A formação e a espiritualidade litúrgicas são os pilares da Pastoral Litúrgica Paroquial (PLP)

A paz do Senhor!

A finalidade deste espaço é oferecer material de formação litúrgica para quem atua em ministérios litúrgicos na comunidade paroquial. Seja muito bem-vindo e bem-vinda. Se quiser e puder deixar sua contribuição, agradeço muito. (Serginho Valle)
Tecnologia do Blogger.

Postagens recentes

LITURGIA E RECONCILIAÇÃO: o Sacramento da Penitência como educação para a paz e fraternidade

  O Lugar do Sacramento da Penitência nas Comunidades Paroquiais: Uma Conversão Necessária   O Sacramento da Penitência ocupa um lugar si...

Pesquise aqui

Total de visualizações

Pesquisar neste blog

Home Ads

Meu perfil

Minha foto
São José do Rio Preto, São Paulo, Brazil
Paz e bem! A celebração da Liturgia é uma arte e, como acontece no exercício de toda arte, só celebra bem quem bem conhece a linguagem da arte litúrgica celebrativa.

Serviço de Animação Litúrgica

Serviço de Animação Litúrgica
Para acessar as propostas celebrativas dominicais acesse: www.liturgia.pro.br

Facebook

Publicações recentes

JSON Variables

25 de jul. de 2020

Pastoral da Penitência: urgência evangelizadora para a cultura do perdão


A necessidade pastoral do Sacramento da Penitência hoje
Cada vez mais se percebe a importância e, até mesmo, a necessidade de favorecer celebrações do Sacramento da Penitência em nossas comunidades. A cultura da raiva, do ódio, o aumento da agressividade e as vinganças, sob diferentes formas e modelos, revela que tais atitudes não procedem de Deus.

Diante de uma sociedade que se torna progressivamente avessa à fraternidade, a
Pastoral da Penitência apresenta-se como uma necessidade urgente e permanente na vida comunitária da Igreja.

A fonte do perdão: a misericórdia divina
A fonte do perdão encontra-se na misericórdia divina, celebrada de modo singular no Sacramento da Penitência. Trata-se de uma experiência profundamente motivadora para reconfigurar os relacionamentos humanos a partir do perdão.

Por isso, a finalidade da Pastoral da Penitência não consiste em “fazer campanhas para aumentar o número das confissões”, mas em implantar e cultivar a mentalidade do perdão e da misericórdia, celebrados sacramentalmente.

Essa compreensão encontra luz na parábola do Servo cruel (Mt 18,21-35), que narra o perdão generoso de um rei e a incapacidade de um servo em perdoar a pequena dívida de seu semelhante. Deus sempre perdoa, canta o salmista no Salmo 102. O perdão é divino: manifestação do amor de Deus para com quem o ofendeu.

Cultura do perdão e reconciliação comunitária

A proposta de uma Pastoral da Penitência tem como objetivo favorecer a cultura do perdão, promovendo o cultivo da reconciliação dentro da comunidade.

Inspirada inteiramente na misericórdia divina — que, segundo o Sl 102, não guarda rancor das nossas faltas — essa pastoral ajuda a compreender a confissão não como um tribunal de acusação acompanhado de absolvição, mas como escola da humildade, onde se aprende a ser fraterno por meio do perdão.

À luz da parábola do Servo cruel (Mt 18,21-35), compreende-se que nossas ofensas nos colocam sempre em dívida diante do amor divino. O texto latino do Pai-nosso exprime bem essa verdade: “et dimitte nobis debita nostra” — “perdoai as nossas dívidas”.

Somos, em todos os momentos da vida, devedores da misericórdia divina. Da mesma forma, quando ofendemos alguém, tornamo-nos devedores do amor fraterno àquele a quem ferimos.

O penitente como aprendiz do perdão

Nesse contexto, do ponto de vista do penitente, aquele que se aproxima do confessionário não o faz apenas para se acusar, mas para interceder o perdão de sua dívida e tornar-se, progressivamente, alguém capaz de perdoar.

O Pai-nosso, em latim, explicita essa dinâmica espiritual: “sicut et nos dimittimus debitoribus nostris” — “assim como perdoamos aos nossos devedores”. Trata-se de reconhecer que todos somos devedores do amor.

Celebrações penitenciais como encontro com o amor de Deus
A Pastoral da Penitência na comunidade não se limita a propor ou preparar celebrações penitenciais, mas a criá-las de modo pedagógico, favorecendo a compreensão do Sacramento da Penitência como encontro com o amor divino.

Nesse sentido, ilumina-se a partir da Carta aos Hebreus: 
“De fato, não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, sem todavia pecar” (Hb 4,16).

Perdão: força divina para a fragilidade humana 

Uma Pastoral da Penitência verdadeiramente eficaz ajuda a comunidade a compreender que, se o pecado manifesta a fragilidade humana, o perdão é atividade divina que fortalece.

Somos fortalecidos quando somos perdoados por Deus e quando perdoamos quem nos ofendeu. Celebrar o perdão, no e pelo Sacramento da Penitência, é fortalecer o amor que nos torna capazes de perdoar.

Quem não faz a experiência de ser perdoado por Deus encontrará grande dificuldade em perdoar o próximo.

Além do “mutirão de confissões”: uma conversão pastoral 

Infelizmente, tais conceitos nem sempre são lembrados em nossas comunidades, sobretudo onde a celebração da Penitência reduziu-se a simples “mutirão de confissões”.

Trata-se de uma proposta prática, mas pouco pastoral. O mutirão pode favorecer conversões pontuais, porém frequentemente se reduz a uma desobrigação religiosa. A Pastoral da Penitência, ao contrário, visa à formação de uma cultura existencial cristã, marcada pelo perdão, pela misericórdia e pela reconciliação permanente.

Serginho Valle
Junho de 2020