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Mostrando postagens de setembro, 2015

Celebração de santos e santas

              A Igreja sempre celebra o Mistério Pascal de Cristo. Esta é uma máxima da Teologia Litúrgica. Um modo de dizer que nós, em todas as celebrações do Ano Litúrgico, especialmente na Eucaristia, celebramos o Mistério Pascal de Jesus Cristo. Isto vale também para as celebrações que envolvem os santos e as santas. Dito de modo negativo: não celebramos os santos e as santas dirigindo a eles nossas súplicas e louvores, mas celebramos a vida de homens e mulheres, que chamamos de santos e santas, por participarem plenamente do Mistério Pascal de Cristo e nele se santificaram.             Na Igreja antiga, os catecúmenos, antes de serem batizados, tinham nos mártires um exemplo do seguimento fiel do Evangelho com a entrega da própria vida. Os mártires, ainda hoje, são apresentados como exemplos de fidelidade, pois, perseguidos e ameaçados de morte, não abandonaram a fé e entregaram suas ...

Liturgia, crise, política e moral

A frase “celebrar a vida” sempre aparece em textos litúrgicos, em palestres a reflexões sobre a Liturgia. É uma frase genérica e, por isso, aberta a muitos aspectos da vida pessoal e social. Um destes aspectos é a questão política, da qual fazem parte os celebrantes. Mas, quando este tema aparece celebração, muita gente torce o nariz, e muitos alegam que se está transformando o presbitério em palanque político.             Defendo que a celebração precisa manter suas características religiosas, especialmente a dimensão orante. Mas, juntamente com a dimensão orante, existe aquela reflexiva, própria da Lectio Divina, que antecede a celebração (na preparação) e que a contextualiza, particularmente no momento da homilia. Ou seja, é a Palavra que conduz a vida pessoal, social e política para dentro da celebração. Isto ajuda-nos a perceber que o tema “política, crise e moral” tem sentido quando introduzida no contexto da proclamação da...

Sexta-feira Santa

A Sexta-feira Santa é um dia litúrgico solene, no contexto da Páscoa anual, no qual a Igreja celebra a oblação suprema do amor de Jesus ao Pai pela Salvação da humanidade (Jo 13,1; 14,31). É o dia da Paixão e Morte de Jesus, que entregando seu Espírito ao Pai (Jo 19,30) concede à sua Igreja o Espírito Santo. É um dia de penitência e, em certo sentido, de luto. Um dia que a Igreja convida seus filhos, filhas, homens e mulheres de boa vontade a contemplar a grandeza da oblação da vida divina, em Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, a exaltação da glória divina presente no supremo sacrifício oblativo de Jesus Cristo (Jo 12,23-28). A Liturgia das Horas, na Sexta-feira Santa assume a característica de celebração solene, com a mesma estrutura ritual da Missa: três leituras, das quais a terceira é a Paixão do Senhor, segundo o evangelista João; a Oração Universal, no lugar do sacrifício Eucarístico; a Adoração da Cruz e a Comunhão Eucarística. Para dar mais ênfase ao Sacrifício do Calvário, ...

Temporal

O Temporal é considerado parte essencial do Ano Litúrgico. Consiste no desenvolvimento anual do Mistério Pascal de Jesus Cristo, introduzindo a Igreja no aprofundamento da vida Trinitária. O Temporal se compõe dos Ciclos do Natal e da Páscoa, entre os quais acontece o Tempo Comum. O Temporal é distinto do Santoral, o qual contém o exemplo de homens e mulheres que viveram o discipulado de Jesus Cristo de modo pleno e radical, nas mais diferentes esferas da vida humana. Desta forma, o Temporal comporta períodos característicos do Ano Litúrgico e o Santoral contém as celebrações dos santos e santas, fixados em datas precisas. Salva exceções, o Temporal tem preferência sobre o Santoral. 

Compromisso concreto da celebração

             O título completo desta reflexão deveria ser: “o compromisso concreto como conseqüência de cada celebração litúrgica, especialmente da Missa”. Por isso, o título acima está abreviado como “compromisso concreto da celebração”. Um título que reponde à questão: como a Eucaristia favorece o caminho do discipulado?             Quem usa as propostas celebrativas do SAL – Serviço de Animação Litúrgica – está acostumado com uma sugestão que denominamos de “compromisso concreto” . Trata-se de uma proposta de vivência iluminada na celebração de cada Domingo. Uma proposta de vivência concreta inspirada na Palavra da celebração, especialmente no Evangelho, que pode ser de caráter pessoal, comunitário, espiritual, familiar, pastoral... Por ser concreto, vem com matizes de praticidade, como por exemplo, realizar alguma atividade ou obra de misericórdia, ou com matizes de crescimento na espiritual...

Sacramentário

Do latim “sacramentarium”. Nos primeiros tempos da Igreja, o Sacramentário era o livro do altar, usado pelo padre para a celebração da Eucaristia. Ele continha as orações coletas, Prefácios e Oração Eucarística. Os antigos Sacramentários são denominados como Sacramentário Veronense ou Leoniano (do século IV – V), Sacramentário Gelasiano (do século VI – VII) e Sacramentário Gregoriano (do século VII). Estes sacramentários são as principais fontes do atual Missal Romano. Atualmente, com o termo Sacramentário se designa o Ritual (livro) quem contém os ritos e orações de alguns Sacramentos e sacramentais. 

