A formação e a espiritualidade litúrgicas são os pilares da Pastoral Litúrgica Paroquial (PLP)

A paz do Senhor!

A finalidade deste espaço é oferecer material de formação litúrgica para quem atua em ministérios litúrgicos na comunidade paroquial. Seja muito bem-vindo e bem-vinda. Se quiser e puder deixar sua contribuição, agradeço muito. (Serginho Valle)
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Paz e bem! A celebração da Liturgia é uma arte e, como acontece no exercício de toda arte, só celebra bem quem bem conhece a linguagem da arte litúrgica celebrativa.

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16 de mar. de 2016

Eu celebro, nós celebramos! - Ministérios


A celebração da Missa é nossa. Aliás, já tivemos oportunidade de conversar sobre isso em outra ocasião. Mas tem algo mais! Quando você participa da Missa, ali está para celebrar e, na celebração cada celebrante tem uma função. Alguém terá a função de presidir a celebração. Esta é a função do presidente da celebração. Na Missa, o exercício dessa função compete ao bispo ou ao padre. Mas, existem outras. Há quem anima a celebração, quem entoa os cantos, quem proclama leituras, quem proclama os salmos, quem proclama as preces da comunidade (oração dos fiéis) quem serve o altar, quem faz a coleta, quem traz as oferendas... Todas estas funções estão presentes, de modo mais visível, numa Missa dominical.
            Na Liturgia da missa, e em outras celebrações litúrgicas, a palavra que define cada função especial é “ministério”. Denota uma função, mas com um sentido a mais: ministério traz consigo a qualidade de “serviço”. Por isso, quem está diante da assembléia não exerce apenas uma função — a função de ler ou de fazer uma leitura, por exemplo —; faz mais que isso: presta um serviço aos celebrantes reunidos em assembléia litúrgica.
            O padre realiza seu serviço como presidente da celebração, o leitor presta serviço enquanto anuncia a Palavra de Deus. O menino e a menina que ajudam como coroinhas, prestam um serviço de ajuda ao padre no altar. O cantor está a serviço da Liturgia e da assembléia para favorecer a louvação através da música. O povo reunido em assembléia também tem seu ministério, seu serviço na celebração litúrgica, pois serve a Deus com o louvor, com a ação de graças, com orações e súplicas. É o que se entende por participação. Em conclusão, a assembléia litúrgica, de modo particular a assembléia Eucarística, se caracteriza como servidora. Todos estão a serviço de todos, além de um fato importante: o próprio Deus, se serve do serviço ministerial assemblear para servir os celebrantes alimentando-os com o Pão da Palavra e o Pão da Eucaristia.
            Você pode perguntar se isso existe razão para tudo isso. Tem uma razão, sim. Aliás, não uma, mas várias, embora aqui basta lembrar a atitude de Jesus Cristo, na Última Ceia, quando instituiu a Eucaristia. A atitude de humildade e de serviço ao lavar os pés de seus amigos. Pois bem, a instituição da Eucaristia aconteceu em clima de serviço. O mesmo clima serviçal continua nas nossas celebrações Eucarísticas de nossos dias. Ninguém tenha a pretensão de estar diante da assembléia para aparecer ou promover-se. Quem for chamado para exercer algum ministério, que o exerça como servidor de Deus e dos irmãos.

Serginho Valle


11 de mar. de 2016

Participação Ativa Na Celebração - IGMR 35


“As aclamações e respostas dos fiéis às orações e saudações do sacerdote constituem o grau de participação ativa que os fiéis congregados, em qualquer forma de Missa, devem realizar, para que se promova e exprima claramente a ação de toda a comunidade.” (IGMR 35).

