3 de ago. de 2018

A memória litúrgica de Maria Mater Ecclesiae

Na segunda-feira depois de Pentecostes, em 2018, a Igreja celebrou, pela primeira vez na história, a memória litúrgica “Maria Mater Ecclesiae”, Maria, Mãe da Igreja. Memória obrigatória instituída por Papa Francisco. Uma celebração litúrgica que se apoia na tradição da Igreja, com raízes na Teologia dos Santos Padres e que, mesmo sem constar no Calendário das celebrações da Igreja, estava presente na Tradição litúrgica.
            Maria é Mãe da Igreja por aquilo que significa na vida da fé. Muitos padres da Igreja, como Santo Agostinho, Santo Ambrósio, São Leão Magno relacionam a pessoa da Virgem Maria ao Mistério da Redenção, cuja Cruz é o momento alto. O lugar onde a Virgem Mãe, pela fé, permaneceu de pé ao lado de seu Filho.
No dia 18 de novembro de 1964, Paulo VI anunciou que, na conclusão da terceira sessão do Concílio Vaticano II, proclamaria Maria Santíssima com o título de “Nossa Senhora Mãe da Igreja”. Papa Francisco não apenas honra Maria com o título de “Mater Ecclesiae”, mas a celebra como memória obrigatória, com uma data móvel: segunda-feira depois de Pentecostes.
Em Pentecostes, Nossa Senhora está no Cenáculo com os Apóstolos, em oração, intercedendo o Espírito Santo prometido por Jesus. A Teologia da vinda do Espírito Santo relata aquele momento como o nascimento da Igreja missionária, que vai ao mundo para testemunhar a Ressurreição de Jesus. Nossa Senhora estava presente naquele momento para sustentar a Igreja nesta passagem decisiva da saída do cenáculo para as estradas do mundo. Facilmente se percebe a relação entre Maria e a Igreja. Maria participa da Igreja, é Igreja que intercede o dom do Espírito Divino para testemunhar o Evangelho da Ressurreição.
Outro elemento é a oração. A vinda do Espírito Santo acontece num clima de oração. Cenáculo é oração e Maria se faz orante no cenáculo com a Igreja e como Igreja. Em Maria, a Igreja encontra também aquela oração preciosa e extremamente eficaz para que possa ser aquilo que o Senhor quer.
Estas considerações são apenas anotações. O capítulo mariológico de Maria Mater Eccleiae é bem mais profundo, seja do ponto de vista teológico como espiritual, considerando que o centro está no Mistério de Cristo; Mistério iniciado entre nós na maternidade divina de Maria. A mesma Maria que com o Espírito Santo gera a Igreja em Pentecostes.
Serginho Valle
Agosto 2018


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