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Mostrando postagens de abril, 2016

Genuflexão e rezar ajoelhado

Dobrar os joelhos é um ato de adoração, realizado com o corpo, que expressa respeito e humildade profunda diante de Deus. De fato, só fazemos genuflexão diante de Deus e não diante do altar ou de imagens. Diferente do ajoelhar-se, que é uma posição estável, a genuflexão é um gesto pontual, realizada com a flexão do joelho. É feita pelo padre, na Missa, depois de cada uma das consagrações (Pão e Vinho) e antes da comunhão. Os fiéis manifestam pela genuflexão ou por outro gesto de adoração, o respeito para com a Eucaristia, diante do tabernáculo, onde se encontra o Santíssimo Sacramento. A genuflexão com um único joelho foi introduzida no século VIII com muita relutância, pois se alegava que a mesma era equiparada ao gesto de desprezo que os soldados romanos faziam diante de Jesus, durante a flagelação. Fora da Missa, a genuflexão simples, como é conhecida, é feita ao se passar diante do Santíssimo Sacramento, no tabernáculo, e em alguns momentos de celebrações solenes relaciona...

Os 30 pecados do músico católico

Há um bom tempo atrás, quando Pe. Joãzinho, scj, ainda era seminarista e meu aluno, e me acompanhava nos cursos de Liturgia por este Brasil afora, nos momentos livres dos cursos ou durante as dinâmicas de grupos, aproveitávamos para escrever frases de efeito. Às vezes, mais que frases surgiam listas, como estas dos 30 pecados do músico católico, que está publicada em vários sites católicos e de outras Igrejas cristãs. Desde então, reconheço que muita coisa mudou, mas nem tanto como eu gostaria, principalmente entre aqueles que colocam seus talentos musicais a serviço da Liturgia e dos celebrantes. Infelizmente, os 30 pecados do músico católico não mudaram muito, porque ainda persiste em muitos ministérios de música a tentação do show durante as celebrações. E onde há tentação, existem duas possibilidades: ou se foge do pecado ou se cai na tentação e se peca. Por isso, é preciso continuar rezando: “não nos deixeis cair em tentação” . Da parte dos músicos: não cair em tentaçã...

Tabernaculo – Capela do Santíssimo

De origem latina, “tabernaculum” tem o significado de tenda, local de acolhimento e de encontro. Depois da Aliança selada no Sinai entre Deus e o povo, a “tenda do encontro” tornou-se um lugar sagrado porque ali acontecia, como diz o nome, o encontro entre Deus e seu povo, representado na pessoa de Moisés. Por isso, um primeiro significado de tabernaculo define-se como local onde acontece o encontro com Deus. No Novo Testamento, a tenda verdadeira — o tabernáculo de Deus, o local do encontro com Deus — não é feita por mãos humanas (Hb 9,11.24), mas se faz presente na humanidade encarnada por Jesus Cristo (Jo 1,14). Ele construiu sua tenda entre nós, canta a Liturgia nas antífonas do Advento.   Os tabernaculos de nossas igrejas conservam o Santíssimo Sacramento e se tornam, na caminhada pascal realizada em nossas comunidades, locais do encontro pessoal com Deus, na pessoa de Jesus Cristo. De modo muito pastoral, a reforma da Liturgia propõe capelas do Santíssimo como locais a...

O endereço é o altar

“Ara Christus est” . Cristo é o altar. É assim que os primeiros teólogos da Igreja descreviam o altar. O altar é a presença de Jesus, ao redor do qual a Igreja se reúne para celebrar a ação de graças ao Pai, na celebração Eucarística. Por isso, o altar não é uma simples mesa, mas de um sacramento ou, como dizem os gregos, um “symbolon”, um símbolo (não apenas um sinal), quer dizer, uma presença: a presença de Jesus Cristo. Oportunamente, trataremos mais sobre o altar. Como considerado em outras reflexões publicadas neste blogger, a procissão inicial da Missa não é um rito de acolhimento do padre e de ministros, mas uma caminhada da Igreja que se aproxima de Jesus Cristo, o altar da Igreja, sobre o qual a Igreja oferece o Sacrifício Eucarístico, Sacrifício da Nova e Eterna Aliança. É neste sentido que o título desta reflexão encontra seu sentido: “o endereço é o altar”. Na procissão de entrada da Missa, a Igreja se direge a Cristo, simbolizado sacramentalmente no altar. É devido a is...

