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Mostrando postagens de julho, 2019

A comunicação e a linguagem multisensorial da Liturgia

A Liturgia não é uma sessão de verbalizações sobre Deus, uma espécie de palestra ou de conferência de temas religiosos ou de autoajuda com fundamentação bíblica. A Liturgia é celebração e seu elemento concreto, aquilo que faz a Liturgia acontecer na celebração, é a arte de saber se comunicar com uma linguagem multisensorial. A celebração litúrgica é uma arte que toca todos os sentidos. Podemos dizer, em termos comparativos, que a pintura e a fotografia, por exemplo, comunicam-se pela luz, atraindo o olhar. A escultura pode ser tocada; arte que se serve da visão e do tato. A música é uma arte que passa pelos ouvidos, não pelo olhar, e convida o corpo a dançar. E assim com a linguagem de outras artes. O processo comunicativo na Liturgia desenvolve-se com uma linguagem multisensorial porque toca, atinge, coloca em movimento, todos os sentidos. Num rito de ingresso (procissão inicial), por exemplo, comunica-se com a arte visual — símbolos levados na procissão de entrada — com a arte m...

Linguagem simbólica na Liturgia

A arte de comunicar-se bem consiste no conhecimento e na prática da linguagem. Um bom músico só se comunica bem quando conhece a linguagem e tem prática, depois de muito treino e ensaio, com seu instrumento. Assim como o músico precisa conhecer o instrumento, conhecer a linguagem e a técnica para bem se comunicar, o mesmo acontece com quem se dedica à arte da comunicação litúrgica: necessita conhecimento da linguagem litúrgica.             Ao se tratar da linguagem litúrgica, estamos falando de uma linguagem complexa ou, melhor dizendo, da multilinguagem que compõe o processo comunicativo litúrgico presente na prática celebrativa. Estou falando da linguagem da música, linguagem oral, linguagem visual e, dentre outras, da linguagem simbólica. Este conjunto de linguagens faz com que a Liturgia situe-se no contexto de comunicação artística. Por isso, é preciso conhecimento e senso artístico para se comunicar bem com a comunicação li...

Aprender a celebrar celebrando: a sensibilidade celebrativa

A vivência da Liturgia acontece pelo fazer celebrativo. É celebrando que se aprende a celebrar adequadamente com os princípios e as normas litúrgicas e, principalmente pela prática ritual da linguagem litúrgica, possibilitando uma comunicação litúrgica eficaz. Para isso é necessário experiência e conhecimento da linguagem litúrgica, que produz competência, conhecimento, zelo pela celebração, sensibilidade litúrgica e sensibilidade celebrativa.             A questão da sensibilidade é de vital importância, seja a sensibilidade litúrgica como a sensibilidade celebrativa. Sensibilidade tem a ver com sentido, com sentimento. Aqui é preciso uma distinção psicológica entre sentimento e emoção. A sensibilidade celebrativa, por exemplo, não se limita à reação emotiva, mas tem a ver com sentimento, com aquilo que não é apenas efervescência emocional, mas com aquilo que permanece, que compromete, que se transforma em vida. A sensibilidade ...

A Liturgia na vida do sacerdote

O padre, porque lida com as coisas de Deus, deve estar próximo de Deus para partilhar a vida divina com quem celebra os sacramentos, os momentos de oração ou ritos de piedade (bênçãos, funerais, adoração ao Santíssimo...). Quanto mais intimidade com Deus o padre tiver, mais facilmente poderá conduzir os celebrantes ao encontro com Deus na celebração litúrgica.             Deste pressuposto, pode-se dizer que não existe celebração mais ou menos bonita, porque todas se tornam bonitas quando o padre favorece nos celebrantes o encontro com Deus. Não se trata de criar, apenas, um clima emocional para despertar sentimentos fortes, mas de favorecer o encontro com Deus no modo de celebrar. E para isso, a santidade de vida do padre é imprescindível, particularmente manifestada pelo zelo e pelo carinho com que trata a Liturgia e como se coloca em oração quando preside as celebrações. A santidade na vida sacerdotal é um exercício de conta...