A formação e a espiritualidade litúrgicas são os pilares da Pastoral Litúrgica Paroquial (PLP)

A paz do Senhor!

A finalidade deste espaço é oferecer material de formação litúrgica para quem atua em ministérios litúrgicos na comunidade paroquial. Seja muito bem-vindo e bem-vinda. Se quiser e puder deixar sua contribuição, agradeço muito. (Serginho Valle)
Tecnologia do Blogger.

Postagens recentes

Batizados na paróquia

  A Pastoral Litúrgica Paroquial — PLP — não se ocupa somente das celebrações Eucarísticas, mas de todas as celebrações litúrgicas da paróqu...

Pesquise aqui

Total de visualizações

Pesquisar neste blog

Home Ads

Meu perfil

Minha foto
São José do Rio Preto, São Paulo, Brazil
Paz e bem! A celebração da Liturgia é uma arte e, como acontece no exercício de toda arte, só celebra bem quem bem conhece a linguagem da arte litúrgica celebrativa.

Serviço de Animação Litúrgica

Serviço de Animação Litúrgica
Para acessar as propostas celebrativas dominicais acesse: www.liturgia.pro.br

Facebook

Publicações recentes

JSON Variables

26 de abr. de 2017

Oração Eucarística 5 – comunicação gestual


Como em todos os ritos litúrgicos, a Oração Eucarística também conta com expressões corporais, feita com gestos e com posições do corpo. Expressões comunicativas para favorecer quem preside a Oração Eucarística e, ao mesmo tempo, mensagem para quem dela participa através do silêncio e, igualmente, participante da comunicação gestual. Isto significa que, no processo comunicativo da gestualidade, o presidente da celebração poderá estar comunicando-se de modo orante ou, poderá promover ruídos, quando os gestos perdem a força comunicativa por se tornarem mecânicos.
A maior parte dos gestos, na Oração Eucarística, é realizada pelo presidente da celebração. Todos são gestos orantes, como estar em pé, levantar os braços, inclinar-se   bater no peito (Oração Eucarística 1), fazer genuflexão, apresentar e elevar ofertorialmente o Corpo e Sangue do Senhor... Deste ponto de vista, o proclamador da Oração Eucarística reza com palavras e com gestos; com gestos que correspondem às palavras e significados simbólicos, de onde a necessidade do conhecimento da gestualidade litúrgica para uma boa e eficiente comunicação litúrgica e celebrativa.


De pé  
Iniciemos com a posição gestual de estar de pé, tanto da parte de quem preside como dos demais celebrantes. É o gesto mais utilizado na comunicação celebrativa e conta com um significado muito rico, especialmente aplicado à Oração Eucarística.
O sentido e o significado de estar de pé inspiram-se no livro do Apocalipse, onde se lê: “Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão, e bradavam em alta voz: A salvação é obra de nosso Deus, que está assentado no trono, e do Cordeiro.” (Ap 7,9-10).
O texto indica que os celebrantes participam da mesma adoração prestada ao Cordeiro vitorioso, com a diferença de os santos e santas estarem diante do trono do Cordeiro e de nós, aqui na terra, estarmos diante do mesmo Cordeiro, mas de modo sacramental. Também nós fomos revestidos com a veste branca, no dia do Batismo, o que nos dá o direito de adorar o Cordeiro Pascal de pé e, juntamente com toda a Igreja, aquela gloriosa (que está no céu) e Igreja militante (nós na terra), cantar a santidade do Cordeiro vitorioso.
Além disso, esse texto do Apocalipse descreve a posição natural de quem é ressuscitado em Jesus Cristo e recebeu a veste branca da filiação divina. Diz o texto do Apocalipse  que eles estavam de pé, diante do Cordeiro, em adoração. O estar de pé é, portanto, posição adorante, de onde ser estranho ao contexto celebrativo da Oração Eucarística, ficar ajoelhado durante toda a Oração Eucarística, embora tal possibilidade esteja prevista na IGMR 43 onde isso for costume.


Ajoelhar-se 
O gesto de ajoelhar-se, realizado pelos celebrantes, no momento da consagração aparece, na História da Liturgia Roma por volta do século XII, num tempo em que a Eucaristia passou a ser considerada mais do ponto de vista devocional que memorial celebrativo do Mistério Pascal de Jesus Cristo. Foi um tempo histórico, no qual havia preocupação exagerada em ver o "milagre Eucarístico" e não tanto em celebrar a Eucaristia como alimento para a vida humana, em Cristo.
Foi nesta época, também, que se introduziu o toque da sineta para avisar o momento de se ajoelhar diante do Santíssimo. Introduziu-se igualmente a apresentação dos dons consagrados para serem adorados pelos celebrantes. Nenhum destes gestos existe na Liturgia Eucarística Oriental.
A reforma litúrgica (1963) cogitou e procurou reformular a gestualidade do ajoelhar-se com a proposta de se ficar de pé no decorrer de toda a Oração Eucarística, mas se preferiu continuar com o ajoelhar-se, de acordo com as tradições de quase todos os povos da terra. A já citada IGMR 43 estabelece que as Conferências Episcopais determinem a posição de ajoelhar durante a Oração Eucarística, de acordo com a índole de cada povo.