QUASIMODO – Domenica in albis

Primeira palavra latina da antífona de entrada do 2º Domingo da Páscoa — “quasimodo genit infantes” — que significa “como crianças recém-nascidas...” (1Pd 2,2) . Trata-se de uma exortação litúrgica, feita em forma de ritual antifonário, para que aqueles que receberam o Batismo na Vigília Pascal continuem alimentando a fé com o alimento espiritual da Páscoa no momento que terminam as grandes festas pascais e se ingressa na vida ordinária. Neste Domingo da Oitava da Páscoa, os novos batizados, isto é, aqueles que tinham sido batizados na Vigília Pascal tiravam a veste branca que tinham recebido no rito batismal e usado nas celebrações da Oitava de Páscoa, no decorrer da semana e a depositavam aos pés do altar. Devido a este rito, de se desvestir das vestes brancas recebidas na Vigília Pascal, o 2º Domingo da Páscoa é também conhecido como “Domenica in albis”. Na tradução literal: “Domingo branco”. (SV)

Canto de entrada

A Missa Dominical, em especial, tem início com uma procissão acompanhada por um canto denominado “canto de entrada”. Toda a assembléia, de pé, é convidada a acompanhar a procissão inicial cantando.             Os cantos que cantamos nas Missas são partes integrantes da celebração Eucarística.  Cada parte da Missa, portanto, exige um canto que seja de acordo com o momento celebrativo. Entendemos, pois, que o canto de entrada deve reunir características desse momento da Missa: ser um canto processional que conduz ou que acompanha a Igreja, presente na assembléia reunida, até o altar do Senhor. Em princípio não se trata de um canto de abertura da celebração, pois a abertura acontece com a procissão inicial, mas de acompanhamento da procissão inicial. Aponto três características do canto de entrada.             Por ser o momento inicial, a primeira característica do canto ...

IGMR 36 - Participação ativa dos fiéis

“Outras partes, muito úteis para manifestar e fomentar a participação ativa dos fiéis e que competem a toda a assembléia convocada, são principalmente o ato penitencial, a profissão de fé, a oração universal e a oração do Senhor.” (IGMR 36) Como no comentário da Instrução Geral do Missal Romano, já comentado neste espaço (IGMR 35), retomamos o tema da participação ativa dos celebrantes, durante a Missa, presente na IGMR 36. A expressão “participação ativa” dá a entender que existe uma “participação inativa”. Pessoalmente, considero isto uma impossibilidade, apoiando-me no princípio comunicativo de Paul Watslawick: “é impossível não se comunicar; o silêncio ou a indiferença são formas comunicativas, que passam uma mensagem a destinatários”. Mas, entendendo que por “participação ativa”, a IGMR está se referindo a uma ação concreta que envolve os celebrantes.   Os dois verbos usados são “manifestar” e “fomentar” a “participação ativa” na assembléia. Dois verbos indicativos de q...

Acolhamos o celebrante...

O comentarista termina o comentário inicial, olha para a assembléia e diz: “de pé, acolhamos o celebrante cantando o canto de entrada”. Alguns outros comentaristas dizem: “acolhamos o padre com sua equipe”.... Pois é, a CNBB pediu para substituir o ministério de comentarista pelo de ambientador, mas parece que a proposta pastoral ainda não vingou. Mas, o que interessa é o título de nossa reflexão, que precisa ser refeito ou, em algumas comunidades, corrigido.             Já refletimos que quem celebra a Missa é toda a assembléia reunida ao redor da Mesa da Palavra e da Mesa do Altar. Por isso, o mais correto seria dizer: “de pé para participarmos com o canto inicial da procissão de entrada”. É algo bem fácil e simples de corrigir; basta um pouco de atenção e tempo para se acostumar com o novo linguajar e começar a entender o significado da procissão que abre a celebração Eucarística        ...

Pão

O pão é o maior alimento símbolo da nutrição do homem e da mulher. É com essa função que o pão torna-se símbolo ofertado a Deus como oblação da vida e do trabalho humano, como diz a oração da apresentação do pão, na preparação das oferendas da Missa. No Antigo Testamento, Deus pede que lhe sejam oferecidos os pães da proposição — literalmente, os pães de sua face. Pães que eram colocados diante da face divina, diante dos olhos de Deus, durante uma semana, na Tenda ou no Templo, antes de serem consumidos pelos sacerdotes (Ex 25,30; Lv 24,5-9). Mas isto é apenas figura, imagem daquilo que se torna realidade em Jesus Cristo, pão vivo descido do céu (Jo 6,51).             Jesus Cristo, Verbo de Deus, é a Palavra que veio de Deus e a ele retorna depois de produzir frutos para alimentar a vida humana (Is 55,11) e fortalecer o coração do homem e da mulher (Sl 103,15). No discurso do “Pão da Vida” (Jo 6), Jesus se apresenta como o Pão ...