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8 de jun. de 2019

A Liturgia: oração da Igreja


A celebração litúrgica se caracteriza também como momento orante da Igreja. Aliás, trata-se de uma das mais importantes características da celebração litúrgica. Diria que é preciso conhecer muito bem a Liturgia para fazer da celebração uma oração pessoal e comunitária assemblear. Conhecer bem a Liturgia, conhecer o processo comunicativo litúrgico para transformar a celebração, especialmente a Liturgia Eucarística, em clima de oração. É mais fácil, por exemplo, um padre ser animador da Missa que condutor orante de uma assembléia. Hoje, por exemplo, percebe-se que existe oração nas celebrações, mas quase que paralelo ao processo comunicativo e ritual da Liturgia, como as preces de cura, em qualquer momento da celebração; em alguns casos, reza-se com música em excesso (cantorias) ou com dinâmicas de envolvimento emocional. Estes exemplos favorecem a compreensão da dificuldade de rezar com o rito litúrgico em si.
            A emoção sempre está presente na Liturgia. Quando esta desaparece, a celebração litúrgica torna-se apática, morna. Mas é uma emoção que necessita tender ao sentimento. Não somente a emoção da paz, mas que a paz se instale como sentimento cada vez que se celebre a Liturgia, especialmente a Eucaristia. Não somente a emoção da alegria, mas que a celebração seja envolvida pelo sentimento da alegria espiritual. E assim se espera com a oração; não só a oração emocionada, mas a oração como sentimento que brota do coração do celebrante, do centro de sua vida e se expressa como vida.
Para isso, primeira condição consiste em entender a celebração, do ponto de vista orante, como oração comunitária, na qual se reza como Igreja; não tem sentido, por exemplo, alguém ficar rezando o terço durante a Missa. A Liturgia, enquanto ato celebrativo, é oração da Igreja — ênfase em ser oração da Igreja — e por isso, pertence a toda a comunidade eclesial e não seja trocada por espiritualidades de grupos ou movimentos. Sempre se reza a Liturgia como Igreja, embora se reconheça que o modo de celebrar possa ter características específicas; algumas espiritualidades cantam mais outras preferem celebrar silenciosamente, por exemplo. Não existe, portanto, o bonito e o feio, o chato e o agradável, mas modos diferentes de rezar celebrando.
Quando se fala que a Liturgia é a oração da Igreja, entende-se que a Liturgia caracteriza-se como a oração do Corpo Místico de Cristo, no qual é o próprio Jesus que reza e torna cada celebrante um participante de sua oração filial ao Pai. Este é um dos motivos pelo qual a Igreja orienta e estabelece como celebrar a Liturgia, em vista de favorecer a dimensão comunitária da celebração e não o sentimento pessoal (nem mesmo do padre) ou de algum grupo. A individualidade orante ou a coletividade orante de um grupo, na ação celebrativa litúrgica, não é anulada, mas associada ao Corpo Místico de Cristo, do qual ele é a cabeça e cada celebrante, individualmente, é membro vivo (1Cor 12,27). Deduz-se, portanto, que a celebração Litúrgica sempre é ato orante da Igreja, da qual cada celebrante participa como membro vivo, com sua vida individual.
Serginho Valle
Junho de 2019


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