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Criatividade litúrgica

A Liturgia acontece e se realiza concretamente na celebração com uma assembléia, por isso seria equívoco reduzi-la a textos e a normas, mesmo sendo parte da legislação litúrgica. A “actio liturgica” é a Liturgia em ato, na sua forma natural de acontecer e de ser celebrada. Por isso dizemos que a Liturgia pertence mais ao fazer, configurada na fala, no ouvir (silêncio), em gestos, em símbolos e sinais, espaços... que às prescrições para que seja bem celebrada. As normas litúrgicas — e disto a sua importância — servem para organizar e orientar a atividade litúrgica e garantir a ortodoxia da fé da Igreja nas celebrações. Em outras palavras, a Liturgia pertence à Igreja e é celebrada como Igreja. Não é uma atividade subjetiva ou pertencente a um grupo.             Neste contexto é possível considerar aquilo que se denomina de “criatividade litúrgica”. Termo nem sempre compreendido e bem utilizado em nossas comunidades. A criativida...

A Eucaristia é "fractio panis"

Um bom modo para compreender a Eucaristia encontra-se num dos seus primeiros nomes: “fracio Panis”. No início da história da Igreja, o nome dado à Missa, à celebração da Eucaristia, era “fractio panis”. Termo latino que se traduz como “fração do pão”.             O rito da “fractio panis”, na nossa Liturgia Eucarística, acontece pouco antes do rito da Comunhão Eucarística e é acompanhado pela invocação do Cordeiro de Deus. Trata-se de um rito litúrgico cantado — nem sempre respeitado em nossas celebrações — que descreve aquilo que o gesto da fração do pão representa: Jesus é o Cordeiro de Deus que oferece seu corpo para ser partilhado, repartido entre nós. É um gesto que descreve o sentido profundo da Eucaristia como doação da vida divina, que se reparte, que é partilhada, para que todos se tornem um só corpo em Cristo Jesus. Um gesto tão importante nem sempre com a valorização que deveria ter nos ritos da Missa porque muitos p...

O serviço divino na Semana Santa

A auto apresentação de Jesus como aquele que veio para servir e não para ser servido (Mt 20,28) encontra seu momento alto e sua plena realização na sua Páscoa ritual (5f Santa), na sua Páscoa dolorosa (6f Santa) e na sua Páscoa gloriosa (Sábado Santo e Domingo da Páscoa). Uma reflexão sobre o serviço divino, exercido por Jesus Cristo, nas principais celebrações da Semana Santa. Jesus, o servo obediente de Deus             O tema do serviço é totalmente pertinente na reflexão da Semana Santa. Está presente na Palavra do Domingo de Ramos, apresentando Jesus como servo obediente que, pela obediência ao projeto do Pai, fez da sua vida terrena um serviço em favor da vida humana. É o próprio Jesus que se apresenta como alguém que veio para servir e não para ser servido (Mt 20,28). Tal disposição de servir está simbolizada na sua entrada em Jerusalém, no Domingo de Ramos, montado num jumentinho, animal servidor, cooperador nos t...

Lembrando duas fontes da Liturgia

De tempos em tempos, como que folheando um álbum de fotografias, é interessante e importante relembrar algumas fontes da Liturgia, como por exemplo, o fato que nossa Liturgia ter sido criada pelos Apóstolos e pela Igreja primitiva, a partir das instruções do Senhor Jesus.             Nesta lembrança, não se pode esquecer que tanto Jesus como os Apóstolos, vinham de um povo que sabia rezar, que dedicava momentos do dia a oração ritual e pessoal. Lembramos que nossa Liturgia nasceu e cresceu num contexto orante; no contexto de uma comunidade orante. A Liturgia da Igreja nasceu bebendo na fonte da oração e isto determina uma das mais importantes características da celebração litúrgica: ser momento de oração comunitária eclesial. Trata-se de reiterar aquele predomínio orante da Liturgia, no sentido que somos uma Igreja que se reúne em Liturgia para rezar.             Uma segund...

O poder do serviço celebrado na Liturgia

Quem lida com PL conhece a etimologia da palavra “Liturgia”: serviço; serviço prestado ao povo. Liturgo é alguém que se dedica a servir o povo, diz o primeiro volume da coleção Anàmnesis. A prioridade do serviço litúrgico, sendo redundante nos significados, pertence a Deus. É Deus que, na Liturgia e pela Liturgia, dedica-se a servir seu povo. Jesus é o “diácono” divino, o servidor de Deus e dos homens. É a Liturgia como “Opus Dei”, o serviço de Deus. São noções que nos situam na proposta serviçal contida na Liturgia. A resposta humana ao serviço divino acontece em duas atividades. Primeiro pelo serviço laudativo e glorificador que a Igreja celebrante eleva a Deus; é o “sacrificium laudis” (sacrifício, no sentido de “oferta”; o louvor é um sacrifício, é um dom oferecido a Deus). O segundo momento deste serviço acontece no cotidiano da vida de cada celebrante que transforma sua vida em serviço fraterno. É o “sacrificium vitae”, a oferta da vida que acontece concretamente pelo serviço....

O culto cristão

O culto cristão, que a Igreja rende ao Pai, acontece por Cristo, com Cristo e em Cristo, na unidade do Espírito Santo. Pela Liturgia, o celebrante participa e dá continuidade ao culto filial que Jesus Cristo rende ao Pai. Desse modo, nas ações litúrgicas, o celebrante (todos os celebrantes que participam de uma celebração litúrgica) não se apresentam sozinhos diante de Deus, mas sempre acompanhados de Jesus, que torna divino (diviniza) o culto humano, tornando-o santo e agradável diante de Deus. Liturgia: culto de celebração orante             É Jesus, nosso Sumo e eterno Sacerdote, que oferece nossas súplicas e nossos louvores ao Pai. É o Espírito Santo, condutor de todas as celebrações litúrgicas, que diviniza (santifica) o culto litúrgico que a Igreja oferece a Deus. Entende-se, portanto, que toda celebração litúrgica autêntica realiza-se em contexto oracional, considerando as três características da oração cristã: o silên...

Pregações apocalípticas e medo

Já tive oportunidade de refletir neste espaço sobre a escolha evangelizadora que privilegia ameaças e medo nas pregações. Refiro-me a pregadores que, na falta de argumentos consistentes, preferem apelar para castigos e anúncios destruidores que acontecerão no final dos tempos. Tais pregadores seguem a lei do menor esforço: em vez de anunciar um Evangelho — uma boa notícia — e o compromisso que este traz consigo, anunciam o medo, o que pode transformar-se em “má notícia”. Configuram kerigma, alegre anúncio de uma boa nova, a ameaças de destruições apocalípticas, no sentido dado ao termo em nossos dias. Em vez de incentivarem a confiança, insistem no medo da destruição. Um desserviço ao Evangelho.             Estes pregadores seguem o caminho mais fácil porque é cômodo profetizar ameaças e destruição. Agem na base do “avisei; se não quiserem me ouvir, não venham reclamar depois”. Adotam a atitude de quem se coloca num patamar acima...