            A IGMR 35 destaca um modo de participação celebrativa na Eucaristia. O texto denomina de “grau de participação ativa” dos fiéis. Um enunciado que abre espaço para contemplar três elementos: a graduação na participação, a existência de outras formas de participação ativa e, igualmente, a existência de uma “participação passiva”.
            Existe um grau de participação dos celebrantes, evidenciando assim, que os mesmos são chamados a participar em determinados momentos da celebração, como elencado na IGMR 35: aclamações, respostas em orações e respostas a saudações. Não consta como modo de participação ativa recitar partes da Oração Eucarística, por exemplo, ou proclamar o Evangelho. Como também não se entende por participação cantar o tempo todo, falar ou recitar orações o tempo todo, bater palmas em todas as músicas...
            Em segundo lugar existe outro modo de participação que, por ser participação (tomar parte), é sempre ativa. Neste caso, trata-se da participação realizada pelo ouvir, pelo ver e pelos gestos. Ouvir as leituras, ver as procissões ou participar do gesto processional e de outros gestos, como ajoelhar-se, sentar-se e ficar de pé. Além disso, é também participação o silenciar e o cantar. Na celebração, o silêncio pode ser ritual, como acontece na Liturgia da Palavra e na Oração Eucarística, e pode ser orante, como em momentos de preparação para algum rito, como no caso da preparação para o ato penitencial ou depois da comunhão. A participação pela música acontece cantando ou ouvindo. Mas, este é um assunto que tratarei oportunamente em outra ocasião.
            Por fim, aquilo que denomino de “participação passiva”, que nada tem a ver com passividade na celebração. Por “participação passiva” entendo aquela participação que acontece através da assistência de alguns ritos, como por exemplo, procissões, encenações pedagógicas e coreografias, feitas esporadicamente em algumas celebrações mais solenes ou mais festivas. Em algumas Missas rituais, como aquela Matrimonial, existe a assistência do compromisso sacramental, inclusive denominando o ministro do Sacramento Matrimonial como aquele que assiste o Matrimônio em nome da Igreja.  
            Em conclusão, mesmo que os graus de participação sejam diferenciados, o que os une é a atividade. Seja falando, cantando, silenciando e, até mesmo, assistindo, a participação é sempre ativa, do contrário não seria participação. Só não participa quem se faz indiferente e insensível ao que se celebra.
Serginho Valle




9 de mar. de 2016

Tem Missa diferente?


Algumas paróquias e comunidades têm uma lista de Missas para idades, ocasiões especiais: Missa dos jovens, das crianças, Missa dos 15 anos, Missa dos doentes... Isso sem contar que a Missa da família, Missa das mães e, numa paróquia que conheci, havia também a Missa dos homens; e lá mulher não entra de jeito algum.
            Às vezes existem intransigências. Na Missa das crianças, o padre não quer ver adultos e ai de alguma criança ou adulto que aparecer na Missa dos jovens. Vale a pena agir desse modo? Pode ser que sim; mas estou mais propenso a crer que não. Agindo assim, uma família, por exemplo, nunca terá oportunidade de celebrar a Eucaristia como família. As crianças estarão numa Missa, os jovens e adolescentes em outra e os pais num terceiro horário. Você pode até estar pensando que sou contra Missas para grupos particulares. Não sou não. Sou contra intransigências em estabelecer Missas só para um grupo.
            As celebrações Eucarísticas para grupos particulares se enquadram dentro de uma proposta pastoral, que eu também denomino de “pastoral e pedagógica” a ser celebrado em tempos diferentes das Missas Dominicais. Isto está muito claro no Diretório para as Missas com Grupos Populares e no Diretório da Missa com Crianças (cf. n. 20; 27; 28).
            As Missas Dominicais, na medida do possível, devem reunir a assembléia da comunidade formada por crianças, jovens, adultos, idosos, enfermos... Pessoalmente, considero estranho aquilo que algumas comunidades chamam de “missinha”, que consiste no seguinte: os pais vão para a Missa e as crianças ficam brincando ou ouvindo historinhas ou desenhando em algum outro local. Será que isso educa as crianças para a Missa? Será que o ambiente Eucarístico não é fonte de bênção para toda a famílias e para as crianças, mesmo que elas não compreendam tudo que ali se passa?
            Tem ainda uma coisa para ser pensada. A Missa nunca é diferente; é sempre a mesma. O que muda é o modo de celebrar. Atente para isso: muda o modo de celebrar. Para as crianças, existe um modo de celebrar a Eucaristia. Para os jovens, as músicas, por exemplo, dão o tom diferente na celebração. Mas sempre estamos celebrando a mesma Missa. Sempre estamos celebrando a Páscoa de Jesus Cristo haja a motivação que houver.
            Você pode pensar: mas quando se faz a Missa dos 15 anos, ou bodas matrimoniais, ou a festa do padroeiro da comunidade não se está celebrando os 15 anos, as bodas do casal ou o santo protetor? Na verdade não! A Missa é a celebração da Páscoa, da Salvação de Jesus Cristo no mundo. Sempre! Os 15 anos da jovem, as bodas ou o santo são motivos ou lembranças para agradecer a presença da salvação de Deus na vida dessas pessoas. Um jeito de inserir estes acontecimentos existenciais no Mistério Pascal de Cristo.
            O modo para melhor entender é esse: Porque Cristo nos salvou podemos celebrar os 15 anos da jovem, as bodas do casal, o modelo de vida cristã do santo padroeiro. O celebrado na Missa, contudo, é sempre Deus, o Pai a quem damos glória e louvores, a quem dirigimos nossas orações em nome de Cristo, nosso irmão e na unidade do Espírito Santo. O motivo, portanto, é sempre a Salvação de Cristo.
            Percebeu? Não existe Missa diferente. Existem modos diferentes de celebrar a Missa e existem motivações diferentes pelas quais celebramos a Eucaristia. Mas sempre celebramos a salvação, a Páscoa de Jesus Cristo na nossa vida de agora.