Espírito Santo na Liturgia

Inicio pedindo desculpas pelo título: genérico demais. É assunto para uma enciclopédia litúrgica, dada a dimensão de textos, tratados e considerações teológicas sobre a ação do Espírito Santo na Liturgia.  Meu professor de Liturgia Oriental, Padre Daniel Gelsi, um dos professores mais sábios que tive na vida, definia a ação do Espírito Santo na Liturgia com a imagem de um “corifeu”. Quem é o corifeu? Os dicionários descrevem o corifeu como o regente do coro nas tragédias gregas; a pessoa que aconselha, fomenta ou incita o personagem a assumir uma atitude diante de um momento da vida. A figura e a atividade do corifeu facilitam nossa compreensão sobre a atividade do Espírito Santo, nas celebrações litúrgicas. É o Espírito Santo quem conduz a celebração, que garante a veracidade do culto celebrativo e, através da Liturgia, “aconselha”, no sentido que inspira cada celebrante a sintonizar sua vida com o ato celebrativo do qual participa em vista de viver aquilo que celebra e celebra...

Pala

Do latim “palla”: manto, lenço. A pala é um utensílio litúrgico, feito de linho branco rígido (engomado), de formato quadrado, com a finalidade de cobrir o cálice. Trata-se, como dito, de um utensílio para cobrir o cálice protegendo-o de sujeiras ou de insetos que possam cair dentro do cálice, durante a celebração a Missa. A pala não é um utensílio “obrigatório”, digamos assim, mas útil naquelas comunidades e igrejas onde existe a possibilidade de cair algum tipo de corpo estranho no vinho. Nas comunidades e igrejas onde não existe tal risco, seria até melhor que o cálice ficasse exposto sem a pala para realçar o sua mensagem simbólica no contexto celebrativo. 

Opus Dei, sinônimo de Liturgia

“Opus Dei” – “Obra de Deus” ou as “Obras de Deus” — no Antigo Testamento são as maravilhas realizadas por Deus em favor do seu povo e com o seu povo (Gn 2,2-3; Is 5,12; Jr 48,10). No Novo Testamento, Jesus ensina que a “opus Deis” (a obra de Deus) consiste em crer naquele que ele enviou (Jo 6,28-29). Para São Paulo, a missão do Apóstolo consiste em colaborar com a “opus Dei”, com a “obra de Deus” em favor do povo (1Cor 3,9; 15,18), cuja atividade apostólica se caracteriza em continuar a obra de Cristo (“opus Christi”) (Fl 2,30), realizada no Mistério Pascal. Toda vida cristã, na prática, tem em vista colocar em ação — atualizar na sociedade — a “opus Dei” (a obra de Deus) para que o Reino de Deus aconteça entre nós.   Dentre as atividades de atualizar a “opus Dei”, a Liturgia ocupa um posto central, pois a Liturgia é o conjunto de atos que condensa a colaboração de Deus e de seu povo, o momento mais integral e mais expressivo desta colaboração, para que a “opus Dei” (a obra de D...

Unção dos Enfermos

A Unção dos Enfermos continua na Igreja a obra de misericórdia realizada pelo Senhor em favor dos enfermos, através da imposição das mãos (Mt 8,3.15; Mc 6,5). Ainda entre nós, Jesus enviou os Apóstolos em missão para expulsar os demônios e ungir os doentes com óleo (Mc 6,13).  Na sua despedida, Jesus indica os sinais que acompanharão os que crêem (Mc 6,17) e, entre estes, o mandato de impor as mãos sobre os enfermos para que fiquem curados (M 6,18). É o que também se lê na Carta de Tiago (Tg 5,14-16) Alguém dentre vós está doente? Mande chamar os presbíteros da igreja, para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo no nome do Senhor. A oração feita da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará. E se tiver cometido pecados, receberá o perdão. Confessai, pois, uns aos outros, os vossos pecados, e orai uns pelos outros para serdes curados. A oração fervorosa do justo tem grande poder. O rito celebrativo da Unção dos Enfermos realiza-se com um ato penitencial e uma prece litâ...

Equipe de celebração e Pastoral da Esperança

             Muitas são as comunidades paroquiais que criaram a Pastoral da Esperança, com a finalidade de atender famílias e pessoas em casos de morte e de pós-morte. O contexto desta reflexão tem a ver com a relação entre a Pastoral Litúrgica e a Pastoral da Esperança. Duas pastorais que, especialmente em comunidades mais numerosas, precisam atuar conjuntamente.             A Pastoral da Esperança nasceu da necessidade de ajudar o padre no atendimento de pessoas e famílias enlutadas. É um trabalho que exige preparo psicológico e espiritual de seus agentes, para que saibam ser presença, especialmente silenciosa e de fé, no difícil momento da morte. Mas, não é sobre este aspecto que dirijo minha reflexão. Contextualizados na dimensão litúrgica, a Pastoral da Esperança tem, entre as suas atribuições, realizar algumas celebrações, como o rito de encomendação dos falecidos, além de outras celebraçõ...

Naveta

Diminutivo latino de “navis”, com o significado de pequena nave (naviozinho). A naveta é um pequeno recipiente, no formato de uma nave miniaturizada, utilizada para se colocar o incenso usado no turíbulo ou num incensório, em ritos celebrativos da Liturgia.