31 de ago de 2015

Língua litúrgica no Rito Romano

No que concerne à língua litúrgica, o Concílio Vaticano II prescreve que o uso da língua latina, salvo direito particular, será conservado nos ritos latinos. Mas, seja na Missa, seja na administração dos Sacramentos, seja em outras partes da Liturgia, pode-se usar a língua do país em vista de maior e mais proveitosa participação dos celebrantes.

Diz a SC 36:
“Dado, porém, que não raramente o uso da língua vulgar pode revestir-se de grande utilidade para o povo, quer na administração dos sacramentos, quer em outras partes da Liturgia, poderá conceder-se à língua vernácula lugar mais amplo, especialmente nas leituras e monições, em algumas orações e cantos, segundo as normas estabelecidas para cada caso nos capítulos seguintes.”

A Igreja entende que o latim é a língua litúrgica, mas valoriza mais a participação dos celebrantes, pela compreensão. Isto significa que não existe a obrigatoriedade do uso de latim nas celebrações e o argumento, de que as celebrações em língua vernácula são inválidas, é desprovido de sentido e não tem nenhum suporte teológico nem bíblico.
Atualmente, o latim é usado em muitas Missas Pontificais, é recomendado em celebrações que formam assembléias internacionais. Além de tais celebrações, o latim é usado nos textos oficiais da Liturgia, nas chamadas “editio typica”, que se tornam a fonte e a referência para as traduções dos textos litúrgicos em cada país.
Recentemente, no Pontificado de Bento XVI, houve um incentivo forte para introduzir algumas orações ou textos em latim nas celebrações, especialmente na Missa. Seria o caso, por exemplo, de rezar o Pai nosso (Pater noster) em latim. Mas, isto desde que seja devidamente compreensível pelo povo e pelo padre, considerando que atualmente poucos são os padres que estudaram latim e o conhecem. (SV)



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2 comentários:

  1. Trata-se de um texto interessante, que busca nos textos do Concílio, e não nos textos sobre o Concílio, o real desejo dos padres conciliares no que se diz respeito à língua litúrgica. Apresenta o latim como a língua do rito latino, mas mostra o desejo do "uso mais amplo" do vernáculo.

    Todavia, o texto parece carecer de um desejo profundo de tornar realidade os desejos do concílio. O texto repete a mesma estrutura três vezes: apresenta o uso do latim, introduz uma conjunção adversativa "MAS" e termina por falar do vernáculo. Isso parece relativizar a real necessidade de termos o latim. Colocando-o não como ordem do Concílio Ecumênico "DEVE conservar-se o uso do latim", mas como uma opção "agradável" apenas.

    E termina-se o texto, não apenas citando a maior razão para o abandono do latim: sequer os padres conhecem. Essa realidade, porém, não pode ser para nós o motivo de aceitar a situação e presumir que o pouco espaço dado ao latim é o correto, ao contrário, deve ser causa de mudança. Afinal de contas, na Constituição Apostólica Veterum Sapientia, São João XXIII decretou:

    "Como está estabelecido nas disposições quer do Código do Direto Canônico quer pelos Nossos Predecessores, os aspirantes ao Sacerdócio, antes de iniciar os estudos eclesiásticos verdadeiros e específicos, sejam instruídos na língua latina com sumo cuidado e com método racional, por mestres extremamente capazes, por um conveniente período de tempo"

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    1. Muito agradecido pelo seu comentário, Kairo. Você faz uma boa interpretação do meu texto. Concordo contigo sobre a necessidade do ensino, cultivo e aprendizado sério do Latim.

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