Serginho Valle

5 de mar. de 2016

Liturgia, escola da oração cristã


A busca da paz interior enche consultórios de psicólogos em todas as partes do mundo. O caminho para o encontro com esta paz, tão desejada e procurada, começa pelo silenciamento, pelo aprendizado do silêncio, que é a porta para se entrar na casa da oração e da meditação orante. Por isso, podemos sim ir ao psicólogo e pedir que nos ensine a encontrar a paz interior, mas podemos também seguir o exemplo do Mestre, que buscava locais silenciosos para se encontrar com o Pai e passar a noite em oração (Lc 6,12).
            A escola orante da Liturgia escolheu este segundo caminho: transformar nossas celebrações e os espaços celebrativos em locais silenciosos, onde é possível ouvir a Palavra do Pai (Liturgia da Palavra) e se alimentar da vida divina partilhada como alimento, na Comunhão Eucarística. É com este princípio que as celebrações litúrgicas se apresentam como possibilidade pedagógica para a oração pessoal e comunitária. Um modo de conceber as celebrações litúrgicas como escola da oração cristã.
            Não é tarefa fácil, numa cultura com uma dificuldade imensa para silenciar, até mesmo quando, no caso cristão, sabe e reconhece que o silêncio é um ensinamento testemunhal do Mestre. Dificuldade também porque existe uma forte tendência transferir a linguagem de auditórios para as celebrações. Aquela do auditório é uma linguagem mais fácil e com um feedback, com um retorno, imediato, do ponto de vista participativo, além de o aprendizado acontecer diariamente, na sala da casa, diante da televisão.
            À medida que isso vai se tornando costume, corre-se o risco de cultivar uma religião com fundamentos emocionais, fundamentada numa fé como auto-ajuda, diminuindo força da fé que se alimenta da oração silenciosa de quem ouve e louva o Senhor, reconhecendo que para Deus até o silêncio é louvor (Sl 65,1). A biografia de santos está repleta de exemplos de homens e mulheres que aprenderam a silenciar diante de Deus, especialmente no silêncio celebrativo da Liturgia.
            Ora, é importante que se diga: isto não significa celebrar com sisudez, de modo seco. As palmas e até a dança celebrativa podem acontecer na celebração, mas dentro de limites quanto a momentos celebrativos, tempos litúrgicos e duração intra-celebrativa. Do ponto de vista da pedagogia orante, Liturgia não é atração musical, é escola de oração inspirada na oração silenciosa do Mestre.
Reconheço que se trata de um caminho árduo, que exige muito esforço da parte de padres e da Pastoral Litúrgica. Mas, tenho experiência de muitas comunidades, especialmente entre os jovens que, depois de experimentar celebrações silenciosamente orantes — com canções orantes, com orações silenciadas, por exemplo — buscam mais intensamente estes momentos. Não precisamos de músicas modernas (ou modernosas) para atrair os jovens, crianças e adultos para as Missas. Precisamos sim daquilo que temos e recebemos da Igreja: celebrar Liturgias orantes, para que as pessoas se encontrem com Deus e com o Senhor. Quanto menos barulho em nossas celebrações, melhor!
Serginho Valle


