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3 de ago. de 2016

A Liturgia da Palavra


Antes dos celebrantes, que compõem a assembléia litúrgica, se aproximarem da Mesa Eucarística, todos se detém silenciosamente seja como atitude, seja mentalmente para sintonizarem-se com a Palavra, pela qual Deus fala. Sim, é Deus quem fala pela Palavra, presente no Livro Santo, e é o próprio Jesus quem anuncia o Evangelho, pois ele está presente na Palavra, especialmente presente na proclamação do Evangelho, no decorrer da celebração litúrgica (SC 7). Entende-se, pois, que antes de um evento de tamanha importância, diante do próprio Deus e de nosso Mestre que falam na assembléia litúrgica, existe a necessidade de silenciar. Silenciar para ouvir; silenciar os ouvidos dos rumores externos e silenciar o coração e a mente de tudo que os possam distrair. Tudo, seja no corpo como na mente, devem silenciar para ouvir Deus falar.
Do ponto de vista ritual, a Liturgia da Palavra é celebrada com ritos silenciosos, que favorecem a escuta e a atenção para com quem nos fala. Este “quem nos fala”, volto a repetir, é o próprio Deus, é o próprio Jesus Cristo. Além disso, até mesmo o rito da oração dos fiéis, que é parte integrante da Liturgia da Palavra, não se realiza com todos os celebrantes falando juntos, recitando a mesma oração conjuntamente, mas silenciosamente ouvindo as intenções e participando com as súplicas aclamativas. Os momentos de intervenção vocal, na Liturgia da Palavra, são sempre aclamativos: assim são as aclamações depois de cada leitura, a antífona do salmo responsorial, a aclamação ao Evangelho e o refrão das preces. Exceção feita unicamente à Profissão de Fé. Predomina, pois o silêncio, interrompido por aclamações de acolhimento da Palavra divina na vida dos celebrantes.
Os ministros, do ponto de vista comunicacional, também devem favorecer o silêncio, evitando todo tipo de ruídos. Ruídos que passam pela qualidade proclamativa da leitura (“ler bem”), o modo de se apresentar diante dos celebrantes (modo de se vestir e posição corporal), o local de onde proclamam a Palavra (ambão) e a importância de proclamar a Palavra com o Livro. Em resumo: ler bem, jamais folhetos, nada de roupas indecorosas e sempre proclamar a Palavra do ambão. A Palavra de Deus merece todo respeito.
Além disso, quem for proclamar as leituras não pode se limitar ao “ler bem”, precisa saber interpretar a leitura, dar vida e cativar os celebrantes para o que está sendo anunciado. Até mesmo quando crianças forem proclamar as leituras, estas devem estar devidamente preparadas e serem capazes de compreender, dentro de suas capacidades, o que estão lendo. O ambão é um espaço sagrado e merece respeito. Um respeito que é demonstrado, em primeiro lugar pelo leitor. Leituras mal feitas desrespeitam a Palavra e demonstram falta de respeito para com os celebrantes. Primeiro se aprenda a ler, depois se considere apto para proclamar a Palavra diante da assembléia.
Uma última anotação para concluir estas considerações iniciais sobre a Liturgia da Palavra diz respeito ao testemunho de vida. No rito da Instituição dos Leitores, o bispo diz que o leitor deverá se alimentar do que lê na Palavra e viver de acordo com aquilo que proclama. Trata-se de uma predisposição básica na escolha dos leitores. Não se pode admitir pessoas que não tenham vida de testemunho cristão, que estão envolvidos com atitudes indignas de um cristão. O que ele proclama, em suma, não pode ser desmentido pela Palavra que proclama. Neste sentido, o critério do “ler bem”, não é suficiente. Além de “ler bem” é preciso que procure viver o que lê e se empenhe em testemunhar o que lê.
Serginho Valle

2016

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