21 de dez de 2016

Catequese litúrgica 1 = O Natal é Epifania

O titulo afirmativo está correto: o Natal é Epifania. Embora nem sempre isto seja muito claro na Liturgia Ocidental, é mais evidente na Liturgia Oriental, onde o Natal, inclusive, é celebrado no dia 6 de janeiro, data na qual, nós na Liturgia Romana, celebramos a solenidade da Epifania. 

A nossa Liturgia Romana optou por diferentes celebrações epifânicas, no decorrer do Tempo do Natal, iniciando na véspera do dia 25 de dezembro até a festa do Batismo de Jesus, que conclui o Tempo Natalino. A rigor, a última celebração natalina, ou pelo menos ligada ao Natal, acontece no dia 2 de fevereiro, na Festa da Apresentação do Senhor ao Templo, quando Simeão canta o “Nunc dimitis”.
A opção da Liturgia Romana por celebrações epifânicas, além da celebração do Mistério Pascal nas celebrações natalinas, contém um elemento catequético a ser considerado. Seria melhor dizer pedagógico catequético. Em cada celebração existe uma catequese e uma pedagogia quanto ao modo como Deus se manifesta (epifania) e se faz presente como Emanuel, o Deus conosco, o Deus entre nós. Desta forma, entende-se que o Natal é uma Epifania, uma manifestação divina na história da humanidade. Como são “Epifanias” todas as celebrações que acontecem depois da celebração do Natal.
O modo como isso acontece, no contexto celebrativo do Natal, envolve vários acontecimentos que vão desde a Anunciação até o nascimento de Jesus, num presépio, em Belém. Deus se manifesta na gravidez da mulher, Maria. Deus que se manifesta como recém, nascido de uma mulher, da Virgem Maria. Deus que se manifesta como recém-nascido com um pai adotivo, José, se manifesta aos pastores que são conduzidos ao local do nascimento, atraídos por cantares e luzes angélicas (Lc 2,1-14).
Além disso, Deus se manifesta morando numa família humana (Sagrada Família), nascendo de uma mulher (Mãe de Deus, Maria), aos povos do mundo inteiro, representados nos Reis Magos (Epifania), no momento em que é batizado por João Batista (Batismo de Jesus).
O que mais chama atenção, do ponto de vista epifânico, é a escolha divina de se manifestar através da pobreza humana. Um modo que não corresponde às epifanias dos antigos reis e dos atuais líderes das nações: exibindo força e poder, revelando o medo oculto de serem atacados. Deus se manifesta, no Natal, de modo simples, pobre, vulnerável, desarmado, mostrando a coragem de se deixar tocar para se fazer mais próximo possível. 
Do ponto de vista catequético e pedagógico, o Natal manifesta, faz epifania, daquilo que a Teologia denomina como "kenosis": o despojamento da sua riqueza para assumir a pobreza humana. O Criador que se rebaixa para se fazer criatura e, deste modo, enriquecer-nos com a possibilidade de nos divinizar. Como diz Paulo, neste contexto da epifania divina no Natal: “de rico que era tornou-se pobre por causa de vós, para que vos torneis ricos por sua pobreza” (2Cor 8,9. Cf. Fl 2,6).
Serginho Valle 
2016. 


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