A formação e a espiritualidade litúrgicas são os pilares da Pastoral Litúrgica Paroquial (PLP)

A paz do Senhor!

A finalidade deste espaço é oferecer material de formação litúrgica para quem atua em ministérios litúrgicos na comunidade paroquial. Seja muito bem-vindo e bem-vinda. Se quiser e puder deixar sua contribuição, agradeço muito. (Serginho Valle)
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Paz e bem! A celebração da Liturgia é uma arte e, como acontece no exercício de toda arte, só celebra bem quem bem conhece a linguagem da arte litúrgica celebrativa.

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Para acessar as propostas celebrativas dominicais acesse: www.liturgia.pro.br

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29 de jan. de 2016

Cadeira presidencial e cadeiras ministeriais


Uma proposta de espaço ministerial pode ser formatado como a foto, que fiz na igreja matriz São Luís Gonzaga, de Brusque - SC. Considero este espaço baseando-me na Instrução Geral do Missal Romano, 310, onde se lê:
“A cadeira do sacerdote celebrante deve manifestar a sua função de presidir a assembléia e dirigir a oração. Por isso, o seu lugar mais apropriado é de frente para o povo no fundo do presbitério, a não ser que a estrutura do edifício sagrado ou outras circunstâncias o impeçam, por exemplo, se a demasiada distância torna difícil a comunicação entre o sacerdote e a assembléia, ou se o tabernáculo ocupar o centro do presbitério atrás do altar. Evite-se toda espécie de trono.” (IGMR 310)

Na maior parte das igrejas, a cadeira presidencial está separada, num espaço celebrativo diferente dos demais ministérios, distante daquele onde ficam os ministros que atuam na Liturgia Sacramental, especialmente na distribuição da Eucaristia. Trata-se de uma disposição válida, como apenas referido acima, pela IGMR 310. O modelo deste espaço celebrativo (foto) cria uma paisagem ritual que merece ser considerada e pode servir de modelo em igrejas, cujo espaço não favorece a disposição proposta pela IGMR 310. No caso da igreja matriz de Brusque, a colocação da cadeira presidencial atrás do altar era inviável, principalmente pela dificuldade comunicativa que isso provocaria: dificuldade de visualização do padre e distância entre o padre e a assembléia celebrante.  
A composição de um espaço ministerial como sugerido na foto comunica a unidade de uma celebração que se caracteriza como ministerial, composta por vários serviços ministeriais. O presente espaço celebrativo realça o ministério presidencial (cadeira em destaque) e o ministério que auxiliará o presidente na partilha Eucarística, no momento da comunhão. No caso da igreja matriz de Brusque, o ministério da Liturgia da Palavra localiza-se próximo ao ambão, o que distingue ainda mais as atribuições ministeriais no decorrer da celebração Eucarística.

Serginho Valle

27 de jan. de 2016

No DNA da Liturgia está o serviço



Diante da impossibilidade de um tratado completo sobre Liturgia neste espaço, por motivos óbvios, decidi por uma reflexão capaz de favorecer uma compreensão dinâmica de todo o contexto litúrgico. Optei por acender a luz do “serviço” como forma de compreender a ação litúrgica da qual participamos e realizamos. Este é o primeiro de quatro pequenos artigos sobre a Liturgia na ótica do serviço.
Existem vários motivos da minha escolha, a começar pela palavra “Liturgia”, que tem no seu DNA a luz e a inspiração do serviço e do servir. Liturgia não é uma palavra portuguesa, é uma palavra grega que, por sua vez, se compõe com duas outras palavras gregas: “Laos” (povo) e “ergon” (serviço). No coração da Liturgia, portanto, está o serviço e, um detalhe, o serviço prestado ao povo; um serviço que seja para o bem-estar do povo. Neste sentido, na Grécia antiga, o serviço militar, pelo qual os soldados defendiam e garantiam a segurança do povo, chamava-se “liturgia”. Da mesma forma, o serviço social ou político era uma Liturgia, porque era feito como dedicação de um serviço ao povo. Antes de a Liturgia deixar a vida leiga para ingressar nos templos e santuários, seu sentido definia todo serviço a favor do povo e para o bem do povo. Por isso, não custa repetir, o DNA da Liturgia é formado pelo serviço e todo liturgo, por sua vez é um diácono do povo, quer dizer, um servidor do povo.
É interessante perceber que o motivo da sacralização da Liturgia se deve justamente a esta característica do serviço em favor do povo, do serviço pelo bem-estar do povo. Se assim é, quem é o servidor do povo no ato litúrgico? Quem é o grande liturgo que se faz diácono, na Liturgia? A resposta não é única, pois comporta vários sujeitos, protagonistas e agentes. É a partir deste fato, do ponto de vista humano, que se entende a dimensão ministerial como essencial na atividade litúrgica, especialmente presente nas celebrações. Isto traz várias conseqüências e abre vários caminhos, dos quais vamos acenar apenas para três deles: o serviço divino, o serviço eclesial e o serviço ministerial celebrativo.
O mais importante deles é o serviço divino, do qual trataremos na próxima semana. Para o momento, fica a proposta de considerar a Liturgia em ato, as celebrações, como momento diaconal, de serviço em favor do povo e para o bem do povo. As celebrações de sua comunidade favorecem a vida e o bem estar (ao menos espiritual) do povo da comunidade?

