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Mostrando postagens de junho, 2017

Processo pedagógico da Liturgia, um exemplo

As celebrações que compõem o Ano Litúrgico, além de celebrar os Mistérios de Cristo, exercem também atividade e função pedagógica em vista do discipulado. Ou seja, os celebrantes, de celebração em celebração — seja semanais como Dominicais — vão sendo plasmados e convidados a crescer no seguimento a Jesus, através do discipulado. Isso não significa reduzir a celebração litúrgica a encontros de catequese, mas ressaltar que o “modus celebrandi”, enquanto tal, é pedagógico e vai transformando o celebrante em discípulo e discípula de Jesus. Papel importantíssimo nessa função é a homilia. À medida que se celebra a Liturgia, esta vai libertando os celebrantes de suas cadeias, de prisões que ele criou para si ou que lhe impuseram. Na solenidade de São Pedro e São Paulo, por exemplo, o reconhecimento vocacional de Paulo evidencia que o acolhimento do Evangelho fez dele uma pessoa livre diante de tudo e de todos; fez dele um verdadeiro discípulo de Jesus (2L da solenidade de São Pedro e São ...

Fractio panis et Agnus Dei

Fractio panis. Este foi um dos primeiros nomes com os quais era denominada a Eucaristia. Estamos falando do rito da "fração do pão". É um rito importante, do ponto de vista teológico, mas nem sempre valorizado como mereceria, no contexto ritual da celebração Eucarística. Esta desvalorização do rito da "fração do pão" pode muito bem ser devido ao desconhecimento do significado do rito. Isso se evidencia quando o padre parte o pão enquanto a assembléia realiza o abraço da paz, por exemplo. Deixa assim, a intercessão do Cordeiro de Deus vazia, uma vez que o rito da Fração do pão é compreendido a partir do canto do Cordeiro de Deus. Em outras palavras, Cordeiro de Deus e Fração do pão formam um único rito.  Além do exemplo citado, desconsidera-se, ou se desrespeita o rito quando este é realizado de modo apressado, quando o pão é partido em cima da patena, escondido, impossibilitando aos celebrantes de verem a fração do pão. Sendo g...

Formigamento na mão do músico

Você entra na igreja, pouco antes da Missa iniciar, e lá esta ele afinando o violão, dedilhando o teclado, batendo (de leve) na bateria. E aquele silêncio tão necessário antes do início da Missa é invadido por rumores. Muitos afinam seus instrumentos antes da Missa; tudo bem, mas que o façam na sacristia ou em outro local, mas fora da igreja. Alguns até o fazem, mas não aguentam o formigamento na mão e começam a tocar, mexer no microfone  e assim comprometem aquela concentração tão importante antes da Missa. Quando tudo deveria silenciar antes da Missa, o músico com formigamento na mão está irrequieto. Depois, a coisa piora, quando o músico tem formigamento nas mãos. Ele não as controla. Vem o silêncio do ato penitencial, e ele fica dedilhando sua viola. Chega a Liturgia da Palavra, as leituras acontecendo, e o formigamento parece aumentar. Fica lá dedilhando seu violão. São inoportunos e atrapalham a celebração, a concentração e a oração. Não se tocam, ...

Liturgia e missão na messe do Senhor

É pela presença divina na Litrugia que somos convocados, na Liturgia e através da Liturgia, a dar continuidade à mesma missão de Jesus Cristo. Dar continuidade tendo o mesmo olhar de Jesus que, contemplando o tamanho da messe, convida a Igreja a não deixar de interceder por mais operários, porque a messe é grande e poucos são os operários (11DTC-A). É pelo acolhimento da missão evangelizadora de atuar na messe do Senhor que testemunhamos, no meio do mundo, que somos o Povo Santo de Deus. Povo que não vive de uma ideologia ou de um sonho, mas que é chamado a se empenhar a favor do projeto divino. Uma missão que, reconhecidamente, não é fácil, a ponto de inspirar temor e medo a quem se dispõe acolher o convite de Jesus. Diante da possibilidade do medo, à medida que se conhece a pedagogia litúrgica, entende-se que a Liturgia não celebra ilusões; não esconde a agressividade do mundo, mas proclama pela Palavra que o mundo promove provações. Por isso, traz para suas celebrações a necessid...

Oração e abraço da paz na Missa

Uma prece memorial, dirigida a Jesus Cristo, é o segundo rito da preparação para a Comunhão Eucarística. É o rito da paz, realizado com uma oração presidencial e concluída com o rito do gesto da partilha da paz e reconciliação. Sendo oração presidencial, a prece pela paz é recitada somente pelo padre que preside a Eucaristia. A assembléia participa da prece em silêncio. Do ponto de vista comunicativo, isto tem sua função e importância. Algumas comunidades transformam os ritos preparatórios para a Comunhão Eucarística numa grande recitação de orações, começando pelo Pai nosso e concluindo no Cordeiro de Deus. Algumas comunidades nem mesmo respeitam a secreta da comunhão. Com o tempo isso torna-se automatizado e os celebrantes não se atentam para o que dizem, apenas vão recitando, transformando o rito que prepara a comunhão eucarística em falatório. É considerando o processo ritual proposto pela Liturgia que se compreende o rito preparatório da Comunhão Eucar...

Agente do ministério da ornamentação

A título de reflexão breve, seguem    três características quanto da identidade do agente do ministério da ornamentação.   Por ser breve, trata-se apenas de uma primeira proposta sobre   três    qualidades de   quem se ocupam com a ornamentação celebrativa.  Mistagogo   A primeira característica do agente do ministério da ornamentação   é a de ser um mistagogo que com sua função catequética conduz seus catequizandos para dentro do Mistério que é celebrado em cada contexto celebrativo. Quem se ocupa do ministério da ornamentação torna-se um mistagogo, isto é, não aquele catequista de propõe os primeiros elementos da fé, mas aquele que favorece nos celebrantes um aprofundamento do Mistério celebrado em vista de uma participação ativa e consciente. Como já disse em outras oportunidades, o agente no ministério da ornamentação não é um simples arranjador de flores ou criador de símbolos; é alguém que propõe uma catequese através da a...