12 de ago de 2016

IGMR 44 – Ritos processionais na Missa

Entre os gestos incluem-se também as ações e as procissões realizadas pelo sacerdote com o diácono e os ministros ao se aproximarem do altar; pelo diácono antes da proclamação do Evangelho ou ao levar o Livro dos evangelhos ao ambão; dos fiéis, ao levarem os dons e enquanto se aproximam da Comunhão. Convém que tais ações e procissões sejam realizadas com dignidade, enquanto se executam cantos apropriados, segundo as normas estabelecidas para cada uma (IGMR 44)

Pode parecer que não, mas a celebração da Missa não acontece num mesmo local; realiza-se em lugares diferentes, deslocando-se em pequenas caminhadas processionais. Inicia-se na porta da igreja, vai até o altar e dali até a cadeira de quem preside. Sai da cadeira presidencial para ir até o altar e, de lá até o ambão. Volta para a cadeira presidencial, de onde se preside a Profissão de fé e, dirige-se ao ambão para se proclamar a oração dos fiéis. Volta para o centro da igreja, de onde os celebrantes levam as ofertas ao altar. Depois da grande ação de graças, proclamada na Oração Eucarística, do altar dirige-se ao centro da igreja para a partilha da comunhão Eucarística. Não se contempla, depois da despedida e encerramento da Missa, uma procissão de retorno, nas Instruções Gerais do Missal Romano (IGMR).
Todas estas procissões e deslocamentos são atitudes rituais, que encontram sentido diferente em cada celebração Eucarística através das canções. Assim, por exemplo, a procissão das oferendas, em cada Missa, tem um sentido diferente e um motivo que possibilita ou impede de se entrar na procissão das oferendas e apresentar as ofertas no altar da comunidade (cf. Mt 5,23-24).
A IGMR 44 descreve as procissões no contexto da gestualidade. Nossas reflexões, no blogger, consideram as procissões como expressões comunicativas. Passam a mensagem de uma assembléia em movimento, imagem visível de um povo a caminho que vai ao encontro de Jesus Cristo, simbolizado no altar e, do altar se alimenta com o alimento divino. O fato que todas as procissões se dirigirem ao altar e do altar partirem é uma mensagem importante, indicação de uma Igreja que sempre caminha ao encontro de Jesus Cristo. De outro lado, é do altar, de Jesus Cristo, que se parte para alimentar os celebrantes com a vida divina, presente na Palavra e presente no Sacramento da Eucaristia. Indicação que a Igreja e os celebrantes da Eucaristia têm como centro da vida o altar, mesa que alimenta o povo de Deus com a vida divina, como proclama o embolismo do Prefácio da Santíssima Eucaristia, I: “Sua carne imolada por nós, é o alimento que nos fortalece. Seu Sangue, por nós derramado, é a bebida que nos purifica”. E, como diz ainda o Prefácio da Páscoa V: “revelando-se ao mesmo tempo, sacerdote, altar e cordeiro.” Entende-se, assim, o axioma teológico: a Igreja faz a Eucaristia e a Eucaristia faz a Igreja.

Modo comunicativo-litúrgico das procissões
O modo de caminhar comunica o motivo pelo qual a Igreja aproxima-se do altar, na procissão inicial. Convido a reler, neste blogger, um artigo que escrevi sobre a procissão de entrada com o título “Acolhamos o celebrante”. A procissão de entrada não é um desfile que, ao passar pelo centro da igreja, vai-se cumprimentando e acenando para os celebrantes. É um caminhar de toda a Igreja ao encontro do altar, representada no padre e nos ministros que dela tomam parte.
A procissão do Evangeliário realiza-se de modo solene, ostentando o Livro para que todos o vejam, ladeado por duas velas. Pede um caminhar solene, que comunique o momento alto da Liturgia da Palavra, que a proclamação Evangelho. No Brasil, em celebrações mais festivas, a procissão do Evangeliário acontece com coreografias de dança litúrgica, para acolher e aclamar Jesus Cristo que anuncia seu Evangelho entre nós.
A procissão ofertorial caracteriza-se pela espontaneidade, no sentido de ser uma procissão mais livre. Considerando a sequência ritual, primeiro, os celebrantes deveriam levar suas ofertas e coloca-las aos pés do altar, depois viriam as oferendas eucarísticas levadas processionalmente por representantes da assembléia celebrante. Uma vez que as ofertas do povo (dinheiro ou espécies) e as ofertas da Igreja (pão, vinho e água) estiverem próximos do altar e no altar, então sim o padre realiza o rito da preparação e apresentação das oferendas. No modo como acontece atualmente, em muitas comunidades, são três ritos acumulados: procissão das ofertas, procissão dos celebrantes e apresentação das oferendas. Uma observação: sendo uma procissão que se endereça ao altar, é estranho que oferentes parem rezando na cesta das ofertas, como verificado em algumas comunidades. As cestas não são locais de oração, pois têm serventia prática e não representativa do altar.
Por fim, a procissão para a comunhão Eucarística. Comunicativamente, é muito expressiva em sua mensagem. Mensagem de um povo que caminha ao encontro de Cristo para ser alimentado pelo próprio Senhor e mensagem de uma Igreja que, com seus ministros, padre em primeiro lugar, se dirige ao povo para alimentá-lo com a Eucaristia. Disto se deduz ser estranho o fato do padre não distribuir a Eucaristia, na comunhão, mas delegar este ministério litúrgico somente aos ministros extraordinários da comunhão Eucarística.
Serginho Valle
2016



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