Braços abertos
Dos gestos presidenciais, o mais utilizado é a oração de braços abertos, um gesto orante, vindo do modo hebreu de rezar e, presente na Liturgia Romana e igualmente naquela Oriental.
A Oração Eucarística é proclamada, da parte do padre que a preside, na sua maior parte, com os braços abertos, em posição orante. Já tive oportunidade de mencionar em outro texto que o gesto orante dos braços abertos tem o belo significado de se apresentar totalmente livre, aberto e disponível diante de Deus.
Quanto ao gesto orante, na tradição litúrgica, este não se caracteriza como oferente, ou seja, com as mãos estendidas para o alto, em posição de quem oferece alguma coisa, mas com os braços erguidos ao longo do corpo e com as mãos espalmadas para frente, deixando o peito aberto diante de Deus. Mas, o fato de rezar com as mãos abertas em atitude orante não significa nenhum desvio litúrgico. Estou apenas ressaltando a postura tradicional orante com os braços abertos.


Imposição das mãos 
A imposição das mãos é o gesto típico da invocação do Espírito Santo, caracterizado no meio teológico litúrgico como gesto epiclético. O padre impõe as mãos acompanhado de uma oração invocativa ao Espírito Santo, para que Deus envie seu Espírito divino e consagre o pão e o vinho em Corpo e Sangue do Senhor.  


Apresentação do Corpo e Sangue do Senhor
Um dos gestos mais característicos da Oração Eucarística é a apresentação do Sacramento do Corpo e Sangue do Senhor aos celebrantes. Uma prática, como mencionado indiretamente no item sobre “ajoelhar-se”, introduzida na Liturgia Eucarística a partir do século XII, fruto de um crescente devocionalismo para com a Eucaristia.
Já comentado em outra oportunidade, a IGMR 179 orienta a apresentar o Sacramento à assembléia e não ostentar. O mesmo se lê na rubrica 91 da Oração Eucarística I: “Hostiam consacratam ostendit populo”, traduzido pela CNBB: “mostra ao povo a Hóstia consagrada”. As rubricas propõe a apresentação simples e não se contempla o erguer, o elevar o Pão e o Vinho consagrados, ou girando-o para todos os lados da igreja e, menos ainda, o que pode ser qualificado como exagero, caminhar pela igreja com o Corpo e Sangue do Senhor. A adoração ao Santíssimo, na Eucaristia, é silenciosa em todos os sentidos, inclusive na gestualidade. A elevação do Pão e do Vinho consagrados são considerados somente para o gesto ofertorial, no “Per ipsum” como orientado pela rubrica 100 do Missal Romano.


Genuflexão 
A genuflexão é um gesto presidencial, feito depois da consagração do pão e do vinho. Já dediquei uma reflexão sobre este gesto tratando da “homenagem ao Sacramento”. Na prática consta de um gesto de adoração diante do Senhor sacramentado, verdadeiramente presente no Pão e no Vinho Eucaristizados, consagrados, pela presença e pela ação do Espírito Santo.


Inclinar-se
            A inclinação tem dois aspectos. O primeiro deles é contextualizado no mesmo sentido e significado da genuflexão. Isto é visível nas concelebrações: depois da consagração do Pão e do Vinho, quem preside a Oração Eucarística faz genuflexão e os demais concelebrantes fazem inclinação profunda, aquela inclinação feita com o corpo e não somente com a cabeça.
            O segundo aspecto encontra-se no gesto de inclinar-se prescrito na Oração Eucarística I, mas não nas demais Orações Eucarísticas. A inclinação acontece no “supplices te rogamus” — “nós vos suplicamos” —. A rubrica 96 instrui o presidente a unir as mãos e inclinar-se para suplicar que a oferta da Igreja — o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo — seja levada até a presença de Deus Pai. Uma inclinação orante, podemos dizer.


Sinal da Cruz sobre si mesmo
            Nesta mesma parte da Oração Eucarística I, no “supplices te rogamus”, quem preside a Oração Eucarística conclui este momento, erguendo-se da inclinação traçando o Sinal da Cruz sobre si mesmo dizendo “sejamos repletos de todas as graças e bênçãos do céu”. Um gesto que foi mantido pela reforma da Liturgia (1963) com o sentido de que a participação na Eucaristia, comungando a Eucaristia, como diz o texto, é fonte da bênção e da graça da Salvação.


Bater no peito
            Outro gesto da Oração Eucarística I, contemplado na rubrica 98, é o gesto de bater-se no peito. Acontece no momento do “nobis quoque peccatoribus” — “e a todos nós pecadores” —. É um gesto de humildade e de reconhecimento de ser pecador diante de Deus e diante de todos os celebrantes.


Gesto ofertorial  
Outro gesto da Oração Eucarística, este na conclusão da mesma, é o gesto ofertorial, quando o padre toma o Pão e o Vinho consagrados — Corpo e Sangue do Senhor — e, como orienta a rubrica 100 (elevans) eleva, ergue e oferta os dons da Igreja ao Pai. É a oferta do sacrifício da Igreja. É a Igreja ofertando ao Pai o próprio Corpo e Sangue de Jesus Cristo, ao que a assembléia participa com o grande e solene amém. 
O rito que comumente se chama de “ofertório”, na Liturgia, é designado como “preparação e apresentação das oferendas”. Ora, isso ajuda-nos a compreender que o verdadeiro ofertório da Missa acontece na conclusão da Oração Eucarística, quando, então sim, a oferta da Igreja, isto é, o próprio Jesus Cristo é oferecido ao Pai, dizendo “Por Cristo, com Cristo e em Cristo, a vós Deus Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda honra e toda glória, agora e para sempre. Amém”
Sergio Valle
2017



0 Comentários:

Postar um comentário

Participe. Deixe seu comentário aqui.