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Pastoral da Penitência

Cada vez mais se percebe a importância e, até mesmo, a necessidade de favorecer celebrações do Sacramento da Penitência em nossas comunidades. A cultura da raiva, do ódio, o aumento da agressividade, as vinganças de diferentes formas e modelos, dizem que nada disso vem de Deus. Diante de uma sociedade que se torna cada vez mais avessa à fraternidade, a Pastoral da Penitência torna-se cada vez mais e sempre mais uma necessidade urgente em nossas comunidades.  A fonte do perdão encontra-se na misericórdia divina, celebrada no Sacramento da Penitência, que é especialmente motivante para reconfigurar os relacionamentos a partir do perdão. Por isso, a finalidade da Pastoral da Penitência não consiste em “fazer campanhas para aumentar o número das confissões”, mas para implantar e cultivar a mentalidade do perdão e da misericórdia celebrado no Sacramento da Penitência. Este tema encontra uma luz na parábola do “Servo cruel”. Conta o perdão de um rei bondoso e um servo que não foi cap...

“Sabaoth”: Deus dos exércitos!

Quem se dedica à análise da eucologia — não “ecologia — depara-se com um atributo divino, especialmente em hinos litúrgicos, que pode causar confusão. O atributo divino “sabaoth”. Existe uma diferença entre “Sabaoth” e sábado. Sobre o sábado, diz o dicionário virtual do Google: “No judaísmo o  sábado  (שַׁבָּת, pronunciado "Shabat") significa "descanso," "cessação, "repouso" ou "interrupção" é o sétimo dia da semana dedicado à oração e ao descanso, pois segundo a tradição hebraica Deus descansou no sétimo dia após completar a criação do universo (Gn 2,1-3). Isto quanto ao “sábado”. O termo ao qual fazemos referência é “SABAOTH”, presente em dois conhecidos hinos litúrgicos: no Trisagion, cantado em todas as Orações Eucarísticas, e o Hino Litúrgico “Te Deum”. O texto do Trisagion canta “Deus três vezes Santo”, — “Santo, Santo, Santo” — para dizer que Deus é a santidade infinita e unicamente santa. A presença de “sabaoth” está em latim: ...

Liturgia, uma “obra aberta”

O semiólogo italiano Umberto Eco escreveu um livro chamado “Opera aperta” (“Obra aberta”). Eco explica que alguns processos de comunicação são obras abertas, quer dizer, fontes de mensagens com interpretações diversas. É o que acontece com a linguagem artística. Um quadro, uma escultura, uma foto, por exemplo, têm significados diferentes, promove reações diferentes dependendo do contexto, da cultura, do tempo e do estado emocional de quando se entra em contato com a obra de arte. É uma obra aberta; não fechada numa única interpretação.             É exatamente isso que acontece com a Liturgia; com a linguagem litúrgica, mais especificamente. Cada celebração é diferente da anterior e diferente da vindoura. É única. A proeza de transformar uma celebração igual à outra é própria da miopia de quem vê a realidade da vida sempre igual, de quem parou no tempo, de quem não entrou na dinâmica do Reino, que é semelhante ao fermento jogado...

Respeito para com a Eucaristia

São João Paulo II, em várias oportunidades, chamou atenção ao respeito para com a Eucaristia. A convocação do “Ano da Eucaristia” (2004) tinha, entre outras finalidades, chamar atenção para a centralidade da Eucaristia na vida da Igreja e ressaltar o respeito para com a Eucaristia.             Ao dividir a palavra respeito — res + peito — nota-se que a mesma tem a ver com aquilo que trazemos dentro da gente, lá no peito; no coração. A gente respeita aquilo que ama, que tem tanta consideração a ponto de guardá-la no coração. São coisas do peito, coisas do coração, coisas com as quais a gente mantém uma relação diferente, mais aprimorada, mais recata, mais carinhosa; mais respeitosa.             Lembro-me, numa ocasião, que antes da Missa, um jovem se apresentou para proclamar a Palavra vestindo bermuda e camiseta regata. O padre perguntou onde iria vestido daquele jeito. —...

Dimensão orante do canto de comunhão

Dentre os critérios propostos para escolher o canto de comunhão, um deles é a dimensão orante. A escolha do canto de comunhão pode estar relacionada com a Liturgia da Palavra, pode inspirar-se em algum compromisso existencial, derivado do Evangelho, um compromisso eclesial, como é o caso da Campanha da Fraternidade, ou outro critério condizente. Peço permissão para chamar sua atenção para o critério orante na escolha de um canto de comunhão.             É preciso esclarecer que não se trata de um canto de adoração Eucarística. Aquelas são canções destinadas a momentos adoradores ao Santíssimo Sacramento. A dimensão orante, que me refiro, tem a ver com acompanhar a procissão da comunhão rezando com a canção. Isto acontece de modo especial pelo canto de um salmo. Um exemplo muito fácil para compreender o que digo: se o Evangelho relata a atividade do Bom Pastor, uma excelente escolha para cantar durante a procissão da comunhão s...

Pastoral Litúrgica Paroquial e casamentos

Na maior parte das comunidades, a “indústria dos casamentos” tomou conta das celebrações e ocupa o lugar da Pastoral Litúrgica Paroquial (PLP). Existe todo um comércio que gira em torno das celebrações de casamentos, incluindo a Liturgia. Comércio de olho no vestuário dos noivos, padrinhos e madrinhas, na preparação da festa e, no caso da Liturgia, nos ritos da celebração matrimonial. No que se refere a este último aspecto, a “indústria dos casamentos” assume a função que deveria ser da equipe (ou equipes) de celebrações matrimoniais. Tornou-se uma espécie de “equipe celebrativa terceirizada”. Vou considerar somente o Rito Matrimonial fora da Missa.             O ingresso da “indústria dos casamentos” na Liturgia começou com a ornamentação, entrou com tudo pela música e, agora, chega aos ritos, com um novo personagem: o cerimonialista. Na Liturgia, temos o cerimoniário, no casamento, o cerimonialista.    ...

Acolhimento na Pastoral Litúrgica Paroquial

Um tema importante da Pastoral Litúrgica Paroquial (PLP) é o acolhimento. Importante e, ao mesmo tempo, pouco compreendido, considerado e reduzido, em muitas comunidades, como sinônimo de ser agradável para com quem vem participar de celebrações. Deste modo, reduz-se a Pastoral do Acolhimento na Liturgia a dar boas-vindas e distribuir folhetos na porta da igreja, antes das celebrações. Isto também faz parte acolhimento, mas para isso não é necessário criar um ministério. Dar boas vindas e distribuir folhetos é apenas uma função que qualquer pessoa pode exercer. Claro que ser agradável é uma atitude recorrente e, digamos, normal de todo bom acolhimento. Mas, no contexto da PLP existe um algo a mais: o diálogo. O acolhimento, no contexto da PLP, é um espaço dedicado ao diálogo, por isso deve ser ocupado por pessoas que conheçam as exigências decorrentes da celebração de todos os sacramentos em razão do compromisso de vida, como é o caso, por exemplo, da Eucaristia, do Batismo, do Mat...