SINAIS E SÍMBOLOS NA CELEBRAÇÃO LITÚRGICA
Vamos lembrar os sinais e símbolos presentes na perícope Bíblica de Emaús (Lc 24,13-35) para compreender como os sinais e os símbolos tornam-se mensagens no processo da comunicação litúrgica. São João Paulo II faz referência a esse aspecto na sua Carta Apostólica Mane nobiscum Domine (n. 14).
O Papa
ensina que, depois que os corações estão aquecidos e as mentes iluminadas pela
Palavra (Lc 24,32) — como aconteceu com os discípulos de Emaús, que foram
iluminados pela Palavra antes de reconhecer a presença do Senhor nos sinais do
pão e do vinho —, então sim existem as condições necessárias para entender os
sinais e os símbolos usados na celebração litúrgica. Os sinais e os símbolos na
celebração litúrgica, especialmente na Eucaristia, são, inicialmente,
iluminados pela Palavra de Deus e, mais que isso, são interpretados à luz da
Palavra divina. O léxico ou, se preferir, a chave de leitura para se entender a
simbologia presente na comunicação litúrgica encontra-se na Palavra de Deus.
Primeiro
critério: iluminação na Palavra
Como
aconteceu em Emaús, onde os discípulos reconhecem Jesus no gesto e nos sinais
da refeição — fração do pão e vinho sobre a mesa em uma refeição vespertina (Lc
24,30-31) —, assim os sinais e símbolos têm uma finalidade comunicativa:
reconhecer a presença de Jesus celebrando com a assembleia. Isto significa que
a comunicação litúrgica se inspira e, é iluminada pela Sagrada Escritura.
A
introdução de novos sinais e símbolos em uma celebração litúrgica, portanto,
sempre deve ter relação — ou, melhor, uma iluminação — com a Palavra proclamada
na celebração. Todos os símbolos e sinais usados em uma celebração, portanto,
são iluminados pela Palavra de Deus ali proclamada. Os sinais e os símbolos
usados em uma celebração da Missa, por exemplo, sempre têm inspiração Bíblica e,
em especial, inspiração no Evangelho proclamado na própria celebração. Esse é o
primeiro critério.
Segundo
critério: relação com o Mistério Pascal de Jesus Cristo
O segundo
critério é relacionar os sinais e símbolos da comunicação litúrgica com o
Mistério Pascal de Jesus Cristo. O motivo é simples: cada celebração litúrgica,
de todos os Sacramentos, é celebração Memorial do Mistério Pascal de Jesus
Cristo. Por isso, introduzir fatos pertencentes ao Antigo Testamento, por
exemplo, na liturgia cristã provoca interrogações. A celebração chamada
"cerco de Jericó", por exemplo, pode ser questionada com a seguinte
pergunta: a qual aspecto do memorial do Mistério Pascal de Jesus Cristo ela
está relacionada?
Se o
símbolo não evoca ou não conduz ao Mistério Pascal de Jesus Cristo — na
Eucaristia ou na celebração dos demais Sacramentos —, por não corresponder a
algum aspecto da teologia litúrgica do memorial, então é preciso que seja
evitado.
Terceiro
critério: relação com a vida
A
terminologia de sinais e símbolos da vida contém uma relação com o cotidiano e
com a cultura onde se celebra a Liturgia. A escolha de um sinal como cadernos e
livros escolares relaciona-se, por exemplo, com a atividade de estudantes e de
professores. Cadernos e livros não são sinais nem símbolos litúrgicos, mas
podem ser usados na celebração litúrgica para favorecer uma relação dos
celebrantes com o cotidiano ou com a cultura da comunidade. Os sinais falam por
si porque fazem parte do cotidiano de nossa cultura e, por isso, a comunicação
é compreensível.