Serginho Valle

25 de jan. de 2016

O Altar nas celebrações não Eucarísticas


O altar é o espaço litúrgico-celebrativo da Eucaristia. Por isso, o mesmo não deveria ser usado fora da celebração Eucarística, em outras celebrações sacramentais ou não sacramentais, transformando-o em suporte de livros ou de alfaias, como a caldeira de água benta, por exemplo. Pior ainda, quando o altar é usado como prateleira para vasos orçamentais, como se vê em alguns casamentos. Altar não é local para se colocar arranjo.
O altar, em celebrações não Eucarísticas, como casamentos, celebrações penitenciais, celebrações da Palavra, e demais sacramentos, atua sempre como referência explícita e direta que conduz à Eucaristia. É o símbolo referencial de que o Sacramento, celebrado em sua presença, vêm da Eucaristia e à Eucaristia se destina. O mesmo vale para celebrações, nas quais acontece somente a Liturgia da Palavra ou, como se denominam em algumas localidades, os cultos presididos por ministros ou ministras não ordenados. A celebração acontece no espaço celebrativo do ambão e o altar ali está como referência da Eucaristia que não pode ser celebrada. Neste caso, interroga os celebrantes e os leva a refletir sobre o valor da Eucaristia, na comunidade.
Mas, tanto no caso das celebrações da Palavra presididas por ministros, como nas celebrações sacramentais com distribuição da Eucaristia (Matrimônio, Unção dos Enfermos, Crisma fora da celebração da Missa) — como acontece na celebração da Sexta feira Santa — o altar é preparado unicamente para a distribuição da Eucaristia. Não se usa o altar para iniciar celebrações e, para sermos coerentes, nem a Missa deve ser iniciada no altar, como ainda se vê em algumas comunidades.
Concluindo. Minha reflexão tem a finalidade única de valorizar o símbolo sacramental do altar seja como fonte da celebração de todos os sacramentos seja como desejo de dele se aproximar para se ser plenamente alimentado com o Pão Eucarístico em todas as celebrações sacramentais e não sacramentais.
Serginho Valle

30 de dez. de 2015

Celebrações de fim de ano


As celebrações de fim de ano pode se tornar pesadas devido o leque de temas e enfoques que temos no fim de um ano civil e início do outro. Eis a lista: Maria Mãe de Deus, fim do ano, início do ano novo, dia paz.

         Como conciliar tudo isso dentro da celebração litúrgica? Dando preferência ao centro da celebração, que é a Solenidade de Maria, Mãe de Deus. Uma celebração que se caracteriza como ação de graças pelo mistério da encarnação e da geração do Filho de Deus pela Virgem Maria. Este é o motivo central da teologia celebrativa desta data de 1º de janeiro. Os demais temas poderão entrar em diferentes momentos da celebração, ou como motivações, ou como preces ou como propostas de vida para o ano novo que se inicia.
            Além do mais, as leituras também oferecem oportunidade de recordar estas várias datas. A primeira leitura e o salmo responsorial, por exemplo, refletem sobre a bênção à humanidade que, no contexto celebrativo, refere-se ao nascimento de Jesus Cristo. No tema de início de ano, poderá ser como um desejo que a Liturgia faz a todas as pessoas: que sejam abençoadas por Deus e sejam abençoadas com a presença divina em suas vidas.
            Creio que o melhor modo de resumir tudo isso é a mensagem que está no evangelho: “encontrarão um menino envolvido em faixas”. Na simplicidade de um presépio, ali está a bênção de Deus para a humanidade; ali está o caminho para a vida que se iniciará com o novo ano; ali está a nossa salvação. No início deste novo ano, basta mostrar Jesus e pedir que todos saibam ver na simplicidade dos acontecimentos da vida a presença de Deus e de sua misericórdia agindo entre nós. 
            Feliz ano novo!

Serginho Valle



No final deste ano de 2015, quero agradecer a todos que me acompanharam no blogue e em outros meios das redes sociais e desejar um feliz e abençoado 2016.

Lembro ainda que estarei entrando em férias, no início de janeiro, por isso minhas publicações serão reduzidas e dependentes das condições tecnológicas de onde passarei as férias.


23 de dez. de 2015

Nós vimos a sua glória!