4 de mar. de 2016

Laetare


Laetare, primeira palavra latina da antífona da 4ª semana da Quaresma: “alegrai-vos”. Como no “Domingo Guadete”, para o 3º Domingo do Advento, a Igreja faz uma pausa em sua caminhada quaresmal para melhor participar das alegrias pascais. Para expressar ainda mais a alegria deste Domingo, graças a proximidade da Páscoa, a Liturgia se veste com paramentos cor de rosa e, discretamente, coloca algum arranjo floral ou alguma folhagem em seu espaço celebrativo. Trata-se de uma alegria discreta para não interromper o silêncio do grande retiro quaresmal. 

2 de mar. de 2016

Celebração ou falação?


Peço desculpas, mas preciso falar de um defeito que vem acontecendo em algumas missas: a falação. Aliás, tem dois tipos de “falação” que atrapalham a missa. Uma acontece na assembléia, quando alguém fica o tempo todo cochichando com o vizinho. A outra falação é dos animadores da missa.
            Tem animadores de missas que falam o tempo todo. E junto a estes incluam-se também alguns padres. Falam demais. Falam para iniciar a missa, falam para motivar o ato penitencial, falam para pedir que a assembléia silencie, mas invadem o silêncio dos celebrantes e o silêncio litúrgico, como acontece com a recitação em voz alta das orações chamadas “secreta”. 
            Alguns criaram a mania de explicar tudo, “tintim por tintim”. Explicam que vão fazer uma saudação; e depois saúdam. Explicam as partes da missa, como se missa fosse aula de significados ou sinônimos litúrgicos ou celebrativos. Explicam, pasmem, até mesmo o silêncio e assim invadem o silêncio de tanto falar. Haja falação!
            A falação, em alguns casos é tanta, que é viável perguntar: afinal, estamos celebrando uma missa ou estamos escutando uma falação interminável. Exagero à parte, comentaristas há que, na ânsia de comentar e preparar a assembléia para ouvir as leituras, fazem autênticos sermões ou pregações antes das leituras. Pior que é isso é o padre que faz uma homilia antes de cada leitura e uma depois da mesma leitura para confirmar o que dissera antes, deixando a leitura esmagada entre suas explicações. Sobre isso, uma senhora comentou (com entusiasmo) que a missa na sua comunidade deveria ser paga, porque o padre dava uma verdadeira aula de Bíblia. Cá prá nós: Missa não é aula, nem que seja de Bíblia.
            Um autêntico exagero são as missas explicadas para o povo, como se o momento celebrativo da Eucaristia fosse hora de ensinar ou de aula litúrgica. Você me pergunta: não é interessante que a missa seja explicada? Claro que sim, mas isso deve ser feito antes, em momentos convenientes. O estudo e o conhecimento da Missa precedem a celebração.
            A compreensão da Missa não está em priorizar explicações, mas em valorizar a  dinamicidade da celebração, feita pela música, procissões, momentos para falar, silêncio, hora de sentar para ouvir, de estar de pé para rezar, de ajoelhar para adorar ou pedir perdão... Fazer bem cada um desses momentos é um modo de rezar e de entender, nem sempre racionalmente, o que estamos celebrando. A Missa é uma “obra aberta” e, enquanto tal, cada Missa comunica uma mensagem diferente, não só pelas leituras e pelo Tempo Litúrgico na qual é celebrada, mas também pelo espírito com que o celebrante entra na celebração.
Serginho Valle