17 de mar de 2017

Ornamentação litúrgica inspirada na natureza

Quem atua na Pastoral da Ornamentação precisa ter sempre presente que a Liturgia vem em primeiro lugar e que a ornamentação está a serviço da Liturgia e de cada celebração, mais especificamente. A ornamentação é um elemento importante para bem celebrar, mas não o principal. Deste modo, a ornamentação assume a função de serviço em vista do bem celebrativo. Ornamenta-se para favorecer uma melhor participação e compreensão do Mistério celebrado.
O serviço da ornamentação tem muitas fontes inspiradoras. Entre estas, a natureza; inspirações que vêm da natureza, em se tratando de ornamentação floral. Falo de inspiração na composição de alguns arranjos e do simbolismo constante que outros arranjos florais podem exercer na vida dos celebrantes. Em outro artigo, propus a técnica da ikebana para compor arranjos florais. A proposta continua de pé; agora, minha proposta é buscar a inspiração que se encontra na natureza, sempre iluminados, é evidente, pela Palavra de cada celebração.
É um aspecto que convida o ministério da ornamentação a ficar atento ao que vê na nossa flora.  Um arranjo com cactos, por exemplo, pode ser inserido numa composição floral com pedras, indicando simbolicamente a força da vida, mesmo onde existem pedras. Trata-se de uma representação simbólica e, ao mesmo tempo, de um símbolo vivo presente na flora de muitas regiões do nosso país. Uma composição da paisagem que, em forma simbólica, foi "participar" da celebração, mas que continua na paisagem evocando a mesma mensagem da Palavra anunciada naquela celebração. É um símbolo que não termina sua função simbólica no fim da celebração, pois continua depois de a celebração ter sido concluída, por estar presente na natureza.
Outro exemplo. No Domingo que o Evangelho traz o convite de Jesus para olhar os lírios do campo (8DTC-A), não é necessário compor um arranjo floral, exatamente, com lírios do campo. Para ajudar os celebrantes a compreender o significado dos lírios do campo, na parábola de Jesus, pode-se preparar um arranjo com flores silvestres ou com aquelas flores que nascem em qualquer terreno e até mesmo em calçadas. Assim, o arranjo floral se coloca a serviço da celebração, favorecendo nos celebrantes maior compreensão do Mistério que se está celebrando. Este é outro exemplo de como a mensagem do arranjo continua falando depois de concluída a celebração.
Minha proposta, nesta breve reflexão, quer também chamar atenção para compor arranjos com aquilo que se tem na flora onde vive a comunidade. Em comunidades com dificuldades financeiras, o custo com flores pode ser proibitivo, de onde a proposta de buscar na vegetação local a inspiração para fazer algum arranjo que simbolize e favoreça uma participação ativa e consciente.
Serginho Valle
2017


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