O Natal é, acima de tudo, uma acontecimento salvífico e é isso que celebramos em nossas liturgias Natalinas. Na realidade, todos nós vamos à igreja e, na assembléia litúrgica fazemos ação de graças porque “nós vimos a sua glória”. A Liturgia do Natal, portanto, é uma grande ação de graças que elevamos ao Pai, que nos concedeu a graça de “ver a sua glória divina com os nossos olhos”.
            A Liturgia da Missa do dia, que celebramos em 25 de dezembro, proclama na assembléia litúrgica o Prólogo do Evangelho de São João. É um texto que exige atenção para ser bem refletir e meditado na celebração do Natal, dada à sua densidade teológica e o profundo mistério narrado por João. Cada palavra e frase tem um significado cristológico e uma relação com outras passagens da Sagrada Escritura.
            Por que a Liturgia faz isso, no dia do Natal? Para mostrar a todos os celebrantes a grandeza do mistério que celebramos neste dia. Procure compreender o que significa “o Verbo (a Palavra de Deus) se fez carne”. Existe uma distância enorme entre a Palavra de Deus (Dabar) que habita nas alturas e a “carne” (o corpo) da pessoa humana. É a distância entre criador e criatura. E, no entanto o criador assume a condição de criatura. Por isso, a Liturgia faz ação de graças no Natal pela Palavra que se tornou gente.
            Outra parte diz: “veio habitar entre nós”. Por que Deus deixaria sua habitação divina para morar em nosso meio? Por causa do amor e porque quer a nossa salvação. Ele precisava fazer-se um de nós para que nós, através de sua morte e ressurreição, readquiríssemos a vida divina. Na Missa do Dia, a Igreja intercede a Deus que todos os celebrantes possam ter na sua natureza humana a vida divina. É a divinização do homem. Mais um motivo de ação de graças.
            João, no seu Evangelho não narra a transfiguração de Jesus. Por que? Porque na simplicidade do presépio, na ternura do recém nascido nós vemos a glória a Deus. Quem crê, pára diante do presépio e, na contemplação própria daqueles que são capazes de ver a beleza da vida nas coisas pequenas e simples, pode dizer: “nós contemplamos a glória de Deus”. Está ali, naquela criança recém nascida.
            A bem da verdade, a Liturgia Natalina se reveste de alegria, de festa, de luz — e precisa que seja feito deste modo — porque a glória de Deus está entre nós e podemos contemplá-la com nossos olhos.
Este foi o modo mais original de desejar feliz Natal ao mundo: nascendo como criança e permitindo-nos contemplar a glória de Deus.
Só mesmo Deus para agir desse modo ao dizer a toda à humanidade: Feliz Natal!

Feliz Natal!
Serginho Valle
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18 de dez. de 2015

Magnificat


Primeira palavra do cântico de ação de graças cantado por Maria, no momento da visita de sua prima Santa Isabel (Lc 1,46-55). O texto do Magnificat é um resumo perfeito da espiritualidade dos salmos, inspirado nos pobres, isto é, naqueles que se colocam totalmente aos cuidados de Deus e têm em Deus a única segurança de suas vidas.
            Magnificat representa também a fonte espiritual de Maria, Mãe de Jesus, que viveu em humilde disposição, colocando-se totalmente a serviço de Deus. O canto Magnificat é o reconhecimento de que Deus realizou maravilhas em sua vida.
            Na Liturgia, o Magnificat é cantado todos os dias pela Igreja, na celebração das Vésperas, durante a Liturgia das Horas, reconhecendo que Deus guia a Igreja e nela realiza maravilhas. Em todos os finais de dia, portanto, a Igreja canta o Magnificat para entoar um canto de ação de graças por aquilo que Deus fez em seu favor no decorrer daquele dia. Deste modo, a Igreja assume também como seu o cântico de Maria, reconhecendo em Maria a primeira cristã, membro do corpo eclesial, que participa da glória divina.
            O costume de cantar o Magnificat na Liturgia das Vésperas, dizem os estudiosos, foi iniciado na Idade Média. Também a Liturgia da Igreja anglicana canta o Magnificat na sua celebração vesperal.
Nas celebrações solenes das Vésperas, o Magnificat é cantado ou proclamado de pé e, o altar é incensando durante o canto do Magnificat. Antes de iniciar o canto do Magnificat, por se tratar de um cântico evangélico, os celebrantes fazem o Sinal da Cruz. 
 

Duas citações do Magnificat na Instrução Geral da Liturgia das Horas – IGLH

IGLH 50: — Magnificat é um hino de louvor da Igreja
Em seguida, diz-se solenemente, com sua antífona, o cântico evangélico, a saber: para as Laudes, o cântico de Zacarias (Benedictus); e para as Vésperas, o cântico da Virgem Maria (Magnificat). Esses cânticos, ratificados pelo costume secular e popular da Igreja Romana, expressam louvor e ação de graças pela Redenção. As antífonas do Benedictus e de Magnificat é indicada conforme o dia, o tempo ou a festa.

IGLH 266: — Iniciar o Magnificat com o Sinal da Cruz
Todos fazem o sinal da cruz, da fronte ao peito e do ombro esquerdo ao direito:
a) no princípio das Horas, quando se diz: Vinde, ó Deus, em meu auxílio;
b) no início dos cânticos evangélicos, Benedictus, Magnificat, Nunc dimíttis.

(SV)