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Kyrie eleison

A aclamação “kyrie eleison”, que foi traduzido em português como “Senhor tende piedade de nós”, encontra-se na tradução grega da Bíblia dos Setenta (conhecida como “Septuaginta) do Antigo Testamento, traduzida entre os séculos III ao I a.c. A aclamação é encontrada, por exemplo, nos salmos 4,2; 6,3; 9,14; 25,11 e em outros salmos. No Novo Testamento, a aclamação “kyrie eleison” passou a ser dirigida a Jesus Cristo, como lemos em Mt 15,22 e Mt 20,30.
             O “Kyrie eleison” entrou na Liturgia cristã no século IV, na Síria e na Palestina, durante o rito da Oração dos Fiéis, como aclamação dos celebrantes que participavam da Missa. No Ocidente, São Bento (século VI) menciona o “Kyrie eleison” em sua regra como primeira invocação das ladainhas recitadas no final dos Ofícios. São Gregório Magno (590-604) testemunha que o “kyrie eleison” era cantado em Roma no início da Missa pelo coral e repetido pela assembléia com a mesma melodia. À invocação do “kyrie eleison”, na nossa Liturgia, foi acrescentado o “Christe eleison” que, segundo fontes, tem sido introduzido antes do Papa Gregório Magno (+ 604), já que o mesmo Papa faz referência ao “Christe eleison” como um costume já presente na Liturgia romana. O “Christe eleison” não é usado em Liturgias Orientais.
            De origem Oriental, o “kyrie eleison” fazia parte de uma ladainha, a “ectenia”, também cantado em Roma, nos dias das Estações e nas vigílias da Páscoa e de Pentecostes. Na antiga Liturgia Romana, o kyrie era recitado sem um número determinado de vezes, como acontece atualmente. Era cantado de modo indeterminado sendo interrompido pelo presidente da celebração com um gesto.
No século IX, começou-se a proclamar a aclamação do “kyrie eleison” como recitado atualmente em nossa Liturgia, não somente na Missa, mas também em ladainhas, em Ofícios e em celebrações sacramentais, como por exemplo, na Unção dos Enfermos.
Na Liturgia Romana atual, recita-se quatro “kyrie eleison” depois do ato penitencial, e dois “Christe eleison” quando o ato penitencial não conter a invocação “Senhor, tende piedade de nós”. Mantendo a antiga tradição, o “kyrie eleison” poderá ser proclamado como invocação assemblear durante a Oração dos fiéis.
É importante lembrar que esta aclamação não tem um sentido penitencial em si, como atualmente lhe atribuído por muitos, o que serviu de tema para muitos debates por ter sido incluído como ato penitencial. Trata-se, sim, de uma invocação aclamativa à misericórdia divina, que pode ser para o perdão dos pecados, para suplicar a proteção divina ou para proclamar alegremente a bondade divina para conosco. No contexto celebrativo Eucarístico, o “kyrie eleison” é um louvor ao “senhorio” de Jesus Cristo, o qual é proclamado como Kyrios (ele é o Senhor) e como Christós (ele é o Ungido do Pai, pelo Espírito Santo; o Cristo de Deus).

(SV)

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