Uma
recomendação muito especial da comunicação litúrgica é evitar explicações para
que os celebrantes possam compreender a mensagem. Pessoalmente, não vejo
dificuldade ou algum impedimento semiótico em explicar um símbolo ou sinal,
mas, se puderem ser evitadas, melhor, pois mais efetiva será a compreensão da
mensagem transmitida pelo símbolo ou pelo sinal.
Critérios
para o uso de sinais e símbolos?
O
primeiro e mais importante critério é a relação com a celebração e,
explicitamente, a relação com a Palavra de Deus, como procurei evidenciar. Quem
é assinante do SAL (www.liturgia.pro.br
) sabe que, em cada proposta celebrativa, há uma sugestão chamada "espaço
simbólico", usada para destacar visualmente uma mensagem da Liturgia da
Palavra da Missa Dominical. Não é ornamento nem enfeite, mas um modo visual de
comunicar o Evangelho de cada celebração.
Um
segundo motivo pode ser o relacionamento com algum fato importante da vida
social. Os dias temáticos e os meses temáticos oferecem esta oportunidade. Os
dias temáticos, como Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças…, e os meses
temáticos, como Mês da Bíblia, Mês Missionário…, podem ser lembrados com sinais
ou símbolos relacionados a essas datas ou meses. Neste caso, como naquele do
espaço simbólico, o critério continua o mesmo: a iluminação pela Palavra de
Deus, a relação com a vida dos celebrantes e o favorecimento da compreensão da
mensagem evangelizadora transmitida pelo símbolo ou sinal.
Cuidados
e precauções
No uso de
sinais e símbolos, é importante tomar alguns cuidados e precauções na
preparação de uma celebração, especialmente a celebração da Eucaristia. Entre
as precauções estão os sinais e símbolos de duplo sentido, que possam promover
interpretações polêmicas. Seria o caso de usar um símbolo ou sinal de algum
movimento ideológico, como de um partido político ou, de uma associação.
Primeiro, porque a ideologia não tem espaço dentro de uma celebração litúrgica;
e, em segundo lugar, porque a celebração litúrgica — a Missa, e todos os
Sacramentos — é sempre promotora de unidade social e jamais incentivadora de
polaridades.
Outra
precaução diz respeito aos sinais e símbolos abstratos, mesmo aqueles de valor
artístico. Uma grande parte das assembleias litúrgicas de nossas comunidades
encontrará dificuldade em relacionar o sinal ou símbolo com a vida e com a
Palavra de Deus proclamada na celebração. A Igreja Católica sempre optou por
sinais e símbolos de fácil interpretação em sua simbologia, e isso deve servir
como critério de grande valia na comunicação simbólica e signica.
Uma
terceira precaução é quanto a quantidade de sinais e símbolos em uma celebração
litúrgica. Houve tempos de exagero no uso de sinais e símbolos em celebrações
litúrgicas — tanto que se falava, pejorativamente, em "simbolomania",
de tantos que eram os sinais e símbolos usados em celebrações, com explicações
sem fim. O ideal é usar um, no máximo dois sinais ou símbolos em cada
celebração litúrgica.
Concluindo
O tema
aqui tratado falou da comunicação litúrgica usando sinais e símbolos inspirados
na Palavra de Deus e/ou na vida cotidiana, mas sempre relacionados ao Memorial Pascal
de Jesus Cristo. Estes sinais jamais podem esconder ou desviar a atenção da
simbologia central e mais importante do espaço celebrativo: a Mesa do Altar, a
Mesa da Palavra (ambão) e a cadeira presidencial.
Mesmo os
sinais comumente usados em nossas celebrações, como flores e velas, não podem
esconder a simbologia principal do espaço celebrativo. Não se usa, portanto, o
altar como prateleira de flores e velas, nem se colocam tantas flores a ponto
de esconder o ambão ou o altar e nem se transforma a cadeira presidencial em um
trono. Estes sinais e símbolo devem permanecer totalmente visíveis diante dos
celebrantes.
Serginho
Valle
Julho de 2026

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