13 de out de 2017

Oração, ação e formação na Pastoral Litúrgica

O texto de Ex 17,8-13 narra a luta do povo, comandada por Josué e sustentada pela oração de Moisés. Enquanto Moisés rezava de braços estendidos, o povo vencia os amalecitas; quando Moisés parava de rezar, o povo começava a ser derrotado. A luta foi vencida pela oração e pela ação. Gosto deste texto para ilustrar o trabalho da Pastoral Litúrgica na comunidade: oração e ação.
Isso significa que a Pastoral Litúrgica não atua somente no contexto oracional e nem somente no contexto ativo. Há a necessidade de que oração e ação sejam como duas rodas que levem a comunidade a bom termo deste trabalho.  Ou, dizendo de outro modo, e de modo mais privilegiado, a necessidade que a atividade da Pastoral Litúrgica seja sustentada pela oração. Uma apoiando a outro.
Este apoio mútuo é facilmente identificado no nosso texto Bíblico. Tanto Moisés como Josué foram convocados por Deus para servir o povo, mas missões diferentes: rezar e lutar. Eis uma boa imagem dos membros da Pastoral Litúrgica: ser, ao mesmo tempo, Moisés (orantes) e Josué (ativos). São duas rodas, como de uma bicicleta, que equilibra a Pastoral e faz caminhar em frente.
A experiência demonstra que uma Equipe litúrgica que concentra sua Pastoral unicamente na oração e em celebrações, facilmente cai no comodismo e na produção de celebrações sentimentalistas, para emocionar. Do outro lado, a Equipe Litúrgica que se concentra só na atividade, cai no ativismo e, neste caso, para mostrar trabalho enche as celebrações de pendulicários, transformando-as em teatro, em procissões e apresentações de símbolos e sinais, recheadas de canções e coreografias. Em ambos os casos, o desequilíbrio é notório. Por isso, para se evitar o desequilíbrio existe um terceiro elemento.
Sabemos que a graça da oração é garantida por Deus. Mas nosso empenho, nosso agir, precisa de um fundamento para que seja frutuoso. Tal fundamento encontra-se no estudo, na formação dos membros da Pastoral Litúrgica. Rezar para vencer a luta, como fazia Moisés, mas agir com inteligência e fundamentados na Teologia e na Espiritualidade Litúrgica. Sobre a Espiritualidade Litúrgica dedicarei um estudo, oportunamente. Para o momento, vamos nos ater somente na Formação Teológica.


Formação teológica na Pastoral Litúrgica
Sobre a formação dos membros da Equipe Litúrgica, aqueles que conduzem e coordenam a Pastoral Litúrgica na comunidade, a Igreja fala da importância e da necessidade da formação. Sobre isso, vários são os documentos que orientam sobre a formação litúrgica a quem atua na Pastoral Litúrgica da comunidade. Vou ficar com o que diz o Documento da CNBB, 43, n. 195, que define a formação como ampla e profunda.

“Tenha-se presente que a grande meta dessa formação ampla e profunda é preparar agentes para a aculturação e a inculturação da Liturgia, porque homens e mulheres que vivem as duas realidades, a sócio-cultural e a celebrativa, poderão facilitar a tarefa para os responsáveis por este processo.” 

As duas palavras, “aculturação” e “inculturação”, merecem destaque. Ambas querem dizer, basicamente, o seguinte: a necessidade de levar os elementos da cultura para dentro da celebração e de levar os elementos da Liturgia (os valores do Reino de Deus, o Mistério Pascal com sua força salvadora...), para dentro da cultura, onde vive a comunidade. Na prática, isto significa o empenho para colocar a vida social e cotidiana na celebração e, de outro lado, levar o que se celebra, os valores do Reino de Deus com todas suas dimensões, para o meio da vida. 
Esta tarefa, como se deduz, não é algo simples, exige conhecimento, formação do que seja Liturgia, compreensão clara do que é celebração litúrgica, conhecimento da linguagem litúrgica, da comunicação litúrgica e, igualmente, conhecimento da comunidade. Não basta, portanto, o conhecimento teórico da Liturgia, para que seja eficaz, do ponto de vista transformador; se faz necessário o conhecimento do contexto cultural comunitário onde é celebrada a Liturgia. Este é um grande trabalho e um trabalho multidisciplinar. Estudar a Liturgia e iluminá-la com as luzes de outras ciências.
Pela carência do conhecimento Litúrgico, por parte da Equipe Litúrgica, leva a correr o risco de transformar a Liturgia em cerimônias e as celebrações em shows ou teatrinhos. É a preocupação de “fazer bonito”, esquecendo que o mais importante é promover o encontro com Deus, com seu projeto divino e com o irmão. Só mesmo o estudo e a formação séria coloca a Equipe Litúrgica num caminho seguro e frutuoso.

Conclusão
Considerando tudo isso — mas tudo isso é apenas uma anotação em vista do que a Igreja propõe em termos de formação litúrgica a quem atua na Pastoral Litúrgica —volto ao que dizia em outra oportunidade: boa vontade ajuda, mas não favorece um empenho satisfatório e frutuoso em termos de Pastoral Litúrgica. Deduz-se, portanto, que é imprescindível que os membros da Pastoral Litúrgica, de modo especial a Equipe Litúrgica da comunidade, esteja “imbuída do espírito litúrgico”; conheça, de fato e com profundidade, o terreno onde é chamada a cultivar as sementes do Reino. Numa palavra: ESTUDAR, REZAR E AGIR.
Serginho Valle
Outubro de 2017


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