, em segundo lugar, porque a celebração litúrgica — a Missa, e todos os Sacramentos — é sempre promotora de unidade social e jamais incentivadora de polaridades.

Outra precaução diz respeito aos sinais e símbolos abstratos, mesmo aqueles de valor artístico. Uma grande parte das assembleias litúrgicas de nossas comunidades encontrará dificuldade em relacionar o sinal ou símbolo com a vida e com a Palavra de Deus proclamada na celebração. A Igreja Católica sempre optou por sinais e símbolos de fácil interpretação em sua simbologia, e isso deve servir como critério de grande valia na comunicação simbólica e signica.

Uma terceira precaução é quanto a quantidade de sinais e símbolos em uma celebração litúrgica. Houve tempos de exagero no uso de sinais e símbolos em celebrações litúrgicas — tanto que se falava, pejorativamente, em "simbolomania", de tantos que eram os sinais e símbolos usados em celebrações, com explicações sem fim. O ideal é usar um, no máximo dois sinais ou símbolos em cada celebração litúrgica.

Concluindo

O tema aqui tratado falou da comunicação litúrgica usando sinais e símbolos inspirados na Palavra de Deus e/ou na vida cotidiana, mas sempre relacionados ao Memorial Pascal de Jesus Cristo. Estes sinais jamais podem esconder ou desviar a atenção da simbologia central e mais importante do espaço celebrativo: a Mesa do Altar, a Mesa da Palavra (ambão) e a cadeira presidencial.

Mesmo os sinais comumente usados em nossas celebrações, como flores e velas, não podem esconder a simbologia principal do espaço celebrativo. Não se usa, portanto, o altar como prateleira de flores e velas, nem se colocam tantas flores a ponto de esconder o ambão ou o altar e nem se transforma a cadeira presidencial em um trono. Estes sinais e símbolo devem permanecer totalmente visíveis diante dos celebrantes.

Serginho Valle
Julho de 2026

 

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