12 de fev. de 2016

Diálogo horizontal na comunicação litúrgica

“Sendo a celebração da Missa, por sua natureza, de índole “comunitária”, assumem grande importância os diálogos entre o sacerdote e os fiéis reunidos, bem como as aclamações, pois não constituem apenas sinais externos da celebração comum, mas promovem e realizam a comunhão entre o sacerdote e o povo” (IGMR 34)

O presente texto da IGMR 34 encontra-se no capitulo II,o qual chama atenção para os diferentes elementos da Missa. No presente artigo, trata-se de um elemento de caráter comunicativo, pelo qual acontece uma participação ativa e efetiva no processo da comunicação Litúrgica.

Do ponto de vista comunicativo, estamos com um modelo de comunicação horizontal, pelo qual, o Presidente da celebração é motivado a dialogar com os celebrantes em vista da promoção de uma comunhão “entre o sacerdote e o povo”. Uma evidência clara que a Igreja não entende a celebração (em todos os Sacramentos) como monólogo, mas como diálogo. Não somente este diálogo horizontal, que é contemplado neste IGMR 34, como também o diálogo vertical, aquele que se realiza entre Deus e os celebrantes. Quanto a isso, a SC 33 faz referência ao diálogo que acontece na Liturgia da Palavra entre Deus que anuncia sua Palavra e os celebrantes que respondem com o acolhimento silencioso e com aclamações, como é o caso do salmo responsorial, a aclamação ao Evangelho e as preces dos fiéis.

O diálogo horizontal, com o qual nos ocupamos neste breve texto, também contém elementos do diálogo vertical, como por exemplo, na estrutura comunicativa prefacial, que abre a Oração Eucarística e se conclui com o convite para se dar graças ao Senhor e nosso Deus, tendo no solene canto do “Sanctus” o seu momento alto, mas em estrutura de comunicação vertical, quer dizer, dos celebrantes para com Deus.

Um diálogo que acontece em forma de oração suplicante é aquele do rito penitencial, com uma interação daquele que preside e apresenta as orações ao Pai, em nome da assembléia, e dos celebrantes que como que endossam a súplica do perdão.

Muitos outros aspectos desse elemento da comunicação litúrgica de diálogo horizontal poderiam ser considerados, mas não é o caso, uma vez que o presente texto trata apenas de uma breve consideração sobre a IGMR 34. Por isso, concluo lembrando que a celebração da Missa é basicamente fundamentada no processo comunicativo dialógico. Até mesmo na Oração Eucarística, quando o padre proclama a anáfora sozinho, ele está em diálogo com Deus, apoiado pelo silêncio ORANTE da assembléia, que confirma o louvor da Igreja, com o mais solene de todos os “améns” da Missa, no final do “por Cristo, com Cristo e em Cristo”.

Descuidar-se do processo comunicativo dialógico na celebração litúrgica pode-se correr o risco de impedir a participação e prejudicar o caráter comunitário da celebração, como destacado na IGMR 34.

Serginho